{"id":11200,"date":"2025-11-16T22:18:00","date_gmt":"2025-11-17T01:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11200"},"modified":"2025-11-18T10:30:10","modified_gmt":"2025-11-18T13:30:10","slug":"declaracao-da-cupula-dos-povos-rumo-a-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11200","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o da C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 COP30"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;N\u00f3s, da C\u00fapula dos Povos, reunidos em Bel\u00e9m do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, de 12 a 16 de novembro de 2025, declaramos aos povos do mundo o que acumulamos em lutas, debates, estudos, interc\u00e2mbios de experi\u00eancias, atividades culturais e depoimentos, ao longo de v\u00e1rios meses de prepara\u00e7\u00e3o e nestes dias aqui reunidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Nosso processo reuniu mais de 70.000 pessoas que comp\u00f5em movimentos locais, nacionais e internacionais de povos origin\u00e1rios e tradicionais, camponeses\/as, ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores\/as, extrativistas, marisqueiras, trabalhadores\/as da cidade, sindicalistas, popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, quebradeiras de coco baba\u00e7u, povos de terreiro, mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, jovens, afrodescendentes, pessoas idosas, dos povos da floresta, do campo, das periferias, dos mares, rios, lagos e mangues. Assumimos a tarefa de construir um mundo justo e democr\u00e1tico, com bem viver para todas e todos. Somos a unidade na diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; O avan\u00e7o da extrema direita, do fascismo e das guerras ao redor do mundo exacerba a crise clim\u00e1tica e a explora\u00e7\u00e3o da natureza e dos povos. Os pa\u00edses do norte global, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, e as classes dominantes s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis por essas crises. Saudamos a resist\u00eancia e nos solidarizamos com todos os povos que est\u00e3o sendo cruelmente atacados e amea\u00e7ados pelas for\u00e7as do imp\u00e9rio estadunidense, Israel e seus aliados da Europa. H\u00e1 mais de 80 anos, o povo palestino tem sido v\u00edtima de genoc\u00eddio praticado pelo Estado sionista de Israel, que bombardeou a faixa de Gaza, deslocou pela for\u00e7a milh\u00f5es de pessoas e matou dezenas de milhares de inocentes, a maioria crian\u00e7as, mulheres e idosos. Nosso rep\u00fadio total ao genoc\u00eddio praticado contra a Palestina. Nosso apoio e abra\u00e7o solid\u00e1rio ao povo que bravamente resiste, e ao movimento de Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Ao mesmo tempo, no mar do Caribe, os Estados Unidos intensificam sua presen\u00e7a imperial. Fazem-no expandindo opera\u00e7\u00f5es conjuntas, acordos e bases militares, em conluio com a extrema direita, sob o pretexto de combate ao narcotr\u00e1fico e ao terrorismo, como com a opera\u00e7\u00e3o rec\u00e9m anunciada \u201cLan\u00e7a do Sul\u201d. O imperialismo segue amea\u00e7ando a soberania dos povos, criminalizando movimentos sociais e legitimando interven\u00e7\u00f5es que historicamente serviram aos interesses privados na regi\u00e3o. Nos solidarizamos \u00e0 resist\u00eancia da Venezuela, Cuba, Haiti, Equador, Panam\u00e1, Col\u00f4mbia, El Salvador, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Mo\u00e7ambique, Nig\u00e9ria, Sud\u00e3o, e com os projetos de emancipa\u00e7\u00e3o dos povos do Sahel, Nepal e de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; N\u00e3o h\u00e1 vida sem natureza. N\u00e3o h\u00e1 vida sem a \u00e9tica e o trabalho de cuidados. Por isso, o feminismo \u00e9 parte central do nosso projeto pol\u00edtico. Colocamos o trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o da vida no centro, \u00e9 isso que nos diferencia radicalmente dos que querem preservar a l\u00f3gica e a din\u00e2mica de um sistema econ\u00f4mico que prioriza o lucro e a acumula\u00e7\u00e3o privada de riquezas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Nossa vis\u00e3o de mundo est\u00e1 orientada pelo internacionalismo popular, com interc\u00e2mbios de conhecimentos e saberes, que constroem la\u00e7os de solidariedade, lutas e de coopera\u00e7\u00e3o entre nossos povos. As verdadeiras solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o fortalecidas por esta troca de experi\u00eancias, desenvolvidas em nossos territ\u00f3rios e por muitas m\u00e3os. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas constru\u00e7\u00f5es. Por isso, saudamos o an\u00fancio da constru\u00e7\u00e3o do Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, pelos crimes socioambientais e pela crise clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Iniciamos nossa C\u00fapula dos Povos navegando pelos rios da Amaz\u00f4nia que, com suas \u00e1guas, nutrem todo o corpo. Como o sangue, sustentam a vida e alimentam um mar de encontros e esperan\u00e7as. Reconhecemos tamb\u00e9m a presen\u00e7a dos encantados e de outros seres fundamentais na cosmovis\u00e3o dos povos origin\u00e1rios e tradicionais, cuja for\u00e7a espiritual orienta caminhos, protege territ\u00f3rios e inspira as lutas pela vida, pela mem\u00f3ria e por um mundo de bem viver.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;Depois de mais de dois anos de constru\u00e7\u00e3o coletiva e de realizar a C\u00fapula dos Povos, afirmamos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 a causa principal da crise clim\u00e1tica crescente.\u00a0<\/strong>Os principais problemas ambientais do nosso tempo s\u00e3o consequ\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e descarte de mercadorias, sob a l\u00f3gica e dom\u00ednio do capital financeiro e das grandes corpora\u00e7\u00f5es capitalistas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>As comunidades perif\u00e9ricas s\u00e3o as mais afetadas pelos eventos clim\u00e1ticos extremos e o racismo ambiental.\u00a0<\/strong>Enfrentam, por um lado, a aus\u00eancia de pol\u00edticas de infraestrutura e de adapta\u00e7\u00e3o. Por outro, a falta de a\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o, em especial \u00e0s mulheres, jovens, pessoas empobrecidas e n\u00e3o brancas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>As empresas transnacionais, em cumplicidade com governos do norte global, est\u00e3o no centro de poder do sistema capitalista, racista e patriarcal,\u00a0<\/strong>sendo os atores que mais causam e mais se beneficiam das m\u00faltiplas crises que enfrentamos. As ind\u00fastrias de minera\u00e7\u00e3o, energia, das armas, o agroneg\u00f3cio e as Big Techs s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pela cat\u00e1strofe clim\u00e1tica em que vivemos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Somos contr\u00e1rios a qualquer falsa solu\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>a crise clim\u00e1tica que venha a perpetuar pr\u00e1ticas prejudiciais, criar riscos imprevis\u00edveis e desviar a aten\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es transformadoras e baseadas na justi\u00e7a clim\u00e1tica e dos povos, em todos os biomas e ecossistemas. Alertamos que o TFFF, sendo um programa financeirizado, n\u00e3o \u00e9 uma resposta adequada. Todos os projetos financeiros devem estar sujeitos a crit\u00e9rios de transpar\u00eancia, acesso democr\u00e1tico, participa\u00e7\u00e3o e benef\u00edcio real para as popula\u00e7\u00f5es afetadas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>\u00c9 evidente o fracasso do atual modelo de multilateralismo.\u00a0<\/strong>S\u00e3o cada vez mais recorrentes os crimes ambientais e os eventos clim\u00e1ticos extremos que ocasionam mortes e destrui\u00e7\u00e3o. Isto demonstra o fracasso das in\u00fameras confer\u00eancias e reuni\u00f5es mundiais que prometeram resolver esses problemas, mas nunca enfrentaram as suas causas estruturais.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 sendo implementada sob a l\u00f3gica capitalista<\/strong>. Apesar da amplia\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis, n\u00e3o houve redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. A expans\u00e3o das fontes de produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica acabou por se configurar tamb\u00e9m como um novo espa\u00e7o de acumula\u00e7\u00e3o de capital.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Finalmente, afirmamos que a privatiza\u00e7\u00e3o, mercantiliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o dos bens comuns e servi\u00e7os p\u00fablicos contrariam frontalmente os interesses populares.\u00a0<\/strong>Nestes marcos, as leis, institui\u00e7\u00f5es de Estado e a imensa maioria dos governos foram capturados, moldados e subordinados \u00e0 busca do lucro m\u00e1ximo pelo capital financeiro e pelas empresas transnacionais. S\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas para avan\u00e7ar na recupera\u00e7\u00e3o dos Estados e enfrentar\u00a0as\u00a0privatiza\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;Frente a esses desafios, propomos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O enfrentamento \u00e0s falsas solu\u00e7\u00f5es de mercado.