{"id":2311,"date":"2020-05-01T16:07:36","date_gmt":"2020-05-01T19:07:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=2311"},"modified":"2025-06-17T15:34:36","modified_gmt":"2025-06-17T18:34:36","slug":"dia-internacional-das-e-dos-trabalhadores-em-meio-a-crise-do-coronavirus-e-aos-ataques-da-gestao-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=2311","title":{"rendered":"Dia Internacional das e dos Trabalhadores em meio a crise do Coronav\u00edrus e aos ataques da gest\u00e3o Bolsonaro"},"content":{"rendered":"\n<p>\nO cen\u00e1rio de incerteza, de medo e de inseguran\u00e7a devido ao aprofundamento da crise social e de sa\u00fade p\u00fablica com a pandemia do Coronav\u00edrus no Brasil fazem com que esse 1\u00ba de maio, Dia das e dos Trabalhadores, seja de reflex\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o da luta por direitos. A data foi criada em alus\u00e3o \u00e0 greve de 1886, iniciada nos Estados Unidos, quando se reivindicava melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Os trabalhadores organizados conquistaram a redu\u00e7\u00e3o de 14h para as 8h de trabalho di\u00e1rias na jornada que temos atualmente a partir de greves por todo pa\u00eds. Hoje, em meio \u00e0 pandemia, fica ainda mais evidente a necessidade da classe trabalhadora para que a sociedade continue assistida e, na vis\u00e3o das grandes corpora\u00e7\u00f5es, para que ainda haja lucro. Hoje, em meio a pandemia, vemos que boa parte do mundo segue articulando a resist\u00eancia por motivos similares ao de gera\u00e7\u00f5es passadas: a luta por direitos e pelo reconhecimento de que sem classe trabalhadora n\u00e3o h\u00e1 sociedade.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o pode trabalhar de casa e ter como preocupa\u00e7\u00e3o uma poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o em ir ao mercado para abastecer a dispensa por um largo per\u00edodo, milhares de pessoas n\u00e3o t\u00eam sequer acesso a \u00e1gua para manter higieniza\u00e7\u00e3o. Ao passo que popula\u00e7\u00f5es de baixa renda t\u00eam menor acesso \u00e0 saneamento b\u00e1sico e atendimento de sa\u00fade de qualidade, a popula\u00e7\u00e3o preta \u00e9 tamb\u00e9m a que est\u00e1 na linha de frente quando se trata de maior exposi\u00e7\u00e3o aos riscos de contamina\u00e7\u00e3o. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), mulheres negras s\u00e3o 50% mais suscet\u00edveis ao desemprego. Seja pelo alto \u00edndice de desemprego que torna trabalhos precarizados uma op\u00e7\u00e3o, seja por compor a maior parte do \u00edndice de trabalhadores de limpeza e manuten\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o negra est\u00e1 mais exposta aos riscos do COVID-19. A desigualdade no Brasil coloca a maioria de sua popula\u00e7\u00e3o, preta e ind\u00edgena em especial, no grupo de risco. Podemos entender esta como mais uma das manifesta\u00e7\u00f5es necropol\u00edticas do racismo institucional.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>O medo de perder o emprego \u00e9 ainda mais forte em um cen\u00e1rio de crise, incertezas, e demiss\u00f5es em massa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), a taxa de desemprego do Brasil pode saltar de 11,6% para 16,1% neste trimestre. Isso significa que 5 milh\u00f5es de pessoas podem entrar na fila do desemprego em apenas tr\u00eas meses, elevando de 12,3 milh\u00f5es para 17 milh\u00f5es o n\u00famero de pessoas sem trabalho no pa\u00eds. Os dados tamb\u00e9m revelam a precariza\u00e7\u00e3o do Estado a partir de pol\u00edticas neoliberais de desmonte de diversos setores p\u00fablicos que acabam servindo como justificativa para a privatiza\u00e7\u00e3o a partir de um discurso de que \u201co Estado n\u00e3o funciona, ent\u00e3o precisamos colocar a gest\u00e3o nas m\u00e3os de uma empresa privada\u201d.