{"id":11408,"date":"2026-07-07T19:45:15","date_gmt":"2026-07-07T22:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11408"},"modified":"2026-07-07T19:45:16","modified_gmt":"2026-07-07T22:45:16","slug":"o-sujeito-da-esperanca-e-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11408","title":{"rendered":"O sujeito da esperan\u00e7a \u00e9 n\u00f3s"},"content":{"rendered":"\n<p>Texto de Leonardo Melgarejo, Engenheiro Agron\u00f4mo, MsC em Economia Rural, Dr. em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o. Extensionista rural aposentado, fot\u00f3grafo.<br><br><strong>No Brasil e em Nova Santa Rita (RS) ocorre um conflito que exige interven\u00e7\u00e3o decisiva por parte das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste dia 2 de julho, o F\u00f3rum Ga\u00facho de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos realizou, em parceria com a Prefeitura, a C\u00e2mara de Vereadores e a comunidade de Nova Santa Rita, sua&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mpf.mp.br\/o-mpf\/unidades\/pr-rs\/noticias\/audiencia-publica-do-forum-gaucho-de-combate-aos-agrotoxicos-lota-centro-de-eventos-em-nova-santa-rita\">d\u00e9cima s\u00e9tima Audi\u00eancia P\u00fablica<\/a><a href=\"applewebdata:\/\/DB1325CA-A0C9-4BEA-BEB1-B01EA12C2E0D#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;(AP). O objetivo: estimular debates, alertar a sociedade sobre os perigos causados pelos agrot\u00f3xicos, escutar depoimentos, colher dar encaminhamento a den\u00fancias e sugest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato: como em todo o Brasil, em Nova Santa Rita ocorre um conflito que exige interven\u00e7\u00e3o decisiva por parte das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E a sociedade precisa ter consci\u00eancia disso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se trata da constru\u00e7\u00e3o de mecanismos para exig\u00eancia de atendimento a direitos que est\u00e3o sendo ofendidos gra\u00e7as \u00e0 omiss\u00e3o, \u00e0 ignor\u00e2ncia, \u00e0 coniv\u00eancia, \u00e0 hipocrisia de gestores, legisladores e divulgadores da cren\u00e7a mentirosa de que o uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 necess\u00e1rio, n\u00e3o causa preju\u00edzos (se respeitadas as normas) e, por fim, de que sem aqueles venenos seria imposs\u00edvel manter a produ\u00e7\u00e3o e combater a fome.<br><br>O conflito tem apenas dois lados: o agroneg\u00f3cio viciado em agrot\u00f3xicos que defende o dinheiro acima de tudo, contra a sa\u00fade dos ecossistemas e de todas as criaturas que habitam o vasto territ\u00f3rio deste pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Os defensores da ind\u00fastria de venenos sustentam que est\u00e3o no seu direito. Que respeitando as leis qualquer pessoa pode fazer o que bem entender, nos espa\u00e7os sob seu controle. E se apoiam na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/lei\/l14785.htm\">lei dos agrot\u00f3xicos<\/a>, que a bancada ruralista imp\u00f4s a todos os brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E de fato, aquela lei (mais conhecida como o&nbsp;<a href=\"https:\/\/abrasco.org.br\/download\/dossie-contra-o-pacote-do-veneno-e-em-defesa-da-vida\/\">Pacote do Veneno<\/a>) lhes permite n\u00e3o apenas envenenar os solos e as \u00e1guas do Brasil, como tamb\u00e9m inviabilizar que outros agricultores trabalhem conforme previsto pelas normas de outra lei, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.831.htm\">lei da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica<\/a>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Simples assim: as exig\u00eancias legais estabelecidas na lei da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, que assegurariam o direito ao trabalho e \u00e0 renda, para aqueles agricultores que pretendem dispensar o uso de venenos e oferecer produtos saud\u00e1veis aos consumidores e \u00e0s empresas do ramo aliment\u00edcio preocupados com a minimiza\u00e7\u00e3o de riscos \u00e0 sa\u00fade de seus familiares