{"id":3250,"date":"2021-06-07T18:10:31","date_gmt":"2021-06-07T21:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=3250"},"modified":"2025-06-17T10:18:12","modified_gmt":"2025-06-17T13:18:12","slug":"dia-mundial-do-meio-ambiente-o-momento-e-de-fortalecer-a-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=3250","title":{"rendered":"Dia Mundial do Meio Ambiente: o momento \u00e9 de fortalecer a luta"},"content":{"rendered":"\n<p><em> No Brasil e no mundo, cada 5 de junho \u00e9 dia de listar retrocessos, mas hoje tamb\u00e9m queremos reconhecer a fortaleza da resist\u00eancia e da organiza\u00e7\u00e3o popular por Justi\u00e7a Ambiental\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em> <\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\n\u201cN\u00e3o h\u00e1 o que comemorar\u201d. \u00c9 o que n\u00f3s ambientalistas reafirmamos a cada 5 de junho. Se considerarmos os motivos que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 1974, desmatamento, desertifica\u00e7\u00e3o, utiliza\u00e7\u00e3o de qu\u00edmicos t\u00f3xicos, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7os que possamos considerar significativos, seja em termos de governan\u00e7a global ou de pol\u00edticas p\u00fablicas em n\u00edveis locais. Um exemplo \u00e9 o Acordo de Paris que, como Amigos da Terra Internacional, denunciamos como um <a href=\"https:\/\/www.foei.org\/es\/noticias\/cinco-anos-acuerdo-paris-clima-cop\">acordo limitado<\/a> incapaz de abordar as causas estruturais das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. N\u00e3o h\u00e1, ou h\u00e1 pouco o que comemorar nesse sentido. Mas, como todas as datas estabelecidas internacionalmente pelos movimentos populares ou ressignificadas pelos mesmos, o Dia Mundial do Meio Ambiente deve ser um dia de conscientiza\u00e7\u00e3o e de disputa pol\u00edtica. Se algo devemos celebrar \u00e9 o avan\u00e7o das nossas lutas e articula\u00e7\u00f5es por Justi\u00e7a Ambiental nos n\u00edveis local, nacional e global. A aposta nesta longa luta \u00e9 o que nos permitir\u00e1 ter, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas pautas, conquistas cada vez maiores no futuro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>A evolu\u00e7\u00e3o da luta por justi\u00e7a ambiental<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Este ano, a Amigos da Terra Internacional (ATI) completa 50 anos. A federa\u00e7\u00e3o presente em 73 pa\u00edses nasceu alguns anos antes de a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) estabelecer a data de&nbsp; 5 de junho. De l\u00e1 pra c\u00e1, tanto nas organiza\u00e7\u00f5es e movimentos do Sul Global como de todo o mundo, s\u00f3 tem crescido a compreens\u00e3o de que o capitalismo, em sua fase neoliberal que se radicalizou nas \u00faltimas d\u00e9cadas, se encontra nas ra\u00edzes dos problemas socioecol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Para a ATI, diz Karin Nansen, presidenta da federa\u00e7\u00e3o, \u201c\u00e9 fundamental entender e enfrentar as causas estruturais das crises socioecol\u00f3gicas sist\u00eamicas, como a crise clim\u00e1tica, da biodiversidade, alimentar, da \u00e1gua, dos cuidados, da desigualdade e a atual crise sanit\u00e1ria. Isso significa lutar contra um sistema que prioriza a acumula\u00e7\u00e3o de capital em detrimento dos direitos dos povos e dos sistemas ecol\u00f3gicos que sustentam a vida. O sistema capitalista, patriarcal e racista \u00e9 baseado na explora\u00e7\u00e3o da natureza, da classe trabalhadora e do corpo e trabalho das mulheres, e em sistemas de opress\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A evolu\u00e7\u00e3o dessa elabora\u00e7\u00e3o no ambientalismo mundial tamb\u00e9m tem a ver com seu desenvolvimento a partir das comunidades e popula\u00e7\u00f5es mais atingidas pelo modelo predat\u00f3rio. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o crescimento das vozes e da organiza\u00e7\u00e3o das comunidades atingidas pelo avan\u00e7o de megaprojetos energ\u00e9ticos, de minera\u00e7\u00e3o e do agroneg\u00f3cio, tem sido enorme, e um eixo fundamental das lutas. Enfrentando a expuls\u00e3o e perda de territ\u00f3rios, e a contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos e metais pesados na \u00e1gua, ar e terra, organiza\u00e7\u00f5es locais se fortalecem e passam a integrar redes nacionais e regionais. Das lutas nos territ\u00f3rios surgem lideran\u00e7as que tamb\u00e9m se tornam pensadores e pensadoras das lutas populares por Justi\u00e7a Ambiental. S\u00e3o vozes t\u00e3o importantes que se erguem e desafiam com for\u00e7a grandes projetos usurpadores, que o sistema entende que precisam ser silenciadas. De Chico Mendes e os dezenove trabalhadores sem-terra de Eldorado do Caraj\u00e1s a Berta C\u00e1ceres e Nilce de Souza Magalh\u00e3es, as empresas transnacionais no Sul Global, e especialmente na Am\u00e9rica Latina, continuam fazendo uso da viol\u00eancia extrema contra os e as maiores defensoras dos bens comuns em nossos territ\u00f3rios. E continuam fazendo uso, porque a viol\u00eancia \u00e9 parte intr\u00ednseca do modelo. Sem ela, megaprojetos e agroneg\u00f3cio n\u00e3o avan\u00e7am. \u00c9 o capital contra a vida, como nos ensina a economia feminista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">As perdas s\u00e3o irrepar\u00e1veis, mas o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 imposto. Diante das atrocidades em muitos de nossos pa\u00edses, uma frase se tornou comum e ecoa em cada luta na Am\u00e9rica Latina: <em>tentaram nos enterrar, mas n\u00e3o sabiam que \u00e9ramos sementes<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A crise pol\u00edtica que estamos enfrentando, explica Karin, \u201c\u00e9 resultado da ofensiva da direita que fortalece os sistemas de opress\u00e3o e promove o desmonte dos direitos conquistados atrav\u00e9s das lutas. As corpora\u00e7\u00f5es transnacionais que exercem cada vez mais controle sobre a pol\u00edtica e a tomada de decis\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpela deteriora\u00e7\u00e3o da democracia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Com todas essas dores, as lutas, resist\u00eancias e constru\u00e7\u00f5es se reproduzem e se consolidam na regi\u00e3o. Organiza\u00e7\u00f5es, redes e articula\u00e7\u00f5es camponesas, ind\u00edgenas, quilombolas, de mulheres rurais e urbanas t\u00eam se tornado refer\u00eancias, n\u00e3o s\u00f3 em lutas locais como nas lutas contra retrocessos ou por grandes mudan\u00e7as em n\u00edvel nacional, como aconteceu recentemente com nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s chilenas, que v\u00e3o rumo a criar uma nova constitui\u00e7\u00e3o que deve incorporar bandeiras da Justi\u00e7a Ambiental,&nbsp; e bolivianas, que conseguiram reverter um duro golpe contra sua soberania e seu processo de mudan\u00e7as hist\u00f3ricas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">No Brasil, \u00e9 esperan\u00e7ador o crescimento e a relev\u00e2ncia que cada vez mais v\u00eam adquirindo organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e quilombolas locais, assim como a APIB (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil) e a Conaq (Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o de Quilombos) enquanto articula\u00e7\u00f5es nacionais. Durante o primeiro ano do nefasto governo atual, as organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas realizaram a primeira <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/437745469726562\/videos\/417135722231592\">Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas<\/a> no Brasil, numa demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a