\u00a0<\/strong>O ar, as florestas, as \u00e1guas, as terras, os min\u00e9rios e as fontes de energia n\u00e3o podem permanecer como propriedade privada nem serem apropriados, porque s\u00e3o bens comuns dos povos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Cobramos que haja participa\u00e7\u00e3o e protagonismo dos povos na constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, reconhecendo os saberes ancestrais.\u00a0<\/strong>A multidiversidade de culturas e de cosmovis\u00f5es, carrega sabedoria e conhecimentos ancestrais que os Estados devem reconhecer como refer\u00eancias para solu\u00e7\u00f5es \u00e0s m\u00faltiplas crises que assolam a humanidade e a M\u00e3e Natureza.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exigimos a demarca\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o das terras e territ\u00f3rios ind\u00edgenas e de outros povos e comunidades locais<\/strong>, uma vez que s\u00e3o quem garantem a floresta viva. Exigimos dos governos o desmatamento zero, o fim das queimadas criminosas, e pol\u00edticas de Estado para restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e atingidas pela crise clim\u00e1tica.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Reivindicamos a concretiza\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria popular e o fomento \u00e0 agroecologia, para garantia da soberania alimentar e combate \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria<\/strong>. Os povos produzem alimentos saud\u00e1veis, a fim de eliminar a fome no mundo, com base na coopera\u00e7\u00e3o e acesso a\u00a0t\u00e9cnicas e tecnologias de controle popular. Esse \u00e9 um exemplo de verdadeira solu\u00e7\u00e3o para combater a crise clim\u00e1tica.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Demandamos o combate ao racismo ambiental e a constru\u00e7\u00e3o de cidades justas e periferias vivas\u00a0<\/strong>atrav\u00e9s da implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e solu\u00e7\u00f5es ambientais. Os programas de moradia, saneamento, acesso e uso da \u00e1gua, tratamento de res\u00edduos s\u00f3lidos, arboriza\u00e7\u00e3o, e acesso \u00e0 terra e \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, devem considerar a integra\u00e7\u00e3o com a natureza. Queremos o investimento em pol\u00edticas de transporte p\u00fablico, coletivo e de qualidade, com tarifas zero. Essas s\u00e3o alternativas reais para o enfrentamento da crise clim\u00e1tica nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos no mundo todo, que devem ser implementadas com o devido financiamento para adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Defendemos a consulta direta, a participa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o popular das pol\u00edticas clim\u00e1ticas nas cidades<\/strong>, para o enfrentamento \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es do setor imobili\u00e1rio que t\u00eam avan\u00e7ado na mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida urbana. A cidade da transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e energ\u00e9tica dever\u00e1 ser uma cidade sem segrega\u00e7\u00e3o e que abrace a diversidade. Por fim, condicionar o financiamento clim\u00e1tico a protocolos que visem a perman\u00eancia habitacional e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a indeniza\u00e7\u00e3o justa para pessoas e comunidades com garantia de terra e moradia, tanto no campo quanto nas cidades.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exigimos o fim das guerras e a desmilitariza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Que todos os recursos financeiros destinados \u00e0s guerras e \u00e0 ind\u00fastria b\u00e9lica sejam revertidos para a transforma\u00e7\u00e3o desse mundo. Que as despesas militares sejam direcionadas \u00e0 repara\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es atingidas por desastres clim\u00e1ticos. Que sejam tomadas todas as medidas necess\u00e1rias para impedir e pressionar Israel, responsabilizando-o pelo genoc\u00eddio cometido contra o povo palestino.