{"id":2239,"date":"2020-03-30T11:23:17","date_gmt":"2020-03-30T14:23:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=2239"},"modified":"2025-06-17T15:35:45","modified_gmt":"2025-06-17T18:35:45","slug":"os-muros-nos-cercam-mas-eles-cairao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=2239","title":{"rendered":"Os Muros nos Cercam\u2026 Mas Eles Cair\u00e3o!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O texto abaixo integra a campanha #MundoSinMuros  que foi publicado em ingl\u00eas  no dia 9 de novembro de 2019 no marco dos 30 anos da queda do muro de Berlim. O objetivo da Campanha contra o Muro do Apartheid est\u00e1 alinhado com o desejo palestino de liberta\u00e7\u00e3o. \u00c9 um movimento de base que une a luta dos comit\u00eas populares nas aldeias, campos de refugiados e cidades que lutam contra o Muro, construindo alian\u00e7as na sociedade civil palestina e nos movimentos globais de justi\u00e7a social. Hoje, dia 30 de mar\u00e7o, publicamos o texto em portugu\u00eas para somar ao chamado da 5\u00aa A\u00e7\u00e3o Feminista da Marcha Mundial de Mulheres para a A\u00e7\u00e3o das mulheres pela autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos no Dia da Terra Palestina. Estamos juntas com as companheiras da marcha na resist\u00eancia ao capitalismo patriarcal e racista que imp\u00f5e fronteiras e muros e seguiremos em marcha contra os ataques do capital at\u00e9 que todos os povos sejam livres!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p> Na linha do horizonte, h\u00e1 um muro. Est\u00e1 longe, distante da maioria de n\u00f3s. Mal o enxergamos, porque acreditamos n\u00e3o fazer parte de nossa realidade. Mas isso \u00e9 mera ilus\u00e3o: todo muro nos diz respeito, nos pertence. Ent\u00e3o, \u00e9 importante que apertemos nossos olhos e vejamos melhor. O que \u00e9, afinal, aquele pared\u00e3o maci\u00e7o no fim da paisagem? De longe, at\u00e9 lembra uma floresta, mas n\u00e3o \u00e9 nada mais que uma planta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deveria estar ali. Com sua voracidade, acabam com o solo, com a \u00e1gua, com a vida no campo. Convertem ricos campos nativos em desertos in\u00f3spitos, em que nada cresce, a n\u00e3o ser o lucro de alguns poucos. Tornam ref\u00e9ns as comunidades que l\u00e1 habitam, que ficam dependentes de uma \u00fanica fonte para saciar seu desejo de uma vida melhor, encarando a trucul\u00eancia dos bancos ou das balas de jagun\u00e7os quando rejeitam esse projeto. Muitos n\u00e3o resistem ao ver esse muro se levantar sobre suas terras e partem \u2013 do campo para a cidade, onde novos muros os bloqueiam. Podemos v\u00ea-los nas monoculturas de eucalipto para a ind\u00fastria da celulose, nos extensos cintur\u00f5es agr\u00edcolas, em que a soja, a cana-de-a\u00e7\u00facar e o milho degradam nossas diversas paisagens, e na queima do Cerrado e da Floresta Amaz\u00f4nica para cria\u00e7\u00e3o de gado bovino, dizimando ecossistemas inteiros, juntamente \u00e0s comunidades ind\u00edgenas e quilombolas que l\u00e1 habitam. Um muro de morte se ergue no horizonte e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><br \/>No final da rua, h\u00e1 um muro. Embora esteja logo ali, mal o notamos. Naturalizamos os longos e altos muros das cidades. Erguidos pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, pelas grandes empresas, pelo Estado, recortam a cidade e restringem o acesso e o movimento. J\u00e1 envolvem at\u00e9 mesmo nossos parques e nossos rios. Negam a cidade a quem n\u00e3o pode pagar por ela, a quem n\u00e3o quer lucrar com ela. A quem deseja apenas existir e desfrutar de um conv\u00edvio cidad\u00e3o com seus vizinhos, seus