e clientes, n\u00e3o podem ser cumpridas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 o que os agricultores org\u00e2nicos, aqueles que buscam desenvolver pr\u00e1ticas de base agroecol\u00f3gica possam fazer para impedir que o venenos jogados no ar e nas \u00e1guas, por seus vizinhos veneneiros, cheguem at\u00e9 eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Em realidade, nem aqueles que usam os venenos, nem aqueles os rejeitam, nem todos os demais brasileiros afetados por doen\u00e7as cr\u00f4nicas provocadas pelos agrot\u00f3xicos, podem fazer qualquer coisa para evitar que seu lan\u00e7amento no ar e sua onipresen\u00e7a nas \u00e1guas, cheguem at\u00e9 os corpos de seus familiares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto n\u00e3o apenas o direito \u00e0 sa\u00fade humana e ambiental, mas tamb\u00e9m o direito ao trabalho, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos limpos, e ao pr\u00f3prio futuro, est\u00e3o sendo comprometidos em favor do privil\u00e9gio atribu\u00eddo \u00e0 lei dos agrot\u00f3xicos. Isso se d\u00e1 de maneira ofensiva aos direitos humanos e a todos os demais princ\u00edpios constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, a Audi\u00eancia P\u00fablica (AP) em Nova Santa Rita, munic\u00edpio escolhido entre outros motivos pelos trabalhos ali desenvolvidos com apoio da municipalidade, em favor da produ\u00e7\u00e3o de alimentos limpos, tratou disso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na AP, o prefeito Rodrigo Batistella promulgou lei municipal que ampliar\u00e1 o controle, a fiscaliza\u00e7\u00e3o e o monitoramento do uso de agrot\u00f3xicos naquele munic\u00edpio. O presidente da C\u00e2mara de Vereadores, Emerson Giacomelli, salientou que Nova Santa Rita disp\u00f5e agora de mais de 20 normas legais, agendas e programas orientados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da natureza e ao est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos limpos, evidenciando os compromissos e os investimentos da comunidade, visando dar concretude \u00e0 agroecologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lara Rodrigues da Silveira, representando a coordena\u00e7\u00e3o nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) destacou a import\u00e2ncia daqueles e de outros cuidados desenvolvidos pela consci\u00eancia e pelo trabalho coletivo, para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade baseada em compromissos com a justi\u00e7a e a solidariedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e2nia Gomes Bischoff, da Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Pra\u00e7a Andr\u00e9 Forster \u2013&nbsp;&nbsp;Comiss\u00e3o da Unidade da Feira Ecol\u00f3gica Andr\u00e9 Forster (que ocorre no bairro Petr\u00f3polis, Porto Alegre e \u00e9 atendida por agricultores org\u00e2nicos de Nova Santa Rita), falando sobre a essencialidade daqueles la\u00e7os de confiabilidade e respeito m\u00fatuo, entre cidad\u00e3os produtores e consumidores, afirmou (citando o filosofo coreno Byung-Chul Han): \u201co sujeito do futuro, \u00e9 n\u00f3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O procurador federal Marco Delfino, que atua no Mato Grosso do Sul, iniciou sua exposi\u00e7\u00e3o lembrando que efetivamente, os direitos s\u00f3 existem quando s\u00e3o conquistados. E que os avan\u00e7os neste sentido sempre exigiram e exigir\u00e3o consci\u00eancia, empenho e sacrif\u00edcios, em uma luta desigual contra interesses que se revelam desumanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Usou a figura do colonialismo e o exemplo dos danos causados a todos os organismos vivos, pelas dioxinas. Estas subst\u00e2ncias, resultantes de altera\u00e7\u00f5es no processo produtivo de herbicidas a base de 2,4 D, seriam causadoras de doen\u00e7as e deforma\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas observadas no&nbsp;<a href=\"https:\/\/blogdopedlowski.com\/2025\/04\/25\/a-nevoa-da-guerra-os-efeitos-persistentes-do-agente-laranja-no-vietna\/\">Vietn\u00e3<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para