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>A retirada de direitos conquistados ap\u00f3s anos de luta e articula\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e trabalhadoras <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/entrevistas-2\/2020\/04\/mps-de-bolsonado-seguem-logica-dos-eua-e-podem-trazer-onda-enorme-de-desemprego-diz-coordenador-do-dieese\/\">tamb\u00e9m se articula por meio de Medidas Provis\u00f3rias<\/a>, como \u00e9 o caso das MPs 972 e 936, que possibilitam que os patr\u00f5es antecipem f\u00e9rias, a redu\u00e7\u00e3o de jornada e sal\u00e1rio na mesma propor\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da suspens\u00e3o do contrato de trabalho. Na contram\u00e3o de pa\u00edses como nosso vizinho, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/04\/argentina-proibe-demissoes-por-60-dias-por-crise-do-coronavirus.shtml\">Argentina, que pro\u00edbe demiss\u00f5es por 60 dias por conta da crise do Coronav\u00edrus<\/a>, ou da<a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/coronavirus\/63619\/dinamarca-vai-pagar-75-do-salario-de-trabalhadores-de-empresas-afetadas-por-coronavirus\"> Dinamarca, onde o governo se comprometeu a pagar 75% do sal\u00e1rio dos trabalhadores de empresas afetadas diretamente pela pandemia<\/a> e ainda bancar 90% dos sal\u00e1rios dos trabalhadores que recebem por hora. As a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos governos no enfrentamento da crise revelam a import\u00e2ncia fundamental da \u201cm\u00e3o vis\u00edvel do Estado\u201d, capaz de direcionar para onde v\u00e3o os recursos, com quais finalidades e interesses. Espera-se desse Estado o compromisso com a vida das pessoas em primeiro lugar, mas \u00e9 justamente em momentos como esse que os governantes mostram o que consideram essencial.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das amostras disso \u00e9 a Medida Provis\u00f3ria 135\/2020, editada pelo Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME) que<a href=\"https:\/\/observatoriodamineracao.com.br\/pressionado-governo-federal-considera-mineracao-atividade-essencial-e-se-torna-cumplice-de-mineradoras\/\"> inclui a minera\u00e7\u00e3o como atividade essencial durante a pandemia<\/a>. T\u00e3o essencial que, sob risco de rompimento de mais uma barragem, <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/14\/barragem-da-vale-sofre-instabilidade-e-forca-remocao-de-moradores-em-ouro-preto\">a transnacional Vale foi respons\u00e1vel pela remo\u00e7\u00e3o de centenas de fam\u00edlias da cidade de Ouro Preto em plena crise mundial<\/a>. A pergunta que fica \u00e9: O que a produ\u00e7\u00e3o mineral tem de essencial \u00e0 popula\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do lucro gerado aos seus acionistas? Quantos rios a Vale ainda vai destruir, quantas popula\u00e7\u00f5es ainda ser\u00e3o removidas de suas casas? Quantas ainda ser\u00e3o atingidas pelos rompimentos das barragens?&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Consideradas indispens\u00e1veis pelo atual governo, as grandes empresas s\u00e3o tamb\u00e9m grande violadoras de direitos nesse delicado momento de pandemia. Um exemplo \u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.esquerdadiario.com.br\/A-terrivel-realidade-dos-trabalhadores-da-JBS-vitimas-da-COVID-19-em-Passo-Fundo\">multimilion\u00e1ria JBS, que teve f\u00e1brica interditada em Passo Fundo (RS)<\/a>, ap\u00f3s se tornar foco de infec\u00e7\u00e3o por COVID-19. Passo Fundo \u00e9, atualmente, a segunda cidade do Rio Grande do Sul com maior n\u00famero de casos da doen\u00e7a. A empresa n\u00e3o implementou medidas de seguran\u00e7a e manteve os trabalhadores expostos a aglomera\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas, sem fornecer materiais de prote\u00e7\u00e3o. O Frigor\u00edfico Aurora, localizado em Chapec\u00f3, SC, \u00e9 outro que n\u00e3o diminuiu a produ\u00e7\u00e3o e mant\u00e9m os cerca de 20 mil trabalhadores da agroind\u00fastria expostos a aglomera\u00e7\u00f5es tanto nos frigor\u00edficos como nos transportes \u00e0s cidades vizinhas sem sequer o uso de m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o. Casos como esses se multiplicam de norte a sul no pa\u00eds pela falta de pol\u00edtica que d\u00ea conta de regular a prote\u00e7\u00e3o aos trabalhadores.