{"id":1340,"date":"2019-06-06T12:44:44","date_gmt":"2019-06-06T15:44:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1340"},"modified":"2025-06-17T15:55:42","modified_gmt":"2025-06-17T18:55:42","slug":"visita-ao-assentamento-apolonio-de-carvalho-e-ao-loteamento-guaiba-city-evidencia-danos-sociais-e-ambientais-do-projeto-mina-guaiba-da-copelmi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1340","title":{"rendered":"Visita ao assentamento Apol\u00f4nio de Carvalho e ao loteamento Gua\u00edba City evidencia danos sociais e ambientais do projeto Mina Gua\u00edba, da Copelmi"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Visita \u00e0s comunidades que ser\u00e3o atingidas pelo projeto da Mina Gua\u00edba &#8211; que pretende ser a maior mina de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto do Brasil -, comprova os impactos socioambientais do empreendimento. Plano \u00e9 instalar mina a cerca de 15km do centro de Porto Alegre, \u00e0 beira do Delta do Jacu\u00ed. N<\/em><em>arrativa que Copelmi, empresa respons\u00e1vel pelo projeto, tenta construir \u00e9 a de que as pessoas destas comunidades vivem sem &#8220;dignidade humana&#8221; e que a empresa melhoraria suas vidas. Ora, fomos at\u00e9 l\u00e1 fazer o que a Copelmi n\u00e3o fez: ouvi-las.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto \u00e0 <a href=\"http:\/\/amaguaiba.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AMA Gua\u00edba<\/a>, ao <a href=\"http:\/\/mamnacional.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MAM (Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o)<\/a>, ao grupo de pesquisa <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/temas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">TEMAS (Grupo de Pesquisa em Tecnologia, Meio Ambiente e Sociedade)<\/a>, da UFRGS, e a comunicadores do <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jornal Sul21<\/a> e do <a href=\"http:\/\/coletivocatarse.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coletivo Catarse<\/a>, visitamos no \u00faltimo s\u00e1bado (1\/6) o Loteamento Gua\u00edba City e o Assentamento Apol\u00f4nio de Carvalho, territ\u00f3rio conquistado por lutadoras e lutadores pela reforma agr\u00e1ria do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em 2007. A \u00e1rea fica entre os munic\u00edpios de Charqueadas e Eldorado do Sul e estas s\u00e3o as comunidades que a empresa Copelmi quer &#8220;reassentar involuntariamente&#8221; devido a implanta\u00e7\u00e3o da Mina Gua\u00edba: se for adiante, ela ser\u00e1 a maior mina de carv\u00e3o do Brasil, <a href=\"https:\/\/www.sema.rs.gov.br\/area-de-protecao-ambiental-estadual-delta-do-jacui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>\u00e0 beira do Delta do Jacu\u00ed, uma das \u00faltimas \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental da Regi\u00e3o Metropolitana e cujas \u00e1guas abastecem todo o sistema h\u00eddrico\u00a0 da regi\u00e3o com mais de 4 milh\u00f5es de habitantes, que ser\u00e3o atingidas caso o projeto avance<\/strong><\/a> &#8211; hoje, ainda precisa de licenciamento ambiental fornecido pela Fepam (<span class=\"st\">Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental<\/span>). No dia 27 de junho, haver\u00e1 uma audi\u00eancia p\u00fablico relativa ao tema.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1347\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2.jpeg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2.jpeg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2-300x200.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2-768x512.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2-500x333.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2-800x533.