{"id":11083,"date":"2025-09-02T13:55:54","date_gmt":"2025-09-02T16:55:54","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11083"},"modified":"2025-09-03T10:59:05","modified_gmt":"2025-09-03T13:59:05","slug":"campanha-multiversidade-dos-povos-da-terra-de-mae-preta-apoie-a-aquisicao-da-kasa-das-juventudes-kilombola-periferica-indigena-e-lgbtqiapn-em-salvador-ba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11083","title":{"rendered":"Campanha Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta: Apoie a aquisi\u00e7\u00e3o da kasa das Juventudes kilombola, perif\u00e9rica, ind\u00edgena e LGBTQIAPN+ em Salvador (BA)"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><em>\u201cQuantas juventudes precisam sair de seus territ\u00f3rios para estudar, trabalhar, lutar por direitos? Quantas, quantos de n\u00f3s, nesses caminhos, t\u00eam seus corpos e seus sonhos enfraquecidos? Em Salvador, um grupo de jovens mulheres kilombolas est\u00e1 sonhando, junto \u00e0s suas mais velhas, um espa\u00e7o de acolhimento, desforma\u00e7\u00e3o e cuidado ancestral para que possamos nos reencontrar, estarmos juntes, proteger a vida e esperan\u00e7ar futuros poss\u00edveis n\u00e3o apenas para n\u00f3s, mas atrav\u00e9s de n\u00f3s\u201d &#8211; <\/em><em>CoMPaz<\/em><\/h6>\n\n\n\n<p><strong>\u201cEssa kasa \u00e9 nossa, essa kasa \u00e9 do povo,\u00a0\u00e9 akilombando que se faz um mundo novo\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Comunidade Kilombola Morada da Paz \u2013 Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta (CoMPaz) convoca territ\u00f3rios de vida, aliades, parceires e povos em luta para se unirem em solidariedade real e radical&nbsp; para garantir um espa\u00e7o de dignidade e reexist\u00eancia \u00e0s nossas juventudes.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos lan\u00e7ando a Campanha Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta para aquisi\u00e7\u00e3o de um local f\u00edsico para a Chopana Odomod\u00ea Odjango Filhas de M\u00e3e Preta, em Salvador (BA). Este espa\u00e7o ser\u00e1 um lar, um akilombamento para juventudes kilombolas, perif\u00e9ricas, de terreira, ind\u00edgenas, ribeirinhas, dissidentes e LGBTQIAPN+, tornando-se tamb\u00e9m um territ\u00f3rio de aprendizagem, cuidado e pr\u00e1tica coletiva. De compartilhamento de saberes e cuidados ancestrais com e para essas juventudes, contando com incid\u00eancias culturais, art\u00edsticas, pol\u00edticas, de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o pelo direito de ser e existir dos povos. Nessa caminhada, a casa auxiliar\u00e1 nas lutas individuais e coletivas, fazendo pulsar o sentido de defesa da vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-819x1024.jpeg?wsr\" alt=\"\" class=\"wp-image-11084\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-819x1024.jpeg 819w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-240x300.jpeg 240w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-768x960.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada.jpeg 864w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Chopana Odomod\u00ea Odjango: uma morada para a mem\u00f3ria e<\/em><\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong><em>para a vida<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Chopana Odomod\u00ea Odjango Filhas de M\u00e3e Preta \u00e9 um coletivo de mulheres jovens kilombolas majoritariamente negras, que cruzaram l\u00e9guas at\u00e9 Salvador para dar continuidade \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do seu Territ\u00f3rio. Tecendo sonhos onde as ganas das mais jovens se encontram com as saben\u00e7as das mais velhas, guiadas pela estrat\u00e9gia do akilombamento, elas criaram este espa\u00e7o de resist\u00eancia, resili\u00eancia e amor \u00e0 vida no contexto urbano de Salvador. Espa\u00e7o que neste momento busca se tornar tamb\u00e9m um local f\u00edsico. \u201cNossas pr\u00e1ticas e movimentos procuram salvaguardar a vida como forma de ressignificar a luta di\u00e1ria que nos move enquanto sociedade\u201d, evidenciam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A juventude negra e quilombola no Brasil carrega em seus corpos a marca da viol\u00eancia estrutural. