{"id":2965,"date":"2020-12-03T19:26:53","date_gmt":"2020-12-03T22:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=2965"},"modified":"2025-06-17T12:28:34","modified_gmt":"2025-06-17T15:28:34","slug":"produtores-organicos-de-nova-santa-rita-denunciam-contaminacao-por-pulverizacao-de-agrotoxico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=2965","title":{"rendered":"Agricultores org\u00e2nicos de Nova Santa Rita (RS) denunciam contamina\u00e7\u00e3o por pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Nova Santa Rita \u00e9 conhecida como a Capital da produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica e possui 4 assentamentos onde dezenas de fam\u00edlias de produtores agroecol\u00f3gicos est\u00e3o sofrendo com o uso de venenos aplicado por avi\u00e3o em fazendas vizinhas. Pelo menos 3 den\u00fancias j\u00e1 foram registradas em casos semelhantes na regi\u00e3o desde 2017<\/em><br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Era um dia ventoso. Os moradores do assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II, no munic\u00edpio de Nova Santa Rita (RS) ouviram o avi\u00e3o sobrevoando a regi\u00e3o e pulverizando, do alto, as planta\u00e7\u00f5es de arroz vizinhas ao assentamento. \u201cAt\u00e9 dentro das estufas matou os tomates\u201d, lamenta o agricultor Jos\u00e9 Carlos de Almeida. Ele conta que a pulveriza\u00e7\u00e3o aconteceu na semana antes das elei\u00e7\u00f5es do primeiro turno e, assim como outros agricultores, temem que o uso indiscriminado dos venenos tenha um car\u00e1ter pol\u00edtico contr\u00e1rio a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\"> Na semana do Dia Mundial de Combate ao Uso de Agrot\u00f3xicos, hoje, dia 03\/12, os moradores do Assentamento Santa Rita de Cassia II se organizaram e entraram com uma den\u00fancia na C\u00e2mara de Vereadores do munic\u00edpio contra os ataques que vem sofrendo. Nova Santa Rita \u00e9 conhecida como a Capital da produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica. O munic\u00edpio conta com 4 assentamentos onde as fam\u00edlias s\u00e3o produtoras de alimentos certificados como org\u00e2nicos. \u201cAs pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta, por que n\u00e3o tem as hortali\u00e7as mortas no ch\u00e3o, mas tem pessoas na cidade que, provavelmente, tamb\u00e9m foram intoxicadas\u201d, afirma Irma Ostrosky durante apresenta\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara do munic\u00edpio, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (01), em nome da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria \u201c29 de outubro\u201d. Ela exigiu que a C\u00e2mara de Vereadores tenha empenho em cobrar averigua\u00e7\u00f5es sobre as den\u00fancias registradas. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Em 2017, foram realizadas <a href=\"https:\/\/www.mprs.mp.br\/atendimento\/consulta-processo\/processo\/?sis=SGP&amp;id=18246095\">den\u00fancias no Minist\u00e9rio P\u00fablico do estado (MPRS)<\/a> sobre situa\u00e7\u00e3o de contamina\u00e7\u00e3o semelhante, que seguem tramitando e aguarda defini\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. Novas ocorr\u00eancias foram registradas tamb\u00e9m em 2019. Agora, novamente den\u00fancias foram realizadas ao MPRS, Pol\u00edcia Civil, Secretaria Estadual de Agricultura, e Minist\u00e9rio de Agricultura, que recolheram amostras para an\u00e1lises. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-01-at-18.41.16-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2966\" width=\"275\" height=\"489\"\/><figcaption>Assentados encaminharam den\u00fancias e pediram provid\u00eancias, ap\u00f3s a pulveriza\u00e7\u00e3o de veneno na regi\u00e3o Foto: acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Um dos grandes medos dos produtores \u00e9 a perda da certifica\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos em caso de confirmada a contamina\u00e7\u00e3o. \u201cAgora se der positivo para o que suspeita, provavelmente v\u00e3o tirar o certificado de org\u00e2nico. Os outros que cometem o crime e n\u00f3s que vamos ser condenados\u201d, critica o agricultor ecologista, Ol\u00edmpio Vodzik, do assentamento Itapu\u00ed .