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds que j\u00e1 vinha atravessando um momento de <a href=\"http:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/relatorio_s2.pdf\">precariza\u00e7\u00e3o do trabalho com a amplia\u00e7\u00e3o de modelos da chamada \u2018uberiza\u00e7\u00e3o\u2019<\/a> tende a piorar se medidas para reverter esse quadro n\u00e3o forem tomadas. Na falta de op\u00e7\u00f5es, estes trabalhos sem v\u00ednculo empregat\u00edcio, direitos ou remunera\u00e7\u00e3o adequada acabam sendo a sa\u00edda para uma parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a do capitalismo digital cresce sem regula\u00e7\u00e3o e joga milhares em condi\u00e7\u00f5es de trabalho an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. O segmento de <em>delivery<\/em> j\u00e1 movimenta 17 bilh\u00f5es por ano no Brasil. Com isso, constatamos que a tecnologia pode estar \u00e0 servi\u00e7o de uma explora\u00e7\u00e3o m\u00e1xima das e dos trabalhadores. Com situa\u00e7\u00f5es em que a m\u00e9dia \u00e9 de 12 horas trabalhadas e o retorno financeiro n\u00e3o gera, nem sequer, um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Este modelo \u00e9 apresentado como caminho de \u201cempreendedorismo\u201d com benef\u00edcio em uma suposta liberdade para que os trabalhadores fa\u00e7am seus hor\u00e1rios. Sem nenhuma garantia ou prote\u00e7\u00e3o social, atingindo principalmente a popula\u00e7\u00e3o negra, migrantes e jovens &#8211; incluindo menores de idade. Para os donos das plataformas, este momento de pandemia e o isolamento social s\u00e3o uma janela para amplia\u00e7\u00e3o dos lucros e agigantamento de seus neg\u00f3cios.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O QUE QUEREMOS?<\/strong><br \/><\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para estes problemas n\u00e3o parece fazer parte da pol\u00edtica do sistema capitalista, onde as pessoas s\u00f3 conseguem obter os meios de sobreviv\u00eancia e garantir a sua subsist\u00eancia e de sua fam\u00edlia quando vendem a sua for\u00e7a de trabalho em troca de sal\u00e1rio. Por isso, um caminho urgente \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de renda universal, garantindo renda m\u00ednima para a popula\u00e7\u00e3o. Uma solu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica real seria a <a href=\"https:\/\/www.change.org\/p\/taxar-fortunas-para-salvar-vidas?recruiter=1062631604&amp;utm_source=share_petition&amp;utm_medium=copylink&amp;utm_campaign=share_petition\">tributa\u00e7\u00e3o dos super-ricos como um dos passos essenciais para diminuir a desigualdade social<\/a>, defendida inclusive <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2020\/04\/14\/senadores-pedem-votacao-de-proposta-para-taxar-grandes-fortunas\">por alguns senadores<\/a>. Essa a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m visa garantir investimentos no SUS e a prote\u00e7\u00e3o social necess\u00e1ria, ainda mais urgente durante a pandemia.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>A crise sanit\u00e1ria mundial radicalizou desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe. Aprofundou a crise social, econ\u00f4mica e ambiental que vivemos de forma que n\u00e3o podemos simplesmente voltar \u00e0 \u201cnormalidade\u201d. \u00c9 urgente e necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a de sistema pois est\u00e1 n\u00edtido que a l\u00f3gica capitalista neoliberal conflita n\u00e3o s\u00f3 com o mundo do trabalho, mas com todas as bases da vida. Foi o sistema atual que nos colocou no cen\u00e1rio de maior dificuldade para enfrentar a pandemia. \u00c9 preciso construir unidade em alian\u00e7as baseadas na solidariedade internacionalista, na defesa da democracia e na soberania popular para enfrentar as crises: sanit\u00e1ria, pol\u00edtica, econ\u00f4mica, alimentaria, ambiental, social\u2026 As m\u00faltiplas crises, as crises sist\u00eamicas.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Pensando neste 1\u00ba de maio em meio ao Covid-19, duas quest\u00f5es saltam aos olhos. De um lado a perversidade das empresas transnacionais e do governo #ForaBolsonaro #ForaMour\u00e3o quando declaradamente n\u00e3o se importam com as nossas vidas e colocam a economia, seus lucros e privil\u00e9gios, acima de tudo. Economia essa que n\u00e3o funciona sem as m\u00e3os das e dos trabalhadores. O momento \u00e9 f\u00e9rtil para uma maior consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que sofremos enquanto classe social e, principalmente, de entender o poder que temos, o nosso poder quando organizados, frente aqueles que nos veem apenas como mecanismo do seu lucro.