ind\u00edgena hist\u00f3rica no pa\u00eds, junto com as trabalhadoras rurais da Marcha das Margaridas. <a href=\"http:\/\/conaq.org.br\/a-boiada-que-o-governo-quer-passar-vai-encontrar-muitas-cercas-vivas-no-caminho\/\">A Conaq<\/a> \u00e9 uma das entidades que vem lutando contra o enorme desmonte promovido na \u00e1rea ambiental e contra os povos tradicionais. Do lado mais urbano, nossos aliados do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) t\u00eam se consolidado como organiza\u00e7\u00e3o popular nacional de luta pelo direito \u00e0 moradia, e durante a pandemia, sua luta por direitos b\u00e1sicos s\u00f3 tem se fortalecido, a exemplo das <a href=\"https:\/\/mtst.org\/mtst\/as-cozinhas-solidarias-do-mtst-refeicoes-gratuitas-e-afeto-nas-periferias-do-brasil\/\">Cozinhas Solid\u00e1rias<\/a>. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s den\u00fancias das renovadas armadilhas da Economia Verde, o <a href=\"https:\/\/www.cartadebelem.org.br\/\">Grupo Carta de Bel\u00e9m<\/a>, do qual fazemos parte como Amigos da Terra Brasil, tem sido uma refer\u00eancia importante, denunciando todo o avan\u00e7o dos mecanismos de financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza e as falsas solu\u00e7\u00f5es que empresas transnacionais promovem para fazer neg\u00f3cios com a crise clim\u00e1tica, sem resolv\u00ea-la e criando ainda mais problemas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">J\u00e1 o maior movimento popular da Am\u00e9rica Latina e um dos maiores do mundo, o MST (Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra), tem se tornado um exemplo para o mundo dos resultados da luta pela Reforma Agr\u00e1ria Popular e a Soberania Alimentar. Al\u00e9m de ser o maior produtor de arroz org\u00e2nico da regi\u00e3o, o MST avan\u00e7a no di\u00e1logo dessas pautas com as \u00e1reas urbanas por meio dos espa\u00e7os de <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/06\/04\/loja-do-armazem-do-campo-com-alimentos-da-reforma-agraria-chega-a-porto-alegre\">Armaz\u00e9ns do Campo<\/a>. Nessa mesma toada, a MMM (Marcha Mundial das Mulheres) vem apostando e gerando ac\u00famulo&nbsp; na articula\u00e7\u00e3o entre as lutas e a <a href=\"http:\/\/www.sof.org.br\/marcha-mundial-das-mulheres-ocupa-o-vale-do-ribeira-e-mostra-a-forca-da-auto-organizacao\/\">auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres do campo e da cidade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cNossa forma de organiza\u00e7\u00e3o e nossas alian\u00e7as estrat\u00e9gicas com a MMM e a Via Campesina nos permitem fortalecer a resist\u00eancia e a luta contra as crises sist\u00eamicas e opress\u00f5es, assim como avan\u00e7ar na converg\u00eancia de agendas pol\u00edticas e na constru\u00e7\u00e3o de iniciativas populares emancipat\u00f3rias. Junto \u00e0s comunidades e aos movimentos sociais aliados, nossos grupos v\u00eam construindo as verdadeiras solu\u00e7\u00f5es dos povos. Eles mostram que \u00e9 poss\u00edvel enfrentar as crises sist\u00eamicas e socioecol\u00f3gicas a partir da justi\u00e7a ambiental, social, econ\u00f4mica e de g\u00eanero\u201d, afirma a presidenta da ATI.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Elabora\u00e7\u00f5es populares<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Os avan\u00e7os das \u00faltimas d\u00e9cadas t\u00eam a ver com as lutas nos territ\u00f3rios, mas tamb\u00e9m com as elabora\u00e7\u00f5es que constru\u00edmos. \u00c9 sempre importante lembrar que foi a Via Campesina quem desenvolveu e estabeleceu o conceito fundamental de Soberania Alimentar, que hoje serve de guia e bandeira para tantos processos de constru\u00e7\u00e3o de Reforma Agr\u00e1ria e Soberania Alimentar em pa\u00edses do mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Entre a poliniza\u00e7\u00e3o das