{"id":2232,"date":"2020-03-22T03:13:03","date_gmt":"2020-03-22T06:13:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=2232"},"modified":"2025-06-17T15:36:24","modified_gmt":"2025-06-17T18:36:24","slug":"1-ano-do-assassinato-da-companheira-dilma-violacao-dos-direitos-povos-e-a-privatizacao-do-rio-tocantins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=2232","title":{"rendered":"1 ano do assassinato da companheira Dilma: Viola\u00e7\u00e3o dos direitos povos e a privatiza\u00e7\u00e3o do rio Tocantins"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:justify\">\nDilma Ferreira deixou um legado inspirador de perseveran\u00e7a na luta em defesa de seus direitos. Lutou at\u00e9 o \u00faltimo dia de sua vida em defesa de seu territ\u00f3rio e contra o avan\u00e7o explorador das empresas transnacionais sobre a Amaz\u00f4nia e seus povos. Em 22 de mar\u00e7o de 2019, quando \u00e9 celebrado o dia internacional da \u00e1gua, a maranhense de 48 anos e coordenadora regional do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) em Tucuru\u00ed (PA), Dilma, foi brutalmente assassinada. Junto a ela, foram executados tamb\u00e9m o seu companheiro, Claudionor Costa da Silva, e o vizinho do casal, Milton Lopes.<br \/><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Dilma-Ferreira-MAB-Par\u00e1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2237\" width=\"435\" height=\"300\"\/><figcaption> Coordenadora regional do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) em Tucuru\u00ed (PA), Dilma Ferreira (Foto: MAB)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A viol\u00eancia empregada contra a lideran\u00e7a que era Dilma n\u00e3o vem \u00e0 toa. Eles s\u00e3o assassinados em um contexto de um Brasil p\u00f3s golpe de Estado de 2016, que intensificou a agenda neoliberal na economia e a sanha de avan\u00e7ar com grandes projetos na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. A conjuntura se aprofunda em 2019 com o in\u00edcio da gest\u00e3o de um governo abertamente fascista liderado por um ex-militar saudoso do per\u00edodo ditatorial mais sangrento da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Quatro dias ap\u00f3s o assassinato de Dilma, a Pol\u00edcia Civil do Par\u00e1 prendeu o fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho, conhecido como Fernando Shalom, identificado como mandante do assassinato de Dilma. As buscas foram intensificadas depois que tr\u00eas corpos carbonizados foram encontrados a 20 km do local do triplo homic\u00eddio. O fazendeiro tornou-se suspeito de ter assassinado as 6 pessoas.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Dilma era atingida pela constru\u00e7\u00e3o da barragem de Tucuru\u00ed. Na coordena\u00e7\u00e3o do MAB no Par\u00e1, foi protagonista no debate de mulheres atingidas por barragens no Brasil. Dilma Ferreira \u00e9 a imagem da mulher atingida que foi reconstitu\u00edda como sujeito de luta em uma regi\u00e3o devastada por um grande empreendimento. Ela estabeleceu um marco na resist\u00eancia hist\u00f3rica em uma regi\u00e3o que n\u00e3o foi devidamente reparada em rela\u00e7\u00e3o aos impactos da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Tucuru\u00ed no rio Tocantins.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A regi\u00e3o ainda experincia os efeitos hist\u00f3ricos da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Tucuru\u00ed. In\u00fameras comunidades n\u00e3o foram reparadas devido aos impactos da priva\u00e7\u00e3o do rio Tocantins. O projeto realizado durante o governo militar durou de 1978 at\u00e9 1980 e expulsou mais de 32 mil pessoas de suas casas. Muitas fam\u00edlias ainda vivem pr\u00f3ximo, desta que \u00e9 uma das maiores barragens do pa\u00eds, sem acesso a energia el\u00e9trica em suas casa e quando a tem pagam uma das tarifas mais caras do pa\u00eds.\u00a0<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">De acordo com a Plataforma Oper\u00e1ria e Camponesa para Energia, as contas de luz aumentaram mais de 80% nos \u00faltimos dez anos e podem aumentar no m\u00ednimo 20% em menos de um ano, caso o plano do governo federal de privatizar a Eletrobr\u00e1s se concretize. At\u00e9 hoje, a concess\u00e3o da barragem \u00e9 de propriedade estatal. No entanto, h\u00e1 uma forte press\u00e3o para que a barragem seja privatizada.