{"id":11440,"date":"2026-08-12T13:09:54","date_gmt":"2026-08-12T16:09:54","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11440"},"modified":"2026-08-12T13:09:55","modified_gmt":"2026-08-12T16:09:55","slug":"cmpc-reuniao-na-assembleia-dura-4-horas-mas-sem-o-governo-do-estado-ou-a-empresa-presentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11440","title":{"rendered":"CMPC \u2013 reuni\u00e3o na Assembleia dura 4 horas mas sem o Governo do Estado ou a empresa presentes"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Porto Alegre, 11\/8\/2026&nbsp;<\/strong>\u2013 A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sediou ontem \u00e0 noite uma audi\u00eancia p\u00fablica para tratar dos impactos ambientais e sociais decorrentes da proposta de instala\u00e7\u00e3o de uma nova unidade industrial de produ\u00e7\u00e3o de celulose branqueada e de um terminal portu\u00e1rio da empresa CMPC no munic\u00edpio de Barra do Ribeiro. A reuni\u00e3o foi dirigida pela deputada estadual Sofia Cavedon, por meio da Comiss\u00e3o de Seguran\u00e7a, Servi\u00e7os P\u00fablicos e Moderniza\u00e7\u00e3o do Estado, atendendo a requerimentos apresentados pelo Comit\u00ea dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa e o Comit\u00ea T\u00e9cnico de Questionamento aos Impactos da CMPC.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora convidados, representantes da CMPC, da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (FEPAM) e do governo do Estado n\u00e3o compareceram ao evento.<\/p>\n\n\n\n<p>A audi\u00eancia reuniu pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), representantes de comunidades tradicionais (ind\u00edgenas, quilombolas e pescadores artesanais), organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais socioambientais, al\u00e9m de integrantes da Defensoria P\u00fablica do Estado e do Conselho Estadual de Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"leticia-paranhos-das-amigas-da-terra-diz-que-a-monocultura-de-eucaliptos-e-deserto-verde\">Let\u00edcia Paranhos, das Amigas da Terra, diz que a monocultura de eucaliptos \u00e9 deserto verde<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sp-ao.shortpixel.ai\/client\/to_auto,q_glossy,ret_img\/https:\/\/agirazul.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Captura-de-Tela-2026-08-11-as-12.34.42.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-23913\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Durante a atividade,&nbsp;<strong>Let\u00edcia Paranhos,&nbsp;<\/strong>representando a&nbsp;<strong>Amigas da Terra Brasil e a Marcha Mundial das Mulheres,&nbsp;<\/strong>abordou a necessidade de participa\u00e7\u00e3o feminina nos espa\u00e7os de decis\u00e3o pol\u00edtica. Ela defendeu que as comunidades tradicionais e popula\u00e7\u00f5es locais tenham o direito de recusar projetos de grande escala em seus territ\u00f3rios, e n\u00e3o apenas de serem consultadas. Paranhos contrap\u00f4s o valor de 50 milh\u00f5es de reais oferecido como compensa\u00e7\u00e3o financeira a comunidades ind\u00edgenas ao investimento total previsto para o projeto, estimado em 27 bilh\u00f5es de reais. A representante tamb\u00e9m caracterizou a silvicultura de eucalipto como uma atividade monocultural que reduz a biodiversidade local, classificando essas planta\u00e7\u00f5es como \u201cdesertos verdes\u201d, e inseriu o plantio de eucalipto na mesma categoria de atividades como a minera\u00e7\u00e3o e a cultura de soja em termos de altera\u00e7\u00e3o de biomas.<\/p>\n\n\n\n<p>A fala da Let\u00edcia come\u00e7a j\u00e1 quando a reuni\u00e3o avan\u00e7ava para 3h de dura\u00e7\u00e3o (foi at\u00e9 4h32min). Pode ser escutada&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/mcp2-kwbzow?si=kNe6SNFDYq01Hrfs&amp;t=11201\">neste link<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Let\u00edcia apontou a exist\u00eancia de mecanismos corporativos que sustentam a instala\u00e7\u00e3o de projetos de impacto.