{"id":1969,"date":"2020-02-03T15:01:46","date_gmt":"2020-02-03T18:01:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1969"},"modified":"2025-06-17T15:43:21","modified_gmt":"2025-06-17T18:43:21","slug":"o-que-aprendemos-com-brumadinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1969","title":{"rendered":"O  que aprendemos com Brumadinho?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><i>Um ano ap\u00f3s o crime da Vale em Brumadinho, a vida das atingidas e dos atingidos \u00e9 cercada pela polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do rio Paraopeba com a lama t\u00f3xica. S\u00e3o muitos os reflexos: crescimento de casos de doen\u00e7as &#8212; de pele e problemas gastrointestinais, sobretudo com rela\u00e7\u00e3o a sa\u00fade mental; desemprego e <\/i><i>perdas econ\u00f4micas nas cidades dependentes do rio<\/i><i>; falta de informa\u00e7\u00e3o e assessoria t\u00e9cnica independente; descasos com as v\u00edtimas (dentre elas, 11 ainda desaparecidas) e seus familiares; al\u00e9m de cortes no aux\u00edlio emergencial pago pela Vale.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Enquanto isso, a empresa segue impune. A Vale obteve R$7 bilh\u00f5es de lucro em 2019 e, como se n\u00e3o bastasse, ainda recuperou o valor de mercado que tinha antes do rompimento da barragem, chegando \u00e0 R$ 301 bilh\u00f5es. O que representa R$ 5 bilh\u00f5es a mais em rela\u00e7\u00e3o ao que possu\u00eda antes do crime ambiental. <\/i><\/p>\n<p><iframe title=\"Brumadinho: Quando o Lucro Vale Mais\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ack1QctLvf8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 25 de janeiro de 2020, completou um ano de um dos maiores crimes ambientais do Brasil. A barragem de rejeito de minera\u00e7\u00e3o da empresa Vale, localizada na comunidade C\u00f3rrego do Feij\u00e3o no munic\u00edpio de Brumadinho-MG, rompe deixando 272 v\u00edtimas. A lama de rejeitos percorreu mais de 300 quil\u00f4metros do rio Paraopeba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para marcar o um ano do crime da Vale, um ano de impunidade, um ano de luta e resist\u00eancia, atingidos e atingidas marcharam em defesa dos seus direitos e de suas vidas. A Marcha dos e das Atingidos e Atingidas iniciou no dia 20 de janeiro em Belo Horizonte. Seguiu pelo munic\u00edpio de Pomp\u00e9u, no interior do estado, e chegou at\u00e9 a regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, passando por Juatuba, Citrol\u00e2ndia, S\u00e3o Joaquim de Bicas, Betim, percorrendo o caminho inverso a trajet\u00f3ria de destrui\u00e7\u00e3o deixada pela lama, at\u00e9 chegar ao C\u00f3rrego do Feij\u00e3o no dia 25 de janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caravana, que durou seis dias, contou com mais de 350 marchantes. Entre os presentes estiveram atingidas e atingidos da bacias do Rio Paraopeba e Rio Doce, militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens e demais movimentos, organiza\u00e7\u00f5es e entidades aliadas de todo o Brasil e ainda de 17 pa\u00edses.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo da Marcha \u00e9 marcar o primeiro ano do crime da Vale em Brumadinho e expor a atual situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e3o as comunidades em rela\u00e7\u00e3o a lama t\u00f3xica. Tem ainda como a\u00e7\u00e3o sinalizar a luta e a resist\u00eancia dos atingidos e atingidas, denunciar a impunidade das empresas transnacionais Vale, Samarco e BHP Billiton ap\u00f3s os crimes em Mariana e Brumadinho (que em em 4 anos deixou mais de 300 v\u00edtimas), al\u00e9m de reivindicar a mudan\u00e7a no modelo explorat\u00f3rio da minera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MAB-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1970\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MAB-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MAB-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MAB-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MAB-1-500x375.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MAB-1-800x600.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MAB-1.jpg 1136w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: Movimento dos Atingidos por Barragens<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><b>Justi\u00e7a para quem?