{"id":2531,"date":"2020-05-30T09:50:04","date_gmt":"2020-05-30T12:50:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=2531"},"modified":"2025-06-17T15:34:04","modified_gmt":"2025-06-17T18:34:04","slug":"caminhos-da-solidariedade-organizacoes-sociais-estao-em-luta-contra-a-fome-aprofundada-pela-crise-do-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=2531","title":{"rendered":"Caminhos da solidariedade: Organiza\u00e7\u00f5es sociais est\u00e3o em luta contra a fome aprofundada pela crise do Covid-19"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Amigos da Terra Brasil e entidades como Frente Quilombola RS (FQ-RS), Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comit\u00ea Popular em Defesa do Povo e Contra o Coronav\u00edrus e Comit\u00ea Ga\u00facho Emergencial no Combate \u00e0 Fome do Consea-RS organizam coleta e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos e itens de higiene a fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade no Rio Grande do Sul.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\nAmigos da Terra Brasil, articulada com diferentes organiza\u00e7\u00f5es, realiza a compra e repasse de alimentos e itens de higiene a fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Pelo menos 500 kg de alimentos j\u00e1 foram entregues e outros 1800kg est\u00e3o a caminho para fam\u00edlias de diferentes localidades ga\u00fachas. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma medida emergencial para tentar minimizar os reflexos da crise que se aprofunda com a pandemia.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 um abismo de desigualdade que se exp\u00f5e ainda mais nesse momento. S\u00e3o universos muito distintos: daqueles que t\u00eam recursos e podem tomar precau\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias para manter-se em seguran\u00e7a e bem alimentados e dos que j\u00e1 estavam em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria antes dessa nova crise e est\u00e3o longe de ter condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas como saneamento b\u00e1sico e alimenta\u00e7\u00e3o balanceada para manter a imunidade em equil\u00edbrio. A ONU aponta que a crise do coronav\u00edrus poder\u00e1 fazer com que mais de 135 milh\u00f5es de pessoas no mundo entrem em situa\u00e7\u00e3o de fome neste ano.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A Amigos da Terra Brasil atua, neste momento, na intermedia\u00e7\u00e3o entre essas doa\u00e7\u00f5es e a entrega dos alimentos \u00e0s comunidades, ajudando na distribui\u00e7\u00e3o realizada junto \u00e0 Frente Quilombola, ao CIMI e ao MTST. A CaSaNaT, sede da Amigos da Terra Brasil em Porto Alegre, \u00e9 onde os alimentos e itens de higiene b\u00e1sica s\u00e3o estocados para distribui\u00e7\u00e3o. O espa\u00e7o, <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/03\/04\/amigos-da-terra-brasil-sofre-ataque-do-governo-bolsonaro\/\">que foi alvo recente do governo Bolsonaro<\/a>, j\u00e1 tem um hist\u00f3rico de ser refer\u00eancia de articula\u00e7\u00f5es para a soberania alimentar com a realiza\u00e7\u00e3o das edi\u00e7\u00f5es da Feira Frutos da Resist\u00eancia, que estabelece uma rede de colabora\u00e7\u00e3o e trocas m\u00fatuas entre atores de diferentes setores do campo e da cidade.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Neste momento delicado gerado pela pandemia, centenas de fam\u00edlias em diferentes localidades como nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, quilombolas e na periferias das cidades t\u00eam atravessado forte dificuldade de aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos, seja pelas dist\u00e2ncias, seja pela falta de recursos. Em todo o pa\u00eds, a\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais v\u00eam tentando minimizar os impactos na alimenta\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. Um papel do Estado, que, seguindo a perspectiva neoliberal, se exime da responsabilidade que \u00e9 sua.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"712\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Foto_Luiza-Dorneles-194436-1024x712.