{"id":1307,"date":"2019-05-20T12:50:02","date_gmt":"2019-05-20T15:50:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1307"},"modified":"2025-06-17T15:59:47","modified_gmt":"2025-06-17T18:59:47","slug":"evento-da-amigos-da-terra-denuncia-crimes-sociais-e-ambientais-cometidos-por-empresas-transnacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1307","title":{"rendered":"Evento da Amigos da Terra denuncia crimes sociais e ambientais cometidos por empresas transnacionais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A realidade de viola\u00e7\u00f5es de direitos enfrentada por comunidades do mundo todo foi o destaque do evento \u201cDireitos dos Povos e Defesa dos Territ\u00f3rios: Resist\u00eancias no Brasil e no Mundo\u201d, organizado na noite de quinta-feira (16), no Clube de Cultura, em Porto Alegre, pela Amigos da Terra. A atividade aberta tamb\u00e9m integrou o encontro internacional de representantes da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os territ\u00f3rios impactados por grandes projetos de minera\u00e7\u00e3o e de infraestrutura, a ofensiva pelos bens comuns t\u00eam provocado a perda de direitos das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, que diante do poderio econ\u00f4mico das empresas transnacionais frente ao estado, ficam ainda mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidente da Amigos da Terra Internacional, a uruguaia Karin Nansen manifestou solidariedade ao povo brasileiro pelos ataques conservadores que v\u00eam retirando direitos no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro debate tamb\u00e9m contou com a presen\u00e7a do representante do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (CEDH-RS), J\u00falio Alt, e da advogada Consuelo da Rosa. Consuelo destacou que com a conjuntura atual, a prote\u00e7\u00e3o aos ativistas de direitos humanos ser\u00e1 cada vez mais necess\u00e1ria. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a ter um Programa Defensores e Defensoras de Direitos Humanos por decreto, mas a pol\u00edtica foi encerrada em 2014. Para J\u00falio, o contexto p\u00f3s-golpe acentuou os ataques sobre bens e terras p\u00fablicas: &#8220;Me parece que as terras p\u00fablicas \u00e9 o que est\u00e1 em jogo hoje, vide o sucateamento do Incra e da Funai, para impedir as demarca\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Karin, essa \u00e9 uma ofensiva sist\u00eamica que n\u00e3o corresponde somente a um pa\u00eds. &#8220;O capital quando avan\u00e7a sobre os territ\u00f3rios, seja onde for, avan\u00e7a com muita viol\u00eancia. Por isso, \u00e9 importante construirmos ainda mais a solidariedade internacional&#8221;.<\/p>\n<p><em><strong>Da Vila Nazar\u00e9 a Brumadinho, de Mariana a Mo\u00e7ambique<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solidariedade internacional constru\u00edda para visibilizar o caso da Vila Nazar\u00e9, em Porto Alegre, que ser\u00e1 removida por conta das obras de amplia\u00e7\u00e3o do aeroporto, foi lembrada por Eduardo Os\u00f3rio, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Na Alemanha, pa\u00eds sede da empresa que assumiu a administra\u00e7\u00e3o do Salgado Filho, a articula\u00e7\u00e3o com a Amigos da Terra Alemanha <span style=\"color: #3366ff;\"><strong><a style=\"color: #3366ff;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2018\/05\/30\/vila-nazare-ocupa-reuniao-de-acionistas-da-fraport-e-irrita-ceo-da-empresa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">permitiu que uma den\u00fancia fosse lida durante uma reuni\u00e3o para acionistas da Fraport<\/a><\/strong><\/span>. &#8220;Gra\u00e7as \u00e0 parceria com a Amigos da Terra Internacional essa luta est\u00e1 sendo ressonada&#8221;, disse. Parte da comunidade, que corresponde a 15%, ser\u00e1 removida para um condom\u00ednio com 364 apartamentos. Para o restante, o futuro \u00e9 incerto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daiane Machado, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), relatou que\u00a0os rompimentos de barragens ocorridos em Mariana e Brumadinho (MG) foram crimes ambientais, sociais e trabalhistas, j\u00e1 que ficou evidente a escolha da Vale em instalar o refeit\u00f3rio e o alojamento dos funcion\u00e1rios abaixo da barragem, em Brumadinho.\u00a0 Em Mariana, ap\u00f3s tr\u00eas anos, nenhuma casa foi reconstru\u00edda. &#8220;Isso exemplifica a extrema viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e a explora\u00e7\u00e3o dos nossos bens comuns pelo capital&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expuls\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios por empreendimentos da Vale tamb\u00e9m foi ressaltada por \u00c9rika Mendes, da Amigos da Terra Mo\u00e7ambique. A Vale explora carv\u00e3o no pa\u00eds desde 2009. No in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, mais de 1.300 fam\u00edlias foram reassentadas, divididas em duas categorias, rurais e urbanas, segundo crit\u00e9rios que n\u00e3o ficaram claros. As fam\u00edlias perderam infraestrutura e servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. &#8220;Elas nem sabiam que direitos tinham, porque as empresas sempre chegam com algum representante do estado junto, e as pessoas acham que devem sair&#8221;, contou.