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exigimos a justa e plena repara\u00e7\u00e3o das perdas e danos impostos aos povos\u00a0<\/strong>pelos projetos de investimento destrutivos, pelas barragens, minera\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e desastres clim\u00e1ticos. Tamb\u00e9m exigimos que sejam julgados e punidos os culpados pelos crimes econ\u00f4micos e socioambientais que afetam milh\u00f5es de comunidades e fam\u00edlias em todo o mundo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Os trabalhos de reprodu\u00e7\u00e3o da vida devem ser visibilizados, valorizados, compreendidos como o que s\u00e3o \u2013 trabalho \u2013 e compartilhados no conjunto da sociedade e com o Estado<\/strong>. Esses s\u00e3o essenciais para a continuidade da vida humana e n\u00e3o humana no planeta. Isso tamb\u00e9m garante autonomia das mulheres, que n\u00e3o podem ser responsabilizadas individualmente pelo cuidado, mas devem ter suas contribui\u00e7\u00f5es consideradas: nosso trabalho sustenta a economia. Queremos um mundo com justi\u00e7a feminista, autonomia e participa\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Demandamos uma transi\u00e7\u00e3o justa, soberana e popular,\u00a0<\/strong>que garanta os direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, bem como o direito a condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas, liberdade sindical, negocia\u00e7\u00e3o coletiva e prote\u00e7\u00e3o social. Consideramos a energia como um bem comum e defendemos a supera\u00e7\u00e3o da pobreza e da depend\u00eancia energ\u00e9tica. Tanto o modelo energ\u00e9tico, quanto a pr\u00f3pria transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem violar a soberania de nenhum pa\u00eds do mundo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exigimos o fim da explora\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis\u00a0<\/strong>e apelamos aos governos para que desenvolvam mecanismos para garantir a n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis, visando uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, popular e inclusiva com soberania, prote\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios. Em particular na Amaz\u00f4nia e demais regi\u00f5es sens\u00edveis e essenciais para a vida no planeta.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Lutamos pelo financiamento p\u00fablico e taxa\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es e dos mais ricos.\u00a0<\/strong>Os custos da degrada\u00e7\u00e3o ambiental e das perdas impostas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es devem ser pagos pelos setores que mais se beneficiam desse modelo. Isso inclui fundos financeiros, bancos e corpora\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio, do hidroneg\u00f3cio, aquicultura e pesca industrial, da energia e da minera\u00e7\u00e3o. Esses atores tamb\u00e9m devem arcar com os investimentos necess\u00e1rios para uma transi\u00e7\u00e3o justa e voltada \u00e0s necessidades dos povos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exigimos que o financiamento clim\u00e1tico internacional n\u00e3o passe por institui\u00e7\u00f5es que aprofundam a desigualdade entre Norte e Sul<\/strong>, como o FMI e o Banco Mundial. Ele deve ser estruturado de forma justa, transparente e democr\u00e1tica. N\u00e3o s\u00e3o os povos e pa\u00edses do Sul global que devem continuar pagando d\u00edvidas \u00e0s pot\u00eancias dominantes. S\u00e3o esses pa\u00edses e suas corpora\u00e7\u00f5es que precisam come\u00e7ar a saldar a d\u00edvida socioambiental acumulada por s\u00e9culos de\u00a0pr\u00e1ticas imperialistas, colonialistas e racistas, pela apropria\u00e7\u00e3o de bens comuns e pela viol\u00eancia imposto a milh\u00f5es de pessoas mortas e escravizadas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Denunciamos a cont\u00ednua criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos, a persegui\u00e7\u00e3o, o assassinato e desaparecimento de nossas lideran\u00e7as\u00a0<\/strong>que lutam em defesa de seus territ\u00f3rios, bem como aos presos pol\u00edticos e presos palestinos que lutam por liberta\u00e7\u00e3o nacional. Reivindicamos a amplia\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o de defensores e defensoras de direitos humanos e socioambientais na agenda clim\u00e1tica global, no marco do Acordo de Escaz\u00fa e outras normativas regionais. Quando um defensor protege o territ\u00f3rio e a natureza, ele n\u00e3o protege apenas um indiv\u00edduo, mas todo um povo e beneficia toda a comunidade global.