{"id":1298,"date":"2019-05-15T13:24:04","date_gmt":"2019-05-15T16:24:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1298"},"modified":"2025-06-17T15:59:58","modified_gmt":"2025-06-17T18:59:58","slug":"se-essas-arvores-geneticamente-modificadas-sao-liberadas-no-meio-ambiente-voce-nao-pode-voltar-atras-afirma-anne-petermann","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1298","title":{"rendered":"&#8220;Se essas \u00e1rvores geneticamente modificadas s\u00e3o liberadas no meio ambiente voc\u00ea n\u00e3o pode voltar atr\u00e1s&#8221;, afirma Anne Petermann"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A Amigos da Terra Brasil entrevistou a coordenadora do programa global Stop Engineered Trees, Anne Petermann. A pesquisadora explica a situa\u00e7\u00e3o atual das pesquisas e introdu\u00e7\u00e3o na natureza de \u00e1rvores geneticamente modificadas, quais os resultados desta a\u00e7\u00e3o e o que pretendem as empresas que lideram este movimento comercial. A entrevista foi realizada a partir do debate &#8220;Amea\u00e7as e Impactos dos Monocultivos de \u00c1rvores e das \u00c1rvores Transg\u00eanicas&#8221;, realizado em parceria com a WRM (World Rainforest Movement) no Clube de Cultura em Porto Alegre no \u00ednicio de abril.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Anne destaca que uma vez liberadas no meio ambiente os reflexos est\u00e3o al\u00e9m do que as pesquisas s\u00e3o capazes de prever: &#8220;por exemplo, as \u00e1rvores que foram modificadas para matar insetos: o pesticida na \u00e1rvore est\u00e1 em cada uma das c\u00e9lulas da \u00e1rvore, ent\u00e3o n\u00e3o apenas na madeira, mas nas folhas, no p\u00f3len, ent\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 os insetos-alvo do pesticida ser\u00e3o mortos, mas tamb\u00e9m s\u00e3o impactados os insetos ben\u00e9ficos, como abelhas e borboletas, outros polinizadores, ou os insetos que comem essas pragas tamb\u00e9m ser\u00e3o afetados, ou os p\u00e1ssaros&#8230; os impactos continuam cadeia alimentar acima e \u00e9 desconhecido qu\u00e3o longe eles v\u00e3o&#8221;.\u00a0 Ela lembra ainda que o prazo de desenvolvimento das \u00e1rvores \u00e9 de anos, diferente de culturas como milho e soja em que o ciclo \u00e9 de meses: &#8220;e<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">las tamb\u00e9m podem ser prejudicadas por isso e essas s\u00e3o todas as coisas que n\u00e3o foram estudadas o suficiente para saber quais ser\u00e3o os impactos de longo, ou mesmo de curto prazo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Acompanhe a \u00edntegra da entrevista:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Amigos da Terra Brasil &#8211; Voc\u00ea pode explicar o que s\u00e3o \u00e1rvores transg\u00eanicas?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Anne Petermann &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o com as \u00e1rvores transg\u00eanicas \u00e9 que elas s\u00e3o diferentes de \u00e1rvores cultiv\u00e1veis &#8220;normais&#8221;. Essas \u00e1rvores foram modificadas em suas c\u00e9lulas, em seu DNA, para fazer coisas que elas nunca fariam na natureza. Elas est\u00e3o sendo modificadas para crescer de maneiras que as \u00e1rvores, na natureza, n\u00e3o podem crescer, para matar insetos, para tolerar serem pulverizadas com qu\u00edmicos que as matariam de outra maneira, para ter a madeira modificada, a madeira produzida pela \u00e1rvore \u00e9 diferente, ou para crescer muito, muito r\u00e1pido. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, \u00e9 isso que as \u00e1rvores transg\u00eanicas s\u00e3o. Porque elas nunca existiram na natureza. Elas t\u00eam impactos que n\u00f3s n\u00e3o podemos sequer entender, j\u00e1 que n\u00f3s n\u00e3o sabemos como essas \u00e1rvores se comportariam em um ecossistema florestal, ou em qualquer ecossistema, com os solos, com a vida selvagem, com os p\u00e1ssaros e tamb\u00e9m com as pessoas que vivem no entorno.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>ATB &#8211; Quais s\u00e3o os impactos ao meio ambiente e \u00e0s comunidades que est\u00e3o ao redor dessas planta\u00e7\u00f5es massivas?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>AP &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">O impacto da \u00e1rvore no meio ambiente depende de como ela foi geneticamente modificada. Ent\u00e3o, uma \u00e1rvore que foi geneticamente modificada para resistir a herbicidas t\u00f3xicos, por exemplo, resultar\u00e1 em muito mais herbicida sendo pulverizado nas planta\u00e7\u00f5es. Isso significa que haver\u00e1 maior polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, maior polui\u00e7\u00e3o dos solos, mais pesticidas contaminando comunidades locais e todos os impactos muito ruins que acontecem por causa dos agrot\u00f3xicos. Ou, por exemplo, as \u00e1rvores que foram modificadas para matar insetos: o pesticida na \u00e1rvore est\u00e1 em cada uma das c\u00e9lulas da \u00e1rvore, ent\u00e3o n\u00e3o apenas na madeira, mas nas folhas, no p\u00f3len, ent\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 os insetos-alvo do pesticida ser\u00e3o mortos, mas tamb\u00e9m s\u00e3o impactados os insetos ben\u00e9ficos, como abelhas e borboletas, outros polinizadores, ou os insetos que comem essas pragas tamb\u00e9m ser\u00e3o afetados, ou os p\u00e1ssaros&#8230; os impactos continuam cadeia alimentar acima e \u00e9 desconhecido qu\u00e3o longe eles v\u00e3o. Mas tamb\u00e9m podem impactar as comunidades que vivem no entorno, quando elas inalam p\u00f3len, este p\u00f3len cont\u00e9m pesticida. Elas tamb\u00e9m podem ser prejudicadas por isso e essas s\u00e3o todas as coisas que n\u00e3o foram estudadas o suficiente para saber quais ser\u00e3o os impactos de longo, ou mesmo de curto prazo. Ent\u00e3o, isso \u00e9 um outro exemplo, eles n\u00e3o querem saber as coisas ruins, logo eles [as empresas] n\u00e3o procuram por isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>ATB &#8211; Depois que essas \u00e1rvores forem liberadas e todos esses impactos negativos se apresentarem, o que pode ser feito?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>AP &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Se essas \u00e1rvores s\u00e3o liberadas no meio ambiente em larga escala, o problema \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o pode voltar atr\u00e1s, voc\u00ea n\u00e3o pode dizer, sabe, &#8220;isso \u00e9 uma m\u00e1 ideia, vamos recolher essas \u00e1rvores de volta&#8221;, porque elas foram liberadas. Ent\u00e3o, se lhes foi permitido estar no meio ambiente, elas podem dispersar seu p\u00f3len, suas sementes, ou, em caso de \u00e1rvores de eucalipto, elas podem brotar de novo dos tocos, se voc\u00ea as cortar, ent\u00e3o elas crescem e n\u00e3o h\u00e1 como voltar atr\u00e1s. Ent\u00e3o \u00e9 por isso que n\u00f3s estamos dizendo que elas devem ser barradas antes de serem postas no meio ambiente, porque se elas forem liberadas em escala comercial, n\u00e3o h\u00e1 meios de impedir que elas se espalhem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>ATB &#8211; Como podemos diferenciar uma \u00e1rvore transg\u00eanica de uma \u00e1rvore natural?