<\/p>\n<p><em><strong>Tratado Vinculante<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tentar limitar o poder das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, Let\u00edcia Paranhos, da Amigos da Terra Brasil, destacou a a\u00e7\u00e3o de mais de 250 organiza\u00e7\u00f5es que se uniram para a campanha global em defesa da cria\u00e7\u00e3o de um tratado vinculante no \u00e2mbito das Na\u00e7\u00f5es Unidas para responsabilizar as empresas transnacionais que cometam crimes ambientais e sociais e violem direitos humanos. O objetivo \u00e9 construir uma nova legisla\u00e7\u00e3o internacional. &#8220;A luta contra as transnacionais \u00e9 urgente.\u00a0 \u00c9 preciso acabar com a arquitetura da impunidade que existe hoje, para se ter justi\u00e7a ambiental&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A realidade de viola\u00e7\u00f5es de direitos enfrentada por comunidades do mundo todo foi o destaque do evento \u201cDireitos dos Povos e Defesa dos Territ\u00f3rios: Resist\u00eancias no Brasil e no Mundo\u201d, organizado na noite de quinta-feira (16), no Clube de Cultura, em Porto Alegre, pela Amigos da Terra. A atividade aberta tamb\u00e9m integrou o encontro internacional de representantes da organiza\u00e7\u00e3o. Com os territ\u00f3rios impactados por grandes projetos de minera\u00e7\u00e3o e de infraestrutura, a ofensiva pelos bens comuns t\u00eam provocado a perda de direitos das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, que diante do poderio econ\u00f4mico das empresas transnacionais frente ao estado, ficam ainda mais vulner\u00e1veis. Presidente da Amigos da Terra Internacional, a uruguaia Karin Nansen manifestou solidariedade ao povo brasileiro pelos ataques conservadores que v\u00eam retirando direitos no pa\u00eds. O primeiro debate tamb\u00e9m contou com a presen\u00e7a do representante do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (CEDH-RS), J\u00falio Alt, e da advogada Consuelo da Rosa. Consuelo destacou que com a conjuntura atual, a prote\u00e7\u00e3o aos ativistas de direitos humanos ser\u00e1 cada vez mais necess\u00e1ria. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a ter um Programa Defensores e Defensoras de Direitos Humanos por decreto, mas a pol\u00edtica foi encerrada em 2014. Para J\u00falio, o contexto p\u00f3s-golpe acentuou os ataques sobre bens e terras p\u00fablicas: &#8220;Me parece que as terras p\u00fablicas \u00e9 o que est\u00e1 em jogo hoje, vide o sucateamento do Incra e da Funai, para impedir as demarca\u00e7\u00f5es&#8221;. De acordo com Karin, essa \u00e9 uma ofensiva sist\u00eamica que n\u00e3o corresponde somente a um pa\u00eds. &#8220;O capital quando avan\u00e7a sobre os territ\u00f3rios, seja onde for, avan\u00e7a com muita viol\u00eancia. Por isso, \u00e9 importante construirmos ainda mais a solidariedade internacional&#8221;. Da Vila Nazar\u00e9 a Brumadinho, de Mariana a Mo\u00e7ambique A solidariedade internacional constru\u00edda para visibilizar o caso da Vila Nazar\u00e9, em Porto Alegre, que ser\u00e1 removida por conta das obras de amplia\u00e7\u00e3o do aeroporto, foi lembrada por Eduardo Os\u00f3rio, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Na Alemanha, pa\u00eds sede da empresa que assumiu a administra\u00e7\u00e3o do Salgado Filho, a articula\u00e7\u00e3o com a Amigos da Terra Alemanha permitiu que uma den\u00fancia fosse lida durante uma reuni\u00e3o para acionistas da Fraport. &#8220;Gra\u00e7as \u00e0 parceria com a Amigos da Terra Internacional essa luta est\u00e1 sendo ressonada&#8221;, disse. Parte da comunidade, que corresponde a 15%, ser\u00e1 removida para um condom\u00ednio com 364 apartamentos. Para o restante, o futuro \u00e9 incerto. Daiane Machado, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), relatou que\u00a0os rompimentos de barragens ocorridos em Mariana e Brumadinho (MG) foram crimes ambientais, sociais e trabalhistas, j\u00e1 que ficou evidente a escolha da Vale em instalar o refeit\u00f3rio e o alojamento dos funcion\u00e1rios abaixo da barragem, em Brumadinho.\u00a0 Em Mariana, ap\u00f3s tr\u00eas anos, nenhuma casa foi reconstru\u00edda. &#8220;Isso exemplifica a extrema viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e a explora\u00e7\u00e3o dos nossos bens comuns pelo capital&#8221;. A expuls\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios por empreendimentos da Vale tamb\u00e9m foi ressaltada por \u00c9rika Mendes, da Amigos da Terra Mo\u00e7ambique. A Vale explora carv\u00e3o no pa\u00eds desde 2009. No in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, mais de 1.300 fam\u00edlias foram reassentadas, divididas em duas categorias, rurais e urbanas, segundo crit\u00e9rios que n\u00e3o ficaram claros. As fam\u00edlias perderam infraestrutura e servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. &#8220;Elas nem sabiam que direitos tinham, porque as empresas sempre chegam com algum representante do estado junto, e as pessoas acham que devem sair&#8221;, contou. Tratado Vinculante Para tentar limitar o poder das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, Let\u00edcia Paranhos, da Amigos da Terra Brasil, destacou a a\u00e7\u00e3o de mais de 250 organiza\u00e7\u00f5es que se uniram para a campanha global em defesa da cria\u00e7\u00e3o de um tratado vinculante no \u00e2mbito das Na\u00e7\u00f5es Unidas para responsabilizar as empresas transnacionais que cometam crimes ambientais e sociais e violem direitos humanos. 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