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Reivindicamos o fortalecimento de instrumentos internacionais que defendam os direitos dos povos<\/strong>, seus direitos consuetudin\u00e1rios e a integridade dos ecossistemas. Precisamos de um instrumento internacional juridicamente vinculante em mat\u00e9ria de direitos humanos e empresas transnacionais, que seja constru\u00eddo desde a realidade concreta das lutas das comunidades atingidas pelas viola\u00e7\u00f5es cometidas, exigindo direitos para os povos e regras para as empresas. Afirmamos ainda que a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Campesinos e de Outras Pessoas que Trabalham nas \u00c1reas Rurais (UNDROP) deve ser um dos pilares da governan\u00e7a clim\u00e1tica. A plena implementa\u00e7\u00e3o dos direitos camponeses devolve o povo aos territ\u00f3rios, contribui diretamente para a sua alimenta\u00e7\u00e3o, para o cuidado do solo e o esfriamento do planeta.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Por fim, consideramos que \u00e9 tempo de unificar nossas for\u00e7as e enfrentar o inimigo comum.&nbsp;<\/strong>Se a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 forte, a luta \u00e9 forte. Por esta raz\u00e3o, a nossa tarefa pol\u00edtica principal \u00e9 o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o dos povos em todos os pa\u00edses e continentes. Vamos enraizar nosso internacionalismo em cada territ\u00f3rio e fazer de cada territ\u00f3rio uma trincheira da luta internacional. \u00c9 tempo de avan\u00e7ar de modo mais organizado, independente e unificado, para aumentar nossa consci\u00eancia, for\u00e7a e combatividade. Este \u00e9 o caminho para resistir e vencer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201c<\/strong><strong><em>Povos do mundo: Uni-vos<\/em><\/strong><strong>\u201d<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;N\u00f3s, da C\u00fapula dos Povos, reunidos em Bel\u00e9m do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, de 12 a 16 de novembro de 2025, declaramos aos povos do mundo o que acumulamos em lutas, debates, estudos, interc\u00e2mbios de experi\u00eancias, atividades culturais e depoimentos, ao longo de v\u00e1rios meses de prepara\u00e7\u00e3o e nestes dias aqui reunidos. &nbsp; &nbsp; &nbsp; Nosso processo reuniu mais de 70.000 pessoas que comp\u00f5em movimentos locais, nacionais e internacionais de povos origin\u00e1rios e tradicionais, camponeses\/as, ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores\/as, extrativistas, marisqueiras, trabalhadores\/as da cidade, sindicalistas, popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, quebradeiras de coco baba\u00e7u, povos de terreiro, mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, jovens, afrodescendentes, pessoas idosas, dos povos da floresta, do campo, das periferias, dos mares, rios, lagos e mangues. Assumimos a tarefa de construir um mundo justo e democr\u00e1tico, com bem viver para todas e todos. Somos a unidade na diversidade. &nbsp; &nbsp; &nbsp; O avan\u00e7o da extrema direita, do fascismo e das guerras ao redor do mundo exacerba a crise clim\u00e1tica e a explora\u00e7\u00e3o da natureza e dos povos. Os pa\u00edses do norte global, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, e as classes dominantes s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis por essas crises. Saudamos a resist\u00eancia e nos solidarizamos com todos os povos que est\u00e3o sendo cruelmente atacados e amea\u00e7ados pelas for\u00e7as do imp\u00e9rio estadunidense, Israel e seus aliados da Europa. H\u00e1 mais de 80 anos, o povo palestino tem sido v\u00edtima de genoc\u00eddio praticado pelo Estado sionista de Israel, que bombardeou a faixa de Gaza, deslocou pela for\u00e7a milh\u00f5es de pessoas e matou dezenas de milhares de inocentes, a maioria crian\u00e7as, mulheres e idosos. Nosso rep\u00fadio total ao genoc\u00eddio praticado contra a Palestina. Nosso apoio e abra\u00e7o solid\u00e1rio ao povo que bravamente resiste, e ao movimento de Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS). &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ao mesmo tempo, no mar do Caribe, os Estados Unidos intensificam sua presen\u00e7a imperial. Fazem-no expandindo opera\u00e7\u00f5es conjuntas, acordos e bases militares, em conluio com a extrema direita, sob o pretexto de combate ao narcotr\u00e1fico e ao terrorismo, como com a opera\u00e7\u00e3o rec\u00e9m anunciada \u201cLan\u00e7a do Sul\u201d. O imperialismo segue amea\u00e7ando a soberania dos povos, criminalizando movimentos sociais e legitimando interven\u00e7\u00f5es que historicamente serviram aos interesses privados na regi\u00e3o. Nos solidarizamos \u00e0 resist\u00eancia da Venezuela, Cuba, Haiti, Equador, Panam\u00e1, Col\u00f4mbia, El Salvador, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Mo\u00e7ambique, Nig\u00e9ria, Sud\u00e3o, e com os projetos de emancipa\u00e7\u00e3o dos povos do Sahel, Nepal e de todo o mundo. &nbsp; &nbsp; &nbsp; N\u00e3o h\u00e1 