localizar guerrilheiros vietnamitas, escondidos nas florestas, o ex\u00e9rcito norte americano utilizou massivamente o chamado \u201cagente laranja\u201d. Tratava-se de combina\u00e7\u00e3o envolvendo o 2,4D, o 2,4-5T e piretrina. As dioxinas ali presentes provocaram as altera\u00e7\u00f5es observadas em todos os organismos envolvidos naqueles eventos, e em seus descendentes, at\u00e9 os dias de hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os soldados norte-americanos obtiveram reconhecimento da causa, e isto teria gerado indeniza\u00e7\u00f5es de US$ 180 milh\u00f5es, \u00e0s fam\u00edlias dos ex-combatentes afetados. Por\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o aos vietnamitas, as empresas envolvidas n\u00e3o reconhecem suas responsabilidades. L\u00e1, como aqui no Brasil, \u201ca nega\u00e7\u00e3o \u00e9 o mantra\u201d, disse Delfino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E isso se repete no caso dos herbicidas&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.iarc.who.int\/featured-news\/media-centre-iarc-news-glyphosate\/\">Glifosato<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/campinas-regiao\/noticia\/2025\/12\/08\/herbicida-usado-em-lavouras-no-brasil-e-reclassificado-pela-oms-como-provavel-causador-de-cancer.ghtml\">Atrazina<\/a>, classificados pelo IARC como possivelmente cancer\u00edgenos para humanos, e presentes na \u00e1gua que bebemos (isso significa que em animais de teste aqueles venenos provocam c\u00e2ncer). Na aus\u00eancia de testes de laborat\u00f3rio com pessoas, as evid\u00eancias difusamente observadas no mundo real, s\u00e3o desconsideradas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A nega\u00e7\u00e3o \u00e9 de fato, um mantra.<\/p>\n\n\n\n<p>O que pensar por exemplo, do fato de que o Minist\u00e9rio da Agricultura, que tem por fun\u00e7\u00e3o institucional proteger os agricultores, TODOS OS AGRICULTORES, estimule atividades que inviabilizam os agricultores org\u00e2nicos?<\/p>\n\n\n\n<p>O que pensar de responsabilidades que, negligenciadas pelos poderes legislativo e judici\u00e1rio, permitem a determinada pasta do Executivo, capturada pelos interesses de algumas transnacionais, negar a ci\u00eancia e anular os esfor\u00e7os de outros minist\u00e9rios, aqueles comprometidos com a sa\u00fade de mais de 200 milh\u00f5es de brasileiros?<\/p>\n\n\n\n<p>Isto, que vem sendo permitido pela ignor\u00e2ncia, apatia e desinforma\u00e7\u00e3o dominantes na sociedade, e que tem sido reiteradamente denunciado pelos&nbsp;&nbsp;27 F\u00f3runs Estaduais e pelo F\u00f3rum Nacional de Combate aos Agrot\u00f3xicos,&nbsp;<a href=\"https:\/\/contraosagrotoxicos.org\/\">pela Campanha Permamente Contra os Agrotoxios e pela Vida<\/a>,&nbsp;&nbsp;pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/abrasco.org.br\/download\/dossie-contra-o-pacote-do-veneno-e-em-defesa-da-vida\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva<\/a>, pela Articula\u00e7\u00e3o Nacional e pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia, entre centenas de outras entidades e organiza\u00e7\u00f5es sociais comprometidas com o tema, parece n\u00e3o ter fim.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 quando?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na AP de Nova Santa Rita o coordenador adjunto do F\u00f3rum Ga\u00facho, representante da sociedade civil, S\u00e9rgio Poleto (presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Trabalhadores Rurais Assalariados \u2013 RS) denunciou que no munic\u00edpio de Vacaria as evid\u00eancias de conex\u00f5es entre o uso de agrot\u00f3xicos e a explos\u00e3o de casos de perdas de gesta\u00e7\u00e3o, autismo e c\u00e2ncer infantil s\u00e3o ineg\u00e1veis e est\u00e3o documentadas. Emerson Giacomelli (presidente da C\u00e2mara de Vereadores de Nova Santa Rita) refor\u00e7ou aquela afirma\u00e7\u00e3o com a not\u00edcia de que em seu munic\u00edpio, que tem 30 mil habitantes e