{"id":11160,"date":"2025-07-20T13:38:42","date_gmt":"2025-07-20T16:38:42","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11160"},"modified":"2025-09-25T13:43:00","modified_gmt":"2025-09-25T16:43:00","slug":"carta-denuncia-desertos-verdes-da-suzano-e-seus-rastros-vermelhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11160","title":{"rendered":"Carta-Den\u00fancia: Desertos verdes da Suzano e seus rastros vermelhos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Vit\u00f3ria, 18 de julho de 2025.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de enorme gravidade o conflito por terra no Norte do Esp\u00edrito Santo. N\u00e3o bastassem o desaparecimento de rios e c\u00f3rregos, a extin\u00e7\u00e3o da fauna e da flora da mata atl\u00e2ntica, a guerra qu\u00edmica dos agrot\u00f3xicos. Aumenta a repress\u00e3o contra camponese\/as, sem terras, pescadore\/as, quilombolas e ind\u00edgenas. Crescem as amea\u00e7as das empresas de seguran\u00e7a patrimonial e da PM. Se exacerba a criminaliza\u00e7\u00e3o das principais lideran\u00e7as e a guerra preventiva contra toda e qualquer resist\u00eancia. O latif\u00fandio de eucalipto da Suzano Celulose cria ali um campo de batalha capixaba, que se estende como sesmaria, pelo extremo Sul da Bahia. Centenas de milhares de hectares de plantios industriais de eucalipto geneticamente modificado e de r\u00e1pido crescimento, protegidos por vigil\u00e2ncia m\u00e1xima. Muita terra sem gente e sem trabalho. E muita gente sem terra e sem emprego. Trata-se de um conflito de grandes dimens\u00f5es espaciais e temporais. Repeti\u00e7\u00e3o atualizada de uma velha hist\u00f3ria, nunca reparada, que se inicia desde a viol\u00eancia do escravismo colonial, depois se atualiza no imp\u00e9rio, depois nas rep\u00fablicas, na ditadura empresarial militar de 64, nos dias de hoje. Hist\u00f3ria desde sempre baseada na concentra\u00e7\u00e3o de terras e poder pelo latif\u00fandio agroexportador. Foi assim no pau brasil, no a\u00e7\u00facar,&nbsp; no caf\u00e9. Segue sendo no agroneg\u00f3cio da celulose. Explora\u00e7\u00e3o da natureza e do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, o que faz o INCRA no Esp\u00edrito Santo? Precarizado e sem or\u00e7amento adequado, nenhum territ\u00f3rio quilombola no Sap\u00ea do Norte foi titulado! Nada tamb\u00e9m de Reforma Agr\u00e1ria! Nacionalmente, a continuar nesse ritmo de Lula, CONAQ calcula que levaria pelo menos 2 mil anos para titular todos os territ\u00f3rios quilombolas do pa\u00eds. Estaremos em 4025!? Haja esperan\u00e7a! Enquanto isso, em Concei\u00e7\u00e3o da Barra, a comunidade de Linharinho conquistou em 2024 a publica\u00e7\u00e3o da sua Portaria com a \u00e1rea reduzida a 1\/3 do seu territ\u00f3rio original, e mesmo assim a Suzano Celulose apelou \u00e0 justi\u00e7a e conseguiu facilmente derrubar a publica\u00e7\u00e3o da portaria. Em S\u00e3o Mateus, a comunidade de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o est\u00e1 h\u00e1 4 anos tentando que o Estado pague por desapropria\u00e7\u00f5es dos fazendeiros. Mesmo com a justi\u00e7a cobrando, nada \u00e9 feito. Em todo Sap\u00ea do Norte, 35 comunidades resistem \u00e0 espera de titula\u00e7\u00e3o. Fam\u00edlias sem terras, acampadas e nas periferias urbanas das cidades da regi\u00e3o, esperam pela Reforma Agr\u00e1ria. O que faz o INCRA e o Governo Lula?? O que faz o Governador Casagrande??<\/p>\n\n\n\n<p>Incentivam a Suzano Celulose e o agroneg\u00f3cio com o maior Plano Safra da hist\u00f3ria! Pior, em maio de 2024, Lula sanciona a lei que libera de licenciamento ambiental o setor de silvicultura, e este ano n\u00e3o mobiliza a sociedade nem sequer sua base parlamentar contra o PL da Devasta\u00e7\u00e3o. Ao final de 2023, Casagrande j\u00e1 havia flexibilizado o licenciamento ambiental no Estado, com a mesma cara de pau que se lan\u00e7a como presidente do Cons\u00f3rcio Brasil Verde. Puro greenwashing para a COP30! Enquanto isso, o acesso \u00e0 \u00e1gua \u00e9 garantido pelas outorgas dadas \u00e0 Suzano, que \u00e9 recordista nacional