{"id":1385,"date":"2019-06-13T16:45:13","date_gmt":"2019-06-13T19:45:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1385"},"modified":"2025-06-17T15:54:56","modified_gmt":"2025-06-17T18:54:56","slug":"rio-grande-no-sul-e-nova-fronteira-da-mineracao-no-brasil-para-o-capital-mineral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1385","title":{"rendered":"Rio Grande do Sul \u00e9 a nova fronteira da minera\u00e7\u00e3o para o capital mineral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Levantamento do MAM aponta 166 projetos para explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio no estado atualmente. As informa\u00e7\u00f5es foram apresentadas durante Assembleia Popular da Minera\u00e7\u00e3o no \u00faltimo dia 11, em Eldorado do Sul<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o colapso enfrentado pela atividade mineradora em Minas Gerais, o Rio Grande do Sul \u00e9 a bola da vez para os projetos de explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio. De acordo com levantamento do Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), h\u00e1 no momento 166 projetos de minera\u00e7\u00e3o em alguma fase de an\u00e1lise no estado. Entre eles, est\u00e1 o da Mina Gua\u00edba \u2013 que pretende ser a maior mina de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto do Brasil. Outros tr\u00eas grandiosos tamb\u00e9m chamam a aten\u00e7\u00e3o: a extra\u00e7\u00e3o de tit\u00e2nio em S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, de chumbo e zinco em Ca\u00e7apava do Sul, e de fosfato em Lavras do Sul. \u201cNesses quatro projetos, percebemos que h\u00e1 a tentativa de acelerar o processo de licenciamento ambiental\u201d, diz Michele Martins, do MAM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte est\u00e1 localizada na metade Sul, onde justamente est\u00e1 uma grande diversidade econ\u00f4mica, social e cultural, com assentamentos rurais e a presen\u00e7a de comunidades tradicionais que mant\u00eam a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e produzem a sua renda a partir da agricultura e da pesca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O panorama foi apresentado durante a Assembleia Popular da Minera\u00e7\u00e3o, realizada no dia 11 de junho, em Eldorado do Sul, Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre. O encontro organizado pelo MAM e pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) contou com a participa\u00e7\u00e3o de alguns vereadores, ambientalistas, movimentos sociais e da comunidade local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o professor da FURG, Caio dos Santos, h\u00e1 o imagin\u00e1rio de que o Rio Grande do Sul n\u00e3o seria um estado minerador. No entanto, a hist\u00f3ria mostra que sim, como exemplo da explora\u00e7\u00e3o de ametista na regi\u00e3o Norte e a de carv\u00e3o na regi\u00e3o de Candiota. \u201cA diferen\u00e7a \u00e9 que agora h\u00e1 um avan\u00e7o maior das companhias mineradoras, que veem o Rio Grande do Sul como um estado a ser esburacado\u201d, disse.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2090-1.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1389\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2090-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1500\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2090-1.jpeg 2000w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2090-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2090-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2090-1-500x375.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2090-1-800x600.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da Mina Gua\u00edba, que pretende tomar uma \u00e1rea localizada entre os munic\u00edpios de Charqueadas e Eldorado do Sul, a preocupa\u00e7\u00e3o dos moradores \u00e9 tanto pela sa\u00fade, que ser\u00e1 impactada com a polui\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o, quanto pela situa\u00e7\u00e3o de suas moradias e de seus locais de trabalho.