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia (IPEA\/FBSP, 2023), 77% das v\u00edtimas de homic\u00eddios no pa\u00eds s\u00e3o negras; jovens negros t\u00eam quase tr\u00eas vezes mais chances de serem assassinados do que brancos. As mulheres negras, kilombolas e afro-ind\u00edgenas est\u00e3o entre as mais afetadas: 61% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio, ao mesmo tempo em que sustentam redes de cuidado, espiritualidade e resist\u00eancia. Em Salvador, a cidade mais negra fora da \u00c1frica, a juventude enfrenta o peso do desemprego, da viol\u00eancia policial e do racismo que insiste em negar dignidade mesmo em territ\u00f3rio de maioria negra (Geled\u00e9s, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas periferias, juventudes s\u00e3o criminalizadas e encarceradas. Nos territ\u00f3rios tradicionais, enfrentam o racismo institucional que lhes nega direitos b\u00e1sicos e s\u00e3o amea\u00e7adas por megaprojetos do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o, da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, al\u00e9m da abertura de rodovias e ferrovias que atravessam territ\u00f3rios ancestrais, fragmentam comunidades e desestruturam modos de vida. Esses empreendimentos, impostos sem consulta livre, pr\u00e9via e informada, resultam em expuls\u00f5es, desterritorializa\u00e7\u00e3o e rompimento dos v\u00ednculos com a terra, os rios e os encantados. A Comunidade Kilombola Morada da Paz \u2013 Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta (CoMPaz) \u00e9 exemplo vivo dessa realidade: cercada por press\u00f5es do agroneg\u00f3cio e projetos de expans\u00e3o rodovi\u00e1ria, resiste com firmeza \u00e0 l\u00f3gica colonial que busca arranc\u00e1-la de seu lugar de vida e encantamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que a aquisi\u00e7\u00e3o da Kasa das Juventudes, em Salvador, se coloca como levante e estrat\u00e9gia de resist\u00eancia coletiva: gesto insurgente das juventudes, em alian\u00e7a com suas mais velhas, para garantir dignidade, cuidado e prote\u00e7\u00e3o. A Choupana Odmod\u00ea Odjango Filhas de M\u00e3e Preta n\u00e3o \u00e9 apenas sonho, mas necessidade vital: ser\u00e1 morada, CoMKola ancestral, espa\u00e7o de luta e reexist\u00eancia para juventudes kilombolas, ind\u00edgenas, perif\u00e9ricas e LGBTQIAPN+.<\/p>\n\n\n\n<p>A juventude \u00e9 for\u00e7a insubmissa e criativa. Em seus corpos pulsa a ancestralidade que n\u00e3o se dobra, que insiste em semear futuros poss\u00edveis. Apoiar esta campanha \u00e9 romper com as l\u00f3gicas coloniais que negam vida \u00e0s juventudes negras e afirmar alian\u00e7as entre povos para viver com respeito, justi\u00e7a e esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Contribuir \u00e9 investir na vida e na Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta. \u00c9 tornar real uma kasa-kilombo-aldeia, onde as juventudes possam ser, existir e florescer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta: autonomia insurgente, alian\u00e7as ancestrais e presentes poss\u00edveis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta #cultura #campanha #vaquinha\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DUI-lk7kVEY?start=1&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Do Pampa \u00e0 Amaz\u00f4nia, em sete anos o coletivo acolheu mais de cinco mil pessoas, alcan\u00e7ando territ\u00f3rios em 18 estados