{"id":1737,"date":"2019-11-13T16:51:05","date_gmt":"2019-11-13T19:51:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1737"},"modified":"2025-06-17T15:45:31","modified_gmt":"2025-06-17T18:45:31","slug":"homens-se-dizendo-policiais-ameacam-guraranis-da-retomada-em-terra-de-areia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1737","title":{"rendered":"Homens se dizendo policiais amea\u00e7am Guraranis da retomada em Terra de Areia"},"content":{"rendered":"\n<p>Na noite do dia 14 de setembro, quatro homens armados invadiram o territ\u00f3rio mbya guarani Tek\u00f3a Yy Pur\u00e1, no munic\u00edpio de Terra de Areia (RS). Com coletes \u00e0 prova de balas e se dizendo policiais, intimidaram os ind\u00edgenas que faziam uma roda de conversa no momento da invas\u00e3o. Ap\u00f3s revirarem as casas, os homens disseram que os ind\u00edgenas deveriam liberar a \u00e1rea no dia seguinte. Este foi um dos ataques que aconteceram as popula\u00e7\u00f5es mbya guaranis naquele final de semana no estado do Rio Grande do Sul. A situa\u00e7\u00e3o faz parte de um aumento de ofensivas contra os povos e seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Homens se dizendo policiais invadem retomada em Terra de Areia\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pXvrLl8F4LM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Os guaranis desceram de Torres e retomaram, no dia 25 de maio de 2018, \u00e0s sete da noite, a \u00e1rea da Fepagro, no munic\u00edpio de Terra de Areia, \u00e0 beira da Lagoa Itapeva.  Reconheceram o territ\u00f3rio. Entraram na mata para buscar lenha. Na volta de uma grande fogueira, fizeram o primeiro papo onde se pretendia nova aldeia, hoje Tekoa Yy Rup\u00e1 (Aldeia olho D&#8217;\u00e1gua). Segundo o Cacique Kara\u00ed Tatanhandy (ou Leonardo Barbosa), perguntaram a todas e todos, inclusive \u00e0s crian\u00e7as, como estavam se sentindo. Estavam todos bem na nova terra. Sentimento que, segundo Leonardo, al\u00e9m de o fazer ter orgulho das fam\u00edlias que est\u00e3o ali com a dele, o faz alimentar a coragem para se manter firme. No terceiro dia de retomada, foram intimidados por homens armados, que os mandaram ir embora. Os guaranis permaneceram. Quase um ano e meio depois, um segundo ataque. Depois destes, algumas fam\u00edlias foram embora por medo. Ao ser questionado se tem medo, o cacique Leonardo responde que n\u00e3o. &#8220;Porque n\u00e3o estamos sozinho, pensam que estamos sozinho, mas Nh\u00e3nderu est\u00e1 sempre com a gente, nos protegendo&#8221;.  <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WhatsApp-Image-2019-11-01-at-23.20.54-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1738\" width=\"260\" height=\"173\"\/><figcaption>Foto: Douglas Freitas<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p> Os quatro homens que invadiram o territ\u00f3rio em dezembro, armados com pistolas e fuzis, diziam ser policiais, de estarem ali devido a uma den\u00fancia de que os guaranis estariam invadindo a \u00e1rea. Segundo comunicado do dia 15 de setembro do Conselho Mission\u00e1rio Indigenista, o mais curioso \u00e9 que os homens n\u00e3o possu\u00edam identifica\u00e7\u00e3o de que eram efetivamente policiais e n\u00e3o portavam mandado judicial para agirem daquela forma. No mesmo dia 15, os guaranis e apoiadores percorreram diversas delegacias do munic\u00edpio para averiguar a proced\u00eancia dos invasores. Tanto no Batalh\u00e3o da Brigada Militar quanto na Delegacia da Pol\u00edcia Civil, n\u00e3o havia nenhum registro de dilig\u00eancia policial