pouco mais de 6 mil estudantes, j\u00e1 existiriam 1020 casos com laudos de patologias relacionadas ao uso de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 este o ponto: estamos permitindo que uma combina\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00f5es deficientes, contradit\u00f3rias e amea\u00e7adoras \u00e0 civilidade, agravadas pela inoper\u00e2ncia de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas geridas de maneira irrespons\u00e1vel e sob o est\u00edmulo de campanhas de marketing entorpecedoras da consci\u00eancia social, nos imponha este presente triste, e nos roube o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo Raguse, representante da organiza\u00e7\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?page_id=6832\">Amigas da Terra<\/a>&nbsp;entregou ao F\u00f3rum, uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/15UcGx0F8TlbFyuM0vaEd8319RASNFEzyaLoglbO-4gU\/edit?tab=t.0\">carta<\/a>&nbsp;assinada por mais de uma centena de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, recomendando, entre outros aspectos, que todos nos empenhemos para obten\u00e7\u00e3o de avan\u00e7os no sentido de comprometimentos com a realiza\u00e7\u00e3o de medidas que assegurem (1) o Fortalecimento da fiscaliza\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, (2) a Inclus\u00e3o dos drones na proibi\u00e7\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, (3) a Cria\u00e7\u00e3o de um Pol\u00edgono EFETIVO de Exclus\u00e3o da Pulveriza\u00e7\u00e3o A\u00e9rea na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre, (4) a Prote\u00e7\u00e3o da \u00e1gua destinada ao abastecimento p\u00fablico e (5) o Fortalecimento da agroecologia e da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente se trata de algo que ser\u00e1 alcan\u00e7ado atrav\u00e9s da conquista de maiores espa\u00e7os para defesa dos direitos que nos est\u00e3o sendo negados. E isto depender\u00e1 do fortalecimento da representa\u00e7\u00e3o da sociedade e da natureza, nos poderes executivo e legislativo que a partir de outubro definir\u00e3o os caminhos de nosso pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, enfim, de assumir que o \u201cn\u00f3s\u201d \u00e9 o sujeito do futuro. Trata-se de fazermos o que for poss\u00edvel para retirar de cena, pelo voto, aqueles agentes a servi\u00e7o das ind\u00fastrias do veneno que tomam decis\u00f5es e fazem leis contra nossa sa\u00fade, no congresso federal e em institui\u00e7\u00f5es dos executivo federal e estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Se trata, t\u00e3o somente, de olhar no rastro de vida e nas associa\u00e7\u00f5es e parcerias que envolvem cada um dos candidatos, e votar com consci\u00eancia, como quem luta em favor da paz em vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma m\u00fasica? Emicida:\u00a0<em>Tudo que n\u00f3is tem \u00e9 n\u00f3is!<\/em><br><br><em><a href=\"applewebdata:\/\/DB1325CA-A0C9-4BEA-BEB1-B01EA12C2E0D#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0At\u00e9 o momento o FGCIA realizou APs similares em Iju\u00ed, em 09\/04\/2015; em Pelotas em 16\/09\/2015; em Caxias do Sul em 04\/11\/2015; em Porto Alegre em 08\/06\/2016; em Encantado em 21\/09\/2016; em Os\u00f3rio em 12\/05\/2017; em Tupanciret\u00e3 25\/08\/2017; em Rio Grande em 06\/04\/2018; em Santa Cruz do Sul em 24\/08\/2018; em Passo Fundo em 30\/11\/2018; em Palmeira das Miss\u00f5es em 15\/05\/2019; em Santa Rosa em 05\/09\/2019; em Alegrete em 26\/11\/2019; em Vacaria em 09\/10\/2023; em Santa Vit\u00f3ria do Palmar em 30\/08\/2024; em Bag\u00e9 em 06\/10\/2025, em Nova Santa Rita 02\/07\/2026.