{"id":11281,"date":"2026-05-05T21:22:00","date_gmt":"2026-05-06T00:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11281"},"modified":"2026-05-06T18:24:53","modified_gmt":"2026-05-06T21:24:53","slug":"cmpc-nova-fabrica-velhos-impactos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11281","title":{"rendered":"CMPC: Nova f\u00e1brica, velhos impactos?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Eduardo Raguse* <\/em><br><br>Por volta das 13:40, do dia 05 de maio de 2026, ocorreu a despressuriza\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia da caldeira da f\u00e1brica de celulose da empresa CMPC, no munic\u00edpio de Gua\u00edba. O evento causou grande susto e apreens\u00e3o entre os moradores do entorno da ind\u00fastria devido ao ru\u00eddo fort\u00edssimo, odor e grande quantidade de emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas (com chuvisqueiro nas casas dos moradores). H\u00e1 relatos de pessoas com dor nos ouvidos, dor de cabe\u00e7a e mal-estar, e de animais dom\u00e9sticos assustados. Apesar da empresa informar em comunicado aos morados de que a situa\u00e7\u00e3o se normalizaria em aproximadamente 20 minutos, a dura\u00e7\u00e3o foi de cerca de uma hora. <\/p>\n\n\n\n<p>A despressuriza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o emergencial para evitar acidentes maiores como rompimentos, vazamentos ou explos\u00e3o, e segundo informa\u00e7\u00f5es extraoficiais, teria sido realizada por ter sido encontrada uma \u201crachadura\u201d em alguma das estruturas do equipamento. Em resposta aos diversos moradores que acionaram o n\u00famero de Emerg\u00eancia Ambiental da FEPAM, o \u00f3rg\u00e3o ambiental respondeu: \u201cA CMPC informou que tiveram que realizar esse procedimento de forma emergencial visto suspeita de vazamento da caldeira.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que ocorrem epis\u00f3dios de emerg\u00eancia na empresa, principalmente ap\u00f3s a quadruplica\u00e7\u00e3o de sua capacidade produtiva, ocorrida em 2015, autorizada atrav\u00e9s de um licenciamento ambiental que se mostrou, se n\u00e3o completamente equivocado tecnicamente, com muitos limites que deveriam ser revistos, j\u00e1 que claramente o ambiente local demonstra n\u00e3o ter capacidade de suporte para os riscos e impactos causados, que foram objeto de muito enfrentamento de moradores locais, e at\u00e9 processo judicial por crime ambiental, situa\u00e7\u00e3o que foi \u201cacomodada\u201d atrav\u00e9s de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela CMPC com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, e por uma compra estrat\u00e9gica de casas de parte destes moradores, pela empresa. <br><br><br><br><strong>Segue um pequeno hist\u00f3rico:<br><\/strong><br>Em maio de 2015, cinco trabalhadores da empresa foram hospitalizados e a empresa fechada pela FEPAM ap\u00f3s vazamento de di\u00f3xido de cloro. Em maio de 2016, dez funcion\u00e1rios foram levados a atendimento m\u00e9dico ap\u00f3s vazamento do mesmo g\u00e1s. <br><br>Em fevereiro de 2017 houve um acidente grave nesta mesma caldeira, inaugurada h\u00e1 menos de dois anos, levando \u00e0 paraliza\u00e7\u00e3o total da f\u00e1brica nova at\u00e9 novembro de 2017. O caso foi parar em uma disputa judicial entre a empresa e a seguradora Mapfre, que teve que pagar R$ 1,1 bi de indeniza\u00e7\u00e3o.