do Brasil, abarcando especialmente kilombos, aldeias e retomadas ind\u00edgenas. Como exp\u00f5e Bawoy, jovem da CoMPaz: \u201cSomos a multiversidade que acontece entre comunidades tradicionais, periferias urbanas e nas brechas das universidades. Hoje somos mais de 50 comunidades entre Pampa e Amaz\u00f4nia, com forte presen\u00e7a no Par\u00e1, Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais. No Projeto da Multiversidade j\u00e1 produzimos mais de 60 encontros, viv\u00eancias, desforma\u00e7\u00f5es com mulheres, crian\u00e7as, jovens e lideran\u00e7as comunit\u00e1rias\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No intuito de ampliar esse alcance e enraizar o fortalecimento da comu(m)unidade das lutas, nutrindo as juventudes, surge esta campanha. \u201cPedimos contribui\u00e7\u00e3o porque a autonomia n\u00e3o se sustenta sozinha. Apoiar a multiversidade \u00e9 apoiar o vivedouro da esperan\u00e7a, para que juntos possamos&nbsp; realizar esse sonho de ter a sede para que com mais seguran\u00e7a a gente possa acolher juventudes perif\u00e9ricas e dissidentes, possibilitando a amplia\u00e7\u00e3o dos sarais, o primeiro festival da multiversidade, o Encontro dos Tambores da Am\u00e9rica Latina e a incid\u00eancia pol\u00edtica para a&nbsp; salvaguarda da Lagoa de Abaet\u00e9\u201d, relata Bawoy.<\/p>\n\n\n\n<p>Rompendo com a violenta percep\u00e7\u00e3o colonialista de hist\u00f3ria \u00fanica, a <a href=\"https:\/\/multiversidademaep.wixsite.com\/multiversidade\">Multiversidade<\/a> dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta,&nbsp; traz o valor da complementaridade e do coabitar. E assim se prop\u00f5e tamb\u00e9m a futura morada baiana, numa trama insurgente protagonizada por mulheres guardi\u00e3s da mem\u00f3ria, da espiritualidade e do esperan\u00e7ar. \u201cPara os povos da terra, os saberes s\u00e3o m\u00faltiplos e diferentes, dizem sobre os diversos modos de ser e viver. Gostamos da diversidade e do encontro dos saberes, por isso chamamos Multiversidade, porque acreditamos que as hist\u00f3rias sobre a vida e o mundo podem ser contadas de muitos modos e todas carregam belezas, verdades e sabedorias\u201d. Nessa interconex\u00e3o, \u00ccy\u00e1las\u00e8 Yashodhan Abya Yala da Na\u00e7\u00e3o Muzungu\u00ea, Sangoma da Casa da S\u00e9tima Ordem, zeladora e protetora da CoMPaz, refor\u00e7ou o chamado da campanha com a urg\u00eancia de lutar em defesa das \u00e1guas, amea\u00e7adas pelo avan\u00e7o da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria: \u201cAuxilie a implantar o sonho da Multiversidade, onde preparamos e prepararemos pessoas para defender a Lagoa do Abaet\u00e9 e atender ao chamado das \u00e1guas. Conto com voc\u00ea\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Comunidade te convida a ser um fio nessa grande teia viva, participando da campanha <a href=\"https:\/\/benfeitoria.com\/projeto\/multiversidadedospovosdaterrademaepreta\">Multiversidade dos Povos<\/a> da Terra de M\u00e3e Preta. As doa\u00e7\u00f5es podem ser realizadas at\u00e9 final de setembro de 2025 e toda ajuda, da forma que couber dentro da possibilidade de cada pessoa, \u00e9 fundamental e faz toda a diferen\u00e7a. Doe, compartilhe e difunda a mensagem. Como se refere a Iyagba Ancestral M\u00e3e Preta: &#8220;Sempre fica perfume nas m\u00e3os de quem oferece flores.&#8221;&nbsp; <a href=\"https:\/\/benfeitoria.com\/projeto\/multiversidadedospovosdaterrademaepreta\">Acesse a campanha aqui e saiba como somar!&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-2-819x1024.jpeg?wsr\" alt=\"\" class=\"wp-image-11085\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-2-819x1024.jpeg 819w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-2-240x300.jpeg 240w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-2-768x960.