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>AP &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">O problema de identificar quando uma \u00e1rvore foi modificada em rela\u00e7\u00e3o a uma \u00e1rvore n\u00e3o modificada \u00e9 que \u00e9 muito dif\u00edcil, porque elas parecem exatamente a mesma \u00e1rvore. Se for uma \u00e1rvore modificada para tolerar herbicidas, voc\u00ea pode diferenci\u00e1-la ao pulveriz\u00e1-la com um qu\u00edmico e ela n\u00e3o morrer. Mas para a maioria das \u00e1rvores a \u00fanica maneira de realmente saber \u00e9 fazendo um teste, um teste gen\u00e9tico, para verificar se ela foi modificada &#8211; e isso n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil. Novamente, esse \u00e9 o motivo para n\u00e3o querermos essas \u00e1rvores liberadas de maneira alguma: porque uma vez que elas est\u00e3o soltas no ambiente, \u00e9 muito dif\u00edcil de descobrir para onde elas foram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>ATB &#8211; Ent\u00e3o, o que significam os termos &#8220;modificada&#8221; e&#8221;transg\u00eanica&#8221;?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>AP &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Basicamente, eles significam a mesma coisa. Bem, tem algumas tecnologias de engenharia gen\u00e9tica que n\u00e3o s\u00e3o transg\u00eanicas, elas s\u00e3o&#8230; \u00e9 a mesma tecnologia, mas em vez de usar material gen\u00e9tico de um organismo diferente, eles usam material gen\u00e9tico da mesma esp\u00e9cie que est\u00e3o modificando. Ent\u00e3o, ainda \u00e9 engenharia gen\u00e9tica, eles ainda est\u00e3o invadindo a c\u00e9lula com essa tecnologia muito destrutiva, mas n\u00e3o \u00e9 transg\u00eanico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>ATB &#8211; Como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sobre as \u00e1rvores gen\u00e9ticas ao redor do mundo?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>AP &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Com respeito \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao redor do mundo sobre \u00e1rvores geneticamente modificadas, existe uma decis\u00e3o tomada em 2008 pela Conve\u00e7\u00e3o de Diversidade Biol\u00f3gica, uma ag\u00eancia da ONU, que \u00e1rvores geneticamente modificadas (GM) n\u00e3o deveriam ser liberadas sem total entendimento sobre seus impactos ambientais, que a precau\u00e7\u00e3o deveria ser considerada. Essa decis\u00e3o nunca foi alterada. Infelizmente, h\u00e1 pa\u00edses, como os Estados Unidos, que nunca assinaram essa conven\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eles n\u00e3o se importam. E h\u00e1 outros pa\u00edses, como o Brasil, que dizem &#8220;ah, n\u00f3s n\u00e3o nos importamos, ent\u00e3o vamos fazer de qualquer jeito&#8221;. Ent\u00e3o, isso \u00e9 um problema. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m organiza\u00e7\u00f5es como o Conselho de Gest\u00e3o Florestal (FSC, em ingl\u00eas) e o Grupo Europeu para Certifica\u00e7\u00e3o de Florestas &#8211; e um outro grupo similar nos Estados Unidos &#8211; que proibem \u00e1rvores geneticamente modificadas e as companhias que as produzem de serem certificadas como sustent\u00e1veis, o que torna dif\u00edcil encontrar mercados para vender essas \u00e1rvores. Essa, ent\u00e3o, \u00e9 outra forma de press\u00e3o contra \u00e1rvores GM e, \u00e9 claro, h\u00e1 pessoas por todo o mundo que n\u00e3o querem essas \u00e1rvores. Enquanto isso, a ind\u00fastria florestal ainda est\u00e1 tentando convencer as pessoas de que essas \u00e1rvores s\u00e3o uma boa ideia, que elas ajudar\u00e3o o meio ambiente, ent\u00e3o a campanha de desinforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 ficando mais forte e o nosso trabalho de educar as pessoas sobre seus perigos tem que se tornar ainda mais forte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>ATB &#8211; Se houver alguma informa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s n\u00e3o abordamos e voc\u00ea acha importante compartilhar&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>AP &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Acho que a \u00fanica coisa que eu poderia acrescentar \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 principalmente com \u00e1rvores de eucalipto, mas em outros pa\u00edses eles est\u00e3o fazendo engenharia gen\u00e9tica com outras \u00e1rvores. Na China, eles liberaram uma \u00e1rvore geneticamente modificada chamada Poplar, outra \u00e1rvore para cultivo industrial; nos Estados Unidos eles tamb\u00e9m modificaram geneticamente pinheiros &#8211; que eu acho que fizeram tamb\u00e9m no Brasil. Mas nos Estados Unidos est\u00e3o modificando tamb\u00e9m uma \u00e1rvore nativa: ela \u00e9 conhecida como Chestnut [tipo de Castanheira], que foi devastada por uma doen\u00e7a, matando quase todas as \u00e1rvores e essa \u00e1rvore seria a primeira \u00e1rvore geneticamente modificada colocado no meio ambiente com a inten\u00e7\u00e3o de se espalhar, ent\u00e3o eles queriam que essa \u00e1rvore fosse colocada na floresta e se disseminasse amplamente. Isso \u00e9 algo sem precedentes, algo muito perigoso, por tudo sobre o que conversamos at\u00e9 agora, mas eles realmente quiseram que isso acontecesse, n\u00e3o \u00e9 que foi um acidente: houve inten\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, eles est\u00e3o se movendo em algumas dire\u00e7\u00f5es com as \u00e1rvores GM para dizer que n\u00f3s podemos us\u00e1-las para restaura\u00e7\u00e3o florestal, para prote\u00e7\u00e3o de florestas, e todas essas mentiras que s\u00e3o realmente importantes para n\u00f3s nos opormos, porque eles s\u00f3 querem dizer que podem salvar o meio ambiente com essas \u00e1rvores para poder justificar o uso de Eucalipto, Pinheiro e Poplar geneticamente modificados em imensas planta\u00e7\u00f5es industriais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Amigos da Terra Brasil realizou uma s\u00e9rie de v\u00eddeos desta entrevista e dos impactos do monocultivo de \u00e1rvores, acompanhe abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DROPS #1 O que s\u00e3o arvores transg\u00eanicas?<br \/>\n<iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4F8M0dzuqrQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DROPS #2 Quais os impactos da planta\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores transg\u00eanicas?<br \/>\n<iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LgmIGazeNNU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DROPS #3 Como identificar \u00e1rvores transg\u00eanicas?<br \/>\n<iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ajjUgKPsUDU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DROPS #4 Qual o contexto global de libera\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores transg\u00eanicas?<br \/>\n<iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tbTwboZcEJw\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Impactos do Monocultivo de \u00c1rvores:<br \/>\n<iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OcDpWmZbIi4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Amigos da Terra Brasil entrevistou a coordenadora do programa global Stop Engineered Trees, Anne Petermann. A pesquisadora explica a situa\u00e7\u00e3o atual das pesquisas e introdu\u00e7\u00e3o na natureza de \u00e1rvores geneticamente modificadas, quais os resultados desta a\u00e7\u00e3o e o que pretendem as empresas que lideram este movimento comercial. A entrevista foi realizada a partir do debate &#8220;Amea\u00e7as e Impactos dos Monocultivos de \u00c1rvores e das \u00c1rvores Transg\u00eanicas&#8221;, realizado em parceria com a WRM (World Rainforest Movement) no Clube de Cultura em Porto Alegre no \u00ednicio de abril. Anne destaca que uma vez liberadas no meio ambiente os reflexos est\u00e3o al\u00e9m do que as pesquisas s\u00e3o capazes de prever: &#8220;por exemplo, as \u00e1rvores que foram modificadas para matar insetos: o pesticida na \u00e1rvore est\u00e1 em cada uma das c\u00e9lulas da \u00e1rvore, ent\u00e3o n\u00e3o apenas na madeira, mas nas folhas, no p\u00f3len, ent\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 os insetos-alvo do pesticida ser\u00e3o mortos, mas tamb\u00e9m s\u00e3o impactados os insetos ben\u00e9ficos, como abelhas e borboletas, outros polinizadores, ou os insetos que comem essas pragas tamb\u00e9m ser\u00e3o afetados, ou os p\u00e1ssaros&#8230; os impactos continuam cadeia alimentar acima e \u00e9 desconhecido qu\u00e3o longe eles v\u00e3o&#8221;.\u00a0 Ela lembra ainda que o prazo de desenvolvimento das \u00e1rvores \u00e9 de anos, diferente de culturas como milho e soja em que o ciclo \u00e9 de meses: &#8220;elas tamb\u00e9m podem ser prejudicadas por isso e essas s\u00e3o todas as coisas que n\u00e3o foram estudadas o suficiente para saber quais ser\u00e3o os impactos de longo, ou mesmo de curto prazo&#8221;. Acompanhe a \u00edntegra da entrevista: Amigos da Terra Brasil &#8211; Voc\u00ea pode explicar o que s\u00e3o \u00e1rvores transg\u00eanicas? Anne Petermann &#8211; A quest\u00e3o com as \u00e1rvores transg\u00eanicas \u00e9 que elas s\u00e3o diferentes de \u00e1rvores cultiv\u00e1veis &#8220;normais&#8221;. Essas \u00e1rvores foram modificadas em suas c\u00e9lulas, em seu DNA, para fazer coisas que elas nunca fariam na natureza. Elas est\u00e3o sendo modificadas para crescer de maneiras que as \u00e1rvores, na natureza, n\u00e3o podem crescer, para matar insetos, para tolerar serem pulverizadas com qu\u00edmicos que as matariam de outra maneira, para ter a madeira modificada, a madeira produzida pela \u00e1rvore \u00e9 diferente, ou para crescer muito, muito r\u00e1pido. Ent\u00e3o, \u00e9 isso que as \u00e1rvores transg\u00eanicas s\u00e3o. Porque elas nunca existiram na natureza. Elas t\u00eam impactos que n\u00f3s n\u00e3o podemos sequer entender, j\u00e1 que n\u00f3s n\u00e3o sabemos como essas \u00e1rvores se comportariam em um ecossistema florestal, ou em qualquer ecossistema, com os solos, com a vida selvagem, com os p\u00e1ssaros e tamb\u00e9m com as pessoas que vivem no entorno. ATB &#8211; Quais s\u00e3o os impactos ao meio ambiente e \u00e0s comunidades que est\u00e3o ao redor dessas planta\u00e7\u00f5es massivas? AP &#8211; O impacto da \u00e1rvore no meio ambiente depende de como ela foi geneticamente modificada. Ent\u00e3o, uma \u00e1rvore que foi geneticamente modificada para resistir a herbicidas t\u00f3xicos, por exemplo, resultar\u00e1 em muito mais herbicida sendo pulverizado nas planta\u00e7\u00f5es. Isso significa que haver\u00e1 maior polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, maior polui\u00e7\u00e3o dos solos, mais pesticidas contaminando comunidades locais e todos os impactos muito ruins que acontecem por causa dos agrot\u00f3xicos. Ou, por exemplo, as \u00e1rvores que foram modificadas para matar insetos: o pesticida na \u00e1rvore est\u00e1 em cada uma das c\u00e9lulas da \u00e1rvore, ent\u00e3o n\u00e3o apenas na madeira, mas nas folhas, no p\u00f3len, ent\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 os insetos-alvo do pesticida ser\u00e3o mortos, mas tamb\u00e9m s\u00e3o impactados os insetos ben\u00e9ficos, como abelhas e borboletas, outros polinizadores, ou os insetos que