<br><br>Em fevereiro de 2019 um trabalhador morreu ap\u00f3s ser prensado por equipamento na f\u00e1brica. Em setembro de 2022 houve inc\u00eandio na caldeira da f\u00e1brica antiga, que segue em opera\u00e7\u00e3o. <br><br>Em fevereiro de 2025 houve, novamente, um grave vazamento de cloro, desta vez ultrapassando os limites do p\u00e1tio da empresa, levando moradores ao p\u00e2nico, com sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento, forte ard\u00eancia e queima\u00e7\u00e3o nos olhos e nariz, n\u00e1usea, saliva\u00e7\u00e3o e dor de cabe\u00e7a. Atingiu tamb\u00e9m trabalhadores e levou alguns ao desmaio. Parte da empresa foi evacuada e a opera\u00e7\u00e3o paralisada. <br><br>J\u00e1 ocorreu despressuriza\u00e7\u00e3o emergencial da caldeira inclusive durante a noite, em abril de 2025, onde apesar de ter sido noticiado ser uma opera\u00e7\u00e3o de rotina a empresa, depois de pressionada, admitiu aos moradores que foi mais uma a\u00e7\u00e3o emergencial. <br><br>Em junho de 2025 ocorreu a morte de um trabalhador terceirizado na f\u00e1brica, sem detalhes p\u00fablicos sobre o ocorrido. <br><br>Fora a constante gera\u00e7\u00e3o de ru\u00eddo (somente legalizada por uma outra \u201cacomoda\u00e7\u00e3o\u201d, desta vez no Plano Diretor de Gua\u00edba) e de odor de compostos reduzidos de enxofre, que ultrapassa os muros da empresa, atingindo diferentes pontos de Gua\u00edba, a depender da dire\u00e7\u00e3o dos ventos, desrespeitando de maneira continua a Licen\u00e7a de Opera\u00e7\u00e3o. <br><br>Estes epis\u00f3dios recorrentes, e outros que possivelmente n\u00e3o venham a p\u00fablico, acendem um alerta quanto \u00e0 qualidade e aos n\u00edveis de controle da opera\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a do trabalho desta ind\u00fastria de alto risco, que est\u00e1 instalada h\u00e1 poucos metros de centenas de resid\u00eancias da zona sul de Gua\u00edba. Fica explicito tamb\u00e9m a falta de um Plano de Emerg\u00eancia, ou mesmo qualquer tipo de orienta\u00e7\u00e3o aos moradores do entorno em casos de acidentes na empresa, os moradores literalmente n\u00e3o sabem para onde correr caso precisem se proteger de algum vazamento de g\u00e1s t\u00f3xico, inc\u00eandio ou explos\u00e3o na f\u00e1brica.<br><br>\u00c9 evidente, h\u00e1 anos, a necessidade de se garantir melhores condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a aos trabalhadores da CMPC e de qualidade de vida para os moradores do entorno, fatos que, mesmo sendo de alta gravidade, n\u00e3o tem medidas eficazes tomadas pelas autoridades respons\u00e1veis \u00e0 n\u00edvel municipal ou estadual, al\u00e9m disto estes fatos n\u00e3o s\u00e3o sequer discutidos pela sociedade, construindo uma apar\u00eancia de que as opera\u00e7\u00f5es industriais e os monocultivos de eucaliptos no Bioma Pampa n\u00e3o causam nenhum impacto, o que \u00e9 refor\u00e7ado pelas a\u00e7\u00f5es de m\u00eddia da CMPC, a patrocinadora do Campeonato Ga\u00facho de Futebol, que at\u00e9 tem um time fict\u00edcio chamado Defensores da Natureza! <br><br>Mas, para al\u00e9m do que ocorre onde a CMPC j\u00e1 opera, \u00e9 preciso alertar que a empresa est\u00e1 em processo de licenciamento ambiental para a instala\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica ainda maior que a de Gua\u00edba, no munic\u00edpio vizinho de Barra do Ribeiro. Utilizando o mesmo sistema de branqueamento, que n\u00e3o \u00e9 Totalmente Livre de Cloro, o que seria a melhor tecnologia dispon\u00edvel. Aqui questionamos tamb\u00e9m, ainda \u00e9 necess\u00e1rio seguir branqueando papel? <br><br>J\u00e1 foram identificadas, por um grupo multidisciplinar de t\u00e9cnicos e pesquisadores, uma s\u00e9rie de omiss\u00f5es, lacunas e problemas no Estudo de Impacto Ambiental do chamado \u201cProjeto Natureza\u201d, que faria uso massivo de \u00e1gua do Gua\u00edba e consequentemente despejaria uma nova carga de polui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m massiva em nosso querido e t\u00e3o maltratado manancial (242 milh\u00f5es de litros por dia, que somados aos 154 milh\u00f5es de litros j\u00e1 despejados por dia pela f\u00e1brica de Gua\u00edba equivalem \u00e0 um volume superior ao que Porto Alegre gera de esgoto diariamente), seus poluentes incluem o despejo potencial de dioxinas e furanos \u2013 altamente t\u00f3xicos, e elementos como nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo que podem agravar os epis\u00f3dios de flora\u00e7\u00e3o de cianobact\u00e9rias, que levam \u00e0quela conhecida