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Seguiremos lutando para que a vida esteja no centro da economia e das pol\u00edticas. Viva a luta da classe trabalhadora!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio de incerteza, de medo e de inseguran\u00e7a devido ao aprofundamento da crise social e de sa\u00fade p\u00fablica com a pandemia do Coronav\u00edrus no Brasil fazem com que esse 1\u00ba de maio, Dia das e dos Trabalhadores, seja de reflex\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o da luta por direitos. A data foi criada em alus\u00e3o \u00e0 greve de 1886, iniciada nos Estados Unidos, quando se reivindicava melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Os trabalhadores organizados conquistaram a redu\u00e7\u00e3o de 14h para as 8h de trabalho di\u00e1rias na jornada que temos atualmente a partir de greves por todo pa\u00eds. Hoje, em meio \u00e0 pandemia, fica ainda mais evidente a necessidade da classe trabalhadora para que a sociedade continue assistida e, na vis\u00e3o das grandes corpora\u00e7\u00f5es, para que ainda haja lucro. Hoje, em meio a pandemia, vemos que boa parte do mundo segue articulando a resist\u00eancia por motivos similares ao de gera\u00e7\u00f5es passadas: a luta por direitos e pelo reconhecimento de que sem classe trabalhadora n\u00e3o h\u00e1 sociedade.&nbsp; Enquanto uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o pode trabalhar de casa e ter como preocupa\u00e7\u00e3o uma poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o em ir ao mercado para abastecer a dispensa por um largo per\u00edodo, milhares de pessoas n\u00e3o t\u00eam sequer acesso a \u00e1gua para manter higieniza\u00e7\u00e3o. Ao passo que popula\u00e7\u00f5es de baixa renda t\u00eam menor acesso \u00e0 saneamento b\u00e1sico e atendimento de sa\u00fade de qualidade, a popula\u00e7\u00e3o preta \u00e9 tamb\u00e9m a que est\u00e1 na linha de frente quando se trata de maior exposi\u00e7\u00e3o aos riscos de contamina\u00e7\u00e3o. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), mulheres negras s\u00e3o 50% mais suscet\u00edveis ao desemprego. Seja pelo alto \u00edndice de desemprego que torna trabalhos precarizados uma op\u00e7\u00e3o, seja por compor a maior parte do \u00edndice de trabalhadores de limpeza e manuten\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o negra est\u00e1 mais exposta aos riscos do COVID-19. A desigualdade no Brasil coloca a maioria de sua popula\u00e7\u00e3o, preta e ind\u00edgena em especial, no grupo de risco. Podemos entender esta como mais uma das manifesta\u00e7\u00f5es necropol\u00edticas do racismo institucional. O medo de perder o emprego \u00e9 ainda mais forte em um cen\u00e1rio de crise, incertezas, e demiss\u00f5es em massa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), a taxa de desemprego do Brasil pode saltar de 11,6% para 16,1% neste trimestre. Isso significa que 5 milh\u00f5es de pessoas podem entrar na fila do desemprego em apenas tr\u00eas meses, elevando de 12,3 milh\u00f5es para 17 milh\u00f5es o n\u00famero de pessoas sem trabalho no pa\u00eds. Os dados tamb\u00e9m revelam a precariza\u00e7\u00e3o do Estado a partir de pol\u00edticas neoliberais de desmonte de diversos setores p\u00fablicos que acabam servindo como justificativa para a privatiza\u00e7\u00e3o a partir de um discurso de que \u201co Estado n\u00e3o funciona, ent\u00e3o precisamos colocar a gest\u00e3o nas m\u00e3os de uma empresa privada\u201d.