{"id":1816,"date":"2020-05-31T17:21:12","date_gmt":"2020-05-31T20:21:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1816"},"modified":"2025-06-17T15:27:12","modified_gmt":"2025-06-17T18:27:12","slug":"um-porto-entalado-na-boca-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1816","title":{"rendered":"Um porto entalado na boca do rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Visagem? N\u00e3o tem aparecido visagem na mata, n\u00e3o, mo\u00e7a<\/em>; \u00e9 na \u00e1gua, e a visagem toma outras formas, d\u00e1 sempre jeito de assustar. (Visagem significa, em vocabul\u00e1rio local, &#8220;assombra\u00e7\u00e3o&#8221;). Na regi\u00e3o do Maic\u00e1, sudeste de Santar\u00e9m, a visagem tem tomado formas bastante concretas, todo mundo v\u00ea e se preocupa: \u00e9 a forma de um porto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Embraps (Empresa Brasileira de Portos de Santar\u00e9m) <a href=\"https:\/\/amazonialatitude.com\/2019\/03\/12\/projeto-de-porto-da-embraps-ameaca-meio-ambiente-e-povos-tradicionais-do-lago-do-maica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pretende instalar um porto na Boca do Maic\u00e1<\/a>, entrada do rio que se estica por um bra\u00e7o a partir do Rio Amazonas, retornando ao mesmo rio para ent\u00e3o seguir seu fluxo em dire\u00e7\u00e3o a Macap\u00e1 (AP) e ao Oceano Atl\u00e2ntico. Suas \u00e1guas t\u00eam rica biodiversidade e banham cerca de 50 comunidades, todas postas em risco caso o projeto do porto avance.<\/p>\n<p><strong><em>Essa hist\u00f3ria faz parte da reportagem &#8220;A hist\u00f3ria do cerco \u00e0 Amaz\u00f4nia&#8221;. Navegue pelos conte\u00fados:<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<br \/><\/strong><span style=\"color: #008000;\"><strong>Parte 1 (p\u00e1gina central): <span style=\"color: #008000;\"><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/a-historia-do-cerco-a-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A hist\u00f3ria do cerco \u00e0 Amaz\u00f4nia<\/a><\/span><br \/>Parte 2: <span style=\"color: #008000;\"><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/01\/10\/a-quem-favorem-as-respostas-de-bolsonaro-as-queimadas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quem \u00e9 favorecido com as respostas de Bolsonaro \u00e0s queimadas?<\/a><\/span><br \/><\/strong><\/span><strong><span style=\"color: #008000;\">Parte 3: <a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/o-ganha-ganha-das-empresas-com-a-financeirizacao-da-natureza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O &#8220;ganha-ganha&#8221; das empresas com a financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza<\/a><\/span><br \/><span style=\"color: #008000;\">Parte 4: <a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/mas-afinal-quem-esta-por-tras-desses-crimes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mas afinal, quem est\u00e1 por tr\u00e1s desses crimes?<\/a><\/span><br \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIAS<br \/><\/strong><strong><span style=\"color: #008000;\">1) <a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/o-cerco-explicado-em-um-mapa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O cerco explicado em um mapa<\/a><\/span><br \/>2) [voc\u00ea est\u00e1 aqui] Um porto entalado na boca do rio<br \/><span style=\"color: #008000;\">3) <a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/antes-do-porto-chegar-se-chegar-chegaram-ja-os-impactos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Antes do porto chegar (se chegar), chegaram j\u00e1 os impactos<\/a><\/span><br \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 visagem: \u00e9 a realidade que assombra; e \u00e9 entre conta\u00e7\u00f5es de hist\u00f3rias e risadas que Narivaldo dos Santos fala do Estudo de Impacto Ambiental da Embraps <em>&#8211; Sabe, eu pesco aqui pirarucu, tambaqui, surubim, pacu, acar\u00e1, pescada, aracu, carauaci, arauan\u00e3, acari, fura-cal\u00e7a, mapar\u00e1, que \u00e9 branquinho n\u00e9&#8230; e tem bem mais, porque quando eu falo em acar\u00e1, tem umas oito esp\u00e9cies s\u00f3 aqui na nossa regi\u00e3o: o roxo, o bararu\u00e1, o boca-de-pote, o escama-grossa, o tinga, o a\u00e7u&#8230; O tucunar\u00e9 tamb\u00e9m: tem o a\u00e7u, o pinima e o comum, e o surubi cabe\u00e7a-chata, pinima e pintado e assim por diante. \u00c9 tanto que a gente pode dizer &#8211; Hoje eu n\u00e3o quero esse, a\u00ed solta e pega o pr\u00f3ximo, \u00e9 um card\u00e1pio rico. A\u00ed no estudo da empresa aparece quase nada de tipos de peixes, e nem de p\u00e1ssaros, jacar\u00e9s, capivaras, tatus, nem o peixe-boi, que t\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o e a gente acha aqui no nosso rio..