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sordidamente, a proposta da empresa prev\u00ea que as pessoas s\u00f3 seriam retiradas de suas casas e terras ap\u00f3s 5 anos de extra\u00e7\u00e3o do mineral. Ou seja: seriam 5 anos convivendo dia e noite com perfura\u00e7\u00f5es, detona\u00e7\u00f5es com dinamite, alto fluxo de ve\u00edculos pesados e ainda a opera\u00e7\u00e3o das plantas de beneficiamento dos minerais extra\u00eddos. Tais atividades trariam impactos como piora da qualidade do ar, ru\u00eddo e rebaixamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, de onde as comunidades captam sua \u00e1gua para abastecimento. Um dos argumentos que a Copelmi utiliza em seu favor \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de empregos. Contudo, a promessa \u00e9 vazia: <a href=\"https:\/\/www.extraclasse.org.br\/ambiente\/2019\/03\/mina-de-carvao-em-eldorado-do-sul-ameaca-delta-do-jacui\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>ser\u00e3o apenas 331 postos de trabalho criados nestes primeiros anos, durante a fase de implementa\u00e7\u00e3o; e at\u00e9 2042, prometem-se outros 823.<\/strong><\/a> Deve-se ainda questionar a qualidade dos empregos ofertados; a sa\u00fade de trabalhadoras e trabalhadores na extra\u00e7\u00e3o mineira \u00e9 extremamente danosa \u00e0 sa\u00fade e uma atividade perigosa: <a href=\"http:\/\/politike.cartacapital.com.br\/mineracao-e-a-maior-responsavel-por-mortes-no-trabalho-ao-redor-do-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 a maior respons\u00e1vel por mortes no trabalho ao redor do mundo.<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa que a Copelmi tenta construir \u00e9 a de que as pessoas destas comunidades vivem sem &#8220;dignidade humana&#8221; e que a empresa iria melhorar suas vidas. Ora, fomos at\u00e9 estas comunidades fazer o que a Copelmi n\u00e3o fez: ouvi-las. E o que vimos e ouvimos \u00e9 o oposto do que o engenheiro Cristiano Weber, principal porta-voz da empresa (o nome bonito dado a seu cargo \u00e9 de gerente de Sustentabilidade Corporativa), declara, com certa arrog\u00e2ncia, nos solenes debates em que participa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bem verdade que h\u00e1 uma evidente neglig\u00eancia dos poderes p\u00fablicos municipais, principalmente quanto \u00e0 qualidade das estradas e ao posto de sa\u00fade fechado h\u00e1 mais de dez anos; por\u00e9m, estes foram os \u00fanicos aspectos negativos nas falas de moradoras e moradores. O que vimos foram duas comunidades angustiadas pela incerteza e pela possibilidade de perderem seu &#8220;para\u00edso&#8221; (palavra usada por mais de uma das pessoas ouvidas); e indignadas pelas afirma\u00e7\u00f5es da empresa, que as trata como indignas, claramente uma mentira. H\u00e1 muita vontade de lutar pela perman\u00eancia na \u00e1rea. No dia 11 de junho, haver\u00e1 uma assembleia popular para tratar do tema; no final do m\u00eas, 27 de junho, uma nova audi\u00eancia p\u00fablica acontecer\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Loteamento Gua\u00edba City \u00e9 o lar de muitas fam\u00edlias: algumas j\u00e1 vivem ali h\u00e1 3 gera\u00e7\u00f5es. H\u00e1 aquelas pessoas que v\u00e3o somente aos finais de semana pois ainda t\u00eam que trabalhar na cidade, mas que pretendem ir para l\u00e1 definitivamente ao se aposentarem: \u00e9 seu plano de vida. Outras j\u00e1 conseguiram este feito de &#8220;fugir&#8221; da cidade. Nos lotes, que s\u00e3o pequenas ch\u00e1caras, constru\u00edram suas casas, perfuraram seus po\u00e7os, criam galinhas, vacas leiteiras, cavalos, t\u00eam pequenas ro\u00e7as e hortas, al\u00e9m de pescarem nos arroios locais (que ser\u00e3o desviados pela mina) e no Rio Jacu\u00ed. As crian\u00e7as v\u00e3o a p\u00e9 ou de bicicleta para a escola Osmar Hoff Pacheco, ou de transporte escolar (que, segundo os relatos, funciona bem) para as escolas das cidades do entorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um abaixo-assinado que percorre o loteamento, uma derrota acachapante da Copelmi: em 82 assinaturas, 77 s\u00e3o contr\u00e1rias ao projeto &#8211; apenas 5 est\u00e3o ao lado da empresa, que n\u00e3o se cansa de tentar ludibriar a comunidade (no mesmo dia da nossa visita,\u00a0 um micro-\u00f4nibus alugado pela Copelmi levou alguns moradores para uma &#8220;churrascada&#8221;; segundo relatos, j\u00e1 n\u00e3o era a primeira vez que isso acontecia). Cada assinatura representa um lote, correspondendo \u00e0 quase 250 pessoas; nem todos os lotes assinaram ainda. A maioria das pessoas n\u00e3o cogita sair de l\u00e1 &#8220;nem morto&#8221;, at\u00e9 por que l\u00e1 existe um cemit\u00e9rio que guarda muitos de seus entes queridos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/abaixo.