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Historicamente, a luta dos afetados por Tucuru\u00ed tem sido por reconhecimento e Dilma se colocou nessa frente: \u201cUma mulher consciente n\u00e3o passa despercebida. E no contexto da Amaz\u00f4nia, todos os que lutam e em processo de resist\u00eancia acabam sendo perseguidos\u201d, define Cleidiane, da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do MAB no Par\u00e1. Ela pontua que at\u00e9 hoje as pessoas continuam sendo violadas: \u201cos munic\u00edpios afetados por Tucuru\u00ed t\u00eam os mais baixos \u00cdndices de Desenvolvimento Humano do Brasil e toda a riqueza gerada n\u00e3o \u00e9 investida em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e melhoria da qualidade de vida, muito menos em infraestrutura para a regi\u00e3o\u201d.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">No Brasil, construir barragem \u00e9 sin\u00f4nimo de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos. Em 2010, a Secretaria Especial de Direitos Humanos, \u00f3rg\u00e3o ligado \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em um Relat\u00f3rio Nacional, comprovou que h\u00e1 um padr\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o de direitos em obras de barragens no pa\u00eds. Com foco nisso, o MAB vem pautando a Pol\u00edtica Nacional dos Atingidos por Barragens (PNAB), resultado de uma longa luta dos atingidos por barragens, que h\u00e1 d\u00e9cadas denunciam as viola\u00e7\u00f5es e buscam construir um marco legal que possa garantir direitos \u00e0s v\u00edtimas de barragens. O objetivo principal da PNAB \u00e9 criar uma base legal para popula\u00e7\u00f5es atingidas por barragens que prev\u00ea a defini\u00e7\u00e3o do conceito de atingido, formas de repara\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Para o MAB, define-se popula\u00e7\u00e3o atingida aqueles que sofrem os impactos provocados pela constru\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o ou rompimento de barragens quando h\u00e1 perda da propriedade ou posse de im\u00f3vel; desvaloriza\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis em decorr\u00eancia de sua localiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ou em n\u00edvel abaixo dessas estruturas; perda da capacidade produtiva das terras e de elementos naturais da paisagem geradores de renda; e perda do produto ou de \u00e1reas de exerc\u00edcio da atividade pesqueira ou de manejo de recursos naturais.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Outro elemento que tem intensificado a viola\u00e7\u00e3o dos direitos na regi\u00e3o \u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o do rio Tocantins sob a forma da constru\u00e7\u00e3o de hidrovias. Com a barragem de Tucuru\u00ed \u00e9 poss\u00edvel ter maior controle do rio, o que potencializa os interesses para a constru\u00e7\u00e3o de hidrovias com a finalidade de transportar at\u00e9 os portos as agrocommodities produzidos na regi\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o. A dragagem, necess\u00e1ria para a constru\u00e7\u00e3o das hidrovias, assim como o fluxo de embarca\u00e7\u00f5es carregados de gr\u00e3os causar\u00e1 impactos na vida das comunidades que vivem com o rio Tocantins: morte dos peixes, assoreamento dos rios, entre outros reflexos.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Os atingidos por barragens n\u00e3o t\u00eam suas condi\u00e7\u00f5es de melhoria de vida asseguradas no processo de constru\u00e7\u00e3o das barragens, e acabam se tornando uma popula\u00e7\u00e3o extremamente vulner\u00e1vel. Soma-se a isso o verdadeiro estado de exce\u00e7\u00e3o vigente no Brasil e, em especial, na Amaz\u00f4nia brasileira. Na regi\u00e3o em que a Dilma vivia, assim como em grande parte da Amaz\u00f4nia, h\u00e1 um contexto similar: a disputa pela ocupa\u00e7\u00e3o da terra, conflito entre pequeno agricultores e comunidades tradicionais com os grandes fazendeiros (gado e agrocommodities) e grandes empreendimentos.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">O que aconteceu com Dilma \u00e9 resultado da pol\u00edtica sistem\u00e1tica de exterm\u00ednio dos defensores dos territ\u00f3rios e os direitos dos povos que vem sendo executada no Brasil. As a\u00e7\u00f5es s\u00e3o carregadas de injusti\u00e7a e impunidade contra as\/os lutadoras\/res. Empres\u00e1rios e acionistas internacionais com o apoio do Estado est\u00e3o dispostos a exterminar os seres humanos e o patrim\u00f4nio ambiental para garantir o lucro dentro do modelo de acumula\u00e7\u00e3o e desapropria\u00e7\u00e3o. Com a ascens\u00e3o do neoliberalismo sob os territ\u00f3rios se intensifica a luta e resist\u00eancia em defesa da vida e dos direitos. Consequentemente, a persegui\u00e7\u00e3o a todas e todos que se levantam contra esta l\u00f3gica de exterm\u00ednio. Todo esse contexto de lucro global, resulta em viol\u00eancias locais, muitas vezes, sanguin\u00e1rias como o assassinato de Dilma.