\u00a0 H\u00e1 duas comunidades que a empresa mineradora quer \u201creassentar involuntariamente\u201d, o Loteamento Gua\u00edba City e o Assentamento Apol\u00f4nio de Carvalho, territ\u00f3rio conquistado por lutadoras e lutadores pela reforma agr\u00e1ria do MST, em 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das estrat\u00e9gias da Copelmi, empresa respons\u00e1vel pelo projeto da Mina Gua\u00edba, \u00e9 a de construir um discurso de que as pessoas das comunidades vivem sem \u201cdignidade humana\u201d e que a empresa melhoraria suas vidas. <span style=\"color: #3366ff;\"><a style=\"color: #3366ff;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2019\/06\/06\/visita-ao-assentamento-apolonio-de-carvalho-e-ao-loteamento-guaiba-city-evidencia-danos-sociais-e-ambientais-do-projeto-mina-guaiba-da-copelmi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em visita \u00e0s comunidades, a Amigos da Terra pode conferir que h\u00e1 muita vontade por parte dos moradores de lutar pela perman\u00eancia na \u00e1rea.<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 17 anos, Guilherme Vanin, morador do assentamento Apol\u00f4nio, explica que a fam\u00edlia trabalha com a agroecologia e est\u00e1 com medo de n\u00e3o poder mais plantar alimentos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moradora do Gua\u00edba City h\u00e1 20 anos, Sirlei de Souza afirma que n\u00e3o sabe para onde ir\u00e1 caso a mina seja implantada. \u201cEu tenho meu com\u00e9rcio ali, \u00e9 meu ganha p\u00e3o. Disseram que a gente n\u00e3o tem dignidade, mas eu tenho tudo, uma bela casa e um belo arvoredo. Quando eu morei em Charquedas, na \u00e9poca da Copelmi, que n\u00e3o tinha dignidade. Tu sa\u00eda de roupa branca e ela voltava preta por causa do p\u00f3\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Mina Gua\u00edba \u00e9 a porta de entrada dos grandes projetos, onde um conseguindo se implantar, os outros v\u00e3o conseguir, essa \u00e9 a estrat\u00e9gia do capital mineral\u201d, afirmou Michele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o coordenador nacional do MAM, M\u00e1rcio Zonta, h\u00e1 um projeto internacional de minera\u00e7\u00e3o e como pa\u00edses desenvolvidos n\u00e3o aceitam mais atividades altamente poluidoras em seus territ\u00f3rios, as companhias veem na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica grande potencial para explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, segundo ele, as comunidades do Rio Grande do Sul ainda estariam em vantagem, j\u00e1 que nenhum documento foi assinado. \u201cSegundo pesquisas chinesas, em 15 anos, um milh\u00e3o de pessoas v\u00e3o morrer na China por causa da polui\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o. Aqui n\u00e3o tem nenhuma m\u00e1quina no territ\u00f3rio de voc\u00eas. Ent\u00e3o, tem luta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um manifesto contra a implementa\u00e7\u00e3o dos projetos de minera\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul tamb\u00e9m foi lan\u00e7ado durante a Assembleia Popular da Minera\u00e7\u00e3o. No dia 27 de junho, haver\u00e1 audi\u00eancia p\u00fablica sobre a Mina Gua\u00edba, em Eldorado do Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento do MAM aponta 166 projetos para explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio no estado atualmente. As informa\u00e7\u00f5es foram apresentadas durante Assembleia Popular da Minera\u00e7\u00e3o no \u00faltimo dia 11, em Eldorado do Sul Com o colapso enfrentado pela atividade mineradora em Minas Gerais, o Rio Grande do Sul \u00e9 a bola da vez para os projetos de explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio. De acordo com levantamento do Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), h\u00e1 no momento 166 projetos de minera\u00e7\u00e3o em alguma fase de an\u00e1lise no estado. Entre eles, est\u00e1 o da Mina Gua\u00edba \u2013 que pretende ser a maior mina de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto do Brasil. Outros tr\u00eas grandiosos tamb\u00e9m chamam a aten\u00e7\u00e3o: a extra\u00e7\u00e3o de tit\u00e2nio em S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, de chumbo e zinco em