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi em frente \u00e0 sede do Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais e na Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), no dia 20 de janeiro, que os marchantes denunciaram a omiss\u00e3o destes \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos em fazer justi\u00e7a aos atingidos pelos crimes da mineradora e a impunidade da empresa frente aos crimes cometidos.\u00a0 No estado, existem 840 barragens e, dentre elas, pelo menos 83 t\u00eam alto risco de rompimento, assim como ocorreu em Brumadinho. Al\u00e9m disso, segundo o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), em 2019 cerca de 108 mil pessoas foram reconhecidas como \u201cafetadas\u201d por Brumadinho e receberam \u201cAux\u00edlio Emergencial\u201d, que consiste no pagamento, pela Vale, de um sal\u00e1rio m\u00ednimo para adultos, meio sal\u00e1rio m\u00ednimo para adolescentes e um sal\u00e1rio m\u00ednimo para crian\u00e7as por um ano. Entretanto, esses valores monet\u00e1rios s\u00e3o insuficientes para reparar o dano causado na vida dos atingidos.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio conceito de atingido usado pela empresa Vale n\u00e3o contempla todas as pessoas que tiveram sua vida afetada ap\u00f3s o rompimento da barragem, como \u00e9 o caso de <a href=\"http:\/\/mabnacional.org.br\/noticia\/vale-imp-e-crit-rios-distintos-para-membros-uma-mesma-fam-lia-no-aux-lio-emergencial\">Alexandro Magela de Oliveira, 37 anos, morador do Assentamento Queima Fogo.<\/a> N\u00e3o apenas as pessoas de Brumadinho foram atingidas, in\u00fameras comunidades da bacia do Rio Paraopeba tiveram suas casas e suas atividades econ\u00f4micas prejudicadas sen\u00e3o completamente destru\u00eddas pelas lama. A empresa tem usado como estrat\u00e9gia a individualiza\u00e7\u00e3o do processo, isolando as pessoas atingidas e fazendo acordos individuais, para ter mais poder e desmobilizar a a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p><iframe title=\"#1AnoBrumadinho JUSTI\u00c7A!\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uctiE4BZLlI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MAB solicitou que esse aux\u00edlio de emerg\u00eancia fosse estendido at\u00e9 que fosse alcan\u00e7ado um \u201creparo abrangente\u201d e que as comunidades impactadas fossem envolvidas no processo de defini\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios para receber o Aux\u00edlio Emergencial: <i>\u201cQuestionamos o papel dessa justi\u00e7a que escuta muito mais os criminosos do que as v\u00edtimas. N\u00e3o pararemos at\u00e9 que haja um reparo completo. As pessoas precisam de ajuda de emerg\u00eancia para comprar comida; eles est\u00e3o passando fome porque perderam seus empregos no campo e como pescadores artesanais\u201d<\/i>, defende Joceli Andrioli, membro da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do MAB, <a href=\"https:\/\/rmr.fm\/testimonios\/afectados-brumadinho-ante-tribunales-de-minas-gerais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em entrevista \u00e0\u00a0 R\u00e1dio Mundo Real.\u00a0<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles reivindicam tamb\u00e9m uma Pol\u00edtica Estadual dos Atingidos por Barragens (PEAB) que assegure assist\u00eancia \u00e0s pessoas ou popula\u00e7\u00f5es afetadas por impactos decorrentes da constru\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o ou opera\u00e7\u00e3o de barragens e outros empreendimentos e que principalmente garanta a responsabiliza\u00e7\u00e3o das empresas frente aos impactos causados. Se mostra essencial uma Pol\u00edtica Estadual dos Atingidos por Barragens para trazer a defini\u00e7\u00e3o do conceito de atingidos por barragens, listar seus direitos, determinar as formas de repara\u00e7\u00e3o, os mecanismos de financiamento, prevendo a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em todos os processos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Perda de Vidas: a contamina\u00e7\u00e3o do Rio Paraopeba<br \/><\/b>Ap\u00f3s ao rompimento da barragem e a lama t\u00f3xica se espalhar pelo Rio Paraopeba, <a href=\"https:\/\/www.mabnacional.org.br\/noticia\/com-paraopeba-contaminado-juatuba-apresenta-crescimento-em-casos-doen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o n\u00famero de casos de doen\u00e7as tem aumentado.