{"id":11496,"date":"2026-09-30T22:57:48","date_gmt":"2026-10-01T01:57:48","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11496"},"modified":"2026-10-01T23:02:58","modified_gmt":"2026-10-02T02:02:58","slug":"o-que-esta-em-jogo-nas-eleicoes-clima-territorio-soberania-e-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11496","title":{"rendered":"O que est\u00e1 em jogo nas elei\u00e7\u00f5es: clima, territ\u00f3rio, soberania e democracia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Amigas da Terra Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a atual conjuntura eleitoral, entendemos que nos cabe, enquanto Amigas da Terra Brasil, situar a elei\u00e7\u00e3o do ponto de vista da justi\u00e7a ambiental e no que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o ambiental e clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2026 acontecem em um momento decisivo para o futuro socioambiental do Brasil. N\u00e3o est\u00e1 em disputa apenas quem ocupar\u00e1 a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, mas o modelo de desenvolvimento do pa\u00eds, a forma de enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica, quem controlar\u00e1 nossos territ\u00f3rios e recursos naturais e se a riqueza brasileira ser\u00e1 utilizada para ampliar direitos e soberania ou para aprofundar nossa condi\u00e7\u00e3o de exportadores de mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A principal batalha clim\u00e1tica brasileira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil responde por cerca de 3% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa. Mas nossa estrutura de emiss\u00f5es \u00e9 diferente daquela dos pa\u00edses industrializados: aproximadamente 48% est\u00e3o relacionadas \u00e0 mudan\u00e7a do uso da terra e ao desmatamento, enquanto a agropecu\u00e1ria responde por cerca de 27%. Considerados conjuntamente, <strong>o agroneg\u00f3cio \u00e9 respons\u00e1vel por aproximadamente tr\u00eas quartos das emiss\u00f5es brasileiras<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal batalha clim\u00e1tica brasileira, portanto, \u00e9 combater o desmatamento, proteger os biomas e transformar o modelo do agroneg\u00f3cio que continua degradando e envenenando nossos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido a diferen\u00e7a entre os governos Bolsonaro e Lula \u00e9 concreta. <strong>Durante o governo Jair Bolsonaro, o desmatamento da Amaz\u00f4nia aumentou significativamente<\/strong>, chegando a 13.038 km\u00b2 em 2021 e 11.568 km\u00b2 em 2022. Houve desestrutura\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental. A declara\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o ministro Ricardo Salles sobre aproveitar a pandemia para \u201c<strong>passar a boiada<\/strong>\u201d tornou-se s\u00edmbolo dessa orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A partir de 2023, o governo Lula retomou o PPCDAm e recomp\u00f4s estruturas de fiscaliza\u00e7\u00e3o. O desmatamento da Amaz\u00f4nia diminuiu 21,8% em 2023, 43,8% em 2024 e 50% em 2025, em compara\u00e7\u00e3o com os anos anteriores. Em 2024, as emiss\u00f5es brasileiras associadas \u00e0 mudan\u00e7a de uso da terra ca\u00edram 32,5%, segundo o SEEG.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esses resultados n\u00e3o significam que o problema esteja resolvido. O Brasil continua destruindo seus biomas, expandindo fronteiras agropecu\u00e1rias e minerais e mantendo uma pol\u00edtica de expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s. A diferen\u00e7a est\u00e1 na capacidade e na disposi\u00e7\u00e3o do Estado de enfrentar o desmatamento e regular interesses econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A emerg\u00eancia clim\u00e1tica j\u00e1 est\u00e1 acontecendo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica clim\u00e1tica tamb\u00e9m precisa enfrentar a adapta\u00e7\u00e3o. Secas, enchentes, tempestades, ciclones e inc\u00eandios extremos j\u00e1 provocam perdas humanas, econ\u00f4micas e territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul atingiram cerca de <strong>2,4 milh\u00f5es de pessoas em 478 munic\u00edpios e provocaram 183 mortes<\/strong>. O Gua\u00edba chegou a 5,37 metros em Porto Alegre. Estudos apontam que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica tornou o evento aproximadamente duas vezes mais prov\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta do governo Lula incluiu assist\u00eancia de emerg\u00eancia, reconstru\u00e7\u00e3o e, principalmente, investimento em adapta\u00e7\u00e3o. <strong>O governo federal destinou cerca de R$ 6,5 bilh\u00f5es a um fundo espec\u00edfico para reconstru\u00e7\u00e3o e infraestrutura de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul.<\/strong> O atual Plano Clima inclui uma Estrat\u00e9gia Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o e 16 planos setoriais e tem\u00e1ticos de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Minerais estrat\u00e9gicos e soberania<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A dita transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica o pano de fundo de uma disputa pelo controle dos minerais estrat\u00e9gicos. L\u00edtio, terras raras, n\u00edquel, grafite, cobre e outros recursos s\u00e3o fundamentais para tecnologias de eletrifica\u00e7\u00e3o, armazenamento, ind\u00fastria e principalmente para as guerras.<\/p>\n\n\n\n<p>O risco \u00e9 repetir a velha l\u00f3gica colonial: <strong>o Brasil fornece min\u00e9rio barato e importa produtos de alta tecnologia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo Lula vem defendendo maior beneficiamento, processamento, industrializa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento tecnol\u00f3gico no pa\u00eds. Fl\u00e1vio Bolsonaro, por outro lado, tem apresentado o <strong>Brasil como quintal dos Estados Unidos,<\/strong> garantindo os minerais cr\u00edticos de seu interesse para reduzirem sua depend\u00eancia da China.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, soberania mineral n\u00e3o significa simplesmente aumentar a minera\u00e7\u00e3o. Significa decidir democraticamente <strong>o que extrair, onde, quanto, para quem e para qu\u00ea<\/strong>, garantindo direitos territoriais e agrega\u00e7\u00e3o de valor no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tamb\u00e9m precisamos disputar o Congresso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma pol\u00edtica socioambiental ser\u00e1 implementada apenas pela Presid\u00eancia. O Congresso pode fortalecer ou desmontar a legisla\u00e7\u00e3o ambiental, garantir ou retirar recursos de fiscaliza\u00e7\u00e3o e ampliar ou restringir direitos territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, n\u00e3o basta escolher quem ocupar\u00e1 o Pal\u00e1cio do Planalto. <strong>Temos que cambiar este Congresso inimigo do povo!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a Amigas da Terra Brasil, alguns princ\u00edpios n\u00e3o podem ser negociados: defesa da democracia; justi\u00e7a ambiental e clim\u00e1tica; prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios; direitos dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais; soberania sobre nossos bens comuns; transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, popular e feminista; democratiza\u00e7\u00e3o da energia; diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica; reformas agr\u00e1ria e urbana, e enfrentamento das estruturas que transformam territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es em zonas de sacrif\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>E, em \u00faltima an\u00e1lise, trata-se tamb\u00e9m de <strong>uma luta pela pr\u00f3pria democracia<\/strong>: se o futuro do Brasil ser\u00e1 moldado por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e pelo controle democr\u00e1tico sobre seu territ\u00f3rio e seus bens comuns, ou cada vez mais pelo poder econ\u00f4mico concentrado, por interesses geopol\u00edticos estrangeiros imperialistas, pelo militarismo, por mil\u00edcias e pelo extremismo religioso.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/Dd94GB2xN43\/\">Confira tamb\u00e9m em nossas redes sociais, curta e compartilhe!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.instagram.com\/p\/Dd94GB2xN43\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amigas da Terra Brasil Considerando a atual conjuntura eleitoral, entendemos que nos cabe, enquanto Amigas da Terra Brasil, situar a elei\u00e7\u00e3o do ponto de vista da justi\u00e7a ambiental e no que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o ambiental e clim\u00e1tica. 