{"id":11359,"date":"2026-06-05T11:42:39","date_gmt":"2026-06-05T14:42:39","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11359"},"modified":"2026-06-09T12:20:37","modified_gmt":"2026-06-09T15:20:37","slug":"cmpc-as-arterias-da-exploracao-que-ligam-a-oligarquia-chilena-ao-sul-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11359","title":{"rendered":"CMPC: as art\u00e9rias da explora\u00e7\u00e3o que ligam a oligarquia chilena ao sul do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Herdeira de uma hist\u00f3rica concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no Chile, a companhia de celulose avan\u00e7a sobre novos territ\u00f3rios no Rio Grande do Sul.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/55282945228_12d1d47821_o-1-scaled-1-1024x683.jpg?wsr\" alt=\"\" class=\"wp-image-11360\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/55282945228_12d1d47821_o-1-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/55282945228_12d1d47821_o-1-scaled-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/55282945228_12d1d47821_o-1-scaled-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/55282945228_12d1d47821_o-1-scaled-1.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A\u00e7\u00e3o realizada em frente \u00e0 Assembleia Legislativa durante audi\u00eancia p\u00fablica que questionou o \u201cProjeto Natureza\u201d, da CMPC Celulose. Foto: Ma\u00ed Yandara\/Amigas da Terra Brasil.<\/em><br><br><em>Por Roberto Liebgott e Ivan Cesar Cima, do Cimi Regional Sul | Publicado originalmente em: <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2026\/06\/cmpc-exploracao-oligarquia-chilena-sul-brasil\/\">https:\/\/cimi.org.br\/2026\/06\/cmpc-exploracao-oligarquia-chilena-sul-brasil\/<\/a> <\/em><br><br>A Companhia Manufatureira de Pap\u00e9is e Cart\u00f5es (CMPC), apresentada como s\u00edmbolo de progresso e desenvolvimento, \u00e9, na realidade, parte de uma longa engrenagem hist\u00f3rica de explora\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e devasta\u00e7\u00e3o ambiental na Am\u00e9rica Latina. Controlada pela oligarquia chilena da fam\u00edlia Matte, a empresa carrega consigo uma heran\u00e7a constru\u00edda ao longo dos s\u00e9culos XIX, XX e XXI sobre a apropria\u00e7\u00e3o violenta da terra, a expropria\u00e7\u00e3o de povos ind\u00edgenas e a destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da natureza.<br><br><strong>Seus tent\u00e1culos atravessam fronteiras e suas art\u00e9rias de domina\u00e7\u00e3o avan\u00e7am sem limites e sem escr\u00fapulos.<\/strong><br><br>No Chile, a fam\u00edlia Matte consolidou um vasto imp\u00e9rio territorial de milh\u00f5es de hectares, muitos deles sobre territ\u00f3rios historicamente pertencentes ao povo Mapuche. A expans\u00e3o das empresas florestais chilenas intensificou-se especialmente durante a ditadura de Augusto Pinochet, quando pol\u00edticas p\u00fablicas, incentivos fiscais e subs\u00eddios estatais favoreceram a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e fortaleceram grandes conglomerados privados ligados ao setor de celulose e papel.<br><br>Foi nesse per\u00edodo que monoculturas extensivas de pinus e eucalipto avan\u00e7aram sobre territ\u00f3rios ancestrais, reduzindo florestas nativas, comprometendo cursos d\u2019\u00e1gua e aprofundando os conflitos territoriais. O povo Mapuche passou a denunciar, cada vez mais intensamente, a viol\u00eancia estrutural promovida pelas corpora\u00e7\u00f5es florestais e pelo Estado chileno.<br><br>No Paraguai e no Brasil, os grupos ligados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o da erva-mate instalaram-se ainda no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, submetendo povos ind\u00edgenas Guarani \u2013 Av\u00e1 e Kaiow\u00e1 \u2013 a condi\u00e7\u00f5es brutais de explora\u00e7\u00e3o, expuls\u00e3o territorial e escraviza\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria econ\u00f4mica da regi\u00e3o sul da Am\u00e9rica Latina est\u00e1 profundamente marcada pela apropria\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e pela transforma\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios em m\u00e3o de obra precarizada a servi\u00e7o dos grandes empreendimentos privados.<br><br>Para ampliar seus lucros e alimentar uma ambi\u00e7\u00e3o sem freios, esses grupos econ\u00f4micos associaram-se a outros setores igualmente comprometidos com a degrada\u00e7\u00e3o da terra, da \u00e1gua e da vida. O itiner\u00e1rio \u00e9 conhecido: minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, monoculturas extensivas, concentra\u00e7\u00e3o de riquezas e destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<br><br>Hoje, constituem conglomerados poderosos, articulados \u00e0s grandes cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o de celulose, papel e exporta\u00e7\u00e3o de commodities, controlando extensos territ\u00f3rios em diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<br><br>No Rio Grande do Sul, a multinacional chilena CMPC j\u00e1 atua h\u00e1 d\u00e9cadas e controla centenas de milhares de hectares de terras ocupadas por monoculturas de eucalipto. Agora, pretende ampliar ainda mais sua capacidade produtiva, instalando uma nova f\u00e1brica de papel em Barra do Ribeiro, pr\u00f3ximo \u00e0 Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre.\u00a0Segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2026\/02\/projeto-celulose-ameaca-indigenas-guarani-mbya-rs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">reportagem publicada pela Ag\u00eancia P\u00fablica<\/a>, o chamado \u201cProjeto Natureza\u201d, \u00e9 o maior investimento privado da hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul, e deve custar R$ 25 bilh\u00f5es \u00e0 empresa. O potencial econ\u00f4mico do empreendimento \u00e9 gigantesco. Gigantescos tamb\u00e9m ser\u00e3o os impactos.