<\/a> S\u00e3o doen\u00e7as de pele, diarreia, coceira, manchas na pele, alcoolismo, ins\u00f4nia, depress\u00e3o. A marcha, ao passar por munic\u00edpios de Pomp\u00e9u e Juatuba mps dias 21 e 22 de outubro, os atingidos e atingidas relataram que em toda a bacia do Rio Paraopeba o consumo de rem\u00e9dios controlados, o n\u00famero de tentativas de suic\u00eddio e aborto espont\u00e2neos cresceram. Muitas vezes, o adoecimento n\u00e3o \u00e9 imediato.<\/p>\n<p><iframe title=\"#1AnoBrumadinho Problemas de saude se multiplicam\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NMXk0pdqyW4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste um ano houve aumento nas doen\u00e7as mentais da popula\u00e7\u00e3o. A perda de esperan\u00e7a e o medo constante est\u00e3o acabando com o projeto de vida de muitas pessoas. Isso tamb\u00e9m se deve \u00e0 perda das atividades econ\u00f4micas tradicionais como a agricultura, a pesca e o turismo que dependia do Rio Paraopeba. <i>\u201cAs pessoas perderam muito. A \u00e1gua do rio \u00e9 marrom, \u00e0s vezes, voc\u00ea v\u00ea peixes&#8230; mortos. A tristeza \u00e9 grande. Sinto esperan\u00e7a de ver o rio que vi em algum momento, de nadar livremente, de pescar, para as meninas brincarem, mas neste momento nossa vida cotidiana \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d,<\/i> <a href=\"https:\/\/rmr.fm\/informes-especiales\/sanar-en-la-lucha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">disse Erliete Rocha de Campos \u00e0 R\u00e1dio Mundo Real.\u00a0<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, a \u00e1gua consumida atrav\u00e9s das torneira, oferecido pela empresa COPASA, gera inseguran\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. As pessoas est\u00e3o consumindo a \u00e1gua sem saber se est\u00e1 pot\u00e1vel ou, em muitos casos, precisam comprar \u00e1gua para consumo. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/01\/25\/eles-mataram-a-gente-quando-mataram-o-rio\/?fbclid=IwAR1HKT97aY3tjjlwYQLQykFwoXofsnCVKJGS3_Yqrem9rb7PxqxjBl_s-Oo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Muitas pessoas est\u00e3o vivendo na beira do rio, mas sem \u00e1gua.<\/a> Um dos principais medos da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 o contato e o consumo de metais pesados presentes na \u00e1gua e no len\u00e7ol fre\u00e1tico, e o quanto poder\u00e1 contaminar a agricultura. Outra incerteza \u00e9 o que a presen\u00e7a destes metais pesados e a combina\u00e7\u00e3o deles ir\u00e1 causar ou reagir nos corpos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/01\/24\/depois-de-um-ano-estudo-reafirma-que-agua-do-paraopeba-esta-contaminada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A ONG SOS Mata Atl\u00e2ntica acaba de lan\u00e7ar um estudo sobre a qualidade da \u00e1gua do Rio Paraopeba, reafirmando que est\u00e1 \u201csem condi\u00e7\u00f5es de uso\u201d.<\/a>\u00a0 A Organiza\u00e7\u00e3o destaca que o per\u00edodo das chuvas muda o cen\u00e1rio, j\u00e1 que leva os rejeitos para o Baixo Paraopeba, ao Reservat\u00f3rio de Retiro Baixo, ou seja, aumenta as chances de que a contamina\u00e7\u00e3o chegue ao Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais reivindica\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o atingida \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o das Assessorias T\u00e9cnicas Independentes, para a garantia de consultoria e acompanhamento n\u00e3o tendencioso, de modo que sejam organizados diagn\u00f3sticos e possibilidades de solu\u00e7\u00f5es para as demandas das regi\u00f5es \u2013 construindo de modo participativo todos os passos necess\u00e1rios para a luta por repara\u00e7\u00e3o integral. O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais orienta a solicita\u00e7\u00e3o de revis\u00e3o do Plano Municipal de Sa\u00fade de cada munic\u00edpio atingido pela lama, para que os Planos Municipais contemplem a sa\u00fade dos atingidos por barragens. A lama matou o rio, matou tudo o que vivia no rio, matou a \u00e1gua que dava vida \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e subsist\u00eancia das fam\u00edlias. A lama matou a vida e a mem\u00f3ria das pessoas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figure style=\"width: 852px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"spotlight\" src=\"https:\/\/scontent.fpoa8-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/83600930_2786549744769748_1740371751075840000_n.jpg?