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Considerados conjuntamente, o agroneg\u00f3cio \u00e9 respons\u00e1vel por aproximadamente tr\u00eas quartos das emiss\u00f5es brasileiras. A principal batalha clim\u00e1tica brasileira, portanto, \u00e9 combater o desmatamento, proteger os biomas e transformar o modelo do agroneg\u00f3cio que continua degradando e envenenando nossos territ\u00f3rios. Neste sentido a diferen\u00e7a entre os governos Bolsonaro e Lula \u00e9 concreta. Durante o governo Jair Bolsonaro, o desmatamento da Amaz\u00f4nia aumentou significativamente, chegando a 13.038 km\u00b2 em 2021 e 11.568 km\u00b2 em 2022. Houve desestrutura\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental. A declara\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o ministro Ricardo Salles sobre aproveitar a pandemia para \u201cpassar a boiada\u201d tornou-se s\u00edmbolo dessa orienta\u00e7\u00e3o. A partir de 2023, o governo Lula retomou o PPCDAm e recomp\u00f4s estruturas de fiscaliza\u00e7\u00e3o. O desmatamento da Amaz\u00f4nia diminuiu 21,8% em 2023, 43,8% em 2024 e 50% em 2025, em compara\u00e7\u00e3o com os anos anteriores. Em 2024, as emiss\u00f5es brasileiras associadas \u00e0 mudan\u00e7a de uso da terra ca\u00edram 32,5%, segundo o SEEG. Esses resultados n\u00e3o significam que o problema esteja resolvido. O Brasil continua destruindo seus biomas, expandindo fronteiras agropecu\u00e1rias e minerais e mantendo uma pol\u00edtica de expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s. A diferen\u00e7a est\u00e1 na capacidade e na disposi\u00e7\u00e3o do Estado de enfrentar o desmatamento e regular interesses econ\u00f4micos. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica j\u00e1 est\u00e1 acontecendo A pol\u00edtica clim\u00e1tica tamb\u00e9m precisa enfrentar a adapta\u00e7\u00e3o. Secas, enchentes, tempestades, ciclones e inc\u00eandios extremos j\u00e1 provocam perdas humanas, econ\u00f4micas e territoriais. As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul atingiram cerca de 2,4 milh\u00f5es de pessoas em 478 munic\u00edpios e provocaram 183 mortes. O Gua\u00edba chegou a 5,37 metros em Porto Alegre. Estudos apontam que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica tornou o evento aproximadamente duas vezes mais prov\u00e1vel. A resposta do governo Lula incluiu assist\u00eancia de emerg\u00eancia, reconstru\u00e7\u00e3o e, principalmente, investimento em adapta\u00e7\u00e3o. O governo federal destinou cerca de R$ 6,5 bilh\u00f5es a um fundo espec\u00edfico para reconstru\u00e7\u00e3o e infraestrutura de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul. O atual Plano Clima inclui uma Estrat\u00e9gia Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o e 16 planos setoriais e tem\u00e1ticos de adapta\u00e7\u00e3o. Minerais estrat\u00e9gicos e soberania A dita transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica o pano de fundo de uma disputa pelo controle dos minerais estrat\u00e9gicos. 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Tamb\u00e9m precisamos disputar o Congresso Nenhuma pol\u00edtica socioambiental ser\u00e1 implementada apenas pela Presid\u00eancia. O Congresso pode fortalecer ou desmontar a legisla\u00e7\u00e3o ambiental, garantir ou retirar recursos de fiscaliza\u00e7\u00e3o e ampliar ou restringir direitos territoriais. Por isso, n\u00e3o basta escolher quem ocupar\u00e1 o Pal\u00e1cio do Planalto. Temos que cambiar este Congresso inimigo do povo! Para a Amigas da Terra Brasil, alguns princ\u00edpios n\u00e3o podem ser negociados: defesa da democracia; justi\u00e7a ambiental e clim\u00e1tica; prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios; direitos dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais; soberania sobre nossos bens comuns; transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, popular e feminista; democratiza\u00e7\u00e3o da energia; diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica; reformas agr\u00e1ria e urbana, e enfrentamento das estruturas que transformam territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es em zonas de sacrif\u00edcio. 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