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2534\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Foto_Luiza-Dorneles-194436-1024x712.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Foto_Luiza-Dorneles-194436-300x209.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Foto_Luiza-Dorneles-194436-768x534.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Foto_Luiza-Dorneles-194436-500x348.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Foto_Luiza-Dorneles-194436-800x557.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Foto_Luiza-Dorneles-194436.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><code>Oito toneladas de cebola foram doadas por agricultores familiares e distribu\u00eddas para quilombolas, ind\u00edgenas e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Foto: Luiza Dorneles\/Amigos da Terra Brasil <\/code><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A necessidade de quarentena tamb\u00e9m afeta o escoamento da produ\u00e7\u00e3o da agricultura familiar. A produ\u00e7\u00e3o corresponde a 70% dos alimentos consumidos no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).&nbsp; Essa rede de solidariedade articulada entre as diferentes organiza\u00e7\u00f5es sociais tamb\u00e9m apoia os e as pequenas agricultoras conectando campo e cidade na compra, transporte e destino desses alimentos. Produ\u00e7\u00f5es de arroz, feij\u00e3o, cebola, banana, entre outros cultivos est\u00e3o sendo compradas em toneladas. Campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o, ou doa\u00e7\u00f5es diretas de movimentos como MST e MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), t\u00eam possibilitado que agricultores n\u00e3o fiquem com excedente de produ\u00e7\u00e3o e preju\u00edzos, enquanto popula\u00e7\u00f5es passam fome. Agricultores ecologistas das feiras ecol\u00f3gicas de Porto Alegre, do Bonfim e do Menino Deus, se somam a essa a\u00e7\u00e3o contribu\u00eddo com os excedentes de produ\u00e7\u00e3o. S\u00e3o tamb\u00e9m parte dessa rede de solidariedade as e os agricultores de S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte (RS) que lutam contra a minera\u00e7\u00e3o para permanecer em seus territ\u00f3rios, como \u00e9 o caso das doa\u00e7\u00f5es de cebola e ab\u00f3bora destinadas por agricultores familiares que <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/ultimas-noticias\/geral\/2019\/06\/plano-diretor-de-sao-jose-do-norte-proibe-mineracao-no-municipio\/\">est\u00e3o em conflito com o Projeto Retiro da mineradora Rio Grande Minera\u00e7\u00e3o (RGM)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\nPara al\u00e9m das necessidade emergenciais, \u00e9 imprescind\u00edvel que se pense a m\u00e9dio e longo prazo a partir da crise que estamos vivendo. Assim como em outros momentos da hist\u00f3ria, as crises n\u00e3o terminam da noite para o dia e os reflexos da pandemia na economia devem seguir se aprofundando. Tendo em vista esse cen\u00e1rio, \u00e9 fundamental que se pense formas de construir discuss\u00f5es conscientes sobre o que gera a fome e quais os caminhos para diminuir as desigualdades. A distribui\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 uma medida pontual. \u00c9 necess\u00e1rio que se estabele\u00e7a um novo paradigma de rela\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o de nossa comida, criando autonomia e garantindo direitos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es. H\u00e1 muitos grupos de solidariedade que se colocam para a\u00e7\u00e3o neste momento de maior evid\u00eancia, essas redes precisam se estabelecer de forma permanente com car\u00e1ter popular. Agir contra a fome \u00e9 tamb\u00e9m lutar por justi\u00e7a ambiental nos territ\u00f3rios, por autonomia das popula\u00e7\u00f5es com um Estado que esteja a servi\u00e7o de seu povo e n\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Nesse sentido, \u00e9 preciso que se coloque em pauta de forma emergencial a Renda B\u00e1sica Universal e Permanente. Um