{"id":11059,"date":"2025-07-23T16:08:30","date_gmt":"2025-07-23T19:08:30","guid":{"rendered":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11059"},"modified":"2025-08-12T16:09:05","modified_gmt":"2025-08-12T19:09:05","slug":"toda-vida-nos-importa-enfrentando-a-crise-climatica-com-justica-ambiental-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=11059","title":{"rendered":"Toda vida nos importa: enfrentando a crise clim\u00e1tica com justi\u00e7a ambiental no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste m\u00eas de julho, com muita alegria e f\u00e9 na luta dos povos organizados, lan\u00e7amos o estudo&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amigas-da-Terra-Justica-Climatica-WEB-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pol\u00edtica Nacional de Clima, participa\u00e7\u00e3o social e propostas dos povos do Brasil para a Justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/a><\/em>, resultado de uma parceria com a nossa correligion\u00e1ria Amigos da Terra na Alemanha (BUND) e apoio do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente da Alemanha (IKI).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcf2 <strong><em>Acesse o estudo na \u00edntegra em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/estudoclima_site\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/bit.ly\/estudoclima_site<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 fortalecer a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil nas&nbsp;<a href=\"https:\/\/www-brasildefato-com-br.webpkgcache.com\/doc\/-\/s\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2023\/06\/22\/as-politicas-ambientais-e-climaticas-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pol\u00edticas para o clima<\/a>&nbsp;e no monitoramento das metas nacionais determinadas para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa (NDCs), especialmente neste ano em que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/podcast\/tres-por-quatro\/2025\/06\/19\/cop30-pode-se-tornar-grande-farsa-capturada-por-agronegocio-e-mineracao-dizem-lideres-socioambientais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">acontece a COP30<\/a>, que ir\u00e1 tratar desses temas, no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando conclu\u00edmos o estudo em dezembro de 2024, o Brasil registrou o ano mais quente de sua hist\u00f3ria, o qual ser\u00e1 lembrado pelas consequ\u00eancias de um per\u00edodo sem precedentes de extremos clim\u00e1ticos: as&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/05\/22\/um-ano-da-enchente-no-rio-grande-do-sul-o-que-e-memoria-para-alguns-para-muitos-ainda-e-realidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">enchentes no Rio Grande do Sul e seus refugiados clim\u00e1ticos<\/