&nbsp; As fam\u00edlias fornecem alimentos para feiras de Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana, oferecem para mercados institucionais e para merenda escolar. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos com uso de avi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fato novo, mas a ocorr\u00eancia tem se ampliado nos \u00faltimas anos e preocupa as e os agricultores. Conta Ol\u00edmpio: \u201ca gente tem um trabalho de mais de 20 anos que, de repente, pode se perder e se continuar do jeito que est\u00e1 vai se perder tudo, n\u00e9. \u00c9 um sonho que de repente pode acabar, simplesmente pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A engenheira agr\u00f4noma e moradora do assentamento Belo Monte em Eldorado do Sul, Cecile Follet, conta que a regi\u00e3o em que vive tamb\u00e9m sofre com a pulveriza\u00e7\u00e3o de venenos. Ela confirma que o medo da perda de certifica\u00e7\u00e3o impede muitos produtores de denunciar as contamina\u00e7\u00f5es. &#8220;A pervers\u00e3o deste sistema \u00e9 que o objetivo da certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica (paga pelo produtor) \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o do consumidor. [se confirmada a contamina\u00e7\u00e3o] a certificadora suspende o certificado e o produtor fica sem ch\u00e3o e sem prote\u00e7\u00e3o\u201d, critica.<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Ol\u00edmpio produz mais de 20 variedades org\u00e2nicas na \u00e1rea que ocupa, mas quem mais sente s\u00e3o os morangos. Ele relata tamb\u00e9m de vizinhos, produtores convencionais, que chegaram a perder 9 mil p\u00e9s de tomates. \u201cAfetou uma imensidade de pessoas, n\u00e3o s\u00f3 os assentados\u201d. O assentamento mais pr\u00f3ximo est\u00e1 h\u00e1 cerca de 5 km do centro da cidade. Para ele s\u00f3 h\u00e1 um caminho: \u201da solu\u00e7\u00e3o \u00e9 acabar com a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, porque acidentes acontecem. Daqui a pouco pode contaminar o Rio do Sinos&#8230; quantas milhares de pessoas dependem da \u00e1gua do Rio dos Sinos para beber, e a\u00ed?\u201d, ele questiona.<\/p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-01-at-18.41.18-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2967\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-01-at-18.41.18-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-01-at-18.41.18-300x169.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-01-at-18.41.18-768x432.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-01-at-18.41.18-500x281.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-01-at-18.41.18-800x450.jpeg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-01-at-18.41.18.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica dos assentados foi prejudicada por pulveriza\u00e7\u00e3o em fazenda vizinha Foto: acervo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cUma parte muito pequena do produto chega na planta. Tem estudos de que menos de 1% do que foi pulverizado chega na planta. Uma parte chega no solo e uma grande parte \u00e9 levada pelo vento\u201d, conta o&nbsp; t\u00e9cnico agr\u00edcola da COOTAP (Cooperativa Dos Trabalhadores Assentados Da Regi\u00e3o De Porto Alegre LTDA), Ant\u00f4nio Vignolo. Ele critica a dificuldade e falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o dos venenos utilizados. \u201c\u00c9 uma coisa que n\u00e3o tem muito controle, \u00e9 feito na fazenda h\u00e1 quil\u00f4metros