lutas, a alian\u00e7a com a MMM para ATI tem sido fundamental, como explica Karin: \u201cGra\u00e7as \u00e0 audaciosa e hist\u00f3rica luta dos movimentos feministas em todo o mundo, h\u00e1 um maior entendimento de que o trabalho do cuidado \u00e9 fundamental para a sustentabilidade da vida e que, portanto, \u00e9 necess\u00e1rio reverter a divis\u00e3o sexual do trabalho e a dicotomia entre trabalho produtivo e reprodutivo, bem como conquistar autonomia das mulheres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A evolu\u00e7\u00e3o das compreens\u00f5es pol\u00edticas partem das alian\u00e7as que se forjam em lutas concretas. Um exemplo tem a ver com a constru\u00e7\u00e3o do eixo de justi\u00e7a econ\u00f4mica e resist\u00eancia ao neoliberalismo na Amigos da Terra Internacional. Como explica Karin, \u201cfoi a luta contra a OMC que permitiu que o conjunto da federa\u00e7\u00e3o desenvolvesse uma an\u00e1lise pol\u00edtico-econ\u00f4mica aprofundada sobre os impactos e amea\u00e7as da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal para a justi\u00e7a ambiental e a realiza\u00e7\u00e3o dos direitos de nossos povos; bem como compreender as estrat\u00e9gias dos pa\u00edses centrais para , em alian\u00e7a com as empresas transnacionais, impor regras aos pa\u00edses do Sul que violem sua soberania na defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas em benef\u00edcio de seus povos, meio ambiente, soberania alimentar, sa\u00fade p\u00fablica , servi\u00e7os e empresas p\u00fablicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Em diversos desses aspectos mencionados os retrocessos nos \u00faltimos anos vem sendo enormes e muito perigosos. Essa realidade \u00e9 particularmente mais intensa no Brasil. Por isso, o momento \u00e9 de fortalecer a aposta na unidade popular das nossas lutas, com o objetivo de nos solidarizar com as popula\u00e7\u00f5es mais atingidas pela crise atual, mas tamb\u00e9m com a urg\u00eancia de barrar desmontes que t\u00eam o potencial de colocar os territ\u00f3rios e as popula\u00e7\u00f5es que os defendem em riscos irrevers\u00edveis.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><br \/><strong><em>No dia 5 de Junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, e que tamb\u00e9m marcou os 50 anos da Amigos da Terra Internacional, a Amigos da Terra Brasil (ATBr) lan\u00e7ou a publica\u00e7\u00e3o <\/em><\/strong><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/publi_ssnc_v7_ptbr.pdf\"><strong><em>Do campo \u00e0 cidade: hist\u00f3rias de luta pelo direito dos povos \u00e0 terra e \u00e0 vida <\/em><\/strong><\/a><strong><em>. Confira!\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> <em>*Artigo publicado originalmente em 07\/06\/2021 em <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/06\/07\/dia-mundial-do-meio-ambiente-o-momento-e-de-fortalecer-a-luta\">coluna veiculada pelo jornal Brasil de Fato<\/a>.<\/em> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil e no mundo, cada 5 de junho \u00e9 dia de listar retrocessos, mas hoje tamb\u00e9m queremos reconhecer a fortaleza da resist\u00eancia e da organiza\u00e7\u00e3o popular por Justi\u00e7a Ambiental\u00a0 \u201cN\u00e3o h\u00e1 o que comemorar\u201d. \u00c9 o que n\u00f3s ambientalistas reafirmamos a cada 5 de junho. Se considerarmos os motivos que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 1974, desmatamento, desertifica\u00e7\u00e3o, utiliza\u00e7\u00e3o de qu\u00edmicos t\u00f3xicos, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7os que possamos considerar significativos, seja em termos de governan\u00e7a global ou de pol\u00edticas p\u00fablicas em n\u00edveis locais. Um exemplo \u00e9 o Acordo de Paris que, como Amigos da Terra Internacional, denunciamos como um acordo limitado incapaz de abordar as causas estruturais