conterr\u00e2neos, seus amigos e colegas. Isolam popula\u00e7\u00f5es e criam ambientes artificiais de prosperidade e mis\u00e9ria que n\u00e3o se comunicam, n\u00e3o se enxergam e n\u00e3o se ouvem, mas se refor\u00e7am. Tomam os centros, deixam nossas cidades inseguras, feias e impessoais. Podemos v\u00ea-los no muro que se ergue na expans\u00e3o de um aeroporto \u2013 e expuls\u00e3o de uma Vila Nazar\u00e9 inteira \u2013 em Porto Alegre, nos in\u00fameros parques cercados em todo o pa\u00eds, nos condom\u00ednios de luxo que ocupam irregularmente \u00e1reas p\u00fablicas e isolam comunidades de seus bens naturais. Um muro de exclus\u00e3o se ergue no final da rua e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><br \/>Logo em frente \u00e0 porta, h\u00e1 um muro. E o que acontece dali para dentro sempre dizem que n\u00e3o \u00e9 da nossa conta. Mas, por ser um muro, nosso muro, nos diz respeito tamb\u00e9m. E o que ocorre atr\u00e1s desse muro \u00e9 perverso e doentio. Viol\u00eancias, viola\u00e7\u00f5es, abusos. Controle, opress\u00e3o, ridiculariza\u00e7\u00e3o. Possessividade, desmandos, desatinos. Mulheres e crian\u00e7as sofrendo constantemente os transtornos do machismo, calcada na viol\u00eancia e no silenciamento sistem\u00e1tico, na brutalidade e no controle, chanceladas por um sistema patriarcal sustentando e sustentado pelo sistema capitalista e por um pacto social escancaradamente desigual. Engana-se, por\u00e9m, quem pensa que esse muro \u00e9 f\u00edsico e que o problema est\u00e1 apenas dentro de casa: ainda que a grande maioria dos casos de agress\u00f5es aconte\u00e7am no ambiente dom\u00e9stico e por pessoas conhecidas das v\u00edtimas, esse muro sutil acompanha mulheres e crian\u00e7as onde quer que elas v\u00e3o. S\u00e3o milhares de mulheres espancadas a cada 15 segundos no Brasil, mais de mil mulheres assassinadas apenas por serem mulheres, al\u00e9m das incont\u00e1veis crian\u00e7as que t\u00eam suas inf\u00e2ncias torturadas pelo abuso f\u00edsico, sexual e psicol\u00f3gico de uma sociedade que n\u00e3o d\u00e1 voz ao seu futuro e substitui o brincar pelo trabalhar. Um muro de viol\u00eancia se ergue em frente \u00e0 porta e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em frente aos nossos olhos, h\u00e1 um muro. Um muro sutil, erguido pela indiferen\u00e7a e pelo individualismo fomentados pela cultura do capital. Muro que recobre nossos olhos frente o desespero do pr\u00f3ximo, que passa fome e humilha\u00e7\u00e3o nas esquinas, em frente aos bancos e mercados, implorando com seus olhos e suas m\u00e3os por ajuda, por reconhecimento. Mas o muro em frente aos nossos olhos os torna invis\u00edveis: para cada um de n\u00f3s, para as empresas, para o Estado. Quando os vemos, s\u00f3 enxergamos os problemas. E os seres humanos que ali est\u00e3o continuam invis\u00edveis, assim como suas vulnerabilidades \u2013 fome, doen\u00e7a, inseguran\u00e7a, desconfian\u00e7a. Mas, tamb\u00e9m, seus sonhos roubados, seus momentos de alegria escondidos. O aumento da desigualdade social e o aumento da popula\u00e7\u00e3o de rua em at\u00e9 100% em 3 anos, em uma cidade como Porto Alegre, evidencia o que tentamos n\u00e3o ver. Um muro de invisibilidade se ergue em frente aos nossos olhos e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><br \/>Dentro das nossas cabe\u00e7as, h\u00e1 um muro. Um muro imaterial que impede nossas trocas, distorcem nossas rela\u00e7\u00f5es e dificulta nossa compreens\u00e3o de n\u00f3s mesmos. Que cont\u00e9m nossas ideias em caixas estanques e nos aprisionam \u00e0s mesmas a\u00e7\u00f5es infrut\u00edferas e viciadas. Nos encerra em bolhas reais e virtuais, em que s\u00f3 