{"id":2630,"date":"2020-06-05T19:23:47","date_gmt":"2020-06-05T22:23:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=2630"},"modified":"2025-06-17T15:25:40","modified_gmt":"2025-06-17T18:25:40","slug":"algum-dia-celebraremos-o-dia-do-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=2630","title":{"rendered":"Algum dia celebraremos o Dia do Meio Ambiente?"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:justify\">Institu\u00eddo h\u00e1 quase cinquenta anos pela Confer\u00eancia de Estocolmo, o Dia do Meio Ambiente foi proposto para que se reflita sobre os problemas ambientais gerados pelo homem. O que se nota, contudo, \u00e9 um n\u00edvel cada vez maior de explora\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, resultando em extin\u00e7\u00f5es em massa, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, aumento da desigualdade social, desabastecimento h\u00eddrico, fome, desastres naturais, crimes ambientais e, somado a tudo isso, mesmo epidemias e pandemias. Nesse sentido, imp\u00f5e-se uma quest\u00e3o: estamos nos perguntando sobre os verdadeiros problemas que geram a injusti\u00e7a ambiental?<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 tempos dizemos que a estrutura central da degrada\u00e7\u00e3o e da injusti\u00e7a ambiental \u00e9 o sistema capitalista. Sua din\u00e2mica de crescimento infinito, associada aos princ\u00edpios da acumula\u00e7\u00e3o e da concentra\u00e7\u00e3o de mercados, bem como seu total descaso com a vida e sua diversidade, gera press\u00f5es que s\u00e3o absolutamente insustent\u00e1veis sobre os ecossistemas e os povos que nele habitam em relativo equil\u00edbrio. E aqui n\u00e3o se fala apenas do processo de saqueamento dos bens comuns, convenientemente nomeados de recursos naturais, que extrapola em muito a capacidade destes de se renovarem, regenerarem ou recuperarem, mas tamb\u00e9m, e especialmente, do ataque incessante a toda forma de organiza\u00e7\u00e3o social, cultural e territorial que escapa \u00e0 economia de mercado globalizada e prescinde do agenciamento do capital para se reproduzir de forma digna, justa e pr\u00f3spera.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A crise ambiental se faz presente em todo o planeta Terra, assim como o sistema capitalista. Nunca foram t\u00e3o frequentes os eventos clim\u00e1ticos extremos: tuf\u00f5es e furac\u00f5es incrivelmente violentos, ondas de calor extremo, secas prolongadas e chuvas torrenciais tornaram-se not\u00edcias corriqueiras. A desertifica\u00e7\u00e3o dos continentes e a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos \u2013 estes \u00faltimos acossados pela sobrepesca e pelo hiperac\u00famulo de lixo de todo tipo \u2013 avan\u00e7am no mesmo ritmo da expans\u00e3o das monoculturas e da polui\u00e7\u00e3o industrial, esterilizando vastas \u00e1reas do globo terrestre e capitaneando \u2013 ou capitalizando! &#8211; a sexta extin\u00e7\u00e3o em massa da Terra, que j\u00e1 afeta mais de 30% de todas as esp\u00e9cies das Am\u00e9ricas. Al\u00e9m disso, enfrentamos a pandemia de COVID-19, que est\u00e1 intimamente associada \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental promovida pela expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, das ind\u00fastrias extrativistas e da carne e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da economia (n\u00e3o por acaso, os primeiros pa\u00edses a sofrerem as consequ\u00eancias da pandemia foram aqueles que tem a maior movimenta\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, interna e externa).<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">N\u00e3o podemos, contudo, ser ing\u00eanuos e acreditar que o planeta inteiro sofre igualmente as mazelas dos produtos e subprodutos do capitalismo. \u00c9 n\u00edtido que os pa\u00edses do sul global, que sofreram e ainda sofrem as mazelas do (neo)colonialismo, s\u00e3o muito mais afetados pelas crises clim\u00e1tica e socioambiental e, dentro destes, as comunidades perif\u00e9ricas s\u00e3o ainda mais. O racismo ambiental \u00e9 a marca perversa desse sistema expropriador, que cria para\u00edsos naturais para os ricos e dispensa os res\u00edduos sobre os pobres, os negros, as mulheres.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u00c9 nesse contexto de neocolonialismo racista e machista que se insere o projeto megaextrativista brasileiro, com a resist\u00eancia que este gera, orquestrado pelas elites capitalistas nacionais e internacionais e executado pelo governo genocida de Jair Bolsonaro. A expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio sobre \u00e1reas de mata nativa \u2013 em todos os biomas brasileiros \u2013, o incentivo \u00e0 minera\u00e7\u00e3o (legal e ilegal) e \u00e0 grilagem, a amea\u00e7a ao direito origin\u00e1rio sobre a terra dos povos tradicionais, a promo\u00e7\u00e3o de projetos privatistas de infraestrutura, o desmantelamento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, o sucateamento dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o ambiental e a impunidade de megacorpora\u00e7\u00f5es face seus crimes ambientais v\u00eam gerando uma onda de conflitos e assassinatos nos campos, nas matas e nas cidades, destituindo o povo brasileiro de suas riquezas e as entregando servilmente ao capital transnacional. Enquanto escancara seu despreparo e seu fascismo, Bolsonaro adula o mercado e executa sua agenda genocida, para que este mesmo mercado possa manter as apar\u00eancias de salvador da p\u00e1tria.