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Coluna divulgada originalmente no Jornal Brasil de Fato, em: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/leonardo-melgarejo\/2026\/07\/06\/o-sujeito-da-esperanca-e-nos\/\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/leonardo-melgarejo\/2026\/07\/06\/o-sujeito-da-esperanca-e-nos\/<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Leonardo Melgarejo, Engenheiro Agron\u00f4mo, MsC em Economia Rural, Dr. em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o. Extensionista rural aposentado, fot\u00f3grafo. No Brasil e em Nova Santa Rita (RS) ocorre um conflito que exige interven\u00e7\u00e3o decisiva por parte das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas Neste dia 2 de julho, o F\u00f3rum Ga\u00facho de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos realizou, em parceria com a Prefeitura, a C\u00e2mara de Vereadores e a comunidade de Nova Santa Rita, sua&nbsp;d\u00e9cima s\u00e9tima Audi\u00eancia P\u00fablica[1]&nbsp;(AP). O objetivo: estimular debates, alertar a sociedade sobre os perigos causados pelos agrot\u00f3xicos, escutar depoimentos, colher dar encaminhamento a den\u00fancias e sugest\u00f5es. O fato: como em todo o Brasil, em Nova Santa Rita ocorre um conflito que exige interven\u00e7\u00e3o decisiva por parte das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.&nbsp; E a sociedade precisa ter consci\u00eancia disso.&nbsp; Se trata da constru\u00e7\u00e3o de mecanismos para exig\u00eancia de atendimento a direitos que est\u00e3o sendo ofendidos gra\u00e7as \u00e0 omiss\u00e3o, \u00e0 ignor\u00e2ncia, \u00e0 coniv\u00eancia, \u00e0 hipocrisia de gestores, legisladores e divulgadores da cren\u00e7a mentirosa de que o uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 necess\u00e1rio, n\u00e3o causa preju\u00edzos (se respeitadas as normas) e, por fim, de que sem aqueles venenos seria imposs\u00edvel manter a produ\u00e7\u00e3o e combater a fome. O conflito tem apenas dois lados: o agroneg\u00f3cio viciado em agrot\u00f3xicos que defende o dinheiro acima de tudo, contra a sa\u00fade dos ecossistemas e de todas as criaturas que habitam o vasto territ\u00f3rio deste pa\u00eds. Os defensores da ind\u00fastria de venenos sustentam que est\u00e3o no seu direito. Que respeitando as leis qualquer pessoa pode fazer o que bem entender, nos espa\u00e7os sob seu controle. E se apoiam na&nbsp;lei dos agrot\u00f3xicos, que a bancada ruralista imp\u00f4s a todos os brasileiros.&nbsp; E de fato, aquela lei (mais conhecida como o&nbsp;Pacote do Veneno) lhes permite n\u00e3o apenas envenenar os solos e as \u00e1guas do Brasil, como tamb\u00e9m inviabilizar que outros agricultores trabalhem conforme previsto pelas normas de outra lei, a&nbsp;lei da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica.&nbsp;&nbsp; Simples assim: as exig\u00eancias legais estabelecidas na lei da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, que assegurariam o direito ao trabalho e \u00e0 renda, para aqueles agricultores que pretendem dispensar o uso de venenos e oferecer produtos saud\u00e1veis aos consumidores e \u00e0s empresas do ramo aliment\u00edcio preocupados com a minimiza\u00e7\u00e3o de riscos \u00e0 sa\u00fade de seus familiares e clientes, n\u00e3o podem ser cumpridas.&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 o que os agricultores org\u00e2nicos, aqueles que buscam desenvolver pr\u00e1ticas de base agroecol\u00f3gica possam fazer para impedir que o venenos jogados no ar e nas \u00e1guas, por seus vizinhos veneneiros, cheguem at\u00e9 eles. Em realidade, nem aqueles que usam os venenos, nem aqueles os rejeitam, nem todos os demais brasileiros afetados por doen\u00e7as cr\u00f4nicas provocadas pelos agrot\u00f3xicos, podem fazer qualquer coisa para evitar que seu lan\u00e7amento no ar e sua onipresen\u00e7a nas \u00e1guas, cheguem at\u00e9 os corpos de seus familiares.&nbsp; Portanto n\u00e3o apenas o direito \u00e0 sa\u00fade humana e ambiental, mas tamb\u00e9m o direito ao trabalho, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos limpos, e ao pr\u00f3prio futuro, est\u00e3o sendo comprometidos em favor do privil\u00e9gio atribu\u00eddo \u00e0 lei dos agrot\u00f3xicos. Isso se d\u00e1 de maneira ofensiva aos direitos humanos e a todos os demais princ\u00edpios constitucionais. Pois bem, a Audi\u00eancia P\u00fablica (AP) em Nova Santa Rita, munic\u00edpio escolhido entre outros motivos pelos trabalhos ali desenvolvidos com apoio da municipalidade, em favor da produ\u00e7\u00e3o de alimentos limpos, tratou disso.