Ca\u00e7apava do Sul, e de fosfato em Lavras do Sul. \u201cNesses quatro projetos, percebemos que h\u00e1 a tentativa de acelerar o processo de licenciamento ambiental\u201d, diz Michele Martins, do MAM. A maior parte est\u00e1 localizada na metade Sul, onde justamente est\u00e1 uma grande diversidade econ\u00f4mica, social e cultural, com assentamentos rurais e a presen\u00e7a de comunidades tradicionais que mant\u00eam a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e produzem a sua renda a partir da agricultura e da pesca. O panorama foi apresentado durante a Assembleia Popular da Minera\u00e7\u00e3o, realizada no dia 11 de junho, em Eldorado do Sul, Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre. O encontro organizado pelo MAM e pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) contou com a participa\u00e7\u00e3o de alguns vereadores, ambientalistas, movimentos sociais e da comunidade local. Segundo o professor da FURG, Caio dos Santos, h\u00e1 o imagin\u00e1rio de que o Rio Grande do Sul n\u00e3o seria um estado minerador. No entanto, a hist\u00f3ria mostra que sim, como exemplo da explora\u00e7\u00e3o de ametista na regi\u00e3o Norte e a de carv\u00e3o na regi\u00e3o de Candiota. \u201cA diferen\u00e7a \u00e9 que agora h\u00e1 um avan\u00e7o maior das companhias mineradoras, que veem o Rio Grande do Sul como um estado a ser esburacado\u201d, disse. No caso da Mina Gua\u00edba, que pretende tomar uma \u00e1rea localizada entre os munic\u00edpios de Charqueadas e Eldorado do Sul, a preocupa\u00e7\u00e3o dos moradores \u00e9 tanto pela sa\u00fade, que ser\u00e1 impactada com a polui\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o, quanto pela situa\u00e7\u00e3o de suas moradias e de seus locais de trabalho.\u00a0 H\u00e1 duas comunidades que a empresa mineradora quer \u201creassentar involuntariamente\u201d, o Loteamento Gua\u00edba City e o Assentamento Apol\u00f4nio de Carvalho, territ\u00f3rio conquistado por lutadoras e lutadores pela reforma agr\u00e1ria do MST, em 2007. Uma das estrat\u00e9gias da Copelmi, empresa respons\u00e1vel pelo projeto da Mina Gua\u00edba, \u00e9 a de construir um discurso de que as pessoas das comunidades vivem sem \u201cdignidade humana\u201d e que a empresa melhoraria suas vidas. Em visita \u00e0s comunidades, a Amigos da Terra pode conferir que h\u00e1 muita vontade por parte dos moradores de lutar pela perman\u00eancia na \u00e1rea. Aos 17 anos, Guilherme Vanin, morador do assentamento Apol\u00f4nio, explica que a fam\u00edlia trabalha com a agroecologia e est\u00e1 com medo de n\u00e3o poder mais plantar alimentos saud\u00e1veis. Moradora do Gua\u00edba City h\u00e1 20 anos, Sirlei de Souza afirma que n\u00e3o sabe para onde ir\u00e1 caso a mina seja implantada. \u201cEu tenho meu com\u00e9rcio ali, \u00e9 meu ganha p\u00e3o. Disseram que a gente n\u00e3o tem dignidade, mas eu tenho tudo, uma bela casa e um belo arvoredo. Quando eu morei em Charquedas, na \u00e9poca da Copelmi, que n\u00e3o tinha dignidade. Tu sa\u00eda de roupa branca e ela voltava preta por causa do p\u00f3\u201d, conta. \u201cA Mina Gua\u00edba \u00e9 a porta de entrada dos grandes projetos, onde um conseguindo se implantar, os outros v\u00e3o conseguir, essa \u00e9 a estrat\u00e9gia do capital mineral\u201d, afirmou Michele. Para o coordenador nacional do MAM, M\u00e1rcio Zonta, h\u00e1 um projeto internacional de minera\u00e7\u00e3o e como pa\u00edses desenvolvidos n\u00e3o aceitam mais atividades altamente poluidoras em seus territ\u00f3rios, as companhias veem na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica grande potencial para explora\u00e7\u00e3o. Ainda assim, segundo ele, as comunidades do Rio Grande do Sul ainda estariam em vantagem, j\u00e1 que nenhum documento foi assinado. \u201cSegundo pesquisas chinesas, em 15 anos, um milh\u00e3o de pessoas v\u00e3o morrer na China por causa da polui\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o. Aqui n\u00e3o tem nenhuma m\u00e1quina no territ\u00f3rio de voc\u00eas. Ent\u00e3o, tem luta\u201d. 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