_nc_cat=107&amp;_nc_ohc=zWPtZurLjncAX-vzKOl&amp;_nc_ht=scontent.fpoa8-1.fna&amp;oh=beb8e2790c8736d1adbd3eac78b98ab2&amp;oe=5EDC1A05\" alt=\"\" width=\"852\" height=\"567\" aria-busy=\"false\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>\u201c\u00c1guas para vida, n\u00e3o para a morte!\u201d | Foto: Movimento dos Atingidos por Barragens<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A impunidade inabal\u00e1vel<br \/><\/b>Mesmo tendo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2019\/02\/em-documento-vale-projetou-mortes-custos-e-ate-causas-possiveis-de-colapso.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">provas de que a Vale sabia que a barragem tinha riscos de romper e contabilizou em seu or\u00e7amento as poss\u00edveis mortes<\/a> e mesmo assim a empresa segue sem ser responsabilizada pelos crimes. O\u00a0 Semin\u00e1rio Internacional \u201cUm ano do crime da Vale em Brumadinho\u201d, realizado em Betim no dia 24 de janeiro, teve mais de 500 pessoas, de todo o Brasil e de 17 pa\u00edses. O Semin\u00e1rio destacou a import\u00e2ncia de responsabilizar as empresas para que crimes como o cometido pela Vale pare de acontecer.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/twitter.com\/amigosterrabr\/status\/1220836122177220614\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Juan Pablo, do Movimiento Rios Vivos (Col\u00f4mbia) e do Movimiento de Atingidos por Represas (MAR) fala sobre o modelo energ\u00e9tico que viola direito na Am\u00e9rica Latina.<\/a><\/p>\n<p><iframe title=\"1 Ano do crime da Vale em Brumadinho | Juan Pablo\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eI293uQ2zQg?start=6&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modelo minero-energ\u00e9tico adotado pela Vale e pelas empresas transnacionais se beneficia de uma \u201carquitetura da impunidade\u201d. No qual a impunidade \u00e9 mantida gra\u00e7as ao sistema hegem\u00f4nico capitalista-neoliberal que atua enfraquecendo os Estados e dando poder a cada vez um n\u00famero mais reduzido de atores empresariais e institui\u00e7\u00f5es financeiras. Para isso \u00e9 preciso cooptar a democracia e moldar o sistema judici\u00e1rio com base em interesses privados. Por um lado, n\u00e3o existe no direito internacional um marco legal para regular empresas transnacionais, muito menos um mecanismo ou corte para julgar crimes corporativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema faz uso de diferentes maquiagens para seguir atuando de maneira impune, \u00e9 comum enxergar no discurso das empresas e nas suas agendas comerciais uma aparente perspectiva \u201csustent\u00e1vel\u201d &#8211; com vis\u00f5es tecnicistas e individualistas colocando territ\u00f3rios e saberes populares \u00e0 servi\u00e7o do capital e gerando acumula\u00e7\u00e3o primitiva atrav\u00e9s de mecanismos de financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza. e, at\u00e9 mesmo de classe \u2013 usualmente mencionam normas da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, mas n\u00e3o asseguram nenhum mecanismo que obrigue o cumprimento de leis trabalhistas. Essas e outras maquiagens enganam a popula\u00e7\u00e3o sobre as reais consequ\u00eancias da instala\u00e7\u00e3o de empresas ou das parcerias p\u00fablico-privadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As promessas de crescimento econ\u00f4mico como resultado da implanta\u00e7\u00e3o de empresas transnacionais devem ser desmentidas e as injusti\u00e7as que sustentam essa arquitetura visibilizadas. <a href=\"https:\/\/www.mabnacional.org.br\/noticia\/renova-uma-grande-ag-ncia-propaganda-uma-empresa-que-foi-criada-para-enrolar-afirma-membro-d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Um exemplo \u00e9 a Funda\u00e7\u00e3o Renova, criada pela Vale e pela BHP para indenizar as fam\u00edlias impactadas pelas lama, mas na realidade tem implantado a ind\u00fastria das indeniza\u00e7\u00f5es,<\/a> usando diferentes formas de cooptar entidades e empresas para agir em torno de controlar os territ\u00f3rios e n\u00e3o resolver a situa\u00e7\u00e3o dos atingidos.