colora\u00e7\u00e3o esverdeada e \u00e0s altera\u00e7\u00f5es de gosto e odor da nossa \u00e1gua e que tamb\u00e9m podem gerar subst\u00e2ncias t\u00f3xicas. Mais de mil pescadores podem ser impactados, segundo estimativas desta comunidade tradicional (que n\u00e3o est\u00e3o sequer sendo consultados), pois v\u00e1rios peixes sens\u00edveis podem sofrer com os efluentes e com o revolvimento do fundo do Gua\u00edba durante as obras. Seria ainda impactada a Praia das Areias Brancas, na Ponta do Salgado, na Barra do Ribeiro, local onde seria instalada a tubula\u00e7\u00e3o de efluentes at\u00e9 o Gua\u00edba. <br><br>O local que a empresa quer se instalar \u00e9 terra Mbya Guaran\u00ed, conhecida como Ponta da Formiga, e j\u00e1 \u00e9 p\u00fablico o imenso ass\u00e9dio que este povo est\u00e1 sofrendo por parte da empresa, que est\u00e1 inclusive pressionando o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal para que n\u00e3o siga com seu trabalho de defesa dos direitos deste povo origin\u00e1rio \u00e0 Consulta Livre, Pr\u00e9via e Informada, pressionam tamb\u00e9m a FUNAI para que garanta sua anu\u00eancia e a FEPAM para que garanta sua licen\u00e7a ambiental. O Governo do Estado j\u00e1 assinou Protocolo de Inten\u00e7\u00f5es garantindo isen\u00e7\u00f5es e diferimentos fiscais. <br><br>Outro aspecto que precisa de destaque \u00e9 o impacto nas estradas ga\u00fachas, segundo os dados da pr\u00f3pria empresa, at\u00e9 2032, haveria um incremento de mais de 25 caminh\u00f5es bi-trem de 36 toneladas, por hora, circulando em nossas estradas com toras de eucalipto, considerando seu regime de opera\u00e7\u00e3o de 24 horas por dia, 7 dias por semana, ter\u00edamos um incremento de mais de 600 bi-trem por dia, cerca de 19 mil caminh\u00f5es de quase 20 metros de comprimento e 36 toneladas a mais circulando. A intensa movimenta\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es de grande porte para o transporte de madeira dos plantios at\u00e9 as f\u00e1bricas, resulta em maior tr\u00e2nsito e riscos nas estradas, causando acidentes frequentes (na maioria dos casos fatais), al\u00e9m de desgastes e danos nas rodovias e estradas vicinais, e emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa neste transporte. <br><br>Al\u00e9m disto, todo o impacto que o aumento dos monocultivos de eucaliptos ir\u00e1 ocasionar no Bioma Pampa (\u00e1rea de expans\u00e3o dos plantios visada pela empresa), n\u00e3o est\u00e1 sendo considerado no processo de licenciamento ambiental. Maiores informa\u00e7\u00f5es sobre estes impactos e sobre quem \u00e9 a CMPC podem ser lidas no recente estudo produzido pela Amigas da Terra Brasil: Expans\u00e3o dos desertos verdes em um Pampa em extin\u00e7\u00e3o. <br><br>A sociedade ga\u00facha deve mais uma vez se mobilizar, assim como fez no caso da Mina Gua\u00edba, que seria a maior mina de carv\u00e3o \u00e0 c\u00e9u aberto do pa\u00eds, um projeto que no in\u00edcio parecia imposs\u00edvel de interromper, mas com organiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas independentes e de qualidade e muito debate p\u00fablico, se mostrou ser um projeto sem viabilidade ambiental e social. Ser\u00e1 que o Projeto Natureza tem esta viabilidade? Ser\u00e1 que \u00e9 bom para um RS em meio ao colapso ambiental? <br><br>Dia 15\/05, as 15:30, na Assembleia Legislativa do RS, em Porto Alegre, ocorrer\u00e1 uma Audi\u00eancia P\u00fablica para discutir os impactos socioambientais e o licenciamento ambiental desta nova f\u00e1brica de celulose! O assunto \u00e9 de interesse de todas e todos os ga\u00fachos, desta e das futuras gera\u00e7\u00f5es! Ta feito o convite!