falamos as mesmas coisas, mantemos as mesmas discuss\u00f5es, encontramos as mesmas pessoas. Estampa a ansiedade, a depress\u00e3o e a raiva que nos acomete em profus\u00e3o epid\u00eamica. Nos dirige \u00e0 loucura, \u00e0 apatia, \u00e0 falta de conv\u00edvio social. Interdita o di\u00e1logo, polariza nossos atos e torna a viol\u00eancia e \u00f3dio uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Um muro de sofrimento se ergue dentro das nossas cabe\u00e7as e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><br \/>Um muro, contudo, \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o humana. Est\u00e1 sujeito a falhas, portanto. E, se observarmos suficientemente de perto, veremos que nenhum desses muros \u00e9 s\u00f3lido, r\u00edgido e coeso o suficiente: em todos eles, h\u00e1 frestas. Em cada fresta, algu\u00e9m resiste a esses muros. Resist\u00eancia que se mostra em a\u00e7\u00f5es, muito mais concretas do que esses muros que se erguem contra nossa vontade. Em movimentos agroecol\u00f3gios, de soberania alimentar e reforma agr\u00e1ria de base popular. Nos diversos grupos e comunidades populares que resistem \u00e0 gentrifica\u00e7\u00e3o das cidades e gritam bem alto que as cidades tamb\u00e9m lhes pertencem. Nos incont\u00e1veis movimentos feministas que se proliferam ao redor do mundo, na for\u00e7a das mulheres que resistem \u00e0 tomada de seus corpos, mentes e cora\u00e7\u00f5es e seguem na luta, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de seus sonhos. Nas muitas iniciativas de inclus\u00e3o social de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, em que essas pessoas t\u00eam a oportunidade de comer, se abrigar e se relacionar de uma maneira solid\u00e1ria, muitas vezes at\u00e9 mesmo descobrindo um novo of\u00edcio. Nos grupos de apoio psicol\u00f3gico, que acolhem as pessoas e oferecem um espa\u00e7o de conversa franca e reconhecimento m\u00fatuo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br \/>Quanto maiores forem os muros, mais frestas eles ter\u00e3o. Se os muros nos cercam, devemos manter conosco a esperan\u00e7osa certeza de que, um a um, eles ser\u00e3o derrubados. Enquanto o povo seguir de p\u00e9, eles cair\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Campanha: https:\/\/book.stopthewall.org\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto abaixo integra a campanha #MundoSinMuros que foi publicado em ingl\u00eas no dia 9 de novembro de 2019 no marco dos 30 anos da queda do muro de Berlim. 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Mal o enxergamos, porque acreditamos n\u00e3o fazer parte de nossa realidade. Mas isso \u00e9 mera ilus\u00e3o: todo muro nos diz respeito, nos pertence. Ent\u00e3o, \u00e9 importante que apertemos nossos olhos e vejamos melhor. O que \u00e9, afinal, aquele pared\u00e3o maci\u00e7o no fim da paisagem? De longe, at\u00e9 lembra uma floresta, mas n\u00e3o \u00e9 nada mais que uma planta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deveria estar ali. Com sua voracidade, acabam com o solo, com a \u00e1gua, com a vida no campo. Convertem ricos campos nativos em desertos in\u00f3spitos, em que nada cresce, a n\u00e3o ser o lucro de alguns poucos. Tornam ref\u00e9ns as comunidades que l\u00e1 habitam, que ficam dependentes de uma \u00fanica fonte para saciar seu desejo de uma vida melhor, encarando a trucul\u00eancia dos bancos ou das balas de jagun\u00e7os quando rejeitam esse projeto. Muitos n\u00e3o resistem ao ver esse muro se levantar sobre suas terras e partem \u2013 do campo para a cidade, onde novos muros os bloqueiam. Podemos v\u00ea-los nas monoculturas de eucalipto para a ind\u00fastria da celulose, nos