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1348\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/abaixo.jpeg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/abaixo.jpeg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/abaixo-300x200.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/abaixo-768x512.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/abaixo-500x333.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/abaixo-800x533.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Assentamento Apol\u00f4nio de Carvalho, apesar de ser relativamente novo (foi criado em 2007) e de todas as dificuldades para se implantar um assentamento, est\u00e1 em pleno funcionamento. <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/noticias\/2011\/04\/a-luta-vitoriosa-de-72-familias-gauchas-de-sem-terra-por-um-pedaco-de-chao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Abriga 72 fam\u00edlias, com grande sentimento de perten\u00e7a ao territ\u00f3rio conquistado (que antes era um &#8220;haras&#8221; de um poderoso traficante).<\/strong><\/a> O carro-chefe do Apol\u00f4nio \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do arroz org\u00e2nico, o terceiro maior produtor do pa\u00eds, que em conjunto aos demais assentamentos do RS forma nada menos que <a href=\"http:\/\/www.midiasemterra.com.br\/a-cooperativa-que-transformou-o-brasil-no-maior-produtor-de-arroz-organico-da-america-latina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>a maior produ\u00e7\u00e3o de arroz org\u00e2nico da Am\u00e9rica Latina.<\/strong><\/a> Mas a produ\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m do arroz: o assentamento produz &#8220;de tudo&#8221; &#8211; e sem veneno: hortali\u00e7as, tub\u00e9rculos, frutas, ch\u00e1s, temperos, leite, queijo, ovos, carne, peixes, sementes, compotas. Quase tudo necess\u00e1rio \u00e0 subsist\u00eancia, e o excedente \u00e9 comercializado em dezenas de feiras ecol\u00f3gicas em Porto Alegre e Regi\u00e3o Metropolitana (ainda atende locais espec\u00edficos, como, por exemplo, uma cl\u00ednica oncol\u00f3gica &#8211; e por que ser\u00e1?). Produzem tamb\u00e9m conhecimento e tecnologia, que tem muitos nomes: agricultura org\u00e2nica de base agroecol\u00f3gica, controle biol\u00f3gico de enfermidades nos cultivos, permacultura, agrofloresta, bioconstru\u00e7\u00e3o. Enfim, mostram na pr\u00e1tica uma alternativa vi\u00e1vel, que constr\u00f3i vidas simples mas abundantes e em harmonia com o ambiente. N\u00e3o seria esta a verdadeira sustentabilidade?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1349\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3.jpeg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3.jpeg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3-300x200.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3-768x512.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3-500x333.jpeg 500w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1350\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4.jpeg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4.jpeg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4-300x200.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4-768x512.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4-500x333.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4-800x533.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/5.