da cidade. Sem falar dos produtos usados, muitas vezes banidos. \u00c9 isso, uma fam\u00edlia em uma \u00e1rea enorme e chega na casa das centenas de fam\u00edlias que foram prejudicadas direta, ou indiretamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cN\u00f3s n\u00e3o sabemos quais ser\u00e3o as rea\u00e7\u00f5es nos corpos das pessoas que foram intoxicadas, podem haver problemas graves de sa\u00fade. Podemos ter nossas \u00e1guas e solo contaminados tamb\u00e9m. Provavelmente n\u00e3o foi s\u00f3 a safra que a gente perdeu, podemos ter pedido muito mais\u201d, refor\u00e7a a assentada Irma Ostrosky.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Ant\u00f4nio Vignolo, conta que n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo com os fazendeiros. Ele relata que os agricultores n\u00e3o assumem a contamina\u00e7\u00e3o, mas pressionam para que os casos n\u00e3o sejam denunciados e divulgados, tanto nos assentamentos de Nova Santa Rita, quanto em Eldorado do Sul. \u201cN\u00f3s tivemos casos do pessoal [fazendeiros] ir nos assentamentos para tirar satisfa\u00e7\u00e3o, no sentido de constranger, pra pressionar. Foi bem p\u00e9 na porta mesmo\u201d, relata.  Em maio deste ano, os agricultores Ad\u00e3o do Prado, 59 anos, e Airton Luis Rodrigues da Silva, 56, foram assassinados por pistoleiros que invadiram o Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Ao todo, em 2019, foram registrados 474 produtos, a maior quantidade dos \u00faltimos 14 anos. Deste n\u00famero, 20% s\u00e3o considerados extremamente t\u00f3xicos. Em 2020, desde o in\u00edcio da pandemia de Coivd-19, ao menos 400 produtos tiveram os registros liberados. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Muitos destes venenos s\u00e3o banidos nos pr\u00f3prios pa\u00edses de origem, como \u00e9 o caso do Glifosato. \u00c9 o agrot\u00f3xico mais vendido no mundo. Ele \u00e9 apontado como poss\u00edvel causador de c\u00e2ncer pela Ag\u00eancia Internacional para Pesquisa sobre C\u00e2ncer (IARC) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">No mesmo per\u00edodo, as empresas produtoras de pesticidas solicitaram ao Minist\u00e9rio da Agricultura a libera\u00e7\u00e3o de mais 216 produtos, que est\u00e3o sendo avaliados agora pelo governo. De acordo com a<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2020\/Mpv\/mpv926.htm\"> Medida Provis\u00f3ria 926<\/a> e o<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2020\/decreto\/D10282.htm\"> Decreto 10.282<\/a>, ambas de 20 de mar\u00e7o, a preven\u00e7\u00e3o, controle e erradica\u00e7\u00e3o de pragas e doen\u00e7as, bem como as atividades de suporte e disponibiliza\u00e7\u00e3o dos insumos necess\u00e1rios \u00e0 cadeia produtiva, que incluem os defensivos agr\u00edcolas, s\u00e3o consideradas atividades essenciais durante a pandemia e n\u00e3o devem ser interrompidas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Defender a produ\u00e7\u00e3o de alimentos agroecol\u00f3gicos \u00e9 defender um sistema que coloque a vida no centro com uma perspectiva socioecol\u00f3gica. \u00c9 poss\u00edvel e vi\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o de alimentos que n\u00e3o contaminem nossa \u00e1gua, solo e corpos. A produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica nutre pr\u00e1ticas e constru\u00e7\u00e3o de saberes que buscam valorizar a vida, colocando a soberania alimentar e o combate \u00e0 fome no centro do debate. N\u00e3o aceitaremos o envenenamento como pol\u00edtica p\u00fablica!