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/campanha-morada-2.jpeg 864w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Outras formas de doar:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Banco: Sicoob | Coop: 4345-1 | Conta: 88.802-8<\/p>\n\n\n\n<p>Nome: Amay CoMPaz | Chave pix: multiversidade.compaz@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Al\u00e9m de um espa\u00e7o de acolhimento dos jovens, a casa ir\u00e1 proporcionar encontros revitalizadores para crian\u00e7as, pessoas jovens, adultas e mais velhas.<\/em><\/strong><em> <\/em><strong><em>Conhe\u00e7a algumas das atividades que voc\u00ea estar\u00e1 fortalecendo ao apoiar a campanha: <\/em><\/strong><strong><em><br><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Incid\u00eancia Formativa: <\/strong>Trabalho de base junto \u00e0 juventude, letramento de g\u00eanero e racial. Forma\u00e7\u00e3o de novas lideran\u00e7as. Refor\u00e7o Escolar com atividade de suporte \u00e0 aprendizagem para comunidade local perif\u00e9rica.<br><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Espa\u00e7o de cuidados integrativos biomentoespiritual kilombola:<\/strong>Refazimento e fortalecimento dos corpos. Terapias como auriculoterapia, reflexologia podal, musicoterapia, reiki, escuta do okan (cora\u00e7\u00e3o) e massagem.<br><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Horta Comunit\u00e1ria Kilombola: <\/strong>\u00a0Busca a promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, sustentabilidade, seguran\u00e7a alimentar, fortalecimento comunit\u00e1rio por meio do cuidado com a terra, plantio, manuten\u00e7\u00e3o e colheita de alimentos.<br><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Oficinas de estrat\u00e9gias de gera\u00e7\u00e3o de renda: <\/strong>Para a juventude, visando a ekosustentabilidade comunit\u00e1ria. Oficinas de saboaria, tinturas de ervas e velas.<br><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Espa\u00e7o de acolhimento: <\/strong>Para pessoas ind\u00edgenas, perif\u00e9ricas, kilombolas, LGBTQIAPN+ para as crian\u00e7as, jovens, gri\u00f5es, e mestras (es) que est\u00e3o passando por Salvador e buscam\u00a0 espa\u00e7o de moradia com valores acess\u00edveis, solid\u00e1rios e afetivos.<br><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Saraus po\u00e9ticos, musicais e culturais: <\/strong>Que criam um ambiente seguro e acolhedor para o debate sobre temas como identidade, g\u00eanero, sexualidade, empoderamento racial e enfrentamento ao racismo, com responsabilidade para sustentar as saben\u00e7as e dar continuidade aos princ\u00edpios da\u00a0 CoMPaz.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Festival N&#8217;goma: Primeiro Festival da Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta e Encontro dos Tambores da Am\u00e9rica Latina.<\/strong> Um encontro entre povos que fazem viva a ancestralidade no toque com o tambor, no cortejo que traz ao lado a mem\u00f3ria das mais velhas e semeia o futuro, no akilombar.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Incid\u00eancia Pol\u00edtica para a salvaguarda da Lagoa do Abaet\u00e9:<\/strong> Caminhada e rodas de di\u00e1logos em prol da conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental e estrat\u00e9gias de mobiliza\u00e7\u00e3o para a salvaguarda e prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, frente \u00e0s amea\u00e7as de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria da lagoa de Abaet\u00e9, que est\u00e1 passando por um processo de tombamento.