<\/em>. \u00c9, talvez os pesquisadores da Embraps n\u00e3o saibam pescar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Narivaldo \u00e9 l\u00edder da comunidade quilombola de Bom Jardim, tem 42 anos e n\u00e3o parece: corre r\u00e1pido pelos troncos de palmeira ca\u00eddos que servem como caminho at\u00e9 a \u00e1rea onde descansam as canoas e embarca\u00e7\u00f5es da comunidade pesqueira &#8211; das cerca de 120 fam\u00edlias, pelo menos 90 pescam no Maic\u00e1, algumas para o com\u00e9rcio, outras apenas para a subsist\u00eancia. Com os passos \u00e1geis, ele faz parecer f\u00e1cil o que definitivamente n\u00e3o \u00e9: mas embora tortuoso, as toras s\u00e3o ainda um caminho, e ap\u00f3s cerca de dez minutos de fr\u00e1gil equil\u00edbrio sobre as madeiras chegamos a uma bonita enseada, onde a grama verde encontra as calmas \u00e1guas do rio, e ali agitam-se com leveza as canoas. A remo, o centro de Santar\u00e9m est\u00e1 horas distante.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/capa-PORTO-ENTALADO-1024x575.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2167\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/capa-PORTO-ENTALADO-1024x575.png 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/capa-PORTO-ENTALADO-300x168.png 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/capa-PORTO-ENTALADO-768x431.png 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/capa-PORTO-ENTALADO-500x281.png 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/capa-PORTO-ENTALADO-800x449.png 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/capa-PORTO-ENTALADO.png 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"506\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2174\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_10.jpg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_10-300x169.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_10-768x432.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_10-500x281.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_10-800x450.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"506\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_21.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2170\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_21.jpg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_21-300x169.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_21-768x432.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_21-500x281.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_21-800x450.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Pescadoras e pescadores artesanais estar\u00e3o em risco caso projetos de portos avancem. No topo, Narivaldo observa enseada do Maic\u00e1. Fotos: Carol Ferraz \/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Vez que outra um peixe se aventura num salto, como que a exibir a riqueza do rio <em>&#8211; N\u00e3o precisa nem ir longe pra achar mais que dois tipo de peixe<\/em>, ri de novo o Narivaldo, antes de voltar a falar s\u00e9rio <em>&#8211; Do governo a gente percebe que n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed pra Amaz\u00f4nia, pros nossos rios. De certa forma, j\u00e1 foi dada a ordem para a constru\u00e7\u00e3o do porto. S\u00f3 parou pela a\u00e7\u00e3o da FOQS [Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Quilombolas de Santar\u00e9m], que protocolou o pedido pela consulta pr\u00e9via junto ao MPF [Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal]. Se depender do governo o porto sai, as comunidades quilombolas querendo ou n\u00e3o: mas o que a gente puder fazer para evitar, vamos fazer. Eles dizem que os impactos podem ser compensados, mas isso n\u00e3o existe: a gente quer viver como vivemos hoje.