debate que <a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/covid-19-onu-defende-renda-basica-universal-para-combater-desigualdade-crescente\/\">se amplia mundialmente<\/a> e j\u00e1 vem em constru\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas no Brasil frente \u00e0s desigualdades profundas e as altera\u00e7\u00f5es nos modelos de trabalho que a robotiza\u00e7\u00e3o, a economia dos algoritmos e a intelig\u00eancia artificial apresentam. Enquanto uma fam\u00edlia brasileira pode levar at\u00e9 <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/15\/economia\/1529048970_395169.html\">nove gera\u00e7\u00f5es para deixar a faixa dos 10% mais pobres e chegar \u00e0 renda m\u00e9dia do pa\u00eds<\/a>, segundo estudo da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) de 2018, se torna claro que um dos caminhos para diminuir as desigualdades \u00e9 taxar o 1% super rico. Com a pandemia, a urg\u00eancia do debate ganha for\u00e7a popular com campanhas como \u201cTaxar Fortunas para Salvar Vidas\u201d e projetos sobre o tema podem <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2020\/04\/14\/senadores-pedem-votacao-de-proposta-para-taxar-grandes-fortunas\">entrar em vota\u00e7\u00e3o no Senado<\/a>. Ao mesmo tempo, o caminho encontrado pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, \u00e9 o do endividamento do pa\u00eds estudando a tomada de <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/governo-deve-pedir-emprestimo-de-us-4-bi-organismos-internacionais-para-pagar-auxilio-de-600-24442261\">empr\u00e9stimo de U$4 bilh\u00f5es a bancos internacionais para pagar o aux\u00edlio emergencial de R$600,00<\/a>. Medida que poder\u00e1 ser paga pela popula\u00e7\u00e3o em forma de impostos por 20 anos trocando uma d\u00edvida em reais por d\u00f3lares, enquanto o d\u00f3lar gira em torno de R$5,50.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Temos, hoje, a pior gest\u00e3o poss\u00edvel para gerir uma crise como a que atravessamos. Enquanto a curva de cont\u00e1gio se amplia, o governo prioriza as monoculturas e o agroneg\u00f3cio colocando em pauta a MP910\/2019, agora como <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2252589\">PL 2633\/2020<\/a>, que anistia crimes de grileiros regularizando a invas\u00e3o de terras p\u00fablicas at\u00e9 junho de 2008. Um governo que, literalmente, afirma <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2020\/04\/28\/e-dai-lamento-quer-que-eu-faca-o-que-diz-bolsonaro-sobre-mortes-por-coronavirus-no-brasil.ghtml\">&#8216;E dai?&#8217;<\/a> e parece ignorar a morte de dezenas de milhares por Coronav\u00edrus n\u00e3o ir\u00e1 resolver o problema da fome. A perspectiva \u00e9 perversa, mas ao mesmo tempo tem l\u00f3gica e escancara que est\u00e1 a servi\u00e7o do Capital.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A&nbsp; produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos fazem parte da soberania de um povo. Quando se fala em Soberania Alimentar \u00e9 sobre isso que se discute: pensar e colocar em pr\u00e1tica coletivamente caminhos para que as diferentes popula\u00e7\u00f5es tenham abastecimento de alimentos de base agroecol\u00f3gica. Hortas comunit\u00e1rias, trocas de sementes e de aprendizados sobre como cultivar s\u00e3o uma necessidade tamb\u00e9m urgente. Seguiremos articulados com movimentos sociais e com a luta na defesa da soberania dos povos e de seus territ\u00f3rios construindo caminhos populares para a soberania alimentar. Nos pr\u00f3ximos meses, um plano de aux\u00edlio nesse sentido est\u00e1 sendo desenvolvido e posto em pr\u00e1tica, pensando al\u00e9m da necessidade alimentar atual, estabelecendo formas de subsist\u00eancia permanentes. Se h\u00e1 algo que essa situa\u00e7\u00e3o complexa evidencia \u00e9 que a sa\u00edda para mais essa crise se dar\u00e1 de forma coletiva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"787\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/feira-redencao-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2536\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/feira-redencao-2.jpg 780w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/feira-redencao-2-298x300.jpg 298w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/feira-redencao-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/feira-redencao-2-496x500.jpg 496w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/feira-redencao-2-100x100.