do consumo empresarial:&nbsp; 469,8 bilh\u00f5es de litros por ano, em 59 outorgas espalhadas por oito estados de quatro regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As Mesas de concilia\u00e7\u00e3o de conflitos, criadas pelos governos Estadual e Federal, n\u00e3o garantem minimamente as mais b\u00e1sicas reivindica\u00e7\u00f5es quilombolas e dos trabalhadores sem terra, como \u00e1gua e terra. Nacionalmente, a CONAQ se retirou desse \u201cespa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o\u201d, por nunca ter nenhum representante do Estado com poder de atender suas demandas. No ES, a concilia\u00e7\u00e3o de conflitos coordenada pela SEDH do Governador Casagrande \u00e9, na verdade, dirigida pela pr\u00f3pria Suzano Celulose e seu batalh\u00e3o de advogados. As \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d se d\u00e3o em espa\u00e7o restrito, em que s\u00f3 entra quem o Estado e a empresa permitem. \u00c9 onde for\u00e7am um acordo que ignora os direitos quilombolas, o hist\u00f3rico de grilagem das terras pela Aracruz Celulose, as terras devolutas do Estado comprovadamente quilombolas, a fun\u00e7\u00e3o social da terra, e ainda as matr\u00edculas forjadas, que a empresa teve canceladas depois de a\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. Na \u201cconcilia\u00e7\u00e3o dos conflitos\u201d, a Suzano, como se fosse a leg\u00edtima propriet\u00e1ria, estipula uma quantidade m\u00ednima de terras por fam\u00edlias quilombolas (2,4 hectares) e um v\u00ednculo financeiro com os plantios de eucalipto da empresa. Segue a governan\u00e7a corporativa sobre essas terras e nenhum conflito resolvido. O que faz o Sr. Governador Casagrande e sua Secretaria Estadual de Direitos Humanos? Concilia para o lado do poder econ\u00f4mico e corporativo. Tenta a maquiagem de despejos \u201chumanizados\u201d! Uma farsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a Secretaria Estadual de Direitos Humanos do Governo Casagrande e o INCRA do Governo Lula apenas legitimam despejos em massa em todo Norte do Esp\u00edrito Santo. Enquanto isso, a Suzano Celulose parte para cima das Retomadas quilombolas, do\/as pescadore\/as, dos acampamentos de sem terras e camponeses, todos amea\u00e7ados por in\u00fameros processos de reintegra\u00e7\u00e3o de posse. As retomadas t\u00eam sido uma estrat\u00e9gia constru\u00edda pelos quilombolas desde 2006, quando&nbsp; iniciaram a recupera\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios. Basta de eucalipto cobrindo as nascentes dos c\u00f3rregos, avan\u00e7ando no que resta de mata ciliar, sombreando casas e envenenando lavouras. De l\u00e1 pra c\u00e1, o trabalho empenhado na transi\u00e7\u00e3o dos monocultivos de eucalipto em larga escala (s\u00f3 em Concei\u00e7\u00e3o da Barra representava mais de 60% do munic\u00edpio) possibilitou novos horizontes de vida, de autonomia, de liberdade e dignidade \u00e0s fam\u00edlias. Casas e farinheiras foram constru\u00eddas, nascentes e c\u00f3rregos v\u00eam sendo recuperados, agroflorestas desenvolvidas, alimentos foram plantados e comercializados, tanto para o poder p\u00fablico (PAA e PNAE) quanto diretamente com o consumidor em feiras p\u00fablicas e com co-produtores da tecnologia social do CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura).&nbsp; Enfrentando graves viol\u00eancias e conflitos, as retomadas quilombolas s\u00e3o uma conquista necess\u00e1ria e leg\u00edtima do uso social e ambiental da terra. Tudo isso agora est\u00e1 sob amea\u00e7a de despejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a seu Deserto Verde, a Suzano Celulose cerceou o direito de ir e vir, ao restringir os acessos com gelo baiano. Drones vigiam pr\u00f3ximo \u00e0s casas e comunidades. A seguran\u00e7a privada da empresa (hoje com o Grupo Souza Lima) patrulha, aborda e intimida com cachorros as fam\u00edlias que plantam e cuidam das terras e das \u00e1guas. A pol\u00edcia militar est\u00e1 a servi\u00e7o constante da empresa, sobretudo depois da assinatura do Termo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre a Secretaria de Estado de Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social e a Suzano Celulose, em janeiro de 2024. Longe da sala fechada de concilia\u00e7\u00e3o do Governo Casagrande, nos territ\u00f3rios quilombolas, nas \u00e1reas de interesse da Reforma Agr\u00e1ria, a repress\u00e3o se intensifica. As lideran\u00e7as comunit\u00e1rias s\u00e3o criminalizadas por defenderem o direito \u00e0 terra e por resistirem a sucessivas viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da gravidade da situa\u00e7\u00e3o social e ambiental na regi\u00e3o Norte do Esp\u00edrito Santo, a criminaliza\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as e comunidades, os despejos desumanos, a viol\u00eancia corporativa e do Estado apenas agravam e atualizam o conflito hist\u00f3rico e estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que haja justi\u00e7a e paz no Norte do Esp\u00edrito Santo. Basta de latif\u00fandio. Basta de monocultura de eucalipto. Basta de agrot\u00f3xicos. Basta de despejo! Pela defesa das retomadas e pela titula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios quilombolas do Sap\u00ea do Norte! Pela Reforma Agr\u00e1ria popular! Pela regulariza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios de pesca artesanal! Pela produ\u00e7\u00e3o familiar e camponesa de alimentos. Pela recupera\u00e7\u00e3o da mata atl\u00e2ntica!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FASE Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Originalmente publicado em Rede Alerta Contra Desertos Verdes, em julho de 2025, no link: <a href=\"https:\/\/alertacontradesertosverdes.org\/cartas-notas-manifestos\/carta-denuncia-desertos-verdes-da-suzano-e-seus-rastros-vermelhos\/\">https:\/\/alertacontradesertosverdes.org\/cartas-notas-manifestos\/carta-denuncia-desertos-verdes-da-suzano-e-seus-rastros-vermelhos\/<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vit\u00f3ria, 18 de julho de 2025. \u00c9 de enorme gravidade o conflito por terra no Norte do Esp\u00edrito Santo. N\u00e3o bastassem o desaparecimento de rios e c\u00f3rregos, a extin\u00e7\u00e3o da fauna e da flora da mata atl\u00e2ntica, a guerra qu\u00edmica dos agrot\u00f3xicos. Aumenta a repress\u00e3o contra camponese\/as, sem terras, pescadore\/as, quilombolas e ind\u00edgenas. 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Hist\u00f3ria desde sempre baseada na concentra\u00e7\u00e3o de terras e poder pelo latif\u00fandio agroexportador. Foi assim no pau brasil, no a\u00e7\u00facar,&nbsp; no caf\u00e9. Segue sendo no agroneg\u00f3cio da celulose. Explora\u00e7\u00e3o da natureza e do trabalho. Afinal, o que faz o INCRA no Esp\u00edrito Santo? Precarizado e sem or\u00e7amento adequado, nenhum territ\u00f3rio quilombola no Sap\u00ea do Norte foi titulado! Nada tamb\u00e9m de Reforma Agr\u00e1ria! Nacionalmente, a continuar nesse ritmo de Lula, CONAQ calcula que levaria pelo menos 2 mil anos para titular todos os territ\u00f3rios quilombolas do pa\u00eds. Estaremos em 4025!? Haja esperan\u00e7a! 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Nacionalmente, a CONAQ se retirou desse \u201cespa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o\u201d, por nunca ter nenhum representante do Estado com poder de atender suas demandas. No ES, a concilia\u00e7\u00e3o de conflitos coordenada pela SEDH do Governador Casagrande \u00e9, na verdade, dirigida pela pr\u00f3pria Suzano Celulose e seu batalh\u00e3o de advogados. As \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d se d\u00e3o em espa\u00e7o restrito, em que s\u00f3 entra quem o Estado e a empresa permitem. \u00c9 onde for\u00e7am um acordo que ignora os direitos quilombolas, o hist\u00f3rico de grilagem das terras pela Aracruz Celulose, as terras devolutas do Estado comprovadamente quilombolas, a fun\u00e7\u00e3o social da terra, e ainda as matr\u00edculas forjadas, que a empresa teve canceladas depois de a\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. 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