{"id":1585,"date":"2019-09-21T10:00:58","date_gmt":"2019-09-21T13:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1585"},"modified":"2025-06-17T15:49:46","modified_gmt":"2025-06-17T18:49:46","slug":"21-de-setembro-dia-internacional-de-luta-contra-os-monocultivos-de-arvores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1585","title":{"rendered":"21 de setembro: Dia Internacional de Luta contra os Monocultivos de \u00c1rvores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os ataques aos povos da floresta t\u00eam sido constantes. Agora, impulsionado pelo boom das commodities no mercado financeiro, o agroneg\u00f3cio intensifica a invas\u00e3o aos territ\u00f3rios dos povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A invas\u00e3o das empresas transnacionais de celulose nos territ\u00f3rios dos povos e comunidades tradicionais intensificaram significativamente os conflitos no campo. Os milh\u00f5es de hectares de terra que foram usados para o cultivo de \u00e1rvores ex\u00f3ticas, e at\u00e9 \u00e1rvores transg\u00eanicas, foram implementados no Brasil por empresas transnacionais, que levam o falso nome de &#8220;reflorestamento&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interfer\u00eancias no clima e nas reservas de \u00e1gua, grilagem de terras p\u00fablicas, esgotamento da biodiversidade, s\u00e3o alguns dos relatos de quem v\u00ea no entorno do seu territ\u00f3rio a mudan\u00e7a na paisagem e amplia\u00e7\u00e3o dos campos de monocultivo de \u00e1rvores por todos os lados. Povos de diversas regi\u00f5es do Brasil denunciam os impactos do avan\u00e7o do monocultivo de \u00e1rvores sobre seus territ\u00f3rios, como mostra o v\u00eddeo abaixo:<\/p>\n<p><iframe title=\"Impactos do Monocultivo de \u00c1rvores\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OcDpWmZbIi4?start=158&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os recentes inc\u00eandios provocados na maior floresta tropical do mundo, a Amaz\u00f4nica, s\u00e3o verdadeiros ataques aos territ\u00f3rios em nome do avan\u00e7o do capital. Milh\u00f5es de \u00e1rvores nativas e animais, territ\u00f3rios sagrados, modos de vida, foram intencionalmente queimados para dar lugar aos monocultivos &#8211; que n\u00e3o s\u00e3o floresta. A vida \u00e9 \u201cpluri\u201d e n\u00e3o \u00e9 facilmente manipul\u00e1vel, como dizem Dercy Telles, l\u00edder seringueira, e Lindomar Padilha, do Cimi-Acre, no v\u00eddeo abaixo:<\/p>\n<p><iframe title=\"Monocultivos n\u00e3o s\u00e3o floresta\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zFQMVCeuQQE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do avan\u00e7o das monoculturas de \u00e1rvores, empresas e governos t\u00eam trabalhado para fortalecer a implementa\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es transg\u00eanicas de \u00e1rvores ex\u00f3ticas. Sendo o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina a liberar o cultivo comercial de uma \u00e1rvore transg\u00eanica e com um ambiente pol\u00edtico favor\u00e1vel, o Brasil se tornou refer\u00eancia para empresas transnacionais realizarem seus projetos. Precisamente por esse motivo, o Congresso Mundial da IUFRO (Uni\u00e3o Internacional das Organiza\u00e7\u00f5es de Pesquisa Florestal) ser\u00e1 realizado em terras brasileiras, entre 29 de setembro e 5 de outubro, em Curitiba, Paran\u00e1. Trata-se de um grupo de empresas e pesquisadores, com apoio do governo, que insiste na implanta\u00e7\u00e3o de monocultivos de \u00e1rvores ex\u00f3ticas, para exporta\u00e7\u00e3o de celulose e madeira, chamando essa pr\u00e1tica de \u201creflorestamento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anne Petermann, coordenadora do campanha global \u201cStop Engineered Trees\u201d(Parem as \u00c1rvores Transg\u00eanicas, em portugu\u00eas), em entrevista \u00e0 Amigos da Terra Brasil, destaca que \u201cuma vez liberadas no meio ambiente os reflexos est\u00e3o al\u00e9m do que as pesquisas s\u00e3o capazes de prever\u201d. A \u00e1rvores transg\u00eanicas \u201ct\u00eam impactos que n\u00f3s n\u00e3o podemos sequer entender, j\u00e1 que n\u00f3s n\u00e3o sabemos como essas \u00e1rvores se comportariam em um ecossistema florestal, ou em qualquer ecossistema, com os solos, com a vida selvagem, com os p\u00e1ssaros, abelhas, outros polinizadores e tamb\u00e9m com as pessoas que vivem no entorno\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda, Anne ressalta que a \u201cdecis\u00e3o tomada em 2008 pela Conven\u00e7\u00e3o de Diversidade Biol\u00f3gica, que \u00e1rvores geneticamente modificadas n\u00e3o deveriam ser liberadas sem total entendimento sobre seus impactos ambientais, que a precau\u00e7\u00e3o deveria ser considerada. Essa decis\u00e3o nunca foi alterada. Infelizmente, h\u00e1 pa\u00edses, como os Estados Unidos, que nunca assinaram essa conven\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eles n\u00e3o se importam\u201d.