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Amigos da Terra Internacional, juntamente com outros movimentos incluindo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) faz parte da <a href=\"https:\/\/www.stopcorporateimpunity.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Campanha Global para Reclamar a Soberania dos Povos Desmantelar o Poder das Transnacionais e Por Fim \u00e0 Impunidade<\/a> que, dentre outros processos, acompanha e incide no Grupo de Trabalho Intergovernamental das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre corpora\u00e7\u00f5es transnacionais e outras empresas comerciais com respeito aos direitos humanos. <a href=\"https:\/\/twitter.com\/amigosterrabr\/status\/1224313869344083968\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tchenna Maso, do MAB, fala sobre como os crimes da Vale est\u00e3o se tornando um padr\u00e3o das empresas transnacionais e ressalta a import\u00e2ncia de internacionalizar a luta por garantia de direitos:<\/a><\/p>\n<p><iframe title=\"1 Ano do crime da Vale em Brumadinho | Tchenna Maso\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lMvjPOzPYi0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que ocorreu em Brumadinho alerta o que pode ocorrer em outros lugares. <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2019\/11\/19\/la-onde-o-sol-se-poe-mais-longe-o-pampa-resiste-ao-projeto-fosfato-da-empresa-aguia-fertilizantes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">No Rio Grande do Sul, projeto de minera\u00e7\u00e3o no sul do estado, entre Lavras do Sul e Dom Pedrito, projeto prev\u00ea constru\u00e7\u00e3o de barragem duas vezes maior que a de Brumadinho (MG).<\/a> Em caso de ruptura, rejeitos atingiriam Ros\u00e1rio do Sul, Praia de Areias Brancas, e poderiam chegar at\u00e9 o Uruguai. Atualmente, o Rio Grande do Sul surge como a nova fronteira miner\u00e1ria do Brasil: s\u00e3o mais de 5 mil requerimentos para pesquisa mineral em solo ga\u00facho. Caso avancem os projetos, o estado se tornaria o terceiro maior minerador do pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No estado ga\u00facho h\u00e1 mais de 800 barragens. Atualmente ocorre o desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas para os atingidos por barragens. Em 2019, <a href=\"https:\/\/www.mabnacional.org.br\/noticia\/governo-leite-ataca-os-atingidos-por-barragens-do-rs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com o governo do Eduardo Leite, dois decretos que regulamentavam os direitos das popula\u00e7\u00f5es atingidas por barragens no estado foram revogados.<\/a> O Decreto n\u00ba 51.595, de 23 de junho de 2014, que institu\u00eda a Pol\u00edtica de Desenvolvimento de Regi\u00f5es Afetadas por Empreendimentos Hidrel\u00e9tricos &#8211; PDRAEH, e a Pol\u00edtica Estadual dos Atingidos por Empreendimentos Hidrel\u00e9tricos no Estado do Rio Grande do Sul \u2013 PEAEH previa uma s\u00e9rie de itens relacionado aos direitos que possuem os atingidos por barragens, buscando assim diminuir as viola\u00e7\u00f5es e impactos causados pelos grandes empreendimentos hidrel\u00e9tricos.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/rmr.fm\/entrevistas\/amigos-de-la-tierra-un-ano-brumadinho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brumadinho ensina dos riscos, das consequ\u00eancias que a minera\u00e7\u00e3o traz aos territ\u00f3rios.<\/a> Para as empresas, o lucro est\u00e1 acima da vida! A Campanha Global para Reclamar a Soberania dos Povos Desmantelar o Poder das Transnacionais e Por Fim \u00e0 Impunidade visa assegurar que estes crimes n\u00e3o ocorram e que as empresas sejam responsabilizadas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"spotlight aligncenter\" src=\"https:\/\/scontent.fpoa8-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/p720x720\/82424450_2782651528492903_1889802940433039360_o.jpg?