{"id":11479,"date":"2026-09-18T18:22:07","date_gmt":"2026-09-18T21:22:07","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11479"},"modified":"2026-09-18T18:22:08","modified_gmt":"2026-09-18T21:22:08","slug":"manifesto-politico-cidades-verdes-periferias-vivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11479","title":{"rendered":"MANIFESTO POL\u00cdTICO: CIDADES VERDES, PERIFERIAS VIVAS!"},"content":{"rendered":"\n<p>Pelo direito \u00e0 terra, \u00e0 agroecologia e \u00e0 justi\u00e7a clim\u00e1tica a partir das periferias e territ\u00f3rios populares<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, trabalhadoras do campo e da cidade, reunidas em jornada de lutas neste <strong>21 de setembro<\/strong>, <strong>Dia da \u00c1rvore<\/strong>, erguemos nossas vozes e nossas ferramentas para afirmar: <strong>a cidade \u00e9 para morar, plantar e viver, n\u00e3o para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Celebrando a mem\u00f3ria hist\u00f3rica dos 25 anos do Estatuto da Cidade, denunciamos que o modelo colonial, racista e patriarcal que rege o desenvolvimento das nossas cidades \u00e9 uma engrenagem violenta de produ\u00e7\u00e3o de desigualdades. O <strong>racismo ambiental<\/strong> n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o. Ele se materializa no asfalto quente das periferias desprovidas de cobertura verde, no sumi\u00e7o dos rios urbanos e no deslocamento sistem\u00e1tico do povo negro e perif\u00e9rico, empurrado de &#8220;nova periferia&#8221; em &#8220;nova periferia&#8221; pelas for\u00e7as da especula\u00e7\u00e3o e pelo descaso do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diante do calor extremo e das enchentes que assolam nossos territ\u00f3rios, o negacionismo clim\u00e1tico se revela como o que de fato \u00e9: uma f\u00e1brica de sem-tetos e de exclus\u00e3o<\/strong>. No entanto, n\u00e3o esperamos passivamente pelas respostas de cima. A resist\u00eancia popular historicamente constru\u00edda nos territ\u00f3rios nos ensina que <strong>a resposta \u00e0 crise global se d\u00e1 pela organiza\u00e7\u00e3o coletiva nos territ\u00f3rios.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aprendemos com a agricultura camponesa e com os povos tradicionais que <strong>a agroecologia \u00e9 o caminho real para a resili\u00eancia clim\u00e1tica.<\/strong> Diante das trag\u00e9dias clim\u00e1ticas, como as enchentes, os s<strong>olos manejados sob a l\u00f3gica agroecol\u00f3gica demonstraram uma capacidade de recupera\u00e7\u00e3o imensamente superior<\/strong>. Queremos transpor essa sabedoria para as nossas cidades, construindo uma verdadeira Periferia Esponja a partir do plantio coletivo, do aumento da permeabilidade do solo e da reconstru\u00e7\u00e3o dos nossos microecossistemas urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa luta urbana caminha lado a lado com a luta camponesa. Atrav\u00e9s do Plano Nacional Plantar \u00c1rvores, Produzir Alimentos Saud\u00e1veis, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) j\u00e1 provou a viabilidade da massifica\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, tendo plantado mais de 45 milh\u00f5es de \u00e1rvores em todo o pa\u00eds. Este plano desfaz a falsa separa\u00e7\u00e3o entre produzir alimentos e proteger os bens comuns da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, unimo-nos na Miss\u00e3o Josu\u00e9 de Castro, articulando movimentos populares do campo e da periferia urbana (como o MTST, a CMP, o MPA e a ASA), para construir uma for\u00e7a social robusta pelo abastecimento popular de alimentos saud\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Afirmamos que <strong>a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e a justi\u00e7a clim\u00e1tica s\u00f3 ser\u00e3o reais se passarem pelo direito \u00e0 moradia digna, pela reforma agr\u00e1ria popular, pela demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas, e pela garantia de comida de verdade na mesa das massas populares urbanas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rejeitamos frontalmente as falsas solu\u00e7\u00f5es do capitalismo verde<\/strong>. N\u00e3o aceitamos que a prote\u00e7\u00e3o da nossa biodiversidade e as metas de descarboniza\u00e7\u00e3o sejam transformadas em balc\u00f5es de neg\u00f3cios para o mercado de carbono, privatizando os bens comuns e perpetuando a explora\u00e7\u00e3o dos nossos territ\u00f3rios. Denunciamos instrumentos como o mercado regulado de carbono que protegem os interesses do agroneg\u00f3cio poluente e excluem a participa\u00e7\u00e3o real dos trabalhadores e comunidades tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A nossa jornada de 21 de setembro \u00e9 um fruto vivo das mobiliza\u00e7\u00f5es populares da COP 30 de Bel\u00e9m. Exigimos uma transi\u00e7\u00e3o justa, que coloque a soberania alimentar, a soberania energ\u00e9tica e o trabalho decente no centro do debate sobre o futuro do planeta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3os \u00e0 terra, mudas no solo! Eles cortam, n\u00f3s plantamos. Pela soberania dos nossos territ\u00f3rios, campo e cidade unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CIDADES VERDES, PERIFERIAS VIVAS! VIVA A AGROECOLOGIA POPULAR!