{"id":11471,"date":"2026-08-31T17:25:31","date_gmt":"2026-08-31T20:25:31","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11471"},"modified":"2026-09-03T18:34:31","modified_gmt":"2026-09-03T21:34:31","slug":"transicao-energetica-em-debate-mineracao-deve-ser-pautada-pela-soberania-e-interesses-das-populacoes-locais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11471","title":{"rendered":"Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em debate: minera\u00e7\u00e3o deve ser pautada pela soberania e interesses das popula\u00e7\u00f5es locais"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Debate na UFRGS reuniu pesquisadores e ativistas para discutir impactos da minera\u00e7\u00e3o, financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza e desafios de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima quinta-feira (27), o Centro Cultural da UFRGS foi palco da roda de conversa \u201cMinera\u00e7\u00e3o, conflitos e futuro: Cartografias do pluriverso em tempos de crise clim\u00e1tica e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa\u201d, que reuniu pesquisadores e ativistas ambientalistas em torno de indaga\u00e7\u00f5es sobre o panorama das lutas pela preserva\u00e7\u00e3o ambiental frente ao desenvolvimentismo. A mesa integra o projeto \u201cFuturos em Disputa: Ci\u00eancia, Pol\u00edtica e Conflitos Ambientais\u201d, organizado pelo grupo de pesquisa TEMAS: Tecnologia, Meio Ambiente e Sociedade, da UFRGS, que ocorreu entre os dias 26 e 27 de agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o debate, temas que envolvem diversas frentes da discuss\u00e3o cient\u00edfica e pol\u00edtica ambiental foram percorridos, com foco nos impactos da atividade mineradora e na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em diferentes comunidades. A mesa foi aberta com apresenta\u00e7\u00f5es de cada um dos quatro convidados, que falaram sobre quest\u00f5es envolvendo o processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica brasileiro contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem deu in\u00edcio \u00e0 conversa foi o engenheiro ambiental Eduardo Raguse, que comentou sobre como o debate clim\u00e1tico tem sido reduzido \u00e0 \u201cm\u00e9trica do carbono\u201d. Essa pr\u00e1tica quantifica as quantidades do poluente que s\u00e3o emitidas por um empreendimento ou projeto, o que, segundo Raguse, ainda que importante para mensurar numericamente o impacto das emiss\u00f5es, desvia o foco das lutas sociais pela preserva\u00e7\u00e3o para os interesses econ\u00f4micos corporativos.<br><br>Para ele, essa l\u00f3gica limita a extens\u00e3o das pol\u00edticas ambientais ao \u00e2mbito dos neg\u00f3cios. \u201cEssa m\u00e9trica permite contar, possuir, precificar e comercializar o carbono. Mais um passo daquilo que a gente chama de financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza\u201d, avalia Raguse.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo indicado foi o plantio de \u00e1rvores para forma\u00e7\u00e3o de um \u201ccr\u00e9dito de carbono\u201d, estrat\u00e9gia pensada para compensar a quantidade de carbono emitida. Tal m\u00e9todo foi aplicado, por exemplo, no licenciamento ambiental do \u201cProjeto Natureza\u201d, que planeja a&nbsp;<a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/meio-ambiente\/2026\/07\/cedh-recomenda-revisao-de-impacto-de-cmpc-em-barra-do-ribeiro\/\">instala\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica de celulose da chilena CMPC em Barra do Ribeiro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo ocorre com o plano de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do Rio Grande do Sul, aponta o palestrante, que tem como estrat\u00e9gia principal a compensa\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o carbon\u00edfera, e n\u00e3o a neutralidade dela. \u201cO capital conseguiu construir uma nova&nbsp;<em>commodity<\/em>&nbsp;global, que \u00e9 o carbono\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesa prosseguiu para um segundo eixo tem\u00e1tico: os impactos da minera\u00e7\u00e3o em comunidades e popula\u00e7\u00f5es locais. A cientista social e dirigente nacional do Movimento pela soberania popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), Iara Reis, falou sobre como o extrativismo desrespeita direitos fundamentais em territ\u00f3rios ricos em min\u00e9rios com finalidade \u00fanica de lucro econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma fal\u00e1cia dizer que dentro desse sistema haver\u00e1 solu\u00e7\u00f5es para os problemas que ele criou\u201d, defende a dirigente do MAM. \u201cPor isso, a necessidade de movimentos sociais e ONGs s\u00e9rias que realmente estejam preocupados