na noite anterior e nem ordem judicial. Vale destacar que os ind\u00edgenas retomaram as terras que eram da Fepagro (funda\u00e7\u00e3o extinta pelo Governador Ivo Sartori em 2017), uma \u00e1rea p\u00fablica. Nestes quase dois anos de retomada, n\u00e3o houve nenhum comunicado do governo sobre a presen\u00e7a dos guaranis ali, ou sobre o uso das terras. Os guaranis foram tamb\u00e9m at\u00e9 o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual formalizar uma den\u00fancia e exigir investiga\u00e7\u00e3o do caso. Para o Conselho Mission\u00e1rio Indigenista, em comunicado, o ataque \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de intimida\u00e7\u00e3o: &#8220;Parece, ao nosso entender, tratar-se de milicianos que prestam servi\u00e7o aos opositores dos direitos ind\u00edgenas no Brasil, tendo em vista impor, atrav\u00e9s da for\u00e7a bruta, a\u00e7\u00f5es contra as lutas pela terra. Faz parte, portanto, de uma articula\u00e7\u00e3o nacional, pois fatos semelhantes foram denunciados em outras regi\u00f5es do Brasil&#8221;, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Na noite seguinte, limite do ultimato dado pelos invasores, aconteceu uma vig\u00edlia no territ\u00f3rio. Os homens n\u00e3o voltaram naquele dia e nem depois. Mesmo assim, ap\u00f3s o ataque, algumas fam\u00edlias deixaram a retomada. A fam\u00edlia do Cacique Leonardo e mais 4 permanecem. &#8220;Se queremos permanecer aqui, n\u00e3o podemos interromper o processo pela metade&#8221;. Segundo Tatanhandy, a mata do local garante ervas medicinais, inclusive doadas para outros territ\u00f3rios guaranis, junto com mudas e sementes. &#8220;Nossa liga\u00e7\u00e3o com a Natureza que nos faz escolher o territ\u00f3rio para retomada&#8221;, explica o cacique.  <\/p>\n\n\n\n<p> At\u00e9 o momento, o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o instaurou investiga\u00e7\u00e3o para descobrir quem eram os invasores e quem eram seus mandantes. A Pol\u00edcia Civil informa haver registro sobre o caso, mas at\u00e9 o momento n\u00e3o h\u00e1 maiores informa\u00e7\u00f5es sobre os autores das amea\u00e7as. Enquanto isso, o milho cresce ao lado da Opy (casa de reza), o feij\u00e3o ferve na fogueira e a Lagoa Itapeva agracia os guaranis com peixes, como o Mu\u00e7um. A Teko\u00e1 permanece e se fortalece. Com a vig\u00edlia de Nh\u00e3nderu.    <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Veja mais fotos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WhatsApp-Image-2019-11-01-at-23.20.51-1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1747\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WhatsApp-Image-2019-11-01-at-23.20.39-1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1746\"\/><figcaption>Foto: Douglas Freitas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WhatsApp-Image-2019-11-01-at-23.20.44-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1743\"\/><figcaption>Foto: Douglas Freitas<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na noite do dia 14 de setembro, quatro homens armados invadiram o territ\u00f3rio mbya guarani Tek\u00f3a Yy Pur\u00e1, no munic\u00edpio de Terra de Areia (RS). 