{"id":1706,"date":"2019-11-06T16:37:05","date_gmt":"2019-11-06T19:37:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1706"},"modified":"2025-06-17T15:45:57","modified_gmt":"2025-06-17T18:45:57","slug":"por-uma-america-latina-plurinacional-popular-e-ecofeminista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1706","title":{"rendered":"Por uma Am\u00e9rica Latina plurinacional, popular e ecofeminista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">As ruas de La Plata (Argentina) foram tomadas pelas milhares de pessoas que estiveram participando do 34\u00ba Encontro Plurinacional de Mulheres, l\u00e9sbicas, intersex, travestis, trans, bissexuais e n\u00e3o bin\u00e1rio. Foram mais de 400 mil companheirxs marchando em defesa dos seus direitos e por uma sociedade plurinacional, feminista e popular, formando uma verdadeira <a href=\"https:\/\/rmr.fm\/informes-especiales\/una-marea-multicolor\/\">mar\u00e9 multicolorida<\/a>. Durante os dias 12, 13 e 14 de outubro de 2019, entre o clima frio e chuvoso, a cidade de La Plata viveu e sentiu o esp\u00edrito feminista, de cumplicidade e sororidade entre xs companheirxs, compartilhando e reinventando a luta feminista contra o neoliberalismo e o patriarcado.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu 34\u00ba encontro, as oficinas autogestionadas abordaram temas que v\u00e3o desde a precariedade do trabalho para as mulheres e os impactos do capitalismo e do neoliberalismo na vida das mulheres at\u00e9 a sa\u00fade sexual e reprodutiva, identidades n\u00e3o bin\u00e1rias, maternidade, urbanismo feminista, feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza, autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e entre outros. O que perpassa estes temas debatidos no encontro \u00e9 a ofensiva do neoliberalismo, sustentado pelo racismo e o patriarcado.<\/p>\n<p><iframe title=\"34\u00ba Encuentro Plurinacional de Mujeres y Disidencias\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VCCg55HGsbw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto de modelo desenvolvimentista predador, que as mulheres est\u00e3o na linha da frente da luta contra as empresas transnacionais extrativistas que colocam a acumula\u00e7\u00e3o de capital sempre acima das vidas das pessoas e do respeito pela Natureza. Organiza\u00e7\u00f5es financeiras mundiais, como o Banco Mundial ou o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, elaboram reformas estruturais para o avan\u00e7o do neoliberalismo que historicamente envolveram receitas para privatiza\u00e7\u00e3o, desregulamenta\u00e7\u00e3o e liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio. A precificando dos bens comuns, como as terras, as \u00e1guas e o ar, ocorre em um contexto de converg\u00eancia de crises, destacando-se as crises alimentares, energ\u00e9ticas, econ\u00f4micas e clim\u00e1ticas. Para superar as crises gestionadas e o avan\u00e7o do neoliberalismo, o capital transnacional atravessa os territ\u00f3rios, as atividades humanas, o pr\u00f3prio corpo das pessoas, especialmente das mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma das regi\u00f5es mais hostis para defensoras e defensores dos territ\u00f3rios e dos direitos dos povos, e nesta resist\u00eancia contra o avan\u00e7o do extrativismo que viola e amea\u00e7a os povos a luta em defesa da vida muitas vezes n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o: \u00e9 uma necessidade. As mulheres t\u00eam sido protagonistas em defesa da vida: em defesa do corpo-territ\u00f3rio, da vida comunit\u00e1ria, da vida dos seus territ\u00f3rios e da manuten\u00e7\u00e3o de seu modo de vida. \u00c9 neste sentido que as mulheres passam a ser guardi\u00e3s dos territ\u00f3rios, sendo co-criadoras para rexistir e reinventar a luta em defesa das vidas humanas e n\u00e3o-humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste sentido que o ecofeminismo tem avan\u00e7ado o seu debate, relacionando a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o da Natureza com a quest\u00e3o de g\u00eanero, bem como o avan\u00e7o do capital sob os territ\u00f3rios e a objetifica\u00e7\u00e3o dos bens comuns, transformados em mercadoria. As opress\u00f5es entre a explora\u00e7\u00e3o da Natureza e as viol\u00eancias contra as mulheres n\u00e3o \u00e9 uma causalidade, sendo o reflexo da coloniza\u00e7\u00e3o dos corpos e da Natureza, integrado a este modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo neoliberal. O patriarcado \u00e9 o sistema de todas as opress\u00f5es, todas as explora\u00e7\u00f5es, toda viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o que a humanidade vive (mulheres, homens e pessoas intersexuais) e a Natureza, como um sistema constru\u00eddo e objetificado historicamente no corpo sexualizado das mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, as mulheres debatem o avan\u00e7o da monocultura da soja e de \u00e1rvores ex\u00f3ticas, a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, a constru\u00e7\u00e3o de megaempreendimentos de barragens, financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza, a crise clim\u00e1tica, onde violam os corpos e registram-se os impactos dos modelos produtivos dominantes explora\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, as