em transformar essa realidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O MAM defende que a minera\u00e7\u00e3o esteja orientada de acordo com os interesses das popula\u00e7\u00f5es e comunidades nacionais e locais, e n\u00e3o a interesses econ\u00f4micos de pot\u00eancias da economia global que \u201cnos veem como quintal deles\u201d, como indica Raguse. O movimento n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 minera\u00e7\u00e3o enquanto pr\u00e1tica, mas sustenta que ela atenda \u00e0s delimita\u00e7\u00f5es de pequenas comunidades agr\u00e1rias. Na defini\u00e7\u00e3o de Iara, \u201cenquanto o MST discute a fun\u00e7\u00e3o social da terra, o MAM discute a fun\u00e7\u00e3o social do subsolo\u201d. Em outras palavras, o movimento defende que a explora\u00e7\u00e3o mineral esteja circunscrita \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, quando a gente vai falar de minera\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul, o nosso movimento tem grande dificuldade de falar com a sociedade, porque ela n\u00e3o se compreende dentro desse conflito\u201d, diz Iara. \u201cTodos n\u00f3s somos afetados pelo modelo mineral brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Soberania nacional na minera\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Quem ampliou o debate sobre minera\u00e7\u00e3o foi a pesquisadora e professora do Instituto Federal Catarinense (IFC) Gabriela Blanco. Em 2022, ela publicou sua tese de doutorado, em que mergulhou na explora\u00e7\u00e3o de Ni\u00f3bio na regi\u00e3o da cidade de Arax\u00e1, Minas Gerais. O munic\u00edpio \u00e9 n\u00facleo da produ\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio no Brasil, pa\u00eds respons\u00e1vel por mais de 90% da explora\u00e7\u00e3o mundial do metal de transi\u00e7\u00e3o, essencial para a ind\u00fastria de tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua pesquisa, Gabriela encontrou algo que chama de \u201cnarrativa de doa\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, a ideia difundida nos munic\u00edpios mineradores de que as empresas extrativistas contribuem com as cidades atrav\u00e9s do extrativismo, embora as comunidades estejam exclu\u00eddas da partilha do lucro com a atividade. Ela tamb\u00e9m apontou como o crescimento da minera\u00e7\u00e3o ocupa espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica e contamina o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrecisamos pensar num modelo de minera\u00e7\u00e3o que seja pautado na soberania nacional, pautado nas necessidades do nosso povo\u201d, diz a professora. Mesmo assim, ela defende que o pa\u00eds precisa pensar em estrat\u00e9gias de desenvolvimento industrial nacional que n\u00e3o reproduzam desigualdades internas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma estimativa recente indica tamb\u00e9m que a regi\u00e3o de Arax\u00e1 possui as maiores reservas de terras raras de Neod\u00edmio e Presod\u00edmio do mundo, metais com grande aplicabilidade na fabrica\u00e7\u00e3o de armamentos e arsenal militar. \u201c\u00c9 sobre transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica ou \u00e9 sobre guerra?\u201d, questiona Gabriela.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do relato da sua experi\u00eancia na COP30 \u2013 confer\u00eancia internacional para discuss\u00e3o do clima, realizada em novembro do ano passado em Bel\u00e9m, Par\u00e1 \u2013, a pesquisadora e professora da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) Marcela Vecchione relatou como os movimentos populares clim\u00e1ticos e agr\u00e1rios, em especial os ind\u00edgenas e quilombolas, vivem realidades diferentes daquelas consideradas pelas negocia\u00e7\u00f5es estabelecidas a n\u00edvel internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs institui\u00e7\u00f5es (ambientais) t\u00eam um mapa e t\u00eam um caminho, elas n\u00e3o precisam disso. O que elas precisam \u00e9 de direitos garantidos, como \u00e0 terra e ao territ\u00f3rio e a outros usos que n\u00e3o sejam corporativos\u201d, defende Marcela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m apresentou o exemplo do Acordo de Paris, fixado em 2015 durante a COP21, que estabeleceu metas nacionais para a emiss\u00e3o de carbono e para o controle da temperatura atmosf\u00e9rica entre quase 200 pa\u00edses signat\u00e1rios. De acordo com a pesquisadora, o documento disp\u00f5e de v\u00e1rias pol\u00edticas que evidenciam \u00e0s vis\u00f5es desenvolvimentistas do discurso ambientalista global.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a gente est\u00e1 falando de emerg\u00eancia clim\u00e1tica, a gente est\u00e1 falando de futuros em disputa, de vidas em disputa\u201d, diz ela. \u201cN\u00e3o \u00e9 que as pessoas n\u00e3o queiram desenvolvimento\u201d, diz Marcela, \u201ca quest\u00e3o \u00e9 que infraestrutura, para quem?