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Segundo o Cacique Kara\u00ed Tatanhandy (ou Leonardo Barbosa), perguntaram a todas e todos, inclusive \u00e0s crian\u00e7as, como estavam se sentindo. Estavam todos bem na nova terra. Sentimento que, segundo Leonardo, al\u00e9m de o fazer ter orgulho das fam\u00edlias que est\u00e3o ali com a dele, o faz alimentar a coragem para se manter firme. No terceiro dia de retomada, foram intimidados por homens armados, que os mandaram ir embora. Os guaranis permaneceram. Quase um ano e meio depois, um segundo ataque. Depois destes, algumas fam\u00edlias foram embora por medo. Ao ser questionado se tem medo, o cacique Leonardo responde que n\u00e3o. &#8220;Porque n\u00e3o estamos sozinho, pensam que estamos sozinho, mas Nh\u00e3nderu est\u00e1 sempre com a gente, nos protegendo&#8221;. Os quatro homens que invadiram o territ\u00f3rio em dezembro, armados com pistolas e fuzis, diziam ser policiais, de estarem ali devido a uma den\u00fancia de que os guaranis estariam invadindo a \u00e1rea. Segundo comunicado do dia 15 de setembro do Conselho Mission\u00e1rio Indigenista, o mais curioso \u00e9 que os homens n\u00e3o possu\u00edam identifica\u00e7\u00e3o de que eram efetivamente policiais e n\u00e3o portavam mandado judicial para agirem daquela forma. No mesmo dia 15, os guaranis e apoiadores percorreram diversas delegacias do munic\u00edpio para averiguar a proced\u00eancia dos invasores. Tanto no Batalh\u00e3o da Brigada Militar quanto na Delegacia da Pol\u00edcia Civil, n\u00e3o havia nenhum registro de dilig\u00eancia policial na noite anterior e nem ordem judicial. Vale destacar que os ind\u00edgenas retomaram as terras que eram da Fepagro (funda\u00e7\u00e3o extinta pelo Governador Ivo Sartori em 2017), uma \u00e1rea p\u00fablica. Nestes quase dois anos de retomada, n\u00e3o houve nenhum comunicado do governo sobre a presen\u00e7a dos guaranis ali, ou sobre o uso das terras. Os guaranis foram tamb\u00e9m at\u00e9 o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual formalizar uma den\u00fancia e exigir investiga\u00e7\u00e3o do caso. Para o Conselho Mission\u00e1rio Indigenista, em comunicado, o ataque \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de intimida\u00e7\u00e3o: &#8220;Parece, ao nosso entender, tratar-se de milicianos que prestam servi\u00e7o aos opositores dos direitos ind\u00edgenas no Brasil, tendo em vista impor, atrav\u00e9s da for\u00e7a bruta, a\u00e7\u00f5es contra as lutas pela terra. Faz parte, portanto, de uma articula\u00e7\u00e3o nacional, pois fatos semelhantes foram denunciados em outras regi\u00f5es do Brasil&#8221;, destaca. Na noite seguinte, limite do ultimato dado pelos invasores, aconteceu uma vig\u00edlia no territ\u00f3rio. Os homens n\u00e3o voltaram naquele dia e nem depois. Mesmo assim, ap\u00f3s o ataque, algumas fam\u00edlias deixaram a retomada. A fam\u00edlia do Cacique Leonardo e mais 4 permanecem. &#8220;Se queremos permanecer aqui, n\u00e3o podemos interromper o processo pela metade&#8221;. Segundo Tatanhandy, a mata do local garante ervas medicinais, inclusive doadas para outros territ\u00f3rios guaranis, junto com mudas e sementes. &#8220;Nossa liga\u00e7\u00e3o com a Natureza que nos faz escolher o territ\u00f3rio para retomada&#8221;, explica o cacique. At\u00e9 o momento, o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o instaurou investiga\u00e7\u00e3o para descobrir quem eram os invasores e quem eram seus mandantes. A Pol\u00edcia Civil informa haver registro sobre o caso, mas at\u00e9 o momento n\u00e3o h\u00e1 maiores informa\u00e7\u00f5es sobre os autores das amea\u00e7as. Enquanto isso, o milho cresce ao lado da Opy (casa de reza), o feij\u00e3o ferve na fogueira e a Lagoa Itapeva agracia os guaranis com peixes, como o Mu\u00e7um. A Teko\u00e1 permanece e se fortalece. Com a vig\u00edlia de Nh\u00e3nderu. 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