vida sem natureza. N\u00e3o h\u00e1 vida sem a \u00e9tica e o trabalho de cuidados. Por isso, o feminismo \u00e9 parte central do nosso projeto pol\u00edtico. Colocamos o trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o da vida no centro, \u00e9 isso que nos diferencia radicalmente dos que querem preservar a l\u00f3gica e a din\u00e2mica de um sistema econ\u00f4mico que prioriza o lucro e a acumula\u00e7\u00e3o privada de riquezas. &nbsp; &nbsp; &nbsp; Nossa vis\u00e3o de mundo est\u00e1 orientada pelo internacionalismo popular, com interc\u00e2mbios de conhecimentos e saberes, que constroem la\u00e7os de solidariedade, lutas e de coopera\u00e7\u00e3o entre nossos povos. As verdadeiras solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o fortalecidas por esta troca de experi\u00eancias, desenvolvidas em nossos territ\u00f3rios e por muitas m\u00e3os. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas constru\u00e7\u00f5es. Por isso, saudamos o an\u00fancio da constru\u00e7\u00e3o do Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, pelos crimes socioambientais e pela crise clim\u00e1tica. &nbsp; &nbsp; &nbsp; Iniciamos nossa C\u00fapula dos Povos navegando pelos rios da Amaz\u00f4nia que, com suas \u00e1guas, nutrem todo o corpo. Como o sangue, sustentam a vida e alimentam um mar de encontros e esperan\u00e7as. Reconhecemos tamb\u00e9m a presen\u00e7a dos encantados e de outros seres fundamentais na cosmovis\u00e3o dos povos origin\u00e1rios e tradicionais, cuja for\u00e7a espiritual orienta caminhos, protege territ\u00f3rios e inspira as lutas pela vida, pela mem\u00f3ria e por um mundo de bem viver. &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;Depois de mais de dois anos de constru\u00e7\u00e3o coletiva e de realizar a C\u00fapula dos Povos, afirmamos: &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;Frente a esses desafios, propomos: Por fim, consideramos que \u00e9 tempo de unificar nossas for\u00e7as e enfrentar o inimigo comum.&nbsp;Se a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 forte, a luta \u00e9 forte. Por esta raz\u00e3o, a nossa tarefa pol\u00edtica principal \u00e9 o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o dos povos em todos os pa\u00edses e continentes. Vamos enraizar nosso internacionalismo em cada territ\u00f3rio e fazer de cada territ\u00f3rio uma trincheira da luta internacional. \u00c9 tempo de avan\u00e7ar de modo mais organizado, independente e unificado, para aumentar nossa consci\u00eancia, for\u00e7a e combatividade. Este \u00e9 o caminho para resistir e vencer. \u201cPovos do mundo: Uni-vos\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11201,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600,498,6,1833,1835,1840],"tags":[2086,254,2080,82,1792,2084,2092,2083,2088,1145,1644,2081,425,298,2101,2085,2091,1960,495,2082,2100,2087,1991,1329,2094,2093,1588,2090,1647,1632,760,2089,438,894,2099,2098,1962,1624,2095,2096,2097],"class_list":["post-11200","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antirracismo","category-defensoras-e-defensores-dos-territorios","category-justica-climatica-e-energetica","category-integracao-regional-dos-povos","category-saeb","category-si","tag-a-resposta-sao-os-povos-nos-territorios","tag-agroecologia","tag-amigas-da-terra-na-cupula-dos-povos","tag-atalc","tag-bds","tag-bem-viver","tag-cidades-justas","tag-combate-as-falsas-solucoes-de-mercado","tag-cooperacao-entre-povos","tag-cop30","tag-cupula-dos-povos","tag-declaracao-cupula-dos-povos","tag-direitos-dos-povos","tag-direitos-humanos","tag-direitos-territoriais","tag-emancipacao-dos-povos","tag-emarcacaoja","tag-emergencia-climatica-2","tag-feminismo-popular","tag-fim-do-racismo-ambiental","tag-financiamento-publico","tag-internacionalismo-popular","tag-justica-climatica-2","tag-palestina-livre","tag-participacao-e-gestao-popular","tag-periferias-vivas","tag-povos-nos-territorios","tag-protagonismo-dos-povos","tag-reforma-agraria-popular","tag-reforma-fundiaria","tag-reforma-urbana","tag-saberes-ancestrais","tag-soberania-alimentar","tag-solidariedade-internacionalista","tag-taxacao-das-corporacoes","tag-taxacao-dos-ricos","tag-territorios-de-vida-2","tag-titulacao-quilombola","tag-transicao-justa-2","tag-transicao-popular","tag-transicao-soberana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11200"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11202,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11200\/revisions\/11202"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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