<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Agricultores org\u00e2nicos de Nova Santa Rita denunciam contamina\u00e7\u00e3o por pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jq1OcaIxJRo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova Santa Rita \u00e9 conhecida como a Capital da produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica e possui 4 assentamentos onde dezenas de fam\u00edlias de produtores agroecol\u00f3gicos est\u00e3o sofrendo com o uso de venenos aplicado por avi\u00e3o em fazendas vizinhas. Pelo menos 3 den\u00fancias j\u00e1 foram registradas em casos semelhantes na regi\u00e3o desde 2017 Era um dia ventoso. Os moradores do assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II, no munic\u00edpio de Nova Santa Rita (RS) ouviram o avi\u00e3o sobrevoando a regi\u00e3o e pulverizando, do alto, as planta\u00e7\u00f5es de arroz vizinhas ao assentamento. \u201cAt\u00e9 dentro das estufas matou os tomates\u201d, lamenta o agricultor Jos\u00e9 Carlos de Almeida. Ele conta que a pulveriza\u00e7\u00e3o aconteceu na semana antes das elei\u00e7\u00f5es do primeiro turno e, assim como outros agricultores, temem que o uso indiscriminado dos venenos tenha um car\u00e1ter pol\u00edtico contr\u00e1rio a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. Na semana do Dia Mundial de Combate ao Uso de Agrot\u00f3xicos, hoje, dia 03\/12, os moradores do Assentamento Santa Rita de Cassia II se organizaram e entraram com uma den\u00fancia na C\u00e2mara de Vereadores do munic\u00edpio contra os ataques que vem sofrendo. Nova Santa Rita \u00e9 conhecida como a Capital da produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica. O munic\u00edpio conta com 4 assentamentos onde as fam\u00edlias s\u00e3o produtoras de alimentos certificados como org\u00e2nicos. \u201cAs pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta, por que n\u00e3o tem as hortali\u00e7as mortas no ch\u00e3o, mas tem pessoas na cidade que, provavelmente, tamb\u00e9m foram intoxicadas\u201d, afirma Irma Ostrosky durante apresenta\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara do munic\u00edpio, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (01), em nome da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria \u201c29 de outubro\u201d. Ela exigiu que a C\u00e2mara de Vereadores tenha empenho em cobrar averigua\u00e7\u00f5es sobre as den\u00fancias registradas. Em 2017, foram realizadas den\u00fancias no Minist\u00e9rio P\u00fablico do estado (MPRS) sobre situa\u00e7\u00e3o de contamina\u00e7\u00e3o semelhante, que seguem tramitando e aguarda defini\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. Novas ocorr\u00eancias foram registradas tamb\u00e9m em 2019. Agora, novamente den\u00fancias foram realizadas ao MPRS, Pol\u00edcia Civil, Secretaria Estadual de Agricultura, e Minist\u00e9rio de Agricultura, que recolheram amostras para an\u00e1lises. Um dos grandes medos dos produtores \u00e9 a perda da certifica\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos em caso de confirmada a contamina\u00e7\u00e3o. \u201cAgora se der positivo para o que suspeita, provavelmente v\u00e3o tirar o certificado de org\u00e2nico. Os outros que cometem o crime e n\u00f3s que vamos ser condenados\u201d, critica o agricultor ecologista, Ol\u00edmpio Vodzik, do assentamento Itapu\u00ed .&nbsp; As fam\u00edlias fornecem alimentos para feiras de Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana, oferecem para mercados institucionais e para merenda escolar. A pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos com uso de avi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fato novo, mas a ocorr\u00eancia tem se ampliado nos \u00faltimas anos e preocupa as e os agricultores. Conta Ol\u00edmpio: \u201ca gente tem um trabalho de mais de 20 anos que, de repente, pode se perder e se continuar do jeito que est\u00e1 vai se perder tudo, n\u00e9. \u00c9 um sonho que de repente pode acabar, simplesmente pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea\u201d. A engenheira agr\u00f4noma e moradora do assentamento Belo Monte em Eldorado do Sul, Cecile Follet, conta que a regi\u00e3o