<br \/><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Dilma-Ferreira-da-Silva-com-Dilma-Roussef-2011.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2233\" width=\"384\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Dilma-Ferreira-da-Silva-com-Dilma-Roussef-2011.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Dilma-Ferreira-da-Silva-com-Dilma-Roussef-2011-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Dilma-Ferreira-da-Silva-com-Dilma-Roussef-2011-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption> <em>Na foto, a ex-presidente Dilma Rousseff ao lado de Dilma Ferreira da  Silva em audi\u00eancia no Pal\u00e1cio do Planalto, em 2011 (Foto: Leandro  Silva\/MAB)<\/em> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\"><em>\u201c<\/em>N\u00f3s somos as verdadeiras Marias, guerreiras, lutadoras que est\u00e3o a\u00ed no desafio da luta do dia a dia\u201d, disse Dilma Ferreira \u00e0s mulheres atingidas na ocasi\u00e3o do encontro nacional de 2011 do MAB. Ela deixa um legado da luta da mulher amaz\u00f4nica, que resistiu at\u00e9 o fim de sua vida, que seguiu lutando para garantir os direitos dos povos. Independentemente do tamanho do inimigo, ousou continuar a luta. Mulher aguerrida, Dilma era tamb\u00e9m m\u00e3e, deixou uma filha de 24 anos.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Por Dilma, por sua luta, continuamos lutando!<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c1guas para vida, n\u00e3o para morte!<\/strong><br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Para celebrar a mem\u00f3ria da vida e da luta de Dilma, conversamos com Soniamara Maranho, Tchenna Maso e Cleidiane Vieira, companheiras da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), sobre a situa\u00e7\u00e3o dos defensores dos direitos dos povos no Brasil e o contexto atual na regi\u00e3o de Tucuru\u00ed. <a href=\"https:\/\/rmr.fm\/informes-especiales\/un-recuerdo-para-dilma-ferreira-a-un-ano-de-su-asesinato\/\">Ou\u00e7a aqui<\/a>.<br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dilma Ferreira deixou um legado inspirador de perseveran\u00e7a na luta em defesa de seus direitos. 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A conjuntura se aprofunda em 2019 com o in\u00edcio da gest\u00e3o de um governo abertamente fascista liderado por um ex-militar saudoso do per\u00edodo ditatorial mais sangrento da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. Quatro dias ap\u00f3s o assassinato de Dilma, a Pol\u00edcia Civil do Par\u00e1 prendeu o fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho, conhecido como Fernando Shalom, identificado como mandante do assassinato de Dilma. As buscas foram intensificadas depois que tr\u00eas corpos carbonizados foram encontrados a 20 km do local do triplo homic\u00eddio. O fazendeiro tornou-se suspeito de ter assassinado as 6 pessoas. Dilma era atingida pela constru\u00e7\u00e3o da barragem de Tucuru\u00ed. Na coordena\u00e7\u00e3o do MAB no Par\u00e1, foi protagonista no debate de mulheres atingidas por barragens no Brasil. Dilma Ferreira \u00e9 a imagem da mulher atingida que foi reconstitu\u00edda como sujeito de luta em uma regi\u00e3o devastada por um grande empreendimento. Ela estabeleceu um marco na resist\u00eancia hist\u00f3rica em uma regi\u00e3o que n\u00e3o foi devidamente reparada em rela\u00e7\u00e3o aos impactos da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Tucuru\u00ed no rio Tocantins. A regi\u00e3o ainda experincia os efeitos hist\u00f3ricos da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Tucuru\u00ed. In\u00fameras comunidades n\u00e3o foram reparadas devido aos impactos da priva\u00e7\u00e3o do rio Tocantins. O projeto realizado durante o governo militar durou de 1978 at\u00e9 1980 e expulsou mais de 32 mil pessoas de suas casas. Muitas fam\u00edlias ainda vivem pr\u00f3ximo, desta que \u00e9 uma das maiores barragens do pa\u00eds, sem acesso a energia el\u00e9trica em suas casa e quando a tem pagam uma das tarifas mais caras do pa\u00eds.