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">E como redentores ressurgem os atores do capital, promovendo falsas solu\u00e7\u00f5es aos problemas que eles mesmos criam. O processo de financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza corre acelerado em nosso pa\u00eds, com a convers\u00e3o de ecossistemas riqu\u00edssimos como o pampa em monoculturas de \u00e1rvores transg\u00eanicas a t\u00edtulo de \u201csequestro de carbono\u201d e o pagamento por servi\u00e7os ambientais desterritorializando comunidades inteiras para o benef\u00edcio de algumas poucas empresas gigantescas, que fazem a grilagem de terras com mata nativa em p\u00e9 \u201ccompensando\u201d suas atividades poluidoras em outra regi\u00e3o do pa\u00eds. O mercado verde, que capitalizou a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de sustentabilidade, vem se impondo como mais uma forma de agress\u00e3o aos povos e \u00e0s defensoras e defensores dos territ\u00f3rios, travestido de responsabilidade corporativa e sua consequente gera\u00e7\u00e3o de valor.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Em terras ga\u00fachas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 melhor do que no resto do pa\u00eds. O t\u00e3o festejado governador Eduardo Leite, em termos socioambientais, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a express\u00e3o engomada e envernizada do mesmo projeto neoliberal autorit\u00e1rio e explorador de Bolsonaro. Conv\u00e9m lembrar que Eduardo Leite desmontou o C\u00f3digo Ambiental do Rio Grande do Sul no fim do ano passado, inicialmente sob regime de urg\u00eancia e, posteriormente, via acordo de l\u00edderes na Assembleia Legislativa, sem qualquer debate com a sociedade ga\u00facha, trazendo consequ\u00eancias grav\u00edssimas para o meio ambiente regional. Desde a imposi\u00e7\u00e3o de barreiras \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental at\u00e9 o autolicenciamento de in\u00fameras atividades econ\u00f4micas, passando pela desprote\u00e7\u00e3o de ecossistemas e esp\u00e9cies, Eduardo Leite rende-se aos interesses do capital e faz retroceder o Rio Grande do Sul em pelo menos quatro d\u00e9cadas de muita luta pela qualifica\u00e7\u00e3o do meio ambiente, sob a alega\u00e7\u00e3o recorrente de \u201cmodernizar\u201d o estado. N\u00e3o podemos esquecer, ainda, que nosso estado \u00e9 explorado por centenas de projetos de minera\u00e7\u00e3o, alguns com potencial ofensivo t\u00e3o grandes quanto os de Mariana e Brumadinho.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">De uma forma mais cotidiana, tamb\u00e9m o capital se atravessa na constru\u00e7\u00e3o de nossa percep\u00e7\u00e3o ambiental. As podas mal executadas que se repetem ano a ano nas cidades, a derrubada de mata ciliar e\/ou nativa para civilizar orlas e parques, a expropria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais e altera\u00e7\u00f5es ilegais nos Planos Diretores para constru\u00e7\u00e3o de empreendimentos imobili\u00e1rios s\u00e3o parte da viv\u00eancia na cidade. A artificializa\u00e7\u00e3o de nossos ambientes, iluminados e ventilados por m\u00e1quinas, bem como a captura de nossos desejos pela sociedade de consumo, refor\u00e7a o imagin\u00e1rio de sermos seres apartados do ambiente natural, de forma que nos tornamos indiferentes \u00e0 sua degrada\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que nos enredamos no simulacro discursivo de sustentabilidade patrocinado pela publicidade corporativa. Assim, a cidade e o campo seguem \u00e0 merc\u00ea dos interesses do capital.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">O capital, contudo, n\u00e3o age sozinho no mundo. Para cada retrocesso imposto, uma a\u00e7\u00e3o de luta surge em seu caminho. Se a ofensiva do capital sobre os territ\u00f3rios cresce, \u00e9 porque os territ\u00f3rios, seus defensores e, sobretudo, os povos que neles habitam est\u00e3o cada vez mais organizados para exigir seus direitos e criar alternativas duradouras e compat\u00edveis com um meio ambiente equilibrado e justo. Organizamo-nos desde baixo, seja com o p\u00e9 na terra, bioconstruindo e fazendo agroecologia, seja dentro de laborat\u00f3rios e gabinetes, pesquisando solu\u00e7\u00f5es, seja ainda em reuni\u00f5es, assembleias populares e parlamentos, promovendo debates e defendendo os fundamentos da vida e da diversidade. H\u00e1 e haver\u00e1 muita luta ainda.