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo direito \u00e0 terra, \u00e0 agroecologia e \u00e0 justi\u00e7a clim\u00e1tica a partir das periferias e territ\u00f3rios populares N\u00f3s, trabalhadoras do campo e da cidade, reunidas em jornada de lutas neste 21 de setembro, Dia da \u00c1rvore, erguemos nossas vozes e nossas ferramentas para afirmar: a cidade \u00e9 para morar, plantar e viver, n\u00e3o para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria! Celebrando a mem\u00f3ria hist\u00f3rica dos 25 anos do Estatuto da Cidade, denunciamos que o modelo colonial, racista e patriarcal que rege o desenvolvimento das nossas cidades \u00e9 uma engrenagem violenta de produ\u00e7\u00e3o de desigualdades. O racismo ambiental n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o. Ele se materializa no asfalto quente das periferias desprovidas de cobertura verde, no sumi\u00e7o dos rios urbanos e no deslocamento sistem\u00e1tico do povo negro e perif\u00e9rico, empurrado de &#8220;nova periferia&#8221; em &#8220;nova periferia&#8221; pelas for\u00e7as da especula\u00e7\u00e3o e pelo descaso do Estado. Diante do calor extremo e das enchentes que assolam nossos territ\u00f3rios, o negacionismo clim\u00e1tico se revela como o que de fato \u00e9: uma f\u00e1brica de sem-tetos e de exclus\u00e3o. No entanto, n\u00e3o esperamos passivamente pelas respostas de cima. A resist\u00eancia popular historicamente constru\u00edda nos territ\u00f3rios nos ensina que a resposta \u00e0 crise global se d\u00e1 pela organiza\u00e7\u00e3o coletiva nos territ\u00f3rios. Aprendemos com a agricultura camponesa e com os povos tradicionais que a agroecologia \u00e9 o caminho real para a resili\u00eancia clim\u00e1tica. Diante das trag\u00e9dias clim\u00e1ticas, como as enchentes, os solos manejados sob a l\u00f3gica agroecol\u00f3gica demonstraram uma capacidade de recupera\u00e7\u00e3o imensamente superior. Queremos transpor essa sabedoria para as nossas cidades, construindo uma verdadeira Periferia Esponja a partir do plantio coletivo, do aumento da permeabilidade do solo e da reconstru\u00e7\u00e3o dos nossos microecossistemas urbanos. Nossa luta urbana caminha lado a lado com a luta camponesa. Atrav\u00e9s do Plano Nacional Plantar \u00c1rvores, Produzir Alimentos Saud\u00e1veis, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) j\u00e1 provou a viabilidade da massifica\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, tendo plantado mais de 45 milh\u00f5es de \u00e1rvores em todo o pa\u00eds. Este plano desfaz a falsa separa\u00e7\u00e3o entre produzir alimentos e proteger os bens comuns da natureza. Da mesma forma, unimo-nos na Miss\u00e3o Josu\u00e9 de Castro, articulando movimentos populares do campo e da periferia urbana (como o MTST, a CMP, o MPA e a ASA), para construir uma for\u00e7a social robusta pelo abastecimento popular de alimentos saud\u00e1veis.&nbsp; Afirmamos que a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e a justi\u00e7a clim\u00e1tica s\u00f3 ser\u00e3o reais se passarem pelo direito \u00e0 moradia digna, pela reforma agr\u00e1ria popular, pela demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas, e pela garantia de comida de verdade na mesa das massas populares urbanas. Rejeitamos frontalmente as falsas solu\u00e7\u00f5es do capitalismo verde. N\u00e3o aceitamos que a prote\u00e7\u00e3o da nossa biodiversidade e as metas de descarboniza\u00e7\u00e3o sejam transformadas em balc\u00f5es de neg\u00f3cios para o mercado de carbono, privatizando os bens comuns e perpetuando a explora\u00e7\u00e3o dos nossos territ\u00f3rios. Denunciamos instrumentos como o mercado regulado de carbono que protegem os interesses do agroneg\u00f3cio poluente e excluem a participa\u00e7\u00e3o real dos trabalhadores e comunidades tradicionais. A nossa jornada de 21 de setembro \u00e9 um fruto vivo das mobiliza\u00e7\u00f5es populares da COP 30 de Bel\u00e9m. Exigimos uma transi\u00e7\u00e3o justa, que coloque a soberania alimentar, a soberania energ\u00e9tica e o trabalho decente no centro do debate sobre o futuro do planeta. M\u00e3os \u00e0 terra, mudas no solo! Eles cortam, n\u00f3s plantamos. Pela soberania dos nossos territ\u00f3rios, campo e cidade unidos.&nbsp; CIDADES VERDES, PERIFERIAS VIVAS! 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