&nbsp;<strong>Ela descreveu tr\u00eas pilares para essa din\u00e2mica: o uso de marketing corporativo, a financeiriza\u00e7\u00e3o ambiental e a atua\u00e7\u00e3o em desregulamenta\u00e7\u00e3o legislativa<\/strong>. Em rela\u00e7\u00e3o ao marketing, criticou a denomina\u00e7\u00e3o de \u201cProjeto Natureza\u201d e a ado\u00e7\u00e3o do quero-quero como s\u00edmbolo da marca, afirmando que os gastos publicit\u00e1rios superam os investimentos em preven\u00e7\u00e3o e consulta comunit\u00e1ria. No campo da financeiriza\u00e7\u00e3o, classificou os cr\u00e9ditos de carbono adquiridos por empresas de celulose como ineficazes para a mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica real. Por fim, citou mudan\u00e7as legislativas recentes, destacando a retirada da silvicultura da categoria de atividade de impacto ambiental pela legisla\u00e7\u00e3o em 2024, al\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o do zoneamento de silvicultura em 2023, que elevou o limite das planta\u00e7\u00f5es no estado de 1,2 milh\u00e3o para at\u00e9 4 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"biologa-lisiane-becker-aponta-aspectos-legais-ecologicos-e-sociais-no-licenciamento-de-projeto-da-cmpc\"><strong>Bi\u00f3loga Lisiane Becker aponta aspectos legais, ecol\u00f3gicos e sociais no licenciamento de projeto da CMPC<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A bi\u00f3loga e presidente do Instituto MIRA-SERRA,&nbsp;<strong>Lisiane Becker<\/strong>, apresentou uma an\u00e1lise t\u00e9cnica sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto da CMPC em Barra do Ribeiro durante audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia.Com a experi\u00eancia de ter atuado por 32 anos como servidora concursada do \u00f3rg\u00e3o ambiental de Gua\u00edba, Becker exp\u00f4s dados sobre a biodiversidade da \u00e1rea afetada, a legisla\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o e as proje\u00e7\u00f5es de impacto social no munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>A palestrante detalhou o processo de desafeta\u00e7\u00e3o da&nbsp;<strong>Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) estadual de Barra do Ribeiro<\/strong>, \u00e1rea institu\u00edda por decreto em 2010. De acordo com Becker, o espa\u00e7o protegido, utilizado pela empresa em a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o sobre sustentabilidade, perder\u00e1 a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para permitir a constru\u00e7\u00e3o de um terminal portu\u00e1rio e de um emiss\u00e1rio de efluentes l\u00edquidos. Ela contestou a proposta de compensa\u00e7\u00e3o da reserva em outro terreno da pr\u00f3pria CMPC, indicando que a \u00e1rea afetada est\u00e1 inserida em uma zona de transi\u00e7\u00e3o entre o Pampa e a Mata Atl\u00e2ntica, abrangendo ecossistemas de restinga e floresta nativa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sp-ao.shortpixel.ai\/client\/to_auto,q_glossy,ret_img\/https:\/\/agirazul.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Captura-de-Tela-2026-08-11-as-12.44.11.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-23916\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No aspecto da fauna local, a presidente do Instituto apontou que as obras do porto e as opera\u00e7\u00f5es previstas afetam diretamente esp\u00e9cies nativas de restinga, citando nominalmente a&nbsp;<strong>lagartixa-das-dunas<\/strong>&nbsp;e os peixes anuais conhecidos como&nbsp;<strong>rivul\u00eddeos<\/strong>. Becker tamb\u00e9m informou que a soma dos indicadores de impacto avaliados para o projeto resulta em um grau de impacto ambiental de&nbsp;<strong>0,6%<\/strong>, superando o limite m\u00e1ximo de 0,5% estipulado legalmente para os par\u00e2metros de compensa\u00e7\u00e3o ambiental padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito socioecon\u00f4mico, a bi\u00f3loga apresentou questionamentos sobre a estimativa de mobiliza\u00e7\u00e3o de at\u00e9&nbsp;<strong>12 mil trabalhadores tempor\u00e1rios<\/strong>&nbsp;durante o per\u00edodo de instala\u00e7\u00e3o do empreendimento em Barra do Ribeiro, contingente que equivale ao dobro da popula\u00e7\u00e3o urbana atual da cidade. Ela apontou que a vinda dessa popula\u00e7\u00e3o flutuante projeta demandas adicionais sobre a infraestrutura do munic\u00edpio, com riscos de eleva\u00e7\u00e3o de indicadores de polui\u00e7\u00e3o, prostitui\u00e7\u00e3o, depend\u00eancia qu\u00edmica e alcoolismo. Becker avaliou as respostas apresentadas pela consultoria contratada pela empresa como gen\u00e9ricas e sem a especifica\u00e7\u00e3o de fontes de custeio para as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o municipais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao tratar do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, a especialista defendeu que os recursos h\u00eddricos dependem diretamente da preserva\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal, na qual a fauna atua de forma integrada como dispersora de sementes da flora nativa. Becker encerrou sua manifesta\u00e7\u00e3o criticando a falta de devolutivas aos questionamentos (em uma tr\u00e9plica) por parte da empresa<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O comit\u00ea t\u00e9cnico e pesquisadores da UFRGS apresentaram dados sobre a situa\u00e7\u00e3o ambiental do Gua\u00edba. O professor Louidi Lauer Albornoz, do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH\/UFRGS), exp\u00f4s monitoramento realizado ap\u00f3s as enchentes de 2024, indicando uma redu\u00e7\u00e3o na capacidade de autodepura\u00e7\u00e3o do Gua\u00edba e a perman\u00eancia de poluentes como nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo, metais pesados e bact\u00e9rias resistentes. A engenheira qu\u00edmica Alda Maria de Oliveira Correia detalhou que o novo projeto prev\u00ea o descarte di\u00e1rio de 216 quilos de f\u00f3sforo e 720 quilos de compostos alogenados (AOX), que cont\u00eam dioxinas e furanos. Ela indicou que essas subst\u00e2ncias se depositam nos sedimentos e bioacumulam na cadeia alimentar, atingindo n\u00edveis elevados nos peixes. O ge\u00f3logo Rualdo Menegat explicou que o Gua\u00edba funciona como uma bacia de \u00e1guas rasas com circula\u00e7\u00e3o complexa regulada pelos ventos, o que viabiliza o refluxo de plumas de polui\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o norte, onde est\u00e3o situadas capta\u00e7\u00f5es de \u00e1gua para abastecimento p\u00fablico, como a de Bel\u00e9m Novo, localizada a aproximadamente 6,5 quil\u00f4metros do ponto planejado para o descarte de efluentes. Alana Carrenho, da ONG Ser A\u00e7\u00e3o, exp\u00f4s que o projeto portu\u00e1rio exige a dragagem de um canal de 10 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, movimentando 2,9 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de sedimentos em uma \u00e1rea classificada como \u00e1gua de classe 1, que serve como zona de reprodu\u00e7\u00e3o para esp\u00e9cies como o bagre-branco.<\/p>\n\n\n\n<p>As lideran\u00e7as tradicionais relataram as consequ\u00eancias da expans\u00e3o da silvicultura em seus cotidianos. Liane Beatriz de \u00c1vila, do&nbsp;<em>Quilombo Von Bock (<\/em>S\u00e3o Gabriel), apontou que a chegada de plantios reduziu a oferta de trabalho no campo, dificultou o acesso a fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel (cacimbas) e causou o \u00eaxodo populacional da comunidade. Daniel Roberto Soares, do&nbsp;<em>Quilombo do Boqueir\u00e3o<\/em>, e Zuleica Soares, l\u00edder de terreiro, relataram que o avan\u00e7o dos plantios e a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas limitam a realiza\u00e7\u00e3o de rituais religiosos de matriz africana. Roberto Bertim, presidente