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1351\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/5.jpeg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/5.jpeg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/5-300x200.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/5-768x512.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/5-500x333.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/5-800x533.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s algumas tentativas da Copelmi de fingir que as comunidades, tanto do Gua\u00edba City quanto do Apol\u00f4nio, estariam dispostas a deixar o local onde vivem, foi necess\u00e1rio demarcar suas posi\u00e7\u00f5es de maneira clara: <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/2019\/04\/19\/mina-guaiba-somos-contra-porque-somos-a-favor-da-vida-afirma-assentado.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>&#8220;Somos contra, porque somos a favor da vida&#8221;<\/strong><\/a>. Al\u00e9m do que j\u00e1 conseguiram alcan\u00e7ar (terra para plantar, casa para morar, luz, \u00e1gua, o sustento garantido pelo lote), todos tem ainda muitos sonhos: aumentar a produtividade do arroz, ter demanda mais garantida (al\u00e9m das feiras e clientes espec\u00edficos, faz falta o fornecimento antes feito a escolas atrav\u00e9s do PNAE [Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar], praticamente acabado no contexto atual), que a cidade valorize mais o alimento produzido sem veneno no campo. Ficam a imaginar o quanto de alimentos sem veneno pode ser produzido e posto na mesa de fam\u00edlias no campo e na cidade ao longo dos 23 anos que a mina pretende operar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, \u00e9 isto que existe a 30 minutos de Porto Alegre e 100 metros acima de um carv\u00e3o com alto teor de cinzas e baixo poder calor\u00edfico. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/04\/24\/mineracao-o-brasil-na-contramao-do-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>H\u00e1, por tr\u00e1s de tudo, a inten\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses ricos de se livrarem dos danos causados pelas minas,<\/strong><\/a> seus impactos sociais, ambientais e trabalhistas: a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas; os riscos de explos\u00f5es e deslizamentos; o trabalho \u00e9 exaustivo e arriscado; e h\u00e1 ainda a conviv\u00eancia com uma poeira que corr\u00f3i os pulm\u00f5es pouco a pouco. No ano passado, <a href=\"https:\/\/www.destakjornal.com.br\/mundo\/detalhe\/alemanha-se-despede-da-ultima-mina-de-carvao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>a Alemanha se despediu de sua \u00faltima mina de carv\u00e3o<\/strong><\/a> e o jornal &#8220;Bild&#8221; publicou o retrato da &#8220;\u00faltima v\u00edtima das minas&#8221;, Markus Zedler, um trabalhador de 29 anos que falecera dias antes durante as obras de desmontagem de uma mina em Ibbenb\u00fcren. Vale ressaltar que <a href=\"https:\/\/www.jornaldocomercio.com\/_conteudo\/economia\/2019\/03\/676663-projeto-carboquimico-incluira-areia-e-cascalho.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>a Copelmi conta com o investimento da norte-americana Air Products e da chinesa Zhejiang Energy Group,<\/strong><\/a> que ser\u00e3o tamb\u00e9m operadoras da planta carboqu\u00edmica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(<a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/areazero\/2019\/06\/as-vozes-dos-que-nao-querem-trocar-seu-territorio-e-modo-de-vida-por-uma-mina-de-carvao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O Sul21 tamb\u00e9m publicou hoje mat\u00e9ria sobre a visita<\/strong><\/a>, com relatos das pessoas que ser\u00e3o atingidas pelo projeto da Copelmi &#8211; as vozes se erguem contra o projeto de morte da minera\u00e7\u00e3o!)