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><figcaption>   Agricultores ecologistas das feiras ecol\u00f3gicas de Porto Alegre, do   Bonfim e do Menino Deus,  contribuem com os excedentes de produ\u00e7\u00e3o.   <em>Foto: Eduardo Os\u00f3rio\/Amigos da Terra Brasil<\/em> <\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amigos da Terra Brasil e entidades como Frente Quilombola RS (FQ-RS), Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comit\u00ea Popular em Defesa do Povo e Contra o Coronav\u00edrus e Comit\u00ea Ga\u00facho Emergencial no Combate \u00e0 Fome do Consea-RS organizam coleta e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos e itens de higiene a fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade no Rio Grande do Sul. Amigos da Terra Brasil, articulada com diferentes organiza\u00e7\u00f5es, realiza a compra e repasse de alimentos e itens de higiene a fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Pelo menos 500 kg de alimentos j\u00e1 foram entregues e outros 1800kg est\u00e3o a caminho para fam\u00edlias de diferentes localidades ga\u00fachas. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma medida emergencial para tentar minimizar os reflexos da crise que se aprofunda com a pandemia. H\u00e1 um abismo de desigualdade que se exp\u00f5e ainda mais nesse momento. S\u00e3o universos muito distintos: daqueles que t\u00eam recursos e podem tomar precau\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias para manter-se em seguran\u00e7a e bem alimentados e dos que j\u00e1 estavam em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria antes dessa nova crise e est\u00e3o longe de ter condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas como saneamento b\u00e1sico e alimenta\u00e7\u00e3o balanceada para manter a imunidade em equil\u00edbrio. A ONU aponta que a crise do coronav\u00edrus poder\u00e1 fazer com que mais de 135 milh\u00f5es de pessoas no mundo entrem em situa\u00e7\u00e3o de fome neste ano.&nbsp; A Amigos da Terra Brasil atua, neste momento, na intermedia\u00e7\u00e3o entre essas doa\u00e7\u00f5es e a entrega dos alimentos \u00e0s comunidades, ajudando na distribui\u00e7\u00e3o realizada junto \u00e0 Frente Quilombola, ao CIMI e ao MTST. A CaSaNaT, sede da Amigos da Terra Brasil em Porto Alegre, \u00e9 onde os alimentos e itens de higiene b\u00e1sica s\u00e3o estocados para distribui\u00e7\u00e3o. O espa\u00e7o, que foi alvo recente do governo Bolsonaro, j\u00e1 tem um hist\u00f3rico de ser refer\u00eancia de articula\u00e7\u00f5es para a soberania alimentar com a realiza\u00e7\u00e3o das edi\u00e7\u00f5es da Feira Frutos da Resist\u00eancia, que estabelece uma rede de colabora\u00e7\u00e3o e trocas m\u00fatuas entre atores de diferentes setores do campo e da cidade.&nbsp; Neste momento delicado gerado pela pandemia, centenas de fam\u00edlias em diferentes localidades como nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, quilombolas e na periferias das cidades t\u00eam atravessado forte dificuldade de aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos, seja pelas dist\u00e2ncias, seja pela falta de recursos. Em todo o pa\u00eds, a\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais v\u00eam tentando minimizar os impactos na alimenta\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. Um papel do Estado, que, seguindo a perspectiva neoliberal, se exime da responsabilidade que \u00e9 sua.&nbsp; A necessidade de quarentena tamb\u00e9m afeta o escoamento da produ\u00e7\u00e3o da agricultura familiar. A produ\u00e7\u00e3o corresponde a 70% dos alimentos consumidos no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).