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A instala\u00e7\u00e3o de um porto no Maic\u00e1 (n\u00e3o s\u00f3 um: existem projetos para cinco portos no rio) vai significar a destrui\u00e7\u00e3o daquele modo de vida e \u00e9 um ataque direto \u00e0s 12 comunidades quilombolas do entorno, a do Bom Jardim entre elas. Em testamento, os antigos donos de escravizados da fazenda local, que n\u00e3o tinham herdeiros, deixaram a terra para as seis fam\u00edlias que eram exploradas ali. Isso h\u00e1 142 anos: s\u00e3o quase dois s\u00e9culos de pertencimento e luta naquele espa\u00e7o. Agora, em nome do lucro de poucos,&nbsp;tudo pode desaparecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Consulta pr\u00e9via e a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT<br \/><\/strong>Contudo, a mobiliza\u00e7\u00e3o popular e jur\u00eddica, com o apoio da <a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Terra de Direitos<\/a>, surtiu efeito e <a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/noticias\/noticias\/justica-federal-mantem-suspenso-licenciamento-de-porto-que-afetara-comunidades-quilombolas-de-santarem\/23169\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o licenciamento do projeto foi suspenso<\/a>. A empresa dever\u00e1 realizar consulta pr\u00e9via, livre e informada a todas as comunidades atingidas &#8211; quilombos, ind\u00edgenas e pescadores -, em acordo com a <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Conven%C3%A7%C3%A3o_OIT_sobre_Povos_Ind%C3%ADgenas_e_Tribais_em_pa%C3%ADses_independentes_n%C2%BA._169\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT<\/a> (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho). Os estudos da Embraps eram t\u00e3o rasos que sequer consideravam o componente quilombola, t\u00e3o relevante naquela \u00e1rea, o que tamb\u00e9m dever\u00e1 ser acrescentado em um novo estudo a ser apresentado pela empresa. Embora n\u00e3o tenha poder de veto, a obrigatoriedade da consulta \u00e0s comunidades atingidas pode ser considerada uma vit\u00f3ria: ap\u00f3s a decis\u00e3o judicial favor\u00e1vel, as 12 comunidades organizadas na FOQS apressaram-se para <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=G6f4iWdTJPQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">construir seu pr\u00f3prio Protocolo de Consulta<\/a>, o que tamb\u00e9m foi feito pelas comunidades ind\u00edgenas e pesqueiras impactadas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"506\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_08.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2172\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_08.jpg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_08-300x169.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_08-768x432.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_08-500x281.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_08-800x450.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"506\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_06.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2173\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_06.jpg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_06-300x169.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_06-768x432.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_06-500x281.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/06032020_CF_06-800x450.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Fotos: Carol Ferraz \/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A suspens\u00e3o do licenciamento tamb\u00e9m atrasa o cronograma do projeto, que \u00e9 de alto impacto, permitindo maior tempo para a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. A previs\u00e3o da Embraps era de que, somente no primeiro ano de funcionamento, 4,8 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os de soja poderiam ser exportadas pelo porto instalado no Maic\u00e1, grande parte vinda da regi\u00e3o Centro-Oeste do Brasil por meio da BR-163. Vejam que tamb\u00e9m a infraestrutura de escoamento causa impactos aos territ\u00f3rios: caso semelhante ao da rodovia BR-163 \u00e9 o da Ferrogr\u00e3o, projeto de ferrovia que ligar\u00e1 a cidade de Sinop (MT) at\u00e9 Itaituba (PA) e que <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/09\/11\/prioridade-de-bolsonaro-projeto-de-ferrovia-que-liga-mato-grosso-ao-para-e-retomado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tamb\u00e9m causar\u00e1 danos ao longo de seu trajeto, em especial em unidades de conserva\u00e7\u00e3o e em terras ind\u00edgenas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um porto onde n\u00e3o pode haver porto<br \/><\/strong>Um fato estranho, por\u00e9m: no mesmo local onde seria instalado o porto da Embraps, um outro empreendimento surgiu &#8211; um posto de combust\u00edvel para embarca\u00e7\u00f5es, \u00e0 revelia de estudos de impacto ou da participa\u00e7\u00e3o da comunidade. A empresa respons\u00e1vel \u00e9 a Atem&#8217;s, distribuidora de petr\u00f3leo que opera no Norte do pa\u00eds. Os danos j\u00e1 s\u00e3o sentidos, em especial na pesca, com o derramamento de combust\u00edvel e o aterramento da \u00e1rea, que mudaram o fluxo de correntes d&#8217;\u00e1gua e de peixes. <a href=\"http:\/\/www.mppa.mp.br\/noticias\/responsaveis-por-terminal-portuario-na-regiao-do-maica-sao-denunciados.