comem essas pragas tamb\u00e9m ser\u00e3o afetados, ou os p\u00e1ssaros&#8230; os impactos continuam cadeia alimentar acima e \u00e9 desconhecido qu\u00e3o longe eles v\u00e3o. Mas tamb\u00e9m podem impactar as comunidades que vivem no entorno, quando elas inalam p\u00f3len, este p\u00f3len cont\u00e9m pesticida. Elas tamb\u00e9m podem ser prejudicadas por isso e essas s\u00e3o todas as coisas que n\u00e3o foram estudadas o suficiente para saber quais ser\u00e3o os impactos de longo, ou mesmo de curto prazo. Ent\u00e3o, isso \u00e9 um outro exemplo, eles n\u00e3o querem saber as coisas ruins, logo eles [as empresas] n\u00e3o procuram por isso. ATB &#8211; Depois que essas \u00e1rvores forem liberadas e todos esses impactos negativos se apresentarem, o que pode ser feito? AP &#8211; Se essas \u00e1rvores s\u00e3o liberadas no meio ambiente em larga escala, o problema \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o pode voltar atr\u00e1s, voc\u00ea n\u00e3o pode dizer, sabe, &#8220;isso \u00e9 uma m\u00e1 ideia, vamos recolher essas \u00e1rvores de volta&#8221;, porque elas foram liberadas. Ent\u00e3o, se lhes foi permitido estar no meio ambiente, elas podem dispersar seu p\u00f3len, suas sementes, ou, em caso de \u00e1rvores de eucalipto, elas podem brotar de novo dos tocos, se voc\u00ea as cortar, ent\u00e3o elas crescem e n\u00e3o h\u00e1 como voltar atr\u00e1s. Ent\u00e3o \u00e9 por isso que n\u00f3s estamos dizendo que elas devem ser barradas antes de serem postas no meio ambiente, porque se elas forem liberadas em escala comercial, n\u00e3o h\u00e1 meios de impedir que elas se espalhem. ATB &#8211; Como podemos diferenciar uma \u00e1rvore transg\u00eanica de uma \u00e1rvore natural? AP &#8211; O problema de identificar quando uma \u00e1rvore foi modificada em rela\u00e7\u00e3o a uma \u00e1rvore n\u00e3o modificada \u00e9 que \u00e9 muito dif\u00edcil, porque elas parecem exatamente a mesma \u00e1rvore. Se for uma \u00e1rvore modificada para tolerar herbicidas, voc\u00ea pode diferenci\u00e1-la ao pulveriz\u00e1-la com um qu\u00edmico e ela n\u00e3o morrer. Mas para a maioria das \u00e1rvores a \u00fanica maneira de realmente saber \u00e9 fazendo um teste, um teste gen\u00e9tico, para verificar se ela foi modificada &#8211; e isso n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil. Novamente, esse \u00e9 o motivo para n\u00e3o querermos essas \u00e1rvores liberadas de maneira alguma: porque uma vez que elas est\u00e3o soltas no ambiente, \u00e9 muito dif\u00edcil de descobrir para onde elas foram. ATB &#8211; Ent\u00e3o, o que significam os termos &#8220;modificada&#8221; e&#8221;transg\u00eanica&#8221;? AP &#8211; Basicamente, eles significam a mesma coisa. Bem, tem algumas tecnologias de engenharia gen\u00e9tica que n\u00e3o s\u00e3o transg\u00eanicas, elas s\u00e3o&#8230; \u00e9 a mesma tecnologia, mas em vez de usar material gen\u00e9tico de um organismo diferente, eles usam material gen\u00e9tico da mesma esp\u00e9cie que est\u00e3o modificando. Ent\u00e3o, ainda \u00e9 engenharia gen\u00e9tica, eles ainda est\u00e3o invadindo a c\u00e9lula com essa tecnologia muito destrutiva, mas n\u00e3o \u00e9 transg\u00eanico. ATB &#8211; Como est\u00e1 a<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1302,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,1835],"tags":[],"class_list":["post-1298","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-florestas-e-biodiversidade","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9914,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1298\/revisions\/9914"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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