\u00a0 Veja <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2019\/05\/15\/se-essas-arvores-geneticamente-modificadas-sao-liberadas-no-meio-ambiente-voce-nao-pode-voltar-atras-afirma-anne-petermann\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a> a entrevista na \u00edntegra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m, neste evento ser\u00e3o discutidas falsas solu\u00e7\u00f5es e novas maneiras de aumentar os lucros corporativos \u00e0 custa de bens comuns. A FAO, inclu\u00edda entre os patrocinadores da IUFRO, tem promovido internacionalmente uma defini\u00e7\u00e3o de floresta que serve apenas aos interesses das empresas madeireiras e das ind\u00fastrias de plantio de \u00e1rvores. A defini\u00e7\u00e3o trata grupo de \u00e1rvores de uma \u00fanica floresta de esp\u00e9cies sejam consideradas \u201cflorestas\u201d e assim possam ser contempladas por incentivos relacionados \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o do efeito estufa. Com isso, ignorando todas as rela\u00e7\u00f5es entre plantas e outros seres vivos que comp\u00f5em uma floresta, incluindo seres humanos, a FAO passa a negligenciar a biodiversidade e os sistemas ecol\u00f3gicos associados, permitindo que as monoculturas de grande escala os transg\u00eanicos sejam considerados florestas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, dia 21 de setembro \u00e9 marcado como o <b>Dia Internacional de Luta contra as Monocultivos de \u00c1rvores.<\/b> Os povos reafirmam que querem viver com autonomia e dignidade em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Reafirmamos: as planta\u00e7\u00f5es N\u00c3O s\u00e3o florestas! E dizemos N\u00c3O ao Deserto Verde!<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, repudiamos o evento da IUFRO e convocamos os movimentos de luta a assinarem conosco carta em den\u00fancia ao monocultivo de \u00e1rvores e \u00e0s \u00e1rvores transg\u00eanicas, para fortalecer nossa resist\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel acessar e aderir a carta em <a href=\"http:\/\/wrm.org.uy\/pt\/acoes-e-campanhas\/carta-publica-contra-a-monocultura-de-arvores-brasil-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">portugu\u00eas<\/a>, <a href=\"http:\/\/wrm.org.uy\/es\/acciones-y-campanas\/apoye-esta-carta-publica-contra-los-monocultivos-de-arboles-brasil-2019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">espanhol<\/a> e <a href=\"http:\/\/wrm.org.uy\/actions-and-campaigns\/support-this-open-letter-against-tree-monocultures-brazil-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ingl\u00eas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que possamos gritar juntxs: <b>PLANTA\u00c7\u00d5ES N\u00c3O S\u00c3O FLORESTAS!<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ataques aos povos da floresta t\u00eam sido constantes. Agora, impulsionado pelo boom das commodities no mercado financeiro, o agroneg\u00f3cio intensifica a invas\u00e3o aos territ\u00f3rios dos povos. A invas\u00e3o das empresas transnacionais de celulose nos territ\u00f3rios dos povos e comunidades tradicionais intensificaram significativamente os conflitos no campo. Os milh\u00f5es de hectares de terra que foram usados para o cultivo de \u00e1rvores ex\u00f3ticas, e at\u00e9 \u00e1rvores transg\u00eanicas, foram implementados no Brasil por empresas transnacionais, que levam o falso nome de &#8220;reflorestamento&#8221;. Interfer\u00eancias no clima e nas reservas de \u00e1gua, grilagem de terras p\u00fablicas, esgotamento da biodiversidade, s\u00e3o alguns dos relatos de quem v\u00ea no entorno do seu territ\u00f3rio a mudan\u00e7a na paisagem e amplia\u00e7\u00e3o dos campos de monocultivo de \u00e1rvores por todos os lados. Povos de diversas regi\u00f5es do Brasil denunciam os impactos do avan\u00e7o do monocultivo de \u00e1rvores sobre seus territ\u00f3rios, como mostra o v\u00eddeo abaixo: Os recentes inc\u00eandios provocados na maior floresta