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u201cNada justifica a falta de esperan\u00e7a\u201d &#8211; M\u00e3e Preta<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuantas juventudes precisam sair de seus territ\u00f3rios para estudar, trabalhar, lutar por direitos? Quantas, quantos de n\u00f3s, nesses caminhos, t\u00eam seus corpos e seus sonhos enfraquecidos? Em Salvador, um grupo de jovens mulheres kilombolas est\u00e1 sonhando, junto \u00e0s suas mais velhas, um espa\u00e7o de acolhimento, desforma\u00e7\u00e3o e cuidado ancestral para que possamos nos reencontrar, estarmos juntes, proteger a vida e esperan\u00e7ar futuros poss\u00edveis n\u00e3o apenas para n\u00f3s, mas atrav\u00e9s de n\u00f3s\u201d &#8211; CoMPaz \u201cEssa kasa \u00e9 nossa, essa kasa \u00e9 do povo,\u00a0\u00e9 akilombando que se faz um mundo novo\u201d A Comunidade Kilombola Morada da Paz \u2013 Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta (CoMPaz) convoca territ\u00f3rios de vida, aliades, parceires e povos em luta para se unirem em solidariedade real e radical&nbsp; para garantir um espa\u00e7o de dignidade e reexist\u00eancia \u00e0s nossas juventudes. Estamos lan\u00e7ando a Campanha Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta para aquisi\u00e7\u00e3o de um local f\u00edsico para a Chopana Odomod\u00ea Odjango Filhas de M\u00e3e Preta, em Salvador (BA). Este espa\u00e7o ser\u00e1 um lar, um akilombamento para juventudes kilombolas, perif\u00e9ricas, de terreira, ind\u00edgenas, ribeirinhas, dissidentes e LGBTQIAPN+, tornando-se tamb\u00e9m um territ\u00f3rio de aprendizagem, cuidado e pr\u00e1tica coletiva. De compartilhamento de saberes e cuidados ancestrais com e para essas juventudes, contando com incid\u00eancias culturais, art\u00edsticas, pol\u00edticas, de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o pelo direito de ser e existir dos povos. Nessa caminhada, a casa auxiliar\u00e1 nas lutas individuais e coletivas, fazendo pulsar o sentido de defesa da vida. Chopana Odomod\u00ea Odjango: uma morada para a mem\u00f3ria e para a vida A Chopana Odomod\u00ea Odjango Filhas de M\u00e3e Preta \u00e9 um coletivo de mulheres jovens kilombolas majoritariamente negras, que cruzaram l\u00e9guas at\u00e9 Salvador para dar continuidade \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do seu Territ\u00f3rio. Tecendo sonhos onde as ganas das mais jovens se encontram com as saben\u00e7as das mais velhas, guiadas pela estrat\u00e9gia do akilombamento, elas criaram este espa\u00e7o de resist\u00eancia, resili\u00eancia e amor \u00e0 vida no contexto urbano de Salvador. Espa\u00e7o que neste momento busca se tornar tamb\u00e9m um local f\u00edsico. \u201cNossas pr\u00e1ticas e movimentos procuram salvaguardar a vida como forma de ressignificar a luta di\u00e1ria que nos move enquanto sociedade\u201d, evidenciam.&nbsp; A juventude negra e quilombola no Brasil carrega em seus corpos a marca da viol\u00eancia estrutural. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia (IPEA\/FBSP, 2023), 77% das v\u00edtimas de homic\u00eddios no pa\u00eds s\u00e3o negras; jovens negros t\u00eam quase tr\u00eas vezes mais chances de serem assassinados do que brancos. As mulheres negras, kilombolas e afro-ind\u00edgenas est\u00e3o entre as mais afetadas: 61% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio, ao mesmo tempo em que sustentam redes de cuidado, espiritualidade e resist\u00eancia. Em Salvador, a cidade mais negra fora da \u00c1frica, a juventude enfrenta o peso do desemprego, da viol\u00eancia policial e do racismo que insiste em negar dignidade mesmo em territ\u00f3rio de maioria negra (Geled\u00e9s, 2024). Nas periferias, juventudes s\u00e3o criminalizadas e encarceradas. Nos territ\u00f3rios tradicionais, enfrentam o racismo institucional que lhes nega direitos b\u00e1sicos e s\u00e3o amea\u00e7adas por megaprojetos do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o, da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, al\u00e9m da abertura de rodovias e ferrovias que atravessam territ\u00f3rios