das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. N\u00e3o h\u00e1, ou h\u00e1 pouco o que comemorar nesse sentido. Mas, como todas as datas estabelecidas internacionalmente pelos movimentos populares ou ressignificadas pelos mesmos, o Dia Mundial do Meio Ambiente deve ser um dia de conscientiza\u00e7\u00e3o e de disputa pol\u00edtica. Se algo devemos celebrar \u00e9 o avan\u00e7o das nossas lutas e articula\u00e7\u00f5es por Justi\u00e7a Ambiental nos n\u00edveis local, nacional e global. A aposta nesta longa luta \u00e9 o que nos permitir\u00e1 ter, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas pautas, conquistas cada vez maiores no futuro.&nbsp; A evolu\u00e7\u00e3o da luta por justi\u00e7a ambiental Este ano, a Amigos da Terra Internacional (ATI) completa 50 anos. A federa\u00e7\u00e3o presente em 73 pa\u00edses nasceu alguns anos antes de a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) estabelecer a data de&nbsp; 5 de junho. De l\u00e1 pra c\u00e1, tanto nas organiza\u00e7\u00f5es e movimentos do Sul Global como de todo o mundo, s\u00f3 tem crescido a compreens\u00e3o de que o capitalismo, em sua fase neoliberal que se radicalizou nas \u00faltimas d\u00e9cadas, se encontra nas ra\u00edzes dos problemas socioecol\u00f3gicos. Para a ATI, diz Karin Nansen, presidenta da federa\u00e7\u00e3o, \u201c\u00e9 fundamental entender e enfrentar as causas estruturais das crises socioecol\u00f3gicas sist\u00eamicas, como a crise clim\u00e1tica, da biodiversidade, alimentar, da \u00e1gua, dos cuidados, da desigualdade e a atual crise sanit\u00e1ria. Isso significa lutar contra um sistema que prioriza a acumula\u00e7\u00e3o de capital em detrimento dos direitos dos povos e dos sistemas ecol\u00f3gicos que sustentam a vida. O sistema capitalista, patriarcal e racista \u00e9 baseado na explora\u00e7\u00e3o da natureza, da classe trabalhadora e do corpo e trabalho das mulheres, e em sistemas de opress\u00e3o\u201d. A evolu\u00e7\u00e3o dessa elabora\u00e7\u00e3o no ambientalismo mundial tamb\u00e9m tem a ver com seu desenvolvimento a partir das comunidades e popula\u00e7\u00f5es mais atingidas pelo modelo predat\u00f3rio. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o crescimento das vozes e da organiza\u00e7\u00e3o das comunidades atingidas pelo avan\u00e7o de megaprojetos energ\u00e9ticos, de minera\u00e7\u00e3o e do agroneg\u00f3cio, tem sido enorme, e um eixo fundamental das lutas. Enfrentando a expuls\u00e3o e perda de territ\u00f3rios, e a contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos e metais pesados na \u00e1gua, ar e terra, organiza\u00e7\u00f5es locais se fortalecem e passam a integrar redes nacionais e regionais. Das lutas nos territ\u00f3rios surgem lideran\u00e7as que tamb\u00e9m se tornam pensadores e pensadoras das lutas populares por Justi\u00e7a Ambiental. S\u00e3o vozes t\u00e3o importantes que se erguem e desafiam com for\u00e7a grandes projetos usurpadores, que o sistema entende que precisam ser silenciadas. De Chico Mendes e os dezenove trabalhadores sem-terra de Eldorado do Caraj\u00e1s a Berta C\u00e1ceres e Nilce de Souza Magalh\u00e3es, as empresas transnacionais no Sul Global, e especialmente na Am\u00e9rica Latina, continuam fazendo uso da viol\u00eancia extrema contra os e as maiores defensoras dos bens comuns em nossos territ\u00f3rios. E continuam fazendo uso, porque a viol\u00eancia \u00e9 parte intr\u00ednseca do modelo. Sem ela, megaprojetos e agroneg\u00f3cio n\u00e3o avan\u00e7am. \u00c9 o capital contra a vida, como nos ensina a economia feminista.