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em mar\u00e7o deste ano, o Minist\u00e9rio P\u00fablico paraense denunciou a empresa, seu s\u00f3cio administrador e o engenheiro respons\u00e1vel pelo projeto<\/a> pela pr\u00e1tica de crimes ambientais. Para o \u00f3rg\u00e3o, a obra avan\u00e7ava sem a licen\u00e7a do \u00f3rg\u00e3o ambiental competente, al\u00e9m de ter sido apresentado um licenciamento divergente \u00e0 Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Par\u00e1, que se referia a cargas n\u00e3o perigosas &#8211; quando era sabido, desde o princ\u00edpio, o objetivo de constru\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria para distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel (carga perigosa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3rico da luta<br \/><\/strong>Em maio, enfim uma boa not\u00edcia, ap\u00f3s longa mobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais de Santar\u00e9m contra mais esse empreendimento que, sem qualquer consulta \u00e0s comunidades locais, violava direitos e comprometia a biodiversidade da regi\u00e3o: <a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/noticias\/noticias\/justica-federal-suspende-licencas-e-paralisa-obra-de-porto-de-combustivel-no-lago-maica-em-santarem-pa\/23336\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a Justi\u00e7a Federal suspendeu as licen\u00e7as pr\u00e9via e de instala\u00e7\u00e3o do empreendimento da Atem&#8217;s e determinou a paralisa\u00e7\u00e3o imediata das obras<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, esse \u00e9 o desenho do cerco do agroneg\u00f3cio aos territ\u00f3rios: expuls\u00e3o de fam\u00edlias de suas terras para o plantio da soja, contamina\u00e7\u00e3o das terras vizinhas pelo uso do agrot\u00f3xico, o transporte dos gr\u00e3os rasgando territ\u00f3rios &#8211; seja via caminh\u00e3o ou via trem -, sua chegada em portos que destroem os modos de vida tradicionais das redondezas, a exporta\u00e7\u00e3o para que gere riquezas ao capital internacional. Para resistir a essa engrenagem, \u00e9 necess\u00e1ria muita uni\u00e3o e for\u00e7a. O andamento do projeto da Embraps representa ainda a remo\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias e a demoli\u00e7\u00e3o de casas para a amplia\u00e7\u00e3o de vias, a chegada de centenas de trabalhadores de outros estados, uma mudan\u00e7a completa no cotidiano da regi\u00e3o: a estimativa \u00e9 que cerca de 900 carretas di\u00e1rias passem pelas ruas do bairro P\u00e9rola do Maic\u00e1 no percurso at\u00e9 o porto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta contra a Embraps se d\u00e1 desde 2013 (<a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/casos-emblematicos\/portos-do-maica\/15788\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nessa linha do tempo<\/a>, organizada pela Terra de Direitos, veja a cronologia das resist\u00eancias \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de portos no Maic\u00e1). S\u00e3o ao todo cinco portos planejados para a regi\u00e3o, de tr\u00eas empresas &#8211; todos voltados para a exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e commodities, em especial a soja. Al\u00e9m da Embraps, a constru\u00e7\u00e3o de outros portos visa favorecer as atividades do Grupo Cevital, da Arg\u00e9lia, que atua no ramo agroalimentar e est\u00e1 envolvido com planta\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o Centro-Oeste do Brasil, e a empresa Ceagro.<\/p>\n<p><iframe title=\"Entrevista Expandida \/\/ Narivaldo\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/y5IZHeByZRA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Voltar para a p\u00e1gina central &#8220;<span style=\"color: #008000;\"><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/a-historia-do-cerco-a-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A hist\u00f3ria do cerco \u00e0 Amaz\u00f4nia<\/a><\/span>&#8220;<br \/><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m as partes 2, 3 e 4 da introdu\u00e7\u00e3o:<br \/><span style=\"color: #008000;\">&#8211; <\/span><\/strong><span style=\"color: #008000;\"><strong><span style=\"color: #008000;\"><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/01\/10\/a-quem-favorem-as-respostas-de-bolsonaro-as-queimadas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quem \u00e9 favorecido com as respostas de Bolsonaro \u00e0s queimadas?