_nc_cat=107&amp;_nc_ohc=PKY3VSDZdS8AX9KSyic&amp;_nc_ht=scontent.fpoa8-1.fna&amp;_nc_tp=6&amp;oh=39f327d419ae3c3b308510e224dd7ca4&amp;oe=5EC14A8A\" alt=\"A imagem pode conter: 14 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em p\u00e9\" aria-busy=\"false\" \/><\/p>\n<p><em>Foto: Movimento dos Atingidos por Barragens<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>1 ano de dor. 1 ano de luta!<br \/><\/b>272 pessoas tiveram suas vidas ceifadas em prol do lucro de uma empresa. A trag\u00e9dia anunciada em Mariana, se repetiu em Brumadinho. Pela mesma empresa: a Vale. O dia 25 de janeiro de 2020 foi de muita dor. Foi o dia de relembrar o p\u00e2nico e sofrimento que deste dia por diante transformou a vida de in\u00fameras fam\u00edlias e comunidades. O dia que faz repensar sobre o poder das corpora\u00e7\u00f5es, faz refletir sobre o modelo energ\u00e9tico insustent\u00e1vel e invi\u00e1vel, sobre as injusti\u00e7as sociais e ecol\u00f3gicas em prol do lucro das empresas.\u00a0<\/p>\n<p>Nenhuma\u00a0 morte foi acidente. Existe um respons\u00e1vel: a Vale.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No 25 de janeiro foi quando a\u00a0 marcha chegou na Comunidade C\u00f3rrego do Feij\u00e3o para prestar solidariedade \u00e0s v\u00edtimas, aos familiares, \u00e0 comunidades. \u00c9 poss\u00edvel perceber os tra\u00e7os da destrui\u00e7\u00e3o na comunidade: muitas pessoas foram embora, muitas casas a venda (na maioria sendo comprada pela Vale), dificuldades de acesso \u00e1gua a \u00e1gua. A empresa compra as casa como estrat\u00e9gia para ter controle sobre a regi\u00e3o e apagar a mem\u00f3ria do crime cometido. Al\u00e9m disso, em \u00e1reas em que \u00e9 poss\u00edvel visualizar a destrui\u00e7\u00e3o deixada pela lama t\u00f3xica, a empresa colocou escudos para que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o veja, bem como, onde ficou lama, plantou grama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguir depois de tamanha exterm\u00ednio n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u00c9 preciso transformar toda dor e sofrimento em energia para seguir lutando, para que isso n\u00e3o se repita mais! \u00c9 s\u00f3 atrav\u00e9s da autonomia dos povos e comunidades que ser\u00e1 poss\u00edvel transformar o atual modelo energ\u00e9tico para uma transi\u00e7\u00e3o justa e popular.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"spotlight aligncenter\" src=\"https:\/\/scontent.fpoa8-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/s960x960\/83513306_2792532250838164_4914094257716854784_o.jpg?_nc_cat=107&amp;_nc_ohc=29QEz78g4VEAX8H05q_&amp;_nc_ht=scontent.fpoa8-1.fna&amp;oh=c0dba2518f674552624feae56844879e&amp;oe=5ECCB2EB\" alt=\"A imagem pode conter: 5 pessoas, multid\u00e3o e atividades ao ar livre\" aria-busy=\"false\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"spotlight\" src=\"https:\/\/scontent.fpoa8-2.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-0\/p640x640\/83772520_2792532310838158_4637588188800483328_o.jpg?_nc_cat=106&amp;_nc_ohc=JFnvRZuuNZcAX-hGUBG&amp;_nc_ht=scontent.fpoa8-2.fna&amp;_nc_tp=6&amp;oh=11387fe0f4ed6ef22108272c2eb006fd&amp;oe=5EBD6EB0\" alt=\"A imagem pode conter: 1 pessoa, em p\u00e9 e atividades ao ar livre\" aria-busy=\"false\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"spotlight\" src=\"https:\/\/scontent.fpoa8-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/82930894_2783812291710160_5021766180134715392_n.jpg?_nc_cat=105&amp;_nc_ohc=t28_peX0FT8AX_tNdBL&amp;_nc_ht=scontent.fpoa8-1.fna&amp;oh=637d77ea5ceeecd9ed00ff90fa44b419&amp;oe=5E8FBB0E\" alt=\"A imagem pode conter: c\u00e9u e atividades ao ar livre\" aria-busy=\"false\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"spotlight\" src=\"https:\/\/scontent.fpoa8-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/s960x960\/83524281_2787773367980719_580099044869668864_o.jpg?