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-05-at-15.19.05-1-576x1024.jpeg?wsr\" alt=\"\" class=\"wp-image-11284\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-05-at-15.19.05-1-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-05-at-15.19.05-1-169x300.jpeg 169w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-05-at-15.19.05-1.jpeg 607w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>*<em> Engenheiro Ambiental, integra a organiza\u00e7\u00e3o Amigas da Terra Brasil <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DX-cb1BxF37\">https:\/\/www.instagram.com\/p\/DX-cb1BxF37<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eduardo Raguse* Por volta das 13:40, do dia 05 de maio de 2026, ocorreu a despressuriza\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia da caldeira da f\u00e1brica de celulose da empresa CMPC, no munic\u00edpio de Gua\u00edba. O evento causou grande susto e apreens\u00e3o entre os moradores do entorno da ind\u00fastria devido ao ru\u00eddo fort\u00edssimo, odor e grande quantidade de emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas (com chuvisqueiro nas casas dos moradores). H\u00e1 relatos de pessoas com dor nos ouvidos, dor de cabe\u00e7a e mal-estar, e de animais dom\u00e9sticos assustados. Apesar da empresa informar em comunicado aos morados de que a situa\u00e7\u00e3o se normalizaria em aproximadamente 20 minutos, a dura\u00e7\u00e3o foi de cerca de uma hora. A despressuriza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o emergencial para evitar acidentes maiores como rompimentos, vazamentos ou explos\u00e3o, e segundo informa\u00e7\u00f5es extraoficiais, teria sido realizada por ter sido encontrada uma \u201crachadura\u201d em alguma das estruturas do equipamento. Em resposta aos diversos moradores que acionaram o n\u00famero de Emerg\u00eancia Ambiental da FEPAM, o \u00f3rg\u00e3o ambiental respondeu: \u201cA CMPC informou que tiveram que realizar esse procedimento de forma emergencial visto suspeita de vazamento da caldeira.\u201d N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que ocorrem epis\u00f3dios de emerg\u00eancia na empresa, principalmente ap\u00f3s a quadruplica\u00e7\u00e3o de sua capacidade produtiva, ocorrida em 2015, autorizada atrav\u00e9s de um licenciamento ambiental que se mostrou, se n\u00e3o completamente equivocado tecnicamente, com muitos limites que deveriam ser revistos, j\u00e1 que claramente o ambiente local demonstra n\u00e3o ter capacidade de suporte para os riscos e impactos causados, que foram objeto de muito enfrentamento de moradores locais, e at\u00e9 processo judicial por crime ambiental, situa\u00e7\u00e3o que foi \u201cacomodada\u201d atrav\u00e9s de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela CMPC com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, e por uma compra estrat\u00e9gica de casas de parte destes moradores, pela empresa. Segue um pequeno hist\u00f3rico:Em maio de 2015, cinco trabalhadores da empresa foram hospitalizados e a empresa fechada pela FEPAM ap\u00f3s vazamento de di\u00f3xido de cloro. Em maio de 2016, dez funcion\u00e1rios foram levados a atendimento m\u00e9dico ap\u00f3s vazamento do mesmo g\u00e1s. Em fevereiro de 2017 houve um acidente grave nesta mesma caldeira, inaugurada h\u00e1 menos de dois anos, levando \u00e0 paraliza\u00e7\u00e3o total da f\u00e1brica nova at\u00e9 novembro de 2017. O caso foi parar em uma disputa judicial entre a empresa e a seguradora Mapfre, que teve que pagar R$ 1,1 bi de indeniza\u00e7\u00e3o. Em fevereiro de 2019 um trabalhador morreu ap\u00f3s ser prensado por equipamento na f\u00e1brica. Em setembro de 2022 houve inc\u00eandio na caldeira da f\u00e1brica antiga, que segue em opera\u00e7\u00e3o. Em fevereiro de 2025 houve, novamente, um grave vazamento de cloro, desta vez ultrapassando os limites do p\u00e1tio da empresa, levando moradores ao p\u00e2nico, com sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento, forte ard\u00eancia e queima\u00e7\u00e3o nos olhos e nariz, n\u00e1usea, saliva\u00e7\u00e3o e dor de cabe\u00e7a. Atingiu tamb\u00e9m trabalhadores e levou alguns ao desmaio. Parte da empresa foi evacuada e a opera\u00e7\u00e3o paralisada. J\u00e1 ocorreu despressuriza\u00e7\u00e3o emergencial