&nbsp; Na AP, o prefeito Rodrigo Batistella promulgou lei municipal que ampliar\u00e1 o controle, a fiscaliza\u00e7\u00e3o e o monitoramento do uso de agrot\u00f3xicos naquele munic\u00edpio. O presidente da C\u00e2mara de Vereadores, Emerson Giacomelli, salientou que Nova Santa Rita disp\u00f5e agora de mais de 20 normas legais, agendas e programas orientados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da natureza e ao est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos limpos, evidenciando os compromissos e os investimentos da comunidade, visando dar concretude \u00e0 agroecologia.&nbsp; Lara Rodrigues da Silveira, representando a coordena\u00e7\u00e3o nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) destacou a import\u00e2ncia daqueles e de outros cuidados desenvolvidos pela consci\u00eancia e pelo trabalho coletivo, para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade baseada em compromissos com a justi\u00e7a e a solidariedade.&nbsp; T\u00e2nia Gomes Bischoff, da Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Pra\u00e7a Andr\u00e9 Forster \u2013&nbsp;&nbsp;Comiss\u00e3o da Unidade da Feira Ecol\u00f3gica Andr\u00e9 Forster (que ocorre no bairro Petr\u00f3polis, Porto Alegre e \u00e9 atendida por agricultores org\u00e2nicos de Nova Santa Rita), falando sobre a essencialidade daqueles la\u00e7os de confiabilidade e respeito m\u00fatuo, entre cidad\u00e3os produtores e consumidores, afirmou (citando o filosofo coreno Byung-Chul Han): \u201co sujeito do futuro, \u00e9 n\u00f3s\u201d. O procurador federal Marco Delfino, que atua no Mato Grosso do Sul, iniciou sua exposi\u00e7\u00e3o lembrando que efetivamente, os direitos s\u00f3 existem quando s\u00e3o conquistados. E que os avan\u00e7os neste sentido sempre exigiram e exigir\u00e3o consci\u00eancia, empenho e sacrif\u00edcios, em uma luta desigual contra interesses que se revelam desumanos. Usou a figura do colonialismo e o exemplo dos danos causados a todos os organismos vivos, pelas dioxinas. Estas subst\u00e2ncias, resultantes de altera\u00e7\u00f5es no processo produtivo de herbicidas a base de 2,4 D, seriam causadoras de doen\u00e7as e deforma\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas observadas no&nbsp;Vietn\u00e3. Para localizar guerrilheiros vietnamitas, escondidos nas florestas, o ex\u00e9rcito norte americano utilizou massivamente o chamado \u201cagente laranja\u201d. Tratava-se de combina\u00e7\u00e3o envolvendo o 2,4D, o 2,4-5T e piretrina. As dioxinas ali presentes provocaram as altera\u00e7\u00f5es observadas em todos os organismos envolvidos naqueles eventos, e em seus descendentes, at\u00e9 os dias de hoje.&nbsp; Os soldados norte-americanos obtiveram reconhecimento da causa, e isto teria gerado indeniza\u00e7\u00f5es de US$ 180 milh\u00f5es, \u00e0s fam\u00edlias dos ex-combatentes afetados. Por\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o aos vietnamitas, as empresas envolvidas n\u00e3o reconhecem suas responsabilidades. L\u00e1, como aqui no Brasil, \u201ca nega\u00e7\u00e3o \u00e9 o mantra\u201d, disse Delfino.&nbsp; E isso se repete no caso dos herbicidas&nbsp;Glifosato&nbsp;e&nbsp;Atrazina, classificados pelo IARC como possivelmente cancer\u00edgenos para humanos, e presentes na \u00e1gua que bebemos (isso significa que em animais de teste aqueles venenos provocam c\u00e2ncer). Na aus\u00eancia de testes de laborat\u00f3rio com pessoas, as evid\u00eancias difusamente observadas no mundo real, s\u00e3o desconsideradas.&nbsp; A nega\u00e7\u00e3o \u00e9 de fato, um mantra. O que pensar por exemplo, do fato de que o Minist\u00e9rio da Agricultura, que tem por fun\u00e7\u00e3o institucional proteger os agricultores, TODOS OS AGRICULTORES, estimule atividades que inviabilizam os agricultores org\u00e2nicos? 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