da&nbsp;<em>Associa\u00e7\u00e3o de Pescadores de Uruguaiana<\/em>, apontou que o estudo socioecon\u00f4mico da empresa dedicou poucas p\u00e1ginas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es quilombolas e pesqueiras em um relat\u00f3rio de cerca de 200 p\u00e1ginas, desconsiderando as mais de 7.300 fam\u00edlias de pescadores artesanais que atuam na regi\u00e3o do Gua\u00edba e da Laguna dos Patos. O l\u00edder ind\u00edgena Guarani Arnildo Ver\u00e1 e Gabriela Pereira da Silva denunciaram a falta de cumprimento da Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT, apontando que as reuni\u00f5es da empresa dividiram comunidades e n\u00e3o seguiram os protocolos de consulta livre, pr\u00e9via e informada estabelecidos pelas aldeias do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da audi\u00eancia, representantes das comunidades tradicionais e do comit\u00ea t\u00e9cnico formalizaram um manifesto solicitando a suspens\u00e3o do licenciamento ambiental do empreendimento. O documento baseou-se no descumprimento da Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT e na falta de estudos de impactos cumulativos. O pedido recebeu apoio do Conselho Estadual de Direitos Humanos, representado por J\u00falio Alte, que entregou uma recomenda\u00e7\u00e3o oficial \u00e0 Assembleia Legislativa, e do defensor p\u00fablico Jo\u00e3o Carmona Paz, que confirmou o acompanhamento do caso pela Defensoria P\u00fablica do Estado. A deputada Sofia Cavedon informou que os estudos t\u00e9cnicos, laudos e os depoimentos colhidos ser\u00e3o reunidos em um dossi\u00ea a ser encaminhado aos Minist\u00e9rios P\u00fablicos Estadual e Federal e \u00e0s Defensorias para subsidiar a\u00e7\u00f5es cab\u00edveis.<br><br><strong>Confira a cobertura fotogr\u00e1fica da Audi\u00eancia P\u00fablica:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-flickr wp-block-embed-flickr\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<a data-flickr-embed='true' href='https:\/\/www.flickr.com\/photos\/amigasdaterrabr\/albums\/72177720335077612\/' title='Audi\u00eancia P\u00fablica sobre a CMPC - 10\/08\/26 - Assembleia Legislativa - Porto Alegre (RS) by Comunica\u00e7\u00e3o ATBrasil, on Flickr'><img bv-data-src="https:\/\/live.staticflickr.com\/65535\/55457247384_9b937587f5_c.jpg"  class="bv-tag-attr-replace bv-lazyload-tag-img"  src="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns='http://www.w3.org/2000/svg'%20viewBox='0%200%20800%20600'%3E%3C/svg%3E" width='800' height='600' alt='Audi\u00eancia P\u00fablica sobre a CMPC - 10\/08\/26 - Assembleia Legislativa - Porto Alegre (RS)'><\/a><template id="qfvVrg8bcRcoMJmqEBMe"></template><\/script>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><em><a href=\"https:\/\/agirazul.com\/arquivos\/23903\">Fonte: AgirAzul<br>Reda\u00e7\u00e3o do Jornalista Jo\u00e3o Batista Santaf\u00e9 Aguiar Assine o Canal do AgirAzul.com no WhatsApp \u2013 todas as notas publicadas<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Alegre, 11\/8\/2026&nbsp;\u2013 A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sediou ontem \u00e0 noite uma audi\u00eancia p\u00fablica para tratar dos impactos ambientais e sociais decorrentes da proposta de instala\u00e7\u00e3o de uma nova unidade industrial de produ\u00e7\u00e3o de celulose branqueada e de um terminal portu\u00e1rio da empresa CMPC no munic\u00edpio de Barra do Ribeiro. A reuni\u00e3o foi dirigida pela deputada estadual Sofia Cavedon, por meio da Comiss\u00e3o de Seguran\u00e7a, Servi\u00e7os P\u00fablicos e Moderniza\u00e7\u00e3o do Estado, atendendo a requerimentos apresentados pelo Comit\u00ea dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa e o Comit\u00ea T\u00e9cnico de Questionamento aos Impactos da CMPC. Embora convidados, representantes da CMPC, da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (FEPAM) e do governo do Estado n\u00e3o compareceram ao evento. A audi\u00eancia