{"id":1256,"date":"2019-03-06T17:34:26","date_gmt":"2019-03-06T20:34:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1256"},"modified":"2025-06-17T16:01:25","modified_gmt":"2025-06-17T19:01:25","slug":"ha-tres-anos-do-assassinato-de-berta-caceres-sua-luta-se-multiplica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1256","title":{"rendered":"3 anos do assassinato de Berta C\u00e1ceres: a sua luta se multiplicou"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Da <a href=\"https:\/\/rmr.fm\/entrevistas\/berta-le-puso-el-cuerpo-a-cada-una-de-las-palabras-que-pronuncio\/?fbclid=IwAR3fKH37uB2nVqvM5edm4ZaQuf2H_wiFryUETPzu-6iNcNvgZzcRNzgMZy0\">RMR<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 2 de mar\u00e7o completaram tr\u00eas anos do assassinato da hondurenha Berta C\u00e1ceres. Um feminic\u00eddio pol\u00edtico que tentou silenciar as lutas que esta defensora dos direitos dos povos encabe\u00e7ava junto aos povos origin\u00e1rios Lenca e ao Conselho de Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas e Populares de Honduras (COPINH). Com este crime quiseram impedir a luta contra a instala\u00e7\u00e3o de projetos extrativistas, como a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Agua Zarca. Tentaram frear a organiza\u00e7\u00e3o coletiva deste pa\u00eds centro-americano, mas n\u00e3o conseguiram: <strong>Berta se multiplicou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educadora popular argentina Claudia Korol apresenta em seu livro &#8220;As revolu\u00e7\u00f5es de Berta&#8221; [em livre tradu\u00e7\u00e3o] reflex\u00f5es, a partir de conversas entre ela e Berta, sobre a realidade latino-americana sobre o golpe de Estado de Honduras, o governo de Manuel Zelaya &#8211; deposto em 2009 -, a reconstru\u00e7\u00e3o da Frente Nacional de Resist\u00eancia Popular, a busca feminista para resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, a comunica\u00e7\u00e3o popular como parte da luta pol\u00edtica, entre outros assuntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00ea-lo \u00e9 ouvir a defensora dos direitos humanos, das mulheres, dos povos, dos territ\u00f3rios e dos rios em primeira m\u00e3o, sem intermedi\u00e1rios. Na sequ\u00eancia, alguns trechos da entrevista realizada com Claudia Korol pela Radio Mundo Real do Uruguai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RMR &#8211;<\/strong> Antes se podia conhecer sua imagem em distintos \u00e2mbitos quando viva, com o seu assassinato sua figura se multiplicou. Tamb\u00e9m muito presa a sua luta ambiental, este livro tr\u00e1s outras dimens\u00f5es que ela conjugava todo o tempo em sua luta.<br \/>\n<strong>Claudia &#8211;<\/strong> Sim, ela era uma mulher revolucion\u00e1ria que queria transformar profundamente, n\u00e3o apenas seu pa\u00eds, a Am\u00e9rica Central, ou nosso continente, mas o que buscava era revolucionar o mundo. Ainda que isso pare\u00e7a demais, era tamb\u00e9m uma realidade que estamos agora vivendo muito dolorosamente: n\u00e3o compreender que quando n\u00e3o aceitam em profundidade os processos pol\u00edticos populares, a possibilidade que se volte para tr\u00e1s, que se reverta e que se desalojem os povos de seus espa\u00e7os \u00e9 muito grande. Berta alertou muit\u00edssimo sobre isso, creio que quem tenha acesso ao livro ver\u00e1 as interven\u00e7\u00f5es de Berta quando se deu o debate do marco da Frente Nacional de Resist\u00eancia Popular de Honduras sobre as possibilidades existentes nesta democracia t\u00e3o restringida e fraudulenta de se conseguir uma mudan\u00e7a, como a que havia se sonhado em uma refunda\u00e7\u00e3o de Honduras, a refunda\u00e7\u00e3o de um outro pa\u00eds. \u00c9 triste pensar que muito do que estamos vendo hoje d\u00e1 raz\u00e3o a uma voz que n\u00e3o foi suficientemente ouvida em seu tempo. Nem ao menos quando falava em golpe de Estado, nem ao menos quando dizia que a volta de Honduras a OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos) acordado por v\u00e1rios dos governos chamados progressistas iria complicar a luta do povo hondurenho. Para mim, \u00e9 importante dizer que o que fica deste pensamento n\u00e3o \u00e9 para dizer: &#8220;Berta tinha raz\u00e3o&#8221;. Mas, bem, Berta observou a realidade em profundidade, com a capacidade que possu\u00eda. Essa situa\u00e7\u00e3o nos advertiu sobre muitos riscos. Agora \u00e9 hora de estudar seu pensamento, em que se fundava. De sair destas l\u00f3gicas politiqueiras. \u00c0s vezes, tamb\u00e9m as chamamos eleitoreiras, que significa o mesmo que dizer que \u00e9 mais que s\u00f3 ganhar ou perder um voto e poder pensar realmente como fazemos para realizar transforma\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias verdadeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RMR &#8211;<\/strong> Quando lhe fizemos este convite em Honduras, quase de realismo m\u00e1gico como voc\u00ea disse. &#8220;Vem a esperan\u00e7a, venha a utopia&#8221;. O que voc\u00ea viu a\u00ed quando visitou?