<\/a><\/span><br \/><\/strong><strong>&#8211; <span style=\"color: #008000;\"><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/o-ganha-ganha-das-empresas-com-a-financeirizacao-da-natureza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O &#8220;ganha-ganha&#8221; das empresas com a financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza<\/a><\/span><br \/>&#8211; <span style=\"color: #008000;\"><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/mas-afinal-quem-esta-por-tras-desses-crimes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mas afinal, quem est\u00e1 por tr\u00e1s desses crimes?<\/a><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>E as hist\u00f3rias:<br \/><span style=\"color: #008000;\">&#8211; <a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/o-cerco-explicado-em-um-mapa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O cerco explicado em um mapa<\/a><br \/><\/span>&#8211; [voc\u00ea est\u00e1 aqui] Um porto entalado na boca do rio<br \/><span style=\"color: #008000;\">&#8211; <a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/05\/31\/antes-do-porto-chegar-se-chegar-chegaram-ja-os-impactos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Antes do porto chegar (se chegar), chegaram j\u00e1 os impactos<\/a><\/span><br \/><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Visagem? N\u00e3o tem aparecido visagem na mata, n\u00e3o, mo\u00e7a; \u00e9 na \u00e1gua, e a visagem toma outras formas, d\u00e1 sempre jeito de assustar. (Visagem significa, em vocabul\u00e1rio local, &#8220;assombra\u00e7\u00e3o&#8221;). Na regi\u00e3o do Maic\u00e1, sudeste de Santar\u00e9m, a visagem tem tomado formas bastante concretas, todo mundo v\u00ea e se preocupa: \u00e9 a forma de um porto. A Embraps (Empresa Brasileira de Portos de Santar\u00e9m) pretende instalar um porto na Boca do Maic\u00e1, entrada do rio que se estica por um bra\u00e7o a partir do Rio Amazonas, retornando ao mesmo rio para ent\u00e3o seguir seu fluxo em dire\u00e7\u00e3o a Macap\u00e1 (AP) e ao Oceano Atl\u00e2ntico. Suas \u00e1guas t\u00eam rica biodiversidade e banham cerca de 50 comunidades, todas postas em risco caso o projeto do porto avance. Essa hist\u00f3ria faz parte da reportagem &#8220;A hist\u00f3ria do cerco \u00e0 Amaz\u00f4nia&#8221;. Navegue pelos conte\u00fados: INTRODU\u00c7\u00c3OParte 1 (p\u00e1gina central): A hist\u00f3ria do cerco \u00e0 Amaz\u00f4niaParte 2: Quem \u00e9 favorecido com as respostas de Bolsonaro \u00e0s queimadas?Parte 3: O &#8220;ganha-ganha&#8221; das empresas com a financeiriza\u00e7\u00e3o da naturezaParte 4: Mas afinal, quem est\u00e1 por tr\u00e1s desses crimes? HIST\u00d3RIAS1) O cerco explicado em um mapa2) [voc\u00ea est\u00e1 aqui] Um porto entalado na boca do rio3) Antes do porto chegar (se chegar), chegaram j\u00e1 os impactos Pois ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 visagem: \u00e9 a realidade que assombra; e \u00e9 entre conta\u00e7\u00f5es de hist\u00f3rias e risadas que Narivaldo dos Santos fala do Estudo de Impacto Ambiental da Embraps &#8211; Sabe, eu pesco aqui pirarucu, tambaqui, surubim, pacu, acar\u00e1, pescada, aracu, carauaci, arauan\u00e3, acari, fura-cal\u00e7a, mapar\u00e1, que \u00e9 branquinho n\u00e9&#8230; e tem bem mais, porque quando eu falo em acar\u00e1, tem umas oito esp\u00e9cies s\u00f3 aqui na nossa regi\u00e3o: o roxo, o bararu\u00e1, o boca-de-pote, o escama-grossa, o tinga, o a\u00e7u&#8230; O tucunar\u00e9 tamb\u00e9m: tem o a\u00e7u, o pinima e o comum, e o surubi cabe\u00e7a-chata, pinima e pintado e assim por diante. \u00c9 tanto que a gente pode dizer &#8211; Hoje eu n\u00e3o quero esse, a\u00ed solta e pega o pr\u00f3ximo, \u00e9 um card\u00e1pio rico. A\u00ed no estudo da empresa aparece quase nada de tipos de peixes, e nem de p\u00e1ssaros, jacar\u00e9s, capivaras, tatus, nem o peixe-boi, que t\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o e a gente acha aqui no nosso rio&#8230; \u00c9, talvez os pesquisadores da Embraps n\u00e3o saibam pescar. Narivaldo \u00e9 l\u00edder da comunidade quilombola de Bom Jardim, tem 42 anos e n\u00e3o parece: corre r\u00e1pido pelos troncos de palmeira ca\u00eddos que servem como caminho at\u00e9 a \u00e1rea onde descansam as canoas e embarca\u00e7\u00f5es da comunidade pesqueira &#8211; das cerca de 120 fam\u00edlias, pelo menos 90 pescam no Maic\u00e1, algumas para o com\u00e9rcio, outras apenas para a subsist\u00eancia. Com os passos \u00e1geis, ele faz parecer f\u00e1cil o