reuniu pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), representantes de comunidades tradicionais (ind\u00edgenas, quilombolas e pescadores artesanais), organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais socioambientais, al\u00e9m de integrantes da Defensoria P\u00fablica do Estado e do Conselho Estadual de Direitos Humanos. Let\u00edcia Paranhos, das Amigas da Terra, diz que a monocultura de eucaliptos \u00e9 deserto verde Durante a atividade,&nbsp;Let\u00edcia Paranhos,&nbsp;representando a&nbsp;Amigas da Terra Brasil e a Marcha Mundial das Mulheres,&nbsp;abordou a necessidade de participa\u00e7\u00e3o feminina nos espa\u00e7os de decis\u00e3o pol\u00edtica. Ela defendeu que as comunidades tradicionais e popula\u00e7\u00f5es locais tenham o direito de recusar projetos de grande escala em seus territ\u00f3rios, e n\u00e3o apenas de serem consultadas. Paranhos contrap\u00f4s o valor de 50 milh\u00f5es de reais oferecido como compensa\u00e7\u00e3o financeira a comunidades ind\u00edgenas ao investimento total previsto para o projeto, estimado em 27 bilh\u00f5es de reais. A representante tamb\u00e9m caracterizou a silvicultura de eucalipto como uma atividade monocultural que reduz a biodiversidade local, classificando essas planta\u00e7\u00f5es como \u201cdesertos verdes\u201d, e inseriu o plantio de eucalipto na mesma categoria de atividades como a minera\u00e7\u00e3o e a cultura de soja em termos de altera\u00e7\u00e3o de biomas. A fala da Let\u00edcia come\u00e7a j\u00e1 quando a reuni\u00e3o avan\u00e7ava para 3h de dura\u00e7\u00e3o (foi at\u00e9 4h32min). Pode ser escutada&nbsp;neste link. Let\u00edcia apontou a exist\u00eancia de mecanismos corporativos que sustentam a instala\u00e7\u00e3o de projetos de impacto.&nbsp;Ela descreveu tr\u00eas pilares para essa din\u00e2mica: o uso de marketing corporativo, a financeiriza\u00e7\u00e3o ambiental e a atua\u00e7\u00e3o em desregulamenta\u00e7\u00e3o legislativa. Em rela\u00e7\u00e3o ao marketing, criticou a denomina\u00e7\u00e3o de \u201cProjeto Natureza\u201d e a ado\u00e7\u00e3o do quero-quero como s\u00edmbolo da marca, afirmando que os gastos publicit\u00e1rios superam os investimentos em preven\u00e7\u00e3o e consulta comunit\u00e1ria. No campo da financeiriza\u00e7\u00e3o, classificou os cr\u00e9ditos de carbono adquiridos por empresas de celulose como ineficazes para a mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica real. Por fim, citou mudan\u00e7as legislativas recentes, destacando a retirada da silvicultura da categoria de atividade de impacto ambiental pela legisla\u00e7\u00e3o em 2024, al\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o do zoneamento de silvicultura em 2023, que elevou o limite das planta\u00e7\u00f5es no estado de 1,2 milh\u00e3o para at\u00e9 4 milh\u00f5es de hectares. Bi\u00f3loga Lisiane Becker aponta aspectos legais, ecol\u00f3gicos e sociais no licenciamento de projeto da CMPC A bi\u00f3loga e presidente do Instituto MIRA-SERRA,&nbsp;Lisiane Becker, apresentou uma an\u00e1lise t\u00e9cnica sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto da CMPC em Barra do Ribeiro durante audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia.Com a experi\u00eancia de ter atuado por 32 anos como servidora concursada do \u00f3rg\u00e3o ambiental de Gua\u00edba, Becker exp\u00f4s dados sobre a biodiversidade da \u00e1rea afetada, a legisla\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o e as proje\u00e7\u00f5es de impacto social no munic\u00edpio. A palestrante detalhou o processo de desafeta\u00e7\u00e3o da&nbsp;Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) estadual de Barra do Ribeiro, \u00e1rea institu\u00edda por decreto em 2010. De acordo com Becker, o espa\u00e7o protegido, utilizado pela empresa em a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o sobre sustentabilidade, perder\u00e1 