da caldeira inclusive durante a noite, em abril de 2025, onde apesar de ter sido noticiado ser uma opera\u00e7\u00e3o de rotina a empresa, depois de pressionada, admitiu aos moradores que foi mais uma a\u00e7\u00e3o emergencial. Em junho de 2025 ocorreu a morte de um trabalhador terceirizado na f\u00e1brica, sem detalhes p\u00fablicos sobre o ocorrido. Fora a constante gera\u00e7\u00e3o de ru\u00eddo (somente legalizada por uma outra \u201cacomoda\u00e7\u00e3o\u201d, desta vez no Plano Diretor de Gua\u00edba) e de odor de compostos reduzidos de enxofre, que ultrapassa os muros da empresa, atingindo diferentes pontos de Gua\u00edba, a depender da dire\u00e7\u00e3o dos ventos, desrespeitando de maneira continua a Licen\u00e7a de Opera\u00e7\u00e3o. Estes epis\u00f3dios recorrentes, e outros que possivelmente n\u00e3o venham a p\u00fablico, acendem um alerta quanto \u00e0 qualidade e aos n\u00edveis de controle da opera\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a do trabalho desta ind\u00fastria de alto risco, que est\u00e1 instalada h\u00e1 poucos metros de centenas de resid\u00eancias da zona sul de Gua\u00edba. Fica explicito tamb\u00e9m a falta de um Plano de Emerg\u00eancia, ou mesmo qualquer tipo de orienta\u00e7\u00e3o aos moradores do entorno em casos de acidentes na empresa, os moradores literalmente n\u00e3o sabem para onde correr caso precisem se proteger de algum vazamento de g\u00e1s t\u00f3xico, inc\u00eandio ou explos\u00e3o na f\u00e1brica. \u00c9 evidente, h\u00e1 anos, a necessidade de se garantir melhores condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a aos trabalhadores da CMPC e de qualidade de vida para os moradores do entorno, fatos que, mesmo sendo de alta gravidade, n\u00e3o tem medidas eficazes tomadas pelas autoridades respons\u00e1veis \u00e0 n\u00edvel municipal ou estadual, al\u00e9m disto estes fatos n\u00e3o s\u00e3o sequer discutidos pela sociedade, construindo uma apar\u00eancia de que as opera\u00e7\u00f5es industriais e os monocultivos de eucaliptos no Bioma Pampa n\u00e3o causam nenhum impacto, o que \u00e9 refor\u00e7ado pelas a\u00e7\u00f5es de m\u00eddia da CMPC, a patrocinadora do Campeonato Ga\u00facho de Futebol, que at\u00e9 tem um time fict\u00edcio chamado Defensores da Natureza! Mas, para al\u00e9m do que ocorre onde a CMPC j\u00e1 opera, \u00e9 preciso alertar que a empresa est\u00e1 em processo de licenciamento ambiental para a instala\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica ainda maior que a de Gua\u00edba, no munic\u00edpio vizinho de Barra do Ribeiro. Utilizando o mesmo sistema de branqueamento, que n\u00e3o \u00e9 Totalmente Livre de Cloro, o que seria a melhor tecnologia dispon\u00edvel. Aqui questionamos tamb\u00e9m, ainda \u00e9 necess\u00e1rio seguir branqueando papel? J\u00e1 foram identificadas, por um grupo multidisciplinar de t\u00e9cnicos e pesquisadores, uma s\u00e9rie de omiss\u00f5es, lacunas e problemas no Estudo de Impacto Ambiental do chamado \u201cProjeto Natureza\u201d, que faria uso massivo de \u00e1gua do Gua\u00edba e consequentemente despejaria uma nova carga de polui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m massiva em nosso querido e t\u00e3o maltratado manancial (242 milh\u00f5es de litros por dia, que somados aos 154 milh\u00f5es de litros j\u00e1 despejados por dia pela f\u00e1brica de Gua\u00edba equivalem \u00e0 um volume superior ao que Porto Alegre gera de esgoto diariamente), seus poluentes incluem o despejo potencial de dioxinas e furanos \u2013 altamente t\u00f3xicos, e elementos como nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo que podem agravar os epis\u00f3dios de flora\u00e7\u00e3o de cianobact\u00e9rias, que levam \u00e0quela conhecida colora\u00e7\u00e3o esverdeada e \u00e0s altera\u00e7\u00f5es de gosto e odor da nossa \u00e1gua e que tamb\u00e9m podem gerar subst\u00e2ncias t\u00f3xicas. 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