{"id":3436,"date":"2021-07-22T16:43:27","date_gmt":"2021-07-22T19:43:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=3436"},"modified":"2025-06-17T10:12:00","modified_gmt":"2025-06-17T13:12:00","slug":"projeto-habitacional-de-media-e-alta-renda-traz-impactos-ambientais-sociais-e-historicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=3436","title":{"rendered":"Arado Velho: Projeto habitacional de m\u00e9dia e alta renda traz impactos ambientais, sociais e hist\u00f3ricos"},"content":{"rendered":"\r\n<p style=\"text-align: justify;\">A Fazenda do Arado Velho ocupa 426 hectares no bairro Bel\u00e9m Novo, Extremo Sul de Porto Alegre (RS), e pertencia ao falecido Breno Caldas, fundador do Grupo Jornal\u00edstico Caldas Jr. (engloba a R\u00e1dio Gua\u00edba, o jornal Correio do Povo e a TV Gua\u00edba &#8211; canal 2). Foi vendida em 2010 por seus herdeiros \u00e0 Arado Empreendimentos Imobili\u00e1rios Ltda, mais uma entre tantas empresas do milion\u00e1rio Iboty Ioschpe, que tenta, desde ent\u00e3o, alterar o regime urban\u00edstico da regi\u00e3o para construir o megaempreendimento.<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">A fazenda abriga <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YcRhbplnfPg\"><strong>\u00a0uma das \u00faltimas \u00e1reas de mata nativa preservadas em Porto Alegre (quase metade do terreno, cerca de 200 hectares, constitui uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental)<\/strong><\/a>, com fauna e flora espec\u00edficas. A parte rural baixa, onde era criado gado, fica bastante \u00famida quando chove e, junto com a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o, serve de ref\u00fagio para aves migrat\u00f3rias e animais, inclusive alguns amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Nos antigos canais de drenagem para produ\u00e7\u00e3o de arroz aparecem peixes raros. A fazenda tamb\u00e9m conta com um s\u00edtio arqueol\u00f3gico ind\u00edgena, ru\u00ednas dos s\u00e9culos 19 e 20 e instala\u00e7\u00f5es e pr\u00e9dios constru\u00eddos por Breno Caldas. Do ponto de vista ambiental e hist\u00f3rico, s\u00e3o muitos motivos para que a prefeitura de Porto Alegre adquirisse a fazenda para preservar a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o e o bioma intactos e transformasse em um parque natural p\u00fablico, garantindo o acesso controlado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, a exemplo do Parque Estadual de Itapu\u00e3, que fica pr\u00f3ximo ao local.<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\r\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YcRhbplnfPg<\/div>\r\n<figcaption><em>\u00c1reas mais baixas da Fazenda do Arado Velho constituem importantes banhados, que ajudam a evitar alagamentos na regi\u00e3o e servem de ref\u00fagio para animais. <\/em><\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tem uma quest\u00e3o ambiental e social que se destaca: a maior parte do Arado \u00e9 formada por banhados, sendo uma importante \u00e1rea de inunda\u00e7\u00e3o do Gua\u00edba e, enquanto tal, possui a fun\u00e7\u00e3o de amortecer as cheias do rio na regi\u00e3o do Extremo Sul. O Plano Diretor em vigor j\u00e1 permite a constru\u00e7\u00e3o de at\u00e9 1.323 unidades habitacionais na fazenda, mas para tornar o neg\u00f3cio mais lucrativo a empreendedora projeta construir 1.807 unidades para moradia e uma parte comercial, totalizando 2.357 lotes. S\u00e3o 1 mil terrenos a mais, representando um acr\u00e9scimo de 77% no n\u00famero de unidades, o que apenas ser\u00e1 poss\u00edvel com a altera\u00e7\u00e3o no regime urban\u00edstico da regi\u00e3o e no Plano Diretor.<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Santiago Costa, integrante do <a href=\"https:\/\/coletivoambientecritico.wordpress.com\/2021\/06\/24\/o-custo-arado\/\"><strong>Coletivo Ambiente Cr\u00edtico<\/strong><\/a><strong>,<\/strong> explica que ser\u00e1 necess\u00e1rio muito aterro para viabilizar o empreendimento no local, podendo gerar problemas de alagamento em outras \u00e1reas de Bel\u00e9m Novo ou, at\u00e9 mesmo, em bairros vizinhos. O projeto vem sofrendo sucessivas mudan\u00e7as devido \u00e0 resist\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e da comunidade local mas, para se ter uma ideia, na vers\u00e3o de 2015 estava previsto o emprego de cerca de 140 mil ca\u00e7ambas de aterro. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_WzqutFIBcg\"><strong>Agora em 2021, em sua 17\u00aa vers\u00e3o<\/strong><\/a>, a empreendedora afirma ter deixado de fora do projeto uma parte baixa que est\u00e1 mais pr\u00f3xima da \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, o que reduziria um pouco o tamanho do terreno a ser aterrado para habita\u00e7\u00e3o. Ainda assim, prev\u00ea-se um grande impacto. &#8220;Como a fazenda tem uma cota muito baixa por estar \u00e0s margens do Gua\u00edba, ela tem a fun\u00e7\u00e3o de receber as \u00e1guas do rio e, ao mesmo tempo, cumpre a fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de equil\u00edbrio na regi\u00e3o. As consequ\u00eancias do aterramento estimado para um empreendimento deste porte na \u00e1rea s\u00e3o imprevis\u00edveis, mas com certeza ter\u00e3o impacto para o bairro e para as localidades pr\u00f3ximas. \u00c9 o pagar para ver&#8221;, argumenta.<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto de urbaniza\u00e7\u00e3o do Arado prev\u00ea bacias de conten\u00e7\u00e3o, mas Santiago avalia que, na pr\u00e1tica, servir\u00e3o somente para evitar alagamentos no empreendimento. &#8220;As bacias servem apenas para viabilizar o empreendimento, pois uma vez que a \u00e1rea \u00e9 aterrada, n\u00e3o h\u00e1 medida mitigat\u00f3ria que possa compensar os danos no entorno ou na regi\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro impacto social pouco divulgado pela Arado Empreendimentos e a prefeitura \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infraestrutura vi\u00e1ria. Nos estudos apresentados pela empresa, a estimativa \u00e9 de alcan\u00e7ar 10.635 novos moradores \u00e0 medida que o projeto for implementado e mais outros 8 mil nos 10 anos posteriores, chegando a 18 mil pessoas, um aumento de 70% na popula\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m Novo. Como \u00e9 um empreendimento para classe m\u00e9dia e alta, a previs\u00e3o apontada no EIA-RIMA \u00e9 de que o fluxo di\u00e1rio para o centro da Capital nos hor\u00e1rios de pico aumente em mais 1.500 carros na ida e 1.200 na volta &#8211; cerca de 4,5 km de uma fila de autom\u00f3veis.<br \/>Para reduzir os impactos, a empreendedora prop\u00f5e duplicar apenas algumas partes das principais avenidas na regi\u00e3o, aumentar o recuo em paradas de \u00f4nibus na tentativa de evitar congestionamento e expandir o transporte fluvial de barco com o\u00a0 Catamar\u00e3. N\u00e3o h\u00e1 nenhum comprometimento da empresa ou da prefeitura para melhorar o transporte p\u00fablico. &#8220;O Catamar\u00e3 hoje n\u00e3o \u00e9 um transporte popular, que a massa possa usar diariamente ou mais seguido. Uma viagem de Porto Alegre a Gua\u00edba custa R$ 12,50, pense quanto vai sair a passagem do Gas\u00f4metro a Bel\u00e9m Novo, em que a dist\u00e2ncia \u00e9 3x maior. Al\u00e9m disso, a op\u00e7\u00e3o do Catamar\u00e3 \u00e9 apenas uma vaga promessa pois, at\u00e9 onde sabemos, n\u00e3o existe um projeto concreto do governo para construir esta\u00e7\u00f5es ao longo da orla do Gua\u00edba que interligue o centro e o bairro&#8221;, questiona\u00a0 Felipe Viana, morador do Lami e integrante do Econsci\u00eancia.<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda tem a quest\u00e3o dos pequenos agricultores e criadores de animais. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, o Extremo Sul, inclu\u00eddo o Bel\u00e9m Novo, constitu\u00eda a Zona Rural de Porto Alegre. Esta classifica\u00e7\u00e3o foi alterada para uma zona intermedi\u00e1ria, chamada de rururbana, aliando a urbaniza\u00e7\u00e3o com a atividade econ\u00f4mica da popula\u00e7\u00e3o local. Fernando Costa, da organiza\u00e7\u00e3o ambientalista Amigos da Terra Brasil, relata que organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e moradores fizeram um movimento para que a regi\u00e3o retornasse a ser rural, mas a prefeitura n\u00e3o efetuou os estudos para localizar os produtores e os locais de acesso \u00e0 \u00e1gua para a produ\u00e7\u00e3o. \u201cA prefeitura usou um estudo antigo, de mais de 30 anos atr\u00e1s, que n\u00e3o reflete a realidade, e reduziu as \u00e1reas rurais. \u00c9 uma gest\u00e3o que se op\u00f5e \u00e0s tentativas das cidades mais avan\u00e7adas de viabilizarem\u00a0 cord\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de alimentos em torno das capitais ou grandes localidades\u201d, pondera. \u00c0 medida que a regi\u00e3o \u00e9 urbanizada sem planejamento e vislumbrando a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de terras e im\u00f3veis, a atividade agr\u00edcola e pecu\u00e1ria de pequenos produtores s\u00e3o amea\u00e7adas.