&nbsp; A retirada de direitos conquistados ap\u00f3s anos de luta e articula\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e trabalhadoras tamb\u00e9m se articula por meio de Medidas Provis\u00f3rias, como \u00e9 o caso das MPs 972 e 936, que possibilitam que os patr\u00f5es antecipem f\u00e9rias, a redu\u00e7\u00e3o de jornada e sal\u00e1rio na mesma propor\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da suspens\u00e3o do contrato de trabalho. Na contram\u00e3o de pa\u00edses como nosso vizinho, Argentina, que pro\u00edbe demiss\u00f5es por 60 dias por conta da crise do Coronav\u00edrus, ou da Dinamarca, onde o governo se comprometeu a pagar 75% do sal\u00e1rio dos trabalhadores de empresas afetadas diretamente pela pandemia e ainda bancar 90% dos sal\u00e1rios dos trabalhadores que recebem por hora. As a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos governos no enfrentamento da crise revelam a import\u00e2ncia fundamental da \u201cm\u00e3o vis\u00edvel do Estado\u201d, capaz de direcionar para onde v\u00e3o os recursos, com quais finalidades e interesses. Espera-se desse Estado o compromisso com a vida das pessoas em primeiro lugar, mas \u00e9 justamente em momentos como esse que os governantes mostram o que consideram essencial. Uma das amostras disso \u00e9 a Medida Provis\u00f3ria 135\/2020, editada pelo Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME) que inclui a minera\u00e7\u00e3o como atividade essencial durante a pandemia. T\u00e3o essencial que, sob risco de rompimento de mais uma barragem, a transnacional Vale foi respons\u00e1vel pela remo\u00e7\u00e3o de centenas de fam\u00edlias da cidade de Ouro Preto em plena crise mundial. A pergunta que fica \u00e9: O que a produ\u00e7\u00e3o mineral tem de essencial \u00e0 popula\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do lucro gerado aos seus acionistas? Quantos rios a Vale ainda vai destruir, quantas popula\u00e7\u00f5es ainda ser\u00e3o removidas de suas casas? Quantas ainda ser\u00e3o atingidas pelos rompimentos das barragens?&nbsp; Consideradas indispens\u00e1veis pelo atual governo, as grandes empresas s\u00e3o tamb\u00e9m grande violadoras de direitos nesse delicado momento de pandemia. Um exemplo \u00e9 a multimilion\u00e1ria JBS, que teve f\u00e1brica interditada em Passo Fundo (RS), ap\u00f3s se tornar foco de infec\u00e7\u00e3o por COVID-19. Passo Fundo \u00e9, atualmente, a segunda cidade do Rio Grande do Sul com maior n\u00famero de casos da doen\u00e7a. A empresa n\u00e3o implementou medidas de seguran\u00e7a e manteve os trabalhadores expostos a aglomera\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas, sem fornecer materiais de prote\u00e7\u00e3o. O Frigor\u00edfico Aurora, localizado em Chapec\u00f3, SC, \u00e9 outro que n\u00e3o diminuiu a produ\u00e7\u00e3o e mant\u00e9m os cerca de 20 mil trabalhadores da agroind\u00fastria expostos a aglomera\u00e7\u00f5es tanto nos frigor\u00edficos como nos transportes \u00e0s cidades vizinhas sem sequer o uso de m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o. Casos como esses se multiplicam de norte a sul no pa\u00eds pela falta de pol\u00edtica que d\u00ea conta de regular a prote\u00e7\u00e3o aos trabalhadores. O pa\u00eds que j\u00e1 vinha atravessando um momento de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho com a amplia\u00e7\u00e3o de modelos da chamada \u2018uberiza\u00e7\u00e3o\u2019 tende a piorar se medidas para reverter esse quadro n\u00e3o forem tomadas. Na falta de op\u00e7\u00f5es, estes trabalhos sem v\u00ednculo empregat\u00edcio, direitos ou remunera\u00e7\u00e3o adequada acabam sendo a sa\u00edda para uma parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a do capitalismo digital cresce sem regula\u00e7\u00e3o e joga milhares em condi\u00e7\u00f5es de trabalho an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. O segmento de delivery j\u00e1 movimenta 17 bilh\u00f5es por ano no Brasil. Com isso, constatamos que a tecnologia pode estar \u00e0 servi\u00e7o de uma explora\u00e7\u00e3o m\u00e1xima das e dos trabalhadores. Com situa\u00e7\u00f5es em que a m\u00e9dia \u00e9 de 12 horas trabalhadas e o retorno financeiro n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2312,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1832,7,5],"tags":[],"class_list":["post-2311","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia-popular-e-feminista","category-justica-economica","category-soberania-alimentar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2311"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9857,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2311\/revisions\/9857"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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