_nc_cat=105&amp;_nc_ohc=f0DCLk7dRKkAX-c6sQ1&amp;_nc_ht=scontent.fpoa8-1.fna&amp;oh=619b7b285333fd8bf7aadde7abdec3a8&amp;oe=5ECDCE8D\" alt=\"A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, multid\u00e3o, c\u00e9u, \u00e1rvore e atividades ao ar livre\" aria-busy=\"false\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ap\u00f3s trancamento da ferrovia no dia 23 de janeiro, empresas acatam reivindica\u00e7\u00e3o para suspender atividades no dia em que o crime em Brumadinho completa um ano e atingidos conquistam paralisa\u00e7\u00e3o do trem da Vale no dia 25 de janeiro. Fotos: Movimento dos Atingidos por Barragens<\/em><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ano ap\u00f3s o crime da Vale em Brumadinho, a vida das atingidas e dos atingidos \u00e9 cercada pela polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do rio Paraopeba com a lama t\u00f3xica. S\u00e3o muitos os reflexos: crescimento de casos de doen\u00e7as &#8212; de pele e problemas gastrointestinais, sobretudo com rela\u00e7\u00e3o a sa\u00fade mental; desemprego e perdas econ\u00f4micas nas cidades dependentes do rio; falta de informa\u00e7\u00e3o e assessoria t\u00e9cnica independente; descasos com as v\u00edtimas (dentre elas, 11 ainda desaparecidas) e seus familiares; al\u00e9m de cortes no aux\u00edlio emergencial pago pela Vale. Enquanto isso, a empresa segue impune. A Vale obteve R$7 bilh\u00f5es de lucro em 2019 e, como se n\u00e3o bastasse, ainda recuperou o valor de mercado que tinha antes do rompimento da barragem, chegando \u00e0 R$ 301 bilh\u00f5es. O que representa R$ 5 bilh\u00f5es a mais em rela\u00e7\u00e3o ao que possu\u00eda antes do crime ambiental. No dia 25 de janeiro de 2020, completou um ano de um dos maiores crimes ambientais do Brasil. A barragem de rejeito de minera\u00e7\u00e3o da empresa Vale, localizada na comunidade C\u00f3rrego do Feij\u00e3o no munic\u00edpio de Brumadinho-MG, rompe deixando 272 v\u00edtimas. A lama de rejeitos percorreu mais de 300 quil\u00f4metros do rio Paraopeba. Para marcar o um ano do crime da Vale, um ano de impunidade, um ano de luta e resist\u00eancia, atingidos e atingidas marcharam em defesa dos seus direitos e de suas vidas. A Marcha dos e das Atingidos e Atingidas iniciou no dia 20 de janeiro em Belo Horizonte. Seguiu pelo munic\u00edpio de Pomp\u00e9u, no interior do estado, e chegou at\u00e9 a regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, passando por Juatuba, Citrol\u00e2ndia, S\u00e3o Joaquim de Bicas, Betim, percorrendo o caminho inverso a trajet\u00f3ria de destrui\u00e7\u00e3o deixada pela lama, at\u00e9 chegar ao C\u00f3rrego do Feij\u00e3o no dia 25 de janeiro. A caravana, que durou seis dias, contou com mais de 350 marchantes. Entre os presentes estiveram atingidas e atingidos da bacias do Rio Paraopeba e Rio Doce, militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens e demais movimentos, organiza\u00e7\u00f5es e entidades aliadas de todo o Brasil e ainda de 17 pa\u00edses.\u00a0 O objetivo da Marcha \u00e9 marcar o primeiro ano do crime da Vale em Brumadinho e expor a atual situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e3o as comunidades em rela\u00e7\u00e3o a lama t\u00f3xica. Tem ainda como a\u00e7\u00e3o sinalizar a luta e a resist\u00eancia dos atingidos e atingidas, denunciar a impunidade das empresas transnacionais Vale, Samarco e BHP Billiton ap\u00f3s os crimes em Mariana e Brumadinho (que em em 4 anos deixou mais de 300 v\u00edtimas), al\u00e9m de reivindicar a mudan\u00e7a no modelo explorat\u00f3rio da minera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Justi\u00e7a para quem? Foi em frente \u00e0 sede do Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais e na Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), no dia 20 de janeiro, que os marchantes denunciaram a omiss\u00e3o destes \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos em fazer justi\u00e7a aos atingidos pelos crimes da mineradora e a impunidade da empresa frente aos crimes cometidos.\u00a0 No estado, existem 840 barragens e, dentre elas, pelo menos 83 t\u00eam alto risco de rompimento, assim como ocorreu em Brumadinho. Al\u00e9m disso, segundo o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), em 2019 cerca de 108 mil pessoas foram reconhecidas como \u201cafetadas\u201d por Brumadinho e receberam \u201cAux\u00edlio Emergencial\u201d, que consiste no pagamento, pela Vale, de um sal\u00e1rio m\u00ednimo para adultos, meio sal\u00e1rio m\u00ednimo para adolescentes e um sal\u00e1rio m\u00ednimo para crian\u00e7as por um ano. Entretanto, esses valores monet\u00e1rios s\u00e3o insuficientes para reparar o dano causado na vida dos atingidos.