\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Mat\u00e9ria originalmente publicada no Sul21: <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/meio-ambiente\/2026\/08\/transicao-energetica-em-debate-mineracao-deve-ser-pautada-pela-soberania-e-interesses-das-populacoes-locais\/\">https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/meio-ambiente\/2026\/08\/transicao-energetica-em-debate-mineracao-deve-ser-pautada-pela-soberania-e-interesses-das-populacoes-locais\/<\/a> <\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Debate na UFRGS reuniu pesquisadores e ativistas para discutir impactos da minera\u00e7\u00e3o, financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza e desafios de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa Na \u00faltima quinta-feira (27), o Centro Cultural da UFRGS foi palco da roda de conversa \u201cMinera\u00e7\u00e3o, conflitos e futuro: Cartografias do pluriverso em tempos de crise clim\u00e1tica e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa\u201d, que reuniu pesquisadores e ativistas ambientalistas em torno de indaga\u00e7\u00f5es sobre o panorama das lutas pela preserva\u00e7\u00e3o ambiental frente ao desenvolvimentismo. A mesa integra o projeto \u201cFuturos em Disputa: Ci\u00eancia, Pol\u00edtica e Conflitos Ambientais\u201d, organizado pelo grupo de pesquisa TEMAS: Tecnologia, Meio Ambiente e Sociedade, da UFRGS, que ocorreu entre os dias 26 e 27 de agosto. Durante o debate, temas que envolvem diversas frentes da discuss\u00e3o cient\u00edfica e pol\u00edtica ambiental foram percorridos, com foco nos impactos da atividade mineradora e na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em diferentes comunidades. A mesa foi aberta com apresenta\u00e7\u00f5es de cada um dos quatro convidados, que falaram sobre quest\u00f5es envolvendo o processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica brasileiro contempor\u00e2neo. Quem deu in\u00edcio \u00e0 conversa foi o engenheiro ambiental Eduardo Raguse, que comentou sobre como o debate clim\u00e1tico tem sido reduzido \u00e0 \u201cm\u00e9trica do carbono\u201d. Essa pr\u00e1tica quantifica as quantidades do poluente que s\u00e3o emitidas por um empreendimento ou projeto, o que, segundo Raguse, ainda que importante para mensurar numericamente o impacto das emiss\u00f5es, desvia o foco das lutas sociais pela preserva\u00e7\u00e3o para os interesses econ\u00f4micos corporativos. Para ele, essa l\u00f3gica limita a extens\u00e3o das pol\u00edticas ambientais ao \u00e2mbito dos neg\u00f3cios. \u201cEssa m\u00e9trica permite contar, possuir, precificar e comercializar o carbono. Mais um passo daquilo que a gente chama de financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza\u201d, avalia Raguse. Um exemplo indicado foi o plantio de \u00e1rvores para forma\u00e7\u00e3o de um \u201ccr\u00e9dito de carbono\u201d, estrat\u00e9gia pensada para compensar a quantidade de carbono emitida. Tal m\u00e9todo foi aplicado, por exemplo, no licenciamento ambiental do \u201cProjeto Natureza\u201d, que planeja a&nbsp;instala\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica de celulose da chilena CMPC em Barra do Ribeiro. O mesmo ocorre com o plano de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do Rio Grande do Sul, aponta o palestrante, que tem como estrat\u00e9gia principal a compensa\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o carbon\u00edfera, e n\u00e3o a neutralidade dela. \u201cO capital conseguiu construir uma nova&nbsp;commodity&nbsp;global, que \u00e9 o carbono\u201d, completa. A mesa prosseguiu para um segundo eixo tem\u00e1tico: os impactos da minera\u00e7\u00e3o em comunidades e popula\u00e7\u00f5es locais. A cientista social e dirigente nacional do Movimento pela soberania popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), Iara Reis, falou sobre como o extrativismo desrespeita direitos fundamentais em territ\u00f3rios ricos em min\u00e9rios com finalidade \u00fanica de lucro econ\u00f4mico. \u201c\u00c9 uma fal\u00e1cia dizer que dentro desse sistema haver\u00e1 solu\u00e7\u00f5es para os problemas que ele criou\u201d, defende a dirigente do MAM. \u201cPor isso, a necessidade de movimentos sociais e ONGs s\u00e9rias que realmente estejam preocupados em transformar essa realidade\u201d. O MAM defende que a minera\u00e7\u00e3o esteja orientada de acordo com os interesses das popula\u00e7\u00f5es e comunidades nacionais e locais, e n\u00e3o a interesses econ\u00f4micos de pot\u00eancias da economia global que \u201cnos veem como