lutas contra os projetos de modelo extrativistas est\u00e3o associados \u00e0 viol\u00eancia patriarcal, por isso se faz necess\u00e1rio enfrentar as opress\u00f5es que, no cotidiano, atravessam os corpos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio a crise ecol\u00f3gica, a ecologia neoliberal apresenta falsas solu\u00e7\u00f5es para superar a crise e as desigualdades de g\u00eanero, solu\u00e7\u00f5es com base em interesses econ\u00f4micos e comerciais, para justificar a explora\u00e7\u00e3o massiva de recursos naturais e mercantilizar a natureza. A supera\u00e7\u00e3o das crises impostas pelo pr\u00f3prio capitalismo neoliberal s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se for baseada em resist\u00eancia territorial e comunit\u00e1ria, atrav\u00e9s da luta para desmantelar todas estruturas de opress\u00e3o e pelos direitos dos povos e justi\u00e7a social, ambiental, econ\u00f4mica e de g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 na luta pela autonomia dos povos e descoloniza\u00e7\u00e3o do pensamento e dos corpos, que avan\u00e7aremos num projeto por uma Am\u00e9rica Latina plurinacional, popular e ecofeminista. Sabemos que o patriarcado n\u00e3o tem fronteiras. \u00c9 por isso que as lutas das mulheres e os feminismos organizados tamb\u00e9m n\u00e3o devem t\u00ea-las.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/encuentro-pluri-696x464.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1708\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As ruas de La Plata (Argentina) foram tomadas pelas milhares de pessoas que estiveram participando do 34\u00ba Encontro Plurinacional de Mulheres, l\u00e9sbicas, intersex, travestis, trans, bissexuais e n\u00e3o bin\u00e1rio. Foram mais de 400 mil companheirxs marchando em defesa dos seus direitos e por uma sociedade plurinacional, feminista e popular, formando uma verdadeira mar\u00e9 multicolorida. Durante os dias 12, 13 e 14 de outubro de 2019, entre o clima frio e chuvoso, a cidade de La Plata viveu e sentiu o esp\u00edrito feminista, de cumplicidade e sororidade entre xs companheirxs, compartilhando e reinventando a luta feminista contra o neoliberalismo e o patriarcado.\u00a0 Em seu 34\u00ba encontro, as oficinas autogestionadas abordaram temas que v\u00e3o desde a precariedade do trabalho para as mulheres e os impactos do capitalismo e do neoliberalismo na vida das mulheres at\u00e9 a sa\u00fade sexual e reprodutiva, identidades n\u00e3o bin\u00e1rias, maternidade, urbanismo feminista, feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza, autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e entre outros. O que perpassa estes temas debatidos no encontro \u00e9 a ofensiva do neoliberalismo, sustentado pelo racismo e o patriarcado. \u00c9 neste contexto de modelo desenvolvimentista predador, que as mulheres est\u00e3o na linha da frente da luta contra as empresas transnacionais extrativistas que colocam a acumula\u00e7\u00e3o de capital sempre acima das vidas das pessoas e do respeito pela Natureza. Organiza\u00e7\u00f5es financeiras mundiais, como o Banco Mundial ou o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, elaboram reformas estruturais para o avan\u00e7o do neoliberalismo que historicamente envolveram receitas para privatiza\u00e7\u00e3o, desregulamenta\u00e7\u00e3o e liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio. A precificando dos bens comuns, como as terras, as \u00e1guas e o ar, ocorre em um contexto de converg\u00eancia de crises, destacando-se as crises alimentares, energ\u00e9ticas, econ\u00f4micas e clim\u00e1ticas. Para superar as crises gestionadas e o avan\u00e7o do neoliberalismo, o capital transnacional atravessa os territ\u00f3rios, as atividades humanas, o pr\u00f3prio corpo das pessoas, especialmente das mulheres. A Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma das regi\u00f5es mais hostis para defensoras e defensores dos territ\u00f3rios e dos direitos dos povos, e nesta resist\u00eancia contra o avan\u00e7o do extrativismo que viola e amea\u00e7a os povos a luta em defesa da vida muitas vezes n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o: \u00e9 uma necessidade. As mulheres t\u00eam sido protagonistas em defesa da vida: em defesa do corpo-territ\u00f3rio, da vida comunit\u00e1ria, da vida dos seus territ\u00f3rios e da manuten\u00e7\u00e3o de seu modo de vida. \u00c9 neste sentido que as mulheres passam a ser guardi\u00e3s dos territ\u00f3rios, sendo co-criadoras para rexistir e reinventar a luta em defesa das vidas humanas e n\u00e3o-humanas. \u00c9 neste sentido que o ecofeminismo tem avan\u00e7ado o seu debate, relacionando a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o da Natureza com a quest\u00e3o de g\u00eanero, bem como o avan\u00e7o do capital sob os territ\u00f3rios e a objetifica\u00e7\u00e3o dos bens comuns, transformados em mercadoria. As opress\u00f5es entre a explora\u00e7\u00e3o da Natureza e as viol\u00eancias contra as mulheres n\u00e3o \u00e9 uma causalidade, sendo o reflexo da coloniza\u00e7\u00e3o dos corpos e da Natureza, integrado a este modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo neoliberal. 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