que definitivamente n\u00e3o \u00e9: mas embora tortuoso, as toras s\u00e3o ainda um caminho, e ap\u00f3s cerca de dez minutos de fr\u00e1gil equil\u00edbrio sobre as madeiras chegamos a uma bonita enseada, onde a grama verde encontra as calmas \u00e1guas do rio, e ali agitam-se com leveza as canoas. A remo, o centro de Santar\u00e9m est\u00e1 horas distante. Vez que outra um peixe se aventura num salto, como que a exibir a riqueza do rio &#8211; N\u00e3o precisa nem ir longe pra achar mais que dois tipo de peixe, ri de novo o Narivaldo, antes de voltar a falar s\u00e9rio &#8211; Do governo a gente percebe que n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed pra Amaz\u00f4nia, pros nossos rios. De certa forma, j\u00e1 foi dada a ordem para a constru\u00e7\u00e3o do porto. S\u00f3 parou pela a\u00e7\u00e3o da FOQS [Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Quilombolas de Santar\u00e9m], que protocolou o pedido pela consulta pr\u00e9via junto ao MPF [Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal]. Se depender do governo o porto sai, as comunidades quilombolas querendo ou n\u00e3o: mas o que a gente puder fazer para evitar, vamos fazer. Eles dizem que os impactos podem ser compensados, mas isso n\u00e3o existe: a gente quer viver como vivemos hoje. A instala\u00e7\u00e3o de um porto no Maic\u00e1 (n\u00e3o s\u00f3 um: existem projetos para cinco portos no rio) vai significar a destrui\u00e7\u00e3o daquele modo de vida e \u00e9 um ataque direto \u00e0s 12 comunidades quilombolas do entorno, a do Bom Jardim entre elas. Em testamento, os antigos donos de escravizados da fazenda local, que n\u00e3o tinham herdeiros, deixaram a terra para as seis fam\u00edlias que eram exploradas ali. Isso h\u00e1 142 anos: s\u00e3o quase dois s\u00e9culos de pertencimento e luta naquele espa\u00e7o. Agora, em nome do lucro de poucos,&nbsp;tudo pode desaparecer. Consulta pr\u00e9via e a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OITContudo, a mobiliza\u00e7\u00e3o popular e jur\u00eddica, com o apoio da Terra de Direitos, surtiu efeito e o licenciamento do projeto foi suspenso. A empresa dever\u00e1 realizar consulta pr\u00e9via, livre e informada a todas as comunidades atingidas &#8211; quilombos, ind\u00edgenas e pescadores -, em acordo com a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho). Os estudos da Embraps eram t\u00e3o rasos que sequer consideravam o componente quilombola, t\u00e3o relevante naquela \u00e1rea, o que tamb\u00e9m dever\u00e1 ser acrescentado em um novo estudo a ser apresentado pela empresa. Embora n\u00e3o tenha poder de veto, a obrigatoriedade da consulta \u00e0s comunidades atingidas pode ser considerada uma vit\u00f3ria: ap\u00f3s a decis\u00e3o judicial favor\u00e1vel, as 12 comunidades organizadas na FOQS apressaram-se para construir seu pr\u00f3prio Protocolo de Consulta, o que tamb\u00e9m foi feito pelas comunidades ind\u00edgenas e pesqueiras impactadas. A suspens\u00e3o do licenciamento tamb\u00e9m atrasa o cronograma do projeto, que \u00e9 de alto impacto, permitindo maior tempo para a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. A previs\u00e3o da Embraps era de que, somente no primeiro ano de funcionamento, 4,8 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os de soja poderiam ser exportadas pelo porto instalado no Maic\u00e1, grande parte vinda da regi\u00e3o Centro-Oeste do Brasil por meio da BR-163. Vejam que tamb\u00e9m a infraestrutura de escoamento causa impactos aos territ\u00f3rios: caso semelhante ao da rodovia BR-163 \u00e9 o da Ferrogr\u00e3o, projeto de ferrovia que ligar\u00e1 a cidade de Sinop (MT) at\u00e9 Itaituba (PA) e que tamb\u00e9m causar\u00e1 danos ao longo de seu trajeto, em especial em unidades de conserva\u00e7\u00e3o e em terras ind\u00edgenas. Um porto onde n\u00e3o pode haver portoUm fato<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2392,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,8,7,1835],"tags":[],"class_list":["post-1816","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica-e-energetica","category-florestas-e-biodiversidade","category-justica-economica","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1816"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1816\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9824,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1816\/revisions\/9824"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2392"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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