&nbsp; Essa rede de solidariedade articulada entre as diferentes organiza\u00e7\u00f5es sociais tamb\u00e9m apoia os e as pequenas agricultoras conectando campo e cidade na compra, transporte e destino desses alimentos. Produ\u00e7\u00f5es de arroz, feij\u00e3o, cebola, banana, entre outros cultivos est\u00e3o sendo compradas em toneladas. Campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o, ou doa\u00e7\u00f5es diretas de movimentos como MST e MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), t\u00eam possibilitado que agricultores n\u00e3o fiquem com excedente de produ\u00e7\u00e3o e preju\u00edzos, enquanto popula\u00e7\u00f5es passam fome. Agricultores ecologistas das feiras ecol\u00f3gicas de Porto Alegre, do Bonfim e do Menino Deus, se somam a essa a\u00e7\u00e3o contribu\u00eddo com os excedentes de produ\u00e7\u00e3o. S\u00e3o tamb\u00e9m parte dessa rede de solidariedade as e os agricultores de S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte (RS) que lutam contra a minera\u00e7\u00e3o para permanecer em seus territ\u00f3rios, como \u00e9 o caso das doa\u00e7\u00f5es de cebola e ab\u00f3bora destinadas por agricultores familiares que est\u00e3o em conflito com o Projeto Retiro da mineradora Rio Grande Minera\u00e7\u00e3o (RGM). Para al\u00e9m das necessidade emergenciais, \u00e9 imprescind\u00edvel que se pense a m\u00e9dio e longo prazo a partir da crise que estamos vivendo. Assim como em outros momentos da hist\u00f3ria, as crises n\u00e3o terminam da noite para o dia e os reflexos da pandemia na economia devem seguir se aprofundando. Tendo em vista esse cen\u00e1rio, \u00e9 fundamental que se pense formas de construir discuss\u00f5es conscientes sobre o que gera a fome e quais os caminhos para diminuir as desigualdades. A distribui\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 uma medida pontual. \u00c9 necess\u00e1rio que se estabele\u00e7a um novo paradigma de rela\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o de nossa comida, criando autonomia e garantindo direitos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es. H\u00e1 muitos grupos de solidariedade que se colocam para a\u00e7\u00e3o neste momento de maior evid\u00eancia, essas redes precisam se estabelecer de forma permanente com car\u00e1ter popular. Agir contra a fome \u00e9 tamb\u00e9m lutar por justi\u00e7a ambiental nos territ\u00f3rios, por autonomia das popula\u00e7\u00f5es com um Estado que esteja a servi\u00e7o de seu povo e n\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, \u00e9 preciso que se coloque em pauta de forma emergencial a Renda B\u00e1sica Universal e Permanente. Um debate que se amplia mundialmente e j\u00e1 vem em constru\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas no Brasil frente \u00e0s desigualdades profundas e as altera\u00e7\u00f5es nos modelos de trabalho que a robotiza\u00e7\u00e3o, a economia dos algoritmos e a intelig\u00eancia artificial apresentam. Enquanto uma fam\u00edlia brasileira pode levar at\u00e9 nove gera\u00e7\u00f5es para deixar a faixa dos 10% mais pobres e chegar \u00e0 renda m\u00e9dia do pa\u00eds, segundo estudo da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) de 2018, se torna claro que um dos caminhos para diminuir as desigualdades \u00e9 taxar o 1% super rico. Com a pandemia, a urg\u00eancia do debate ganha for\u00e7a popular com campanhas como \u201cTaxar Fortunas para Salvar Vidas\u201d e projetos sobre o tema podem entrar em vota\u00e7\u00e3o no Senado. Ao mesmo tempo, o caminho encontrado pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, \u00e9 o do endividamento do pa\u00eds estudando a tomada de empr\u00e9stimo de U$4 bilh\u00f5es a bancos internacionais para pagar o aux\u00edlio emergencial de R$600,00. Medida que poder\u00e1 ser paga pela popula\u00e7\u00e3o em forma de impostos por 20 anos trocando uma d\u00edvida em reais por d\u00f3lares, enquanto o d\u00f3lar gira em torno de R$5,50. Temos, hoje, a pior gest\u00e3o poss\u00edvel para gerir uma crise como a que atravessamos. 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