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Se n\u00e3o podemos celebrar o Dia do Meio Ambiente, porque n\u00e3o h\u00e1 nada a se comemorar, celebramos a vida e a luta das defensoras e defensores dos povos e dos territ\u00f3rios, que enfrentam amea\u00e7as e riscos reais todos os dias. Contra a agenda do capital e a perversidade dos fascistas que j\u00e1 fazem hora extra nas estruturas do Estado, a sabedoria e a for\u00e7a dos povos e dos territ\u00f3rios. A VIDA N\u00c3O SE VENDE, SE AMA E SE DEFENDE!<br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institu\u00eddo h\u00e1 quase cinquenta anos pela Confer\u00eancia de Estocolmo, o Dia do Meio Ambiente foi proposto para que se reflita sobre os problemas ambientais gerados pelo homem. O que se nota, contudo, \u00e9 um n\u00edvel cada vez maior de explora\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, resultando em extin\u00e7\u00f5es em massa, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, aumento da desigualdade social, desabastecimento h\u00eddrico, fome, desastres naturais, crimes ambientais e, somado a tudo isso, mesmo epidemias e pandemias. Nesse sentido, imp\u00f5e-se uma quest\u00e3o: estamos nos perguntando sobre os verdadeiros problemas que geram a injusti\u00e7a ambiental? 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A crise ambiental se faz presente em todo o planeta Terra, assim como o sistema capitalista. Nunca foram t\u00e3o frequentes os eventos clim\u00e1ticos extremos: tuf\u00f5es e furac\u00f5es incrivelmente violentos, ondas de calor extremo, secas prolongadas e chuvas torrenciais tornaram-se not\u00edcias corriqueiras. A desertifica\u00e7\u00e3o dos continentes e a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos \u2013 estes \u00faltimos acossados pela sobrepesca e pelo hiperac\u00famulo de lixo de todo tipo \u2013 avan\u00e7am no mesmo ritmo da expans\u00e3o das monoculturas e da polui\u00e7\u00e3o industrial, esterilizando vastas \u00e1reas do globo terrestre e capitaneando \u2013 ou capitalizando! &#8211; a sexta extin\u00e7\u00e3o em massa da Terra, que j\u00e1 afeta mais de 30% de todas as esp\u00e9cies das Am\u00e9ricas. 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O racismo ambiental \u00e9 a marca perversa desse sistema expropriador, que cria para\u00edsos naturais para os ricos e dispensa os res\u00edduos sobre os pobres, os negros, as mulheres. \u00c9 nesse contexto de neocolonialismo racista e machista que se insere o projeto megaextrativista brasileiro, com a resist\u00eancia que este gera, orquestrado pelas elites capitalistas nacionais e internacionais e executado pelo governo genocida de Jair Bolsonaro. 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E como redentores ressurgem os atores do capital, promovendo falsas solu\u00e7\u00f5es aos problemas que eles mesmos criam. O processo de financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza corre acelerado em nosso pa\u00eds, com a convers\u00e3o de ecossistemas riqu\u00edssimos como o pampa em monoculturas de \u00e1rvores transg\u00eanicas a t\u00edtulo de \u201csequestro de carbono\u201d e o pagamento por servi\u00e7os ambientais desterritorializando comunidades inteiras para o benef\u00edcio de algumas poucas empresas gigantescas, que fazem a grilagem de terras com mata nativa em p\u00e9 \u201ccompensando\u201d suas atividades poluidoras em outra regi\u00e3o do pa\u00eds. O mercado verde, que capitalizou a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de sustentabilidade, vem se impondo como mais uma forma de agress\u00e3o aos povos e \u00e0s defensoras e defensores dos territ\u00f3rios, travestido de responsabilidade corporativa e sua consequente gera\u00e7\u00e3o de valor. Em terras ga\u00fachas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 melhor do que no resto do pa\u00eds. O t\u00e3o festejado governador Eduardo Leite, em termos socioambientais, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a express\u00e3o engomada e envernizada do mesmo projeto neoliberal autorit\u00e1rio e explorador de Bolsonaro. Conv\u00e9m lembrar que Eduardo Leite desmontou o C\u00f3digo Ambiental do Rio Grande do Sul no fim do ano passado, inicialmente sob regime de urg\u00eancia e, posteriormente, via acordo de l\u00edderes na Assembleia Legislativa, sem qualquer debate com a sociedade ga\u00facha, trazendo consequ\u00eancias grav\u00edssimas para o meio ambiente regional. Desde a imposi\u00e7\u00e3o de barreiras \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental at\u00e9 o autolicenciamento de in\u00fameras atividades econ\u00f4micas, passando pela desprote\u00e7\u00e3o de ecossistemas e esp\u00e9cies, Eduardo Leite rende-se aos interesses do capital e faz retroceder o Rio Grande do Sul em pelo menos quatro d\u00e9cadas de muita luta pela qualifica\u00e7\u00e3o do meio ambiente, sob a alega\u00e7\u00e3o recorrente de \u201cmodernizar\u201d o estado. N\u00e3o podemos esquecer, ainda, que nosso estado \u00e9 explorado por centenas de projetos de minera\u00e7\u00e3o, alguns com potencial ofensivo t\u00e3o grandes quanto os de Mariana e Brumadinho. De uma forma mais cotidiana, tamb\u00e9m o capital se atravessa na constru\u00e7\u00e3o de nossa percep\u00e7\u00e3o ambiental. 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