<br \/>\n<strong>Claudia &#8211;<\/strong> Isto foi em mar\u00e7o de 2010, fazia alguns meses depois do golpe de Estado quando j\u00e1 se organizaram o segundo encontro pela refunda\u00e7\u00e3o de Honduras. E precisamente o que vi foi um povo deliberando em meio ao golpe, n\u00e3o sobre como resistir somente, nem principalmente, se haveria resist\u00eancia, se se colocaria em jogo a vida de companheiros e companheiras. Se havia de dizer: por qu\u00ea? Por qual sonho se estava caminhando, por qual sonho se estava colocando o corpo. Por que tipo de pa\u00eds, por que tipo de mundo, por que tipo de revolu\u00e7\u00e3o se queria lutar. N\u00e3o falando em geral de revolu\u00e7\u00e3o, assim como um conceito propagand\u00edstico. E sim dizer: bom, o que queremos que aconte\u00e7a com os bens comuns, com a \u00e1gua, com a terra, com as sementes? Com as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, com as pluralidades sexuais, com as for\u00e7as armadas, com as for\u00e7as repressivas do Estado? Poder olhar o conjunto das rela\u00e7\u00f5es sociais como se constr\u00f3i a governabilidade a partir da opress\u00e3o. Que \u00e9 o que est\u00e1vamos propondo como organiza\u00e7\u00f5es populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo a \u00edntegra da entrevista em espanhol:<\/p>\n\n\t<div class=\"wp-playlist wp-audio-playlist wp-playlist-light\">\n\t\t\t<div class=\"wp-playlist-current-item\"><\/div>\n\t\t<audio controls=\"controls\" preload=\"none\" width=\"778\"\n\t\t\t><\/audio>\n\t<div class=\"wp-playlist-next\"><\/div>\n\t<div class=\"wp-playlist-prev\"><\/div>\n\t<noscript>\n\t<ol>\n\t\t<li><a href='https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Entrevista-Claudia-Korol-por-Radio-Mundo-Real.mp3'>Entrevista Claudia Korol por Radio Mundo Real<\/a><\/li>\t<\/ol>\n\t<\/noscript>\n\t<script type=\"application\/json\" class=\"wp-playlist-script\">{\"type\":\"audio\",\"tracklist\":true,\"tracknumbers\":true,\"images\":true,\"artists\":true,\"tracks\":[{\"src\":\"https:\\\/\\\/amigasdaterrabrasil.org.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/02\\\/Entrevista-Claudia-Korol-por-Radio-Mundo-Real.mp3\",\"type\":\"audio\\\/mpeg\",\"title\":\"Entrevista Claudia Korol por Radio Mundo Real\",\"caption\":\"\",\"description\":\"\\\"Entrevista Claudia Korol por Radio Mundo Real em espanhol\\\". Lan\\u00e7ado: 2017.\",\"meta\":{\"year\":\"2017\",\"length_formatted\":\"15:11\"},\"image\":{\"src\":\"https:\\\/\\\/amigasdaterrabrasil.org.br\\\/wp-includes\\\/images\\\/media\\\/audio.svg\",\"width\":48,\"height\":64},\"thumb\":{\"src\":\"https:\\\/\\\/amigasdaterrabrasil.org.br\\\/wp-includes\\\/images\\\/media\\\/audio.svg\",\"width\":48,\"height\":64}}]}<\/script>\n<\/div>\n\t\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da RMR No dia 2 de mar\u00e7o completaram tr\u00eas anos do assassinato da hondurenha Berta C\u00e1ceres. Um feminic\u00eddio pol\u00edtico que tentou silenciar as lutas que esta defensora dos direitos dos povos encabe\u00e7ava junto aos povos origin\u00e1rios Lenca e ao Conselho de Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas e Populares de Honduras (COPINH). Com este crime quiseram impedir a luta contra a instala\u00e7\u00e3o de projetos extrativistas, como a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Agua Zarca. Tentaram frear a organiza\u00e7\u00e3o coletiva deste pa\u00eds centro-americano, mas n\u00e3o conseguiram: Berta se multiplicou. A educadora popular argentina Claudia Korol apresenta em seu livro &#8220;As revolu\u00e7\u00f5es de Berta&#8221; [em livre tradu\u00e7\u00e3o] reflex\u00f5es, a partir de conversas entre ela e Berta, sobre a realidade latino-americana sobre o golpe de Estado