extensos cintur\u00f5es agr\u00edcolas, em que a soja, a cana-de-a\u00e7\u00facar e o milho degradam nossas diversas paisagens, e na queima do Cerrado e da Floresta Amaz\u00f4nica para cria\u00e7\u00e3o de gado bovino, dizimando ecossistemas inteiros, juntamente \u00e0s comunidades ind\u00edgenas e quilombolas que l\u00e1 habitam. Um muro de morte se ergue no horizonte e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo. No final da rua, h\u00e1 um muro. Embora esteja logo ali, mal o notamos. Naturalizamos os longos e altos muros das cidades. Erguidos pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, pelas grandes empresas, pelo Estado, recortam a cidade e restringem o acesso e o movimento. J\u00e1 envolvem at\u00e9 mesmo nossos parques e nossos rios. Negam a cidade a quem n\u00e3o pode pagar por ela, a quem n\u00e3o quer lucrar com ela. A quem deseja apenas existir e desfrutar de um conv\u00edvio cidad\u00e3o com seus vizinhos, seus conterr\u00e2neos, seus amigos e colegas. Isolam popula\u00e7\u00f5es e criam ambientes artificiais de prosperidade e mis\u00e9ria que n\u00e3o se comunicam, n\u00e3o se enxergam e n\u00e3o se ouvem, mas se refor\u00e7am. Tomam os centros, deixam nossas cidades inseguras, feias e impessoais. Podemos v\u00ea-los no muro que se ergue na expans\u00e3o de um aeroporto \u2013 e expuls\u00e3o de uma Vila Nazar\u00e9 inteira \u2013 em Porto Alegre, nos in\u00fameros parques cercados em todo o pa\u00eds, nos condom\u00ednios de luxo que ocupam irregularmente \u00e1reas p\u00fablicas e isolam comunidades de seus bens naturais. Um muro de exclus\u00e3o se ergue no final da rua e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo. Logo em frente \u00e0 porta, h\u00e1 um muro. 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S\u00e3o milhares de mulheres espancadas a cada 15 segundos no Brasil, mais de mil mulheres assassinadas apenas por serem mulheres, al\u00e9m das incont\u00e1veis crian\u00e7as que t\u00eam suas inf\u00e2ncias torturadas pelo abuso f\u00edsico, sexual e psicol\u00f3gico de uma sociedade que n\u00e3o d\u00e1 voz ao seu futuro e substitui o brincar pelo trabalhar. Um muro de viol\u00eancia se ergue em frente \u00e0 porta e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo. Em frente aos nossos olhos, h\u00e1 um muro. Um muro sutil, erguido pela indiferen\u00e7a e pelo individualismo fomentados pela cultura do capital. Muro que recobre nossos olhos frente o desespero do pr\u00f3ximo, que passa fome e humilha\u00e7\u00e3o nas esquinas, em frente aos bancos e mercados, implorando com seus olhos e suas m\u00e3os por ajuda, por reconhecimento. Mas o muro em frente aos nossos olhos os torna invis\u00edveis: para cada um de n\u00f3s, para as empresas, para o Estado. Quando os vemos, s\u00f3 enxergamos os problemas. E os seres humanos que ali est\u00e3o continuam invis\u00edveis, assim como suas vulnerabilidades \u2013 fome, doen\u00e7a, inseguran\u00e7a, desconfian\u00e7a. Mas, tamb\u00e9m, seus sonhos roubados, seus momentos de alegria escondidos. O aumento da desigualdade social e o aumento da popula\u00e7\u00e3o de rua em at\u00e9 100% em 3 anos, em uma cidade como Porto Alegre, evidencia o que tentamos n\u00e3o ver. Um muro de invisibilidade se ergue em frente aos nossos olhos e n\u00f3s precisamos derrub\u00e1-lo. Dentro das nossas cabe\u00e7as, h\u00e1 um muro. Um muro imaterial que impede nossas trocas, distorcem nossas rela\u00e7\u00f5es e dificulta nossa compreens\u00e3o de n\u00f3s mesmos. Que cont\u00e9m nossas ideias em caixas estanques e nos aprisionam \u00e0s mesmas a\u00e7\u00f5es infrut\u00edferas e viciadas. 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