\u00a0 O pr\u00f3prio conceito de atingido usado pela empresa Vale n\u00e3o contempla todas as pessoas que tiveram sua vida afetada ap\u00f3s o rompimento da barragem, como \u00e9 o caso de Alexandro Magela de Oliveira, 37 anos, morador do Assentamento Queima Fogo. N\u00e3o apenas as pessoas de Brumadinho foram atingidas, in\u00fameras comunidades da bacia do Rio Paraopeba tiveram suas casas e suas atividades econ\u00f4micas prejudicadas sen\u00e3o completamente destru\u00eddas pelas lama. A empresa tem usado como estrat\u00e9gia a individualiza\u00e7\u00e3o do processo, isolando as pessoas atingidas e fazendo acordos individuais, para ter mais poder e desmobilizar a a\u00e7\u00e3o coletiva. O MAB solicitou que esse aux\u00edlio de emerg\u00eancia fosse estendido at\u00e9 que fosse alcan\u00e7ado um \u201creparo abrangente\u201d e que as comunidades impactadas fossem envolvidas no processo de defini\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios para receber o Aux\u00edlio Emergencial: \u201cQuestionamos o papel dessa justi\u00e7a que escuta muito mais os criminosos do que as v\u00edtimas. N\u00e3o pararemos at\u00e9 que haja um reparo completo. As pessoas precisam de ajuda de emerg\u00eancia para comprar comida; eles est\u00e3o passando fome porque perderam seus empregos no campo e como pescadores artesanais\u201d, defende Joceli Andrioli, membro da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do MAB, em entrevista \u00e0\u00a0 R\u00e1dio Mundo Real.\u00a0 Eles reivindicam tamb\u00e9m uma Pol\u00edtica Estadual dos Atingidos por Barragens (PEAB) que assegure assist\u00eancia \u00e0s pessoas ou popula\u00e7\u00f5es afetadas por impactos decorrentes da constru\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o ou opera\u00e7\u00e3o de barragens e outros empreendimentos e que principalmente garanta a responsabiliza\u00e7\u00e3o das empresas frente aos impactos causados. Se mostra essencial uma Pol\u00edtica Estadual dos Atingidos por Barragens para trazer a defini\u00e7\u00e3o do conceito de atingidos por barragens, listar seus direitos, determinar as formas de repara\u00e7\u00e3o, os mecanismos de financiamento, prevendo a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em todos os processos. Perda de Vidas: a contamina\u00e7\u00e3o do Rio ParaopebaAp\u00f3s ao rompimento da barragem e a lama t\u00f3xica se espalhar pelo Rio Paraopeba, o n\u00famero de casos de doen\u00e7as tem aumentado. S\u00e3o doen\u00e7as de pele, diarreia, coceira, manchas na pele, alcoolismo, ins\u00f4nia, depress\u00e3o. A marcha, ao passar por munic\u00edpios de Pomp\u00e9u e Juatuba mps dias 21 e 22 de outubro, os atingidos e atingidas relataram que em toda a bacia do Rio Paraopeba o consumo de rem\u00e9dios controlados, o n\u00famero de tentativas de suic\u00eddio e aborto espont\u00e2neos cresceram. Muitas vezes, o adoecimento n\u00e3o \u00e9 imediato. Neste um ano houve aumento nas doen\u00e7as mentais da popula\u00e7\u00e3o. A perda de esperan\u00e7a e o medo constante est\u00e3o acabando com o projeto de vida de muitas pessoas. Isso tamb\u00e9m se deve \u00e0 perda das atividades econ\u00f4micas tradicionais como a agricultura, a pesca e o turismo que dependia do Rio Paraopeba. \u201cAs pessoas perderam muito. A \u00e1gua do<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1971,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1836,6,7,1834,1835],"tags":[],"class_list":["post-1969","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agua-e-mineracao","category-justica-climatica-e-energetica","category-justica-economica","category-pl572-22","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1969"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9869,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1969\/revisions\/9869"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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