<br><br>A expans\u00e3o das monoculturas amea\u00e7a a biodiversidade, compromete as \u00e1guas do Gua\u00edba, afeta nascentes, empobrece o solo, destr\u00f3i campos nativos do Pampa e sufoca comunidades inteiras. Pescadores artesanais, agricultores familiares, povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais convivem diretamente com os efeitos sociais e ambientais desse modelo econ\u00f4mico concentrador.<br><br>As monoculturas de \u00e1rvores, chamadas por movimentos populares e pesquisadores de \u201cdesertos verdes\u201d, n\u00e3o podem ser confundidas com florestas. S\u00e3o planta\u00e7\u00f5es industriais voltadas exclusivamente ao abastecimento das cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o. Produzem riqueza concentrada e deixam pobreza social e degrada\u00e7\u00e3o ambiental nos territ\u00f3rios atingidos.<br><br>Com desfa\u00e7atez, as corpora\u00e7\u00f5es apresentam-se como defensoras da natureza. Apropriam-se do discurso ambiental enquanto expandem monoculturas homog\u00eaneas sobre extensas \u00e1reas de terra. Vendem-se como benfeitoras do Estado, amigas das florestas, promotoras da sustentabilidade e portadoras da esperan\u00e7a para regi\u00f5es empobrecidas do Rio Grande do Sul.<br><br>Nas propagandas e redes sociais, surgem como pacificadoras, criadoras de empregos, distribuidoras de renda e representantes do progresso econ\u00f4mico. S\u00e3o projetadas como novos messias do desenvolvimento, mas basta que sejam contrariadas para revelar sua verdadeira face.<br><br>Atacam cr\u00edticos, perseguem opositores, desqualificam movimentos sociais e tentam silenciar aqueles que ousam questionar seus empreendimentos e suas pr\u00e1ticas predat\u00f3rias. Depois recorrem \u00e0 chantagem econ\u00f4mica: amea\u00e7am partir, retirar investimentos e abandonar o Estado como se fossem propriet\u00e1rias do destino coletivo.<br><br>Que partam em definitivo e parem de vender ilus\u00f5es embaladas em marketing verde. Porque as riquezas produzidas n\u00e3o permanecem nos territ\u00f3rios. O que fica s\u00e3o os passivos ambientais, os conflitos sociais, a concentra\u00e7\u00e3o da terra, a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e as cicatrizes abertas nas comunidades atingidas.<br><br>Nenhum projeto baseado na devasta\u00e7\u00e3o pode ser chamado de desenvolvimento. Nenhuma monocultura pode substituir os modos de ser e viver dos povos. Nenhuma propaganda sustent\u00e1vel apagar\u00e1 os rastros hist\u00f3ricos de destrui\u00e7\u00e3o deixados pelas art\u00e9rias do capital sobre os territ\u00f3rios origin\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina.<br><br>O que se apresenta como moderniza\u00e7\u00e3o \u00e9, muitas vezes, apenas a continuidade sofisticada das velhas estruturas coloniais de explora\u00e7\u00e3o. Mudam-se os discursos, refinam-se as propagandas, multiplicam-se os selos verdes e os relat\u00f3rios de sustentabilidade, mas permanece intacta a l\u00f3gica da expropria\u00e7\u00e3o: retirar da terra o m\u00e1ximo poss\u00edvel, concentrar riqueza e socializar destrui\u00e7\u00e3o.<br><br>A Am\u00e9rica Latina conhece profundamente essas art\u00e9rias de explora\u00e7\u00e3o. Elas atravessam s\u00e9culos. E continuam abertas.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-17.51.10-scaled-1-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11361\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-17.51.10-scaled-1-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-17.51.10-scaled-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-17.51.10-scaled-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-03-at-17.51.10-scaled-1.jpeg 1050w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Audi\u00eancia P\u00fablica sobre instala\u00e7\u00e3o de nova f\u00e1brica da CMPC realizada no dia 20 de maio de 2026 na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Foto: Roberto Liebgott\/Cimi.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Herdeira de uma hist\u00f3rica concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no Chile, a companhia de celulose avan\u00e7a sobre novos territ\u00f3rios no Rio Grande do Sul.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11360,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600,498,8,602,7,5,1835],"tags":[2142,2143,2146,1812,2147,1813,2027,2150,2149,2145,807,2144,1467,513,2137,2151,1862,2148],"class_list":["post-11359","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antirracismo","category-defensoras-e-defensores-dos-territorios","category-florestas-e-biodiversidade","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-justica-economica","category-soberania-alimentar","category-saeb","tag-ameacas-da-celulose","tag-ampliacao-cmpc","tag-audiencia-publica-projeto-natureza","tag-celulose","tag-cimisul","tag-cmpc","tag-cmpc-devolve-o-pampa-ja","tag-defesa-do-guaiba","tag-defesa-do-pampoa","tag-impactos-cmpc-rs","tag-monocultivos","tag-nova-fabrica-cmpc","tag-oit-169","tag-pampa","tag-projeto-natureza","tag-quem-planta-mponocultivo-colhe-emergencia-climatica","tag-quem-ve-arvore-nao-ve-floresta","tag-violacao-da-oit-169"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11359"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11363,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11359\/revisions\/11363"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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