tropical do mundo, a Amaz\u00f4nica, s\u00e3o verdadeiros ataques aos territ\u00f3rios em nome do avan\u00e7o do capital. Milh\u00f5es de \u00e1rvores nativas e animais, territ\u00f3rios sagrados, modos de vida, foram intencionalmente queimados para dar lugar aos monocultivos &#8211; que n\u00e3o s\u00e3o floresta. A vida \u00e9 \u201cpluri\u201d e n\u00e3o \u00e9 facilmente manipul\u00e1vel, como dizem Dercy Telles, l\u00edder seringueira, e Lindomar Padilha, do Cimi-Acre, no v\u00eddeo abaixo: Al\u00e9m do avan\u00e7o das monoculturas de \u00e1rvores, empresas e governos t\u00eam trabalhado para fortalecer a implementa\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es transg\u00eanicas de \u00e1rvores ex\u00f3ticas. Sendo o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina a liberar o cultivo comercial de uma \u00e1rvore transg\u00eanica e com um ambiente pol\u00edtico favor\u00e1vel, o Brasil se tornou refer\u00eancia para empresas transnacionais realizarem seus projetos. Precisamente por esse motivo, o Congresso Mundial da IUFRO (Uni\u00e3o Internacional das Organiza\u00e7\u00f5es de Pesquisa Florestal) ser\u00e1 realizado em terras brasileiras, entre 29 de setembro e 5 de outubro, em Curitiba, Paran\u00e1. Trata-se de um grupo de empresas e pesquisadores, com apoio do governo, que insiste na implanta\u00e7\u00e3o de monocultivos de \u00e1rvores ex\u00f3ticas, para exporta\u00e7\u00e3o de celulose e madeira, chamando essa pr\u00e1tica de \u201creflorestamento\u201d. Anne Petermann, coordenadora do campanha global \u201cStop Engineered Trees\u201d(Parem as \u00c1rvores Transg\u00eanicas, em portugu\u00eas), em entrevista \u00e0 Amigos da Terra Brasil, destaca que \u201cuma vez liberadas no meio ambiente os reflexos est\u00e3o al\u00e9m do que as pesquisas s\u00e3o capazes de prever\u201d. A \u00e1rvores transg\u00eanicas \u201ct\u00eam impactos que n\u00f3s n\u00e3o podemos sequer entender, j\u00e1 que n\u00f3s n\u00e3o sabemos como essas \u00e1rvores se comportariam em um ecossistema florestal, ou em qualquer ecossistema, com os solos, com a vida selvagem, com os p\u00e1ssaros, abelhas, outros polinizadores e tamb\u00e9m com as pessoas que vivem no entorno\u201d. Ainda, Anne ressalta que a \u201cdecis\u00e3o tomada em 2008 pela Conven\u00e7\u00e3o de Diversidade Biol\u00f3gica, que \u00e1rvores geneticamente modificadas n\u00e3o deveriam ser liberadas sem total entendimento sobre seus impactos ambientais, que a precau\u00e7\u00e3o deveria ser considerada. Essa decis\u00e3o nunca foi alterada. Infelizmente, h\u00e1 pa\u00edses, como os Estados Unidos, que nunca assinaram essa conven\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eles n\u00e3o se importam\u201d.\u00a0 Veja aqui a entrevista na \u00edntegra. Tamb\u00e9m, neste evento ser\u00e3o discutidas falsas solu\u00e7\u00f5es e novas maneiras de aumentar os lucros corporativos \u00e0 custa de bens comuns. A FAO, inclu\u00edda entre os patrocinadores da IUFRO, tem promovido internacionalmente uma defini\u00e7\u00e3o de floresta que serve apenas aos interesses das empresas madeireiras e das ind\u00fastrias de plantio de \u00e1rvores. A defini\u00e7\u00e3o trata grupo de \u00e1rvores de uma \u00fanica floresta de esp\u00e9cies sejam consideradas \u201cflorestas\u201d e assim possam ser contempladas por incentivos relacionados \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o do efeito estufa. Com isso, ignorando todas as rela\u00e7\u00f5es entre plantas e outros seres vivos que comp\u00f5em uma floresta, incluindo seres humanos, a FAO passa a negligenciar a biodiversidade e os sistemas ecol\u00f3gicos associados, permitindo que as monoculturas de grande escala os transg\u00eanicos sejam considerados florestas. Hoje, dia 21 de setembro \u00e9 marcado como o Dia Internacional de Luta contra as Monocultivos de \u00c1rvores. Os povos reafirmam que querem viver com autonomia e dignidade em seus territ\u00f3rios. Reafirmamos: as planta\u00e7\u00f5es N\u00c3O s\u00e3o florestas! E dizemos N\u00c3O ao Deserto Verde! Portanto, repudiamos o evento da IUFRO e convocamos os movimentos de luta a assinarem conosco carta em den\u00fancia ao monocultivo de \u00e1rvores e \u00e0s \u00e1rvores transg\u00eanicas, para fortalecer nossa resist\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel acessar e aderir a carta em portugu\u00eas, espanhol e ingl\u00eas. 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