\u00a0 De acordo com a Plataforma Oper\u00e1ria e Camponesa para Energia, as contas de luz aumentaram mais de 80% nos \u00faltimos dez anos e podem aumentar no m\u00ednimo 20% em menos de um ano, caso o plano do governo federal de privatizar a Eletrobr\u00e1s se concretize. At\u00e9 hoje, a concess\u00e3o da barragem \u00e9 de propriedade estatal. No entanto, h\u00e1 uma forte press\u00e3o para que a barragem seja privatizada. Historicamente, a luta dos afetados por Tucuru\u00ed tem sido por reconhecimento e Dilma se colocou nessa frente: \u201cUma mulher consciente n\u00e3o passa despercebida. E no contexto da Amaz\u00f4nia, todos os que lutam e em processo de resist\u00eancia acabam sendo perseguidos\u201d, define Cleidiane, da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do MAB no Par\u00e1. Ela pontua que at\u00e9 hoje as pessoas continuam sendo violadas: \u201cos munic\u00edpios afetados por Tucuru\u00ed t\u00eam os mais baixos \u00cdndices de Desenvolvimento Humano do Brasil e toda a riqueza gerada n\u00e3o \u00e9 investida em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e melhoria da qualidade de vida, muito menos em infraestrutura para a regi\u00e3o\u201d. No Brasil, construir barragem \u00e9 sin\u00f4nimo de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos. Em 2010, a Secretaria Especial de Direitos Humanos, \u00f3rg\u00e3o ligado \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em um Relat\u00f3rio Nacional, comprovou que h\u00e1 um padr\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o de direitos em obras de barragens no pa\u00eds. Com foco nisso, o MAB vem pautando a Pol\u00edtica Nacional dos Atingidos por Barragens (PNAB), resultado de uma longa luta dos atingidos por barragens, que h\u00e1 d\u00e9cadas denunciam as viola\u00e7\u00f5es e buscam construir um marco legal que possa garantir direitos \u00e0s v\u00edtimas de barragens. O objetivo principal da PNAB \u00e9 criar uma base legal para popula\u00e7\u00f5es atingidas por barragens que prev\u00ea a defini\u00e7\u00e3o do conceito de atingido, formas de repara\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos. Para o MAB, define-se popula\u00e7\u00e3o atingida aqueles que sofrem os impactos provocados pela constru\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o ou rompimento de barragens quando h\u00e1 perda da propriedade ou posse de im\u00f3vel; desvaloriza\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis em decorr\u00eancia de sua localiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ou em n\u00edvel abaixo dessas estruturas; perda da capacidade produtiva das terras e de elementos naturais da paisagem geradores de renda; e perda do produto ou de \u00e1reas de exerc\u00edcio da atividade pesqueira ou de manejo de recursos naturais. Outro elemento que tem intensificado a viola\u00e7\u00e3o dos direitos na regi\u00e3o \u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o do rio Tocantins sob a forma da constru\u00e7\u00e3o de hidrovias. Com a barragem de Tucuru\u00ed \u00e9 poss\u00edvel ter maior controle do rio, o que potencializa os interesses para a constru\u00e7\u00e3o de hidrovias com a finalidade de transportar at\u00e9 os portos as agrocommodities produzidos na regi\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o. A dragagem, necess\u00e1ria para a constru\u00e7\u00e3o das hidrovias, assim como o fluxo de embarca\u00e7\u00f5es carregados de gr\u00e3os causar\u00e1 impactos na vida das comunidades que vivem com o rio Tocantins: morte dos peixes, assoreamento dos rios, entre outros reflexos. Os atingidos por barragens n\u00e3o t\u00eam suas condi\u00e7\u00f5es de melhoria de vida asseguradas no processo de constru\u00e7\u00e3o das barragens, e acabam se tornando uma popula\u00e7\u00e3o extremamente vulner\u00e1vel. Soma-se a isso o verdadeiro estado de exce\u00e7\u00e3o vigente no Brasil e, em especial, na Amaz\u00f4nia brasileira. Na regi\u00e3o em que a Dilma vivia, assim como em grande parte da Amaz\u00f4nia, h\u00e1 um contexto similar: a disputa pela ocupa\u00e7\u00e3o da terra, conflito entre pequeno agricultores e comunidades tradicionais com os grandes fazendeiros (gado e agrocommodities) e grandes empreendimentos. O que aconteceu com Dilma \u00e9 resultado da pol\u00edtica sistem\u00e1tica de exterm\u00ednio dos defensores dos territ\u00f3rios e os direitos dos povos que vem sendo executada no Brasil. As a\u00e7\u00f5es s\u00e3o carregadas de injusti\u00e7a e impunidade contra as\/os lutadoras\/res. 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