quintal deles\u201d, como indica Raguse. O movimento n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 minera\u00e7\u00e3o enquanto pr\u00e1tica, mas sustenta que ela atenda \u00e0s delimita\u00e7\u00f5es de pequenas comunidades agr\u00e1rias. Na defini\u00e7\u00e3o de Iara, \u201cenquanto o MST discute a fun\u00e7\u00e3o social da terra, o MAM discute a fun\u00e7\u00e3o social do subsolo\u201d. Em outras palavras, o movimento defende que a explora\u00e7\u00e3o mineral esteja circunscrita \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o. \u201cHoje, quando a gente vai falar de minera\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul, o nosso movimento tem grande dificuldade de falar com a sociedade, porque ela n\u00e3o se compreende dentro desse conflito\u201d, diz Iara. \u201cTodos n\u00f3s somos afetados pelo modelo mineral brasileiro. Soberania nacional na minera\u00e7\u00e3o Quem ampliou o debate sobre minera\u00e7\u00e3o foi a pesquisadora e professora do Instituto Federal Catarinense (IFC) Gabriela Blanco. Em 2022, ela publicou sua tese de doutorado, em que mergulhou na explora\u00e7\u00e3o de Ni\u00f3bio na regi\u00e3o da cidade de Arax\u00e1, Minas Gerais. O munic\u00edpio \u00e9 n\u00facleo da produ\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio no Brasil, pa\u00eds respons\u00e1vel por mais de 90% da explora\u00e7\u00e3o mundial do metal de transi\u00e7\u00e3o, essencial para a ind\u00fastria de tecnologia. Em sua pesquisa, Gabriela encontrou algo que chama de \u201cnarrativa de doa\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, a ideia difundida nos munic\u00edpios mineradores de que as empresas extrativistas contribuem com as cidades atrav\u00e9s do extrativismo, embora as comunidades estejam exclu\u00eddas da partilha do lucro com a atividade. Ela tamb\u00e9m apontou como o crescimento da minera\u00e7\u00e3o ocupa espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica e contamina o meio ambiente. \u201cPrecisamos pensar num modelo de minera\u00e7\u00e3o que seja pautado na soberania nacional, pautado nas necessidades do nosso povo\u201d, diz a professora. Mesmo assim, ela defende que o pa\u00eds precisa pensar em estrat\u00e9gias de desenvolvimento industrial nacional que n\u00e3o reproduzam desigualdades internas. Uma estimativa recente indica tamb\u00e9m que a regi\u00e3o de Arax\u00e1 possui as maiores reservas de terras raras de Neod\u00edmio e Presod\u00edmio do mundo, metais com grande aplicabilidade na fabrica\u00e7\u00e3o de armamentos e arsenal militar. \u201c\u00c9 sobre transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica ou \u00e9 sobre guerra?\u201d, questiona Gabriela. A partir do relato da sua experi\u00eancia na COP30 \u2013 confer\u00eancia internacional para discuss\u00e3o do clima, realizada em novembro do ano passado em Bel\u00e9m, Par\u00e1 \u2013, a pesquisadora e professora da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) Marcela Vecchione relatou como os movimentos populares clim\u00e1ticos e agr\u00e1rios, em especial os ind\u00edgenas e quilombolas, vivem realidades diferentes daquelas consideradas pelas negocia\u00e7\u00f5es estabelecidas a n\u00edvel internacional. \u201cAs institui\u00e7\u00f5es (ambientais) t\u00eam um mapa e t\u00eam um caminho, elas n\u00e3o precisam disso. O que elas precisam \u00e9 de direitos garantidos, como \u00e0 terra e ao territ\u00f3rio e a outros usos que n\u00e3o sejam corporativos\u201d, defende Marcela. Ela tamb\u00e9m apresentou o exemplo do Acordo de Paris, fixado em 2015 durante a COP21, que estabeleceu metas nacionais para a emiss\u00e3o de carbono e para o controle da temperatura atmosf\u00e9rica entre quase 200 pa\u00edses signat\u00e1rios. De acordo com a pesquisadora, o documento disp\u00f5e de v\u00e1rias pol\u00edticas que evidenciam \u00e0s vis\u00f5es desenvolvimentistas do discurso ambientalista global. \u201cQuando a gente est\u00e1 falando de emerg\u00eancia clim\u00e1tica, a gente est\u00e1 falando de futuros em disputa, de vidas em disputa\u201d, diz ela. \u201cN\u00e3o \u00e9 que as pessoas n\u00e3o queiram desenvolvimento\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11472,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1836,6,5,1835],"tags":[],"class_list":["post-11471","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agua-e-mineracao","category-justica-climatica-e-energetica","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11471"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11471\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11473,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11471\/revisions\/11473"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}