&nbsp; As perdas s\u00e3o irrepar\u00e1veis, mas o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 imposto. Diante das atrocidades em muitos de nossos pa\u00edses, uma frase se tornou comum e ecoa em cada luta na Am\u00e9rica Latina: tentaram nos enterrar, mas n\u00e3o sabiam que \u00e9ramos sementes. A crise pol\u00edtica que estamos enfrentando, explica Karin, \u201c\u00e9 resultado da ofensiva da direita que fortalece os sistemas de opress\u00e3o e promove o desmonte dos direitos conquistados atrav\u00e9s das lutas. As corpora\u00e7\u00f5es transnacionais que exercem cada vez mais controle sobre a pol\u00edtica e a tomada de decis\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpela deteriora\u00e7\u00e3o da democracia\u201d. Com todas essas dores, as lutas, resist\u00eancias e constru\u00e7\u00f5es se reproduzem e se consolidam na regi\u00e3o. Organiza\u00e7\u00f5es, redes e articula\u00e7\u00f5es camponesas, ind\u00edgenas, quilombolas, de mulheres rurais e urbanas t\u00eam se tornado refer\u00eancias, n\u00e3o s\u00f3 em lutas locais como nas lutas contra retrocessos ou por grandes mudan\u00e7as em n\u00edvel nacional, como aconteceu recentemente com nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s chilenas, que v\u00e3o rumo a criar uma nova constitui\u00e7\u00e3o que deve incorporar bandeiras da Justi\u00e7a Ambiental,&nbsp; e bolivianas, que conseguiram reverter um duro golpe contra sua soberania e seu processo de mudan\u00e7as hist\u00f3ricas.&nbsp; No Brasil, \u00e9 esperan\u00e7ador o crescimento e a relev\u00e2ncia que cada vez mais v\u00eam adquirindo organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e quilombolas locais, assim como a APIB (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil) e a Conaq (Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o de Quilombos) enquanto articula\u00e7\u00f5es nacionais. Durante o primeiro ano do nefasto governo atual, as organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas realizaram a primeira Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas no Brasil, numa demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a ind\u00edgena hist\u00f3rica no pa\u00eds, junto com as trabalhadoras rurais da Marcha das Margaridas. A Conaq \u00e9 uma das entidades que vem lutando contra o enorme desmonte promovido na \u00e1rea ambiental e contra os povos tradicionais. Do lado mais urbano, nossos aliados do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) t\u00eam se consolidado como organiza\u00e7\u00e3o popular nacional de luta pelo direito \u00e0 moradia, e durante a pandemia, sua luta por direitos b\u00e1sicos s\u00f3 tem se fortalecido, a exemplo das Cozinhas Solid\u00e1rias. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s den\u00fancias das renovadas armadilhas da Economia Verde, o Grupo Carta de Bel\u00e9m, do qual fazemos parte como Amigos da Terra Brasil, tem sido uma refer\u00eancia importante, denunciando todo o avan\u00e7o dos mecanismos de financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza e as falsas solu\u00e7\u00f5es que empresas transnacionais promovem para fazer neg\u00f3cios com a crise clim\u00e1tica, sem resolv\u00ea-la e criando ainda mais problemas. J\u00e1 o maior movimento popular da Am\u00e9rica Latina e um dos maiores do mundo, o MST (Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra),<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":3251,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1836,6,8,5,1835],"tags":[],"class_list":["post-3250","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agua-e-mineracao","category-justica-climatica-e-energetica","category-florestas-e-biodiversidade","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3250","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3250"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3250\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9771,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3250\/revisions\/9771"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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