ancestrais, fragmentam comunidades e desestruturam modos de vida. Esses empreendimentos, impostos sem consulta livre, pr\u00e9via e informada, resultam em expuls\u00f5es, desterritorializa\u00e7\u00e3o e rompimento dos v\u00ednculos com a terra, os rios e os encantados. A Comunidade Kilombola Morada da Paz \u2013 Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta (CoMPaz) \u00e9 exemplo vivo dessa realidade: cercada por press\u00f5es do agroneg\u00f3cio e projetos de expans\u00e3o rodovi\u00e1ria, resiste com firmeza \u00e0 l\u00f3gica colonial que busca arranc\u00e1-la de seu lugar de vida e encantamento. \u00c9 nesse contexto que a aquisi\u00e7\u00e3o da Kasa das Juventudes, em Salvador, se coloca como levante e estrat\u00e9gia de resist\u00eancia coletiva: gesto insurgente das juventudes, em alian\u00e7a com suas mais velhas, para garantir dignidade, cuidado e prote\u00e7\u00e3o. A Choupana Odmod\u00ea Odjango Filhas de M\u00e3e Preta n\u00e3o \u00e9 apenas sonho, mas necessidade vital: ser\u00e1 morada, CoMKola ancestral, espa\u00e7o de luta e reexist\u00eancia para juventudes kilombolas, ind\u00edgenas, perif\u00e9ricas e LGBTQIAPN+. A juventude \u00e9 for\u00e7a insubmissa e criativa. Em seus corpos pulsa a ancestralidade que n\u00e3o se dobra, que insiste em semear futuros poss\u00edveis. Apoiar esta campanha \u00e9 romper com as l\u00f3gicas coloniais que negam vida \u00e0s juventudes negras e afirmar alian\u00e7as entre povos para viver com respeito, justi\u00e7a e esperan\u00e7a. Contribuir \u00e9 investir na vida e na Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta. \u00c9 tornar real uma kasa-kilombo-aldeia, onde as juventudes possam ser, existir e florescer.&nbsp; Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta: autonomia insurgente, alian\u00e7as ancestrais e presentes poss\u00edveis Do Pampa \u00e0 Amaz\u00f4nia, em sete anos o coletivo acolheu mais de cinco mil pessoas, alcan\u00e7ando territ\u00f3rios em 18 estados do Brasil, abarcando especialmente kilombos, aldeias e retomadas ind\u00edgenas. Como exp\u00f5e Bawoy, jovem da CoMPaz: \u201cSomos a multiversidade que acontece entre comunidades tradicionais, periferias urbanas e nas brechas das universidades. Hoje somos mais de 50 comunidades entre Pampa e Amaz\u00f4nia, com forte presen\u00e7a no Par\u00e1, Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais. No Projeto da Multiversidade j\u00e1 produzimos mais de 60 encontros, viv\u00eancias, desforma\u00e7\u00f5es com mulheres, crian\u00e7as, jovens e lideran\u00e7as comunit\u00e1rias\u201d.&nbsp; No intuito de ampliar esse alcance e enraizar o fortalecimento da comu(m)unidade das lutas, nutrindo as juventudes, surge esta campanha. \u201cPedimos contribui\u00e7\u00e3o porque a autonomia n\u00e3o se sustenta sozinha. Apoiar a multiversidade \u00e9 apoiar o vivedouro da esperan\u00e7a, para que juntos possamos&nbsp; realizar esse sonho de ter a sede para que com mais seguran\u00e7a a gente possa acolher juventudes perif\u00e9ricas e dissidentes, possibilitando a amplia\u00e7\u00e3o dos sarais, o primeiro festival da multiversidade, o Encontro dos Tambores da Am\u00e9rica Latina e a incid\u00eancia pol\u00edtica para a&nbsp; salvaguarda da Lagoa de Abaet\u00e9\u201d, relata Bawoy. Rompendo com a violenta percep\u00e7\u00e3o colonialista de hist\u00f3ria \u00fanica, a Multiversidade dos Povos da Terra de M\u00e3e Preta,&nbsp; traz o valor da complementaridade e do coabitar. E assim se prop\u00f5e tamb\u00e9m a futura morada baiana, numa trama insurgente protagonizada por mulheres guardi\u00e3s da mem\u00f3ria, da espiritualidade e do esperan\u00e7ar. \u201cPara os povos da terra, os saberes s\u00e3o m\u00faltiplos e diferentes, dizem sobre os diversos modos de ser e viver. 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