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: left;\">\r\n\r\n<\/p>\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Acesse a mat\u00e9ria principal e a continua\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria:<\/em><\/strong><\/h4>\r\n<p style=\"text-align: left;\"><\/p>\r\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>\/\/ <a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/07\/22\/porto-alegre-projeto-de-bairro-planejado-na-fazenda-do-arado-velho-avanca-em-meio-a-pandemia\/\">Porto Alegre: Projeto de bairro planejado na Fazenda do Arado Velho avan\u00e7a em meio \u00e0 pandemia<\/a><\/strong><\/span><\/p>\r\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>\/\/<\/strong> <strong><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/07\/22\/projeto-arado-velho-muito-dinheiro-para-os-empresarios-progresso-e-desenvolvimento-apenas-para-alguns\/\">Muito dinheiro para os empres\u00e1rios. \u201cProgresso e desenvolvimento\u201d apenas para alguns<\/a><\/strong><\/span><\/p>\r\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>\/\/<\/strong> <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/07\/22\/projeto-arado-velho-violencia-contra-indigenas-e-ameacas-a-ambientalistas-para-garantir-projeto-imobiliario\/\"><span style=\"color: #008000;\">Viol\u00eancia contra ind\u00edgenas e amea\u00e7as a ambientalistas para garantir projeto imobili\u00e1rio<\/span><\/a><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Fazenda do Arado Velho ocupa 426 hectares no bairro Bel\u00e9m Novo, Extremo Sul de Porto Alegre (RS), e pertencia ao falecido Breno Caldas, fundador do Grupo Jornal\u00edstico Caldas Jr. (engloba a R\u00e1dio Gua\u00edba, o jornal Correio do Povo e a TV Gua\u00edba &#8211; canal 2). 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A fazenda tamb\u00e9m conta com um s\u00edtio arqueol\u00f3gico ind\u00edgena, ru\u00ednas dos s\u00e9culos 19 e 20 e instala\u00e7\u00f5es e pr\u00e9dios constru\u00eddos por Breno Caldas. Do ponto de vista ambiental e hist\u00f3rico, s\u00e3o muitos motivos para que a prefeitura de Porto Alegre adquirisse a fazenda para preservar a \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o e o bioma intactos e transformasse em um parque natural p\u00fablico, garantindo o acesso controlado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, a exemplo do Parque Estadual de Itapu\u00e3, que fica pr\u00f3ximo ao local. Mas tem uma quest\u00e3o ambiental e social que se destaca: a maior parte do Arado \u00e9 formada por banhados, sendo uma importante \u00e1rea de inunda\u00e7\u00e3o do Gua\u00edba e, enquanto tal, possui a fun\u00e7\u00e3o de amortecer as cheias do rio na regi\u00e3o do Extremo Sul. O Plano Diretor em vigor j\u00e1 permite a constru\u00e7\u00e3o de at\u00e9 1.323 unidades habitacionais na fazenda, mas para tornar o neg\u00f3cio mais lucrativo a empreendedora projeta construir 1.807 unidades para moradia e uma parte comercial, totalizando 2.357 lotes. S\u00e3o 1 mil terrenos a mais, representando um acr\u00e9scimo de 77% no n\u00famero de unidades, o que apenas ser\u00e1 poss\u00edvel com a altera\u00e7\u00e3o no regime urban\u00edstico da regi\u00e3o e no Plano Diretor. Santiago Costa, integrante do Coletivo Ambiente Cr\u00edtico, explica que ser\u00e1 necess\u00e1rio muito aterro para viabilizar o empreendimento no local, podendo gerar problemas de alagamento em outras \u00e1reas de Bel\u00e9m Novo ou, at\u00e9 mesmo, em bairros vizinhos. 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Nos estudos apresentados pela empresa, a estimativa \u00e9 de alcan\u00e7ar 10.635 novos moradores \u00e0 medida que o projeto for implementado e mais outros 8 mil nos 10 anos posteriores, chegando a 18 mil pessoas, um aumento de 70% na popula\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m Novo. Como \u00e9 um empreendimento para classe m\u00e9dia e alta, a previs\u00e3o apontada no EIA-RIMA \u00e9 de que o fluxo di\u00e1rio para o centro da Capital nos hor\u00e1rios de pico aumente em mais 1.500 carros na ida e 1.200 na volta &#8211; cerca de 4,5 km de uma fila de autom\u00f3veis.Para reduzir os impactos, a empreendedora prop\u00f5e duplicar apenas algumas partes das principais avenidas na regi\u00e3o, aumentar o recuo em paradas de \u00f4nibus na tentativa de evitar congestionamento e expandir o transporte fluvial de barco com o\u00a0 Catamar\u00e3. 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