em que vive tamb\u00e9m sofre com a pulveriza\u00e7\u00e3o de venenos. Ela confirma que o medo da perda de certifica\u00e7\u00e3o impede muitos produtores de denunciar as contamina\u00e7\u00f5es. &#8220;A pervers\u00e3o deste sistema \u00e9 que o objetivo da certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica (paga pelo produtor) \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o do consumidor. [se confirmada a contamina\u00e7\u00e3o] a certificadora suspende o certificado e o produtor fica sem ch\u00e3o e sem prote\u00e7\u00e3o\u201d, critica. Ol\u00edmpio produz mais de 20 variedades org\u00e2nicas na \u00e1rea que ocupa, mas quem mais sente s\u00e3o os morangos. Ele relata tamb\u00e9m de vizinhos, produtores convencionais, que chegaram a perder 9 mil p\u00e9s de tomates. \u201cAfetou uma imensidade de pessoas, n\u00e3o s\u00f3 os assentados\u201d. O assentamento mais pr\u00f3ximo est\u00e1 h\u00e1 cerca de 5 km do centro da cidade. Para ele s\u00f3 h\u00e1 um caminho: \u201da solu\u00e7\u00e3o \u00e9 acabar com a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, porque acidentes acontecem. Daqui a pouco pode contaminar o Rio do Sinos&#8230; quantas milhares de pessoas dependem da \u00e1gua do Rio dos Sinos para beber, e a\u00ed?\u201d, ele questiona. \u201cUma parte muito pequena do produto chega na planta. Tem estudos de que menos de 1% do que foi pulverizado chega na planta. Uma parte chega no solo e uma grande parte \u00e9 levada pelo vento\u201d, conta o&nbsp; t\u00e9cnico agr\u00edcola da COOTAP (Cooperativa Dos Trabalhadores Assentados Da Regi\u00e3o De Porto Alegre LTDA), Ant\u00f4nio Vignolo. Ele critica a dificuldade e falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o dos venenos utilizados. \u201c\u00c9 uma coisa que n\u00e3o tem muito controle, \u00e9 feito na fazenda h\u00e1 quil\u00f4metros da cidade. Sem falar dos produtos usados, muitas vezes banidos. \u00c9 isso, uma fam\u00edlia em uma \u00e1rea enorme e chega na casa das centenas de fam\u00edlias que foram prejudicadas direta, ou indiretamente\u201d. \u201cN\u00f3s n\u00e3o sabemos quais ser\u00e3o as rea\u00e7\u00f5es nos corpos das pessoas que foram intoxicadas, podem haver problemas graves de sa\u00fade. Podemos ter nossas \u00e1guas e solo contaminados tamb\u00e9m. Provavelmente n\u00e3o foi s\u00f3 a safra que a gente perdeu, podemos ter pedido muito mais\u201d, refor\u00e7a a assentada Irma Ostrosky. Ant\u00f4nio Vignolo, conta que n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo com os fazendeiros. Ele relata que os agricultores n\u00e3o assumem a contamina\u00e7\u00e3o, mas pressionam para que os casos n\u00e3o sejam denunciados e divulgados, tanto nos assentamentos de Nova Santa Rita, quanto em Eldorado do Sul. \u201cN\u00f3s tivemos casos do pessoal [fazendeiros] ir nos assentamentos para tirar satisfa\u00e7\u00e3o, no sentido de constranger, pra pressionar. Foi bem p\u00e9 na porta mesmo\u201d, relata. Em maio deste ano, os agricultores Ad\u00e3o do Prado, 59 anos, e Airton Luis Rodrigues da Silva, 56, foram assassinados por pistoleiros que invadiram o Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II. Ao todo, em 2019, foram registrados 474 produtos, a maior quantidade dos \u00faltimos 14 anos. Deste n\u00famero, 20% s\u00e3o considerados extremamente t\u00f3xicos. Em 2020, desde o in\u00edcio da pandemia de Coivd-19, ao menos 400 produtos tiveram os registros liberados. Muitos destes venenos s\u00e3o banidos nos pr\u00f3prios pa\u00edses de origem, como \u00e9 o caso do Glifosato. \u00c9 o agrot\u00f3xico mais vendido no mundo. Ele \u00e9 apontado como poss\u00edvel causador de c\u00e2ncer pela Ag\u00eancia Internacional para Pesquisa sobre C\u00e2ncer (IARC) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). 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