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Visita \u00e0s comunidades que ser\u00e3o atingidas pelo projeto da Mina Gua\u00edba &#8211; que pretende ser a maior mina de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto do Brasil -, comprova os impactos socioambientais do empreendimento. Plano \u00e9 instalar mina a cerca de 15km do centro de Porto Alegre, \u00e0 beira do Delta do Jacu\u00ed. Narrativa que Copelmi, empresa respons\u00e1vel pelo projeto, tenta construir \u00e9 a de que as pessoas destas comunidades vivem sem &#8220;dignidade humana&#8221; e que a empresa melhoraria suas vidas. Ora, fomos at\u00e9 l\u00e1 fazer o que a Copelmi n\u00e3o fez: ouvi-las. Junto \u00e0 AMA Gua\u00edba, ao MAM (Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o), ao grupo de pesquisa TEMAS (Grupo de Pesquisa em Tecnologia, Meio Ambiente e Sociedade), da UFRGS, e a comunicadores do Jornal Sul21 e do Coletivo Catarse, visitamos no \u00faltimo s\u00e1bado (1\/6) o Loteamento Gua\u00edba City e o Assentamento Apol\u00f4nio de Carvalho, territ\u00f3rio conquistado por lutadoras e lutadores pela reforma agr\u00e1ria do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em 2007. A \u00e1rea fica entre os munic\u00edpios de Charqueadas e Eldorado do Sul e estas s\u00e3o as comunidades que a empresa Copelmi quer &#8220;reassentar involuntariamente&#8221; devido a implanta\u00e7\u00e3o da Mina Gua\u00edba: se for adiante, ela ser\u00e1 a maior mina de carv\u00e3o do Brasil, \u00e0 beira do Delta do Jacu\u00ed, uma das \u00faltimas \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental da Regi\u00e3o Metropolitana e cujas \u00e1guas abastecem todo o sistema h\u00eddrico\u00a0 da regi\u00e3o com mais de 4 milh\u00f5es de habitantes, que ser\u00e3o atingidas caso o projeto avance &#8211; hoje, ainda precisa de licenciamento ambiental fornecido pela Fepam (Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental). No dia 27 de junho, haver\u00e1 uma audi\u00eancia p\u00fablico relativa ao tema. Sordidamente, a proposta da empresa prev\u00ea que as pessoas s\u00f3 seriam retiradas de suas casas e terras ap\u00f3s 5 anos de extra\u00e7\u00e3o do mineral. Ou seja: seriam 5 anos convivendo dia e noite com perfura\u00e7\u00f5es, detona\u00e7\u00f5es com dinamite, alto fluxo de ve\u00edculos pesados e ainda a opera\u00e7\u00e3o das plantas de beneficiamento dos minerais extra\u00eddos. Tais atividades trariam impactos como piora da qualidade do ar, ru\u00eddo e rebaixamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, de onde as comunidades captam sua \u00e1gua para abastecimento. Um dos argumentos que a Copelmi utiliza em seu favor \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de empregos. Contudo, a promessa \u00e9 vazia: ser\u00e3o apenas 331 postos de trabalho criados nestes primeiros anos, durante a fase de implementa\u00e7\u00e3o; e at\u00e9 2042, prometem-se outros 823. Deve-se ainda questionar a qualidade dos empregos ofertados; a sa\u00fade de trabalhadoras e trabalhadores na extra\u00e7\u00e3o mineira \u00e9 extremamente danosa \u00e0 sa\u00fade e uma atividade perigosa: a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 a maior respons\u00e1vel por mortes no trabalho ao redor do mundo. A narrativa que a Copelmi tenta construir \u00e9 a de que as pessoas destas comunidades vivem sem &#8220;dignidade humana&#8221; e que a empresa iria melhorar suas vidas. Ora, fomos at\u00e9 estas comunidades fazer o que a Copelmi n\u00e3o fez: ouvi-las. E o que vimos e ouvimos \u00e9 o oposto do que o engenheiro Cristiano Weber, principal porta-voz da empresa (o nome bonito dado a seu cargo \u00e9 de gerente de Sustentabilidade Corporativa), declara, com certa arrog\u00e2ncia, nos solenes debates em que participa. \u00c9 bem verdade que h\u00e1 uma evidente neglig\u00eancia dos poderes p\u00fablicos municipais, principalmente quanto \u00e0 qualidade das estradas e ao posto de sa\u00fade fechado h\u00e1 mais de dez anos; por\u00e9m, estes foram os \u00fanicos aspectos negativos nas falas de moradoras e