de Honduras, o governo de Manuel Zelaya &#8211; deposto em 2009 -, a reconstru\u00e7\u00e3o da Frente Nacional de Resist\u00eancia Popular, a busca feminista para resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, a comunica\u00e7\u00e3o popular como parte da luta pol\u00edtica, entre outros assuntos. L\u00ea-lo \u00e9 ouvir a defensora dos direitos humanos, das mulheres, dos povos, dos territ\u00f3rios e dos rios em primeira m\u00e3o, sem intermedi\u00e1rios. Na sequ\u00eancia, alguns trechos da entrevista realizada com Claudia Korol pela Radio Mundo Real do Uruguai. RMR &#8211; Antes se podia conhecer sua imagem em distintos \u00e2mbitos quando viva, com o seu assassinato sua figura se multiplicou. Tamb\u00e9m muito presa a sua luta ambiental, este livro tr\u00e1s outras dimens\u00f5es que ela conjugava todo o tempo em sua luta. Claudia &#8211; Sim, ela era uma mulher revolucion\u00e1ria que queria transformar profundamente, n\u00e3o apenas seu pa\u00eds, a Am\u00e9rica Central, ou nosso continente, mas o que buscava era revolucionar o mundo. Ainda que isso pare\u00e7a demais, era tamb\u00e9m uma realidade que estamos agora vivendo muito dolorosamente: n\u00e3o compreender que quando n\u00e3o aceitam em profundidade os processos pol\u00edticos populares, a possibilidade que se volte para tr\u00e1s, que se reverta e que se desalojem os povos de seus espa\u00e7os \u00e9 muito grande. Berta alertou muit\u00edssimo sobre isso, creio que quem tenha acesso ao livro ver\u00e1 as interven\u00e7\u00f5es de Berta quando se deu o debate do marco da Frente Nacional de Resist\u00eancia Popular de Honduras sobre as possibilidades existentes nesta democracia t\u00e3o restringida e fraudulenta de se conseguir uma mudan\u00e7a, como a que havia se sonhado em uma refunda\u00e7\u00e3o de Honduras, a refunda\u00e7\u00e3o de um outro pa\u00eds. \u00c9 triste pensar que muito do que estamos vendo hoje d\u00e1 raz\u00e3o a uma voz que n\u00e3o foi suficientemente ouvida em seu tempo. Nem ao menos quando falava em golpe de Estado, nem ao menos quando dizia que a volta de Honduras a OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos) acordado por v\u00e1rios dos governos chamados progressistas iria complicar a luta do povo hondurenho. Para mim, \u00e9 importante dizer que o que fica deste pensamento n\u00e3o \u00e9 para dizer: &#8220;Berta tinha raz\u00e3o&#8221;. Mas, bem, Berta observou a realidade em profundidade, com a capacidade que possu\u00eda. Essa situa\u00e7\u00e3o nos advertiu sobre muitos riscos. Agora \u00e9 hora de estudar seu pensamento, em que se fundava. De sair destas l\u00f3gicas politiqueiras. \u00c0s vezes, tamb\u00e9m as chamamos eleitoreiras, que significa o mesmo que dizer que \u00e9 mais que s\u00f3 ganhar ou perder um voto e poder pensar realmente como fazemos para realizar transforma\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias verdadeiras. RMR &#8211; Quando lhe fizemos este convite em Honduras, quase de realismo m\u00e1gico como voc\u00ea disse. &#8220;Vem a esperan\u00e7a, venha a utopia&#8221;. O que voc\u00ea viu a\u00ed quando visitou? Claudia &#8211; Isto foi em mar\u00e7o de 2010, fazia alguns meses depois do golpe de Estado quando j\u00e1 se organizaram o segundo encontro pela refunda\u00e7\u00e3o de Honduras. E precisamente o que vi foi um povo deliberando em meio ao golpe, n\u00e3o sobre como resistir somente, nem principalmente, se haveria resist\u00eancia, se se colocaria em jogo a vida de companheiros e companheiras. Se havia de dizer: por qu\u00ea? Por qual sonho se estava caminhando, por qual sonho se estava colocando o corpo. Por que tipo de pa\u00eds, por que tipo de mundo, por que tipo de revolu\u00e7\u00e3o se queria lutar. N\u00e3o falando em geral de revolu\u00e7\u00e3o, assim como um conceito propagand\u00edstico. E sim dizer: bom, o que queremos que aconte\u00e7a com os bens comuns, com a \u00e1gua, com a terra, com as sementes? Com as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, com as pluralidades sexuais, com as for\u00e7as armadas, com as for\u00e7as repressivas do Estado? Poder olhar o conjunto das rela\u00e7\u00f5es sociais como se constr\u00f3i a governabilidade a partir da opress\u00e3o. Que \u00e9 o que est\u00e1vamos propondo como organiza\u00e7\u00f5es populares. 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