a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para permitir a constru\u00e7\u00e3o de um terminal portu\u00e1rio e de um emiss\u00e1rio de efluentes l\u00edquidos. Ela contestou a proposta de compensa\u00e7\u00e3o da reserva em outro terreno da pr\u00f3pria CMPC, indicando que a \u00e1rea afetada est\u00e1 inserida em uma zona de transi\u00e7\u00e3o entre o Pampa e a Mata Atl\u00e2ntica, abrangendo ecossistemas de restinga e floresta nativa. No aspecto da fauna local, a presidente do Instituto apontou que as obras do porto e as opera\u00e7\u00f5es previstas afetam diretamente esp\u00e9cies nativas de restinga, citando nominalmente a&nbsp;lagartixa-das-dunas&nbsp;e os peixes anuais conhecidos como&nbsp;rivul\u00eddeos. Becker tamb\u00e9m informou que a soma dos indicadores de impacto avaliados para o projeto resulta em um grau de impacto ambiental de&nbsp;0,6%, superando o limite m\u00e1ximo de 0,5% estipulado legalmente para os par\u00e2metros de compensa\u00e7\u00e3o ambiental padr\u00e3o. No \u00e2mbito socioecon\u00f4mico, a bi\u00f3loga apresentou questionamentos sobre a estimativa de mobiliza\u00e7\u00e3o de at\u00e9&nbsp;12 mil trabalhadores tempor\u00e1rios&nbsp;durante o per\u00edodo de instala\u00e7\u00e3o do empreendimento em Barra do Ribeiro, contingente que equivale ao dobro da popula\u00e7\u00e3o urbana atual da cidade. Ela apontou que a vinda dessa popula\u00e7\u00e3o flutuante projeta demandas adicionais sobre a infraestrutura do munic\u00edpio, com riscos de eleva\u00e7\u00e3o de indicadores de polui\u00e7\u00e3o, prostitui\u00e7\u00e3o, depend\u00eancia qu\u00edmica e alcoolismo. Becker avaliou as respostas apresentadas pela consultoria contratada pela empresa como gen\u00e9ricas e sem a especifica\u00e7\u00e3o de fontes de custeio para as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o municipais. Ao tratar do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, a especialista defendeu que os recursos h\u00eddricos dependem diretamente da preserva\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal, na qual a fauna atua de forma integrada como dispersora de sementes da flora nativa. Becker encerrou sua manifesta\u00e7\u00e3o criticando a falta de devolutivas aos questionamentos (em uma tr\u00e9plica) por parte da empresa. O comit\u00ea t\u00e9cnico e pesquisadores da UFRGS apresentaram dados sobre a situa\u00e7\u00e3o ambiental do Gua\u00edba. O professor Louidi Lauer Albornoz, do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH\/UFRGS), exp\u00f4s monitoramento realizado ap\u00f3s as enchentes de 2024, indicando uma redu\u00e7\u00e3o na capacidade de autodepura\u00e7\u00e3o do Gua\u00edba e a perman\u00eancia de poluentes como nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo, metais pesados e bact\u00e9rias resistentes. A engenheira qu\u00edmica Alda Maria de Oliveira Correia detalhou que o novo projeto prev\u00ea o descarte di\u00e1rio de 216 quilos de f\u00f3sforo e 720 quilos de compostos alogenados (AOX), que cont\u00eam dioxinas e furanos. Ela indicou que essas subst\u00e2ncias se depositam nos sedimentos e bioacumulam na cadeia alimentar, atingindo n\u00edveis elevados nos peixes. O ge\u00f3logo Rualdo Menegat explicou que o Gua\u00edba funciona como uma bacia de \u00e1guas rasas com circula\u00e7\u00e3o complexa regulada pelos ventos, o que viabiliza o refluxo de plumas de polui\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11441,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-11440","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-enchente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11440"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11440\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11442,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11440\/revisions\/11442"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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