moradores. O que vimos foram duas comunidades angustiadas pela incerteza e pela possibilidade de perderem seu &#8220;para\u00edso&#8221; (palavra usada por mais de uma das pessoas ouvidas); e indignadas pelas afirma\u00e7\u00f5es da empresa, que as trata como indignas, claramente uma mentira. H\u00e1 muita vontade de lutar pela perman\u00eancia na \u00e1rea. No dia 11 de junho, haver\u00e1 uma assembleia popular para tratar do tema; no final do m\u00eas, 27 de junho, uma nova audi\u00eancia p\u00fablica acontecer\u00e1. O Loteamento Gua\u00edba City \u00e9 o lar de muitas fam\u00edlias: algumas j\u00e1 vivem ali h\u00e1 3 gera\u00e7\u00f5es. H\u00e1 aquelas pessoas que v\u00e3o somente aos finais de semana pois ainda t\u00eam que trabalhar na cidade, mas que pretendem ir para l\u00e1 definitivamente ao se aposentarem: \u00e9 seu plano de vida. Outras j\u00e1 conseguiram este feito de &#8220;fugir&#8221; da cidade. Nos lotes, que s\u00e3o pequenas ch\u00e1caras, constru\u00edram suas casas, perfuraram seus po\u00e7os, criam galinhas, vacas leiteiras, cavalos, t\u00eam pequenas ro\u00e7as e hortas, al\u00e9m de pescarem nos arroios locais (que ser\u00e3o desviados pela mina) e no Rio Jacu\u00ed. As crian\u00e7as v\u00e3o a p\u00e9 ou de bicicleta para a escola Osmar Hoff Pacheco, ou de transporte escolar (que, segundo os relatos, funciona bem) para as escolas das cidades do entorno. Em um abaixo-assinado que percorre o loteamento, uma derrota acachapante da Copelmi: em 82 assinaturas, 77 s\u00e3o contr\u00e1rias ao projeto &#8211; apenas 5 est\u00e3o ao lado da empresa, que n\u00e3o se cansa de tentar ludibriar a comunidade (no mesmo dia da nossa visita,\u00a0 um micro-\u00f4nibus alugado pela Copelmi levou alguns moradores para uma &#8220;churrascada&#8221;; segundo relatos, j\u00e1 n\u00e3o era a primeira vez que isso acontecia). Cada assinatura representa um lote, correspondendo \u00e0 quase 250 pessoas; nem todos os lotes assinaram ainda. A maioria das pessoas n\u00e3o cogita sair de l\u00e1 &#8220;nem morto&#8221;, at\u00e9 por que l\u00e1 existe um cemit\u00e9rio que guarda muitos de seus entes queridos. O Assentamento Apol\u00f4nio de Carvalho, apesar de ser relativamente novo (foi criado em 2007) e de todas as dificuldades para se implantar um assentamento, est\u00e1 em pleno funcionamento. Abriga 72 fam\u00edlias, com grande sentimento de perten\u00e7a ao territ\u00f3rio conquistado (que antes era um &#8220;haras&#8221; de um poderoso traficante). O carro-chefe do Apol\u00f4nio \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do arroz org\u00e2nico, o terceiro maior produtor do pa\u00eds, que em conjunto aos demais assentamentos do RS forma nada menos que a maior produ\u00e7\u00e3o de arroz org\u00e2nico da Am\u00e9rica Latina. Mas a produ\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m do arroz: o assentamento produz &#8220;de tudo&#8221; &#8211; e sem veneno: hortali\u00e7as, tub\u00e9rculos, frutas, ch\u00e1s, temperos, leite, queijo, ovos, carne, peixes, sementes, compotas. Quase tudo necess\u00e1rio \u00e0 subsist\u00eancia, e o excedente \u00e9 comercializado em dezenas de feiras ecol\u00f3gicas em Porto Alegre e Regi\u00e3o Metropolitana (ainda atende locais espec\u00edficos,<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1346,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1836,1839,602,7,1834,1837,5,1835],"tags":[],"class_list":["post-1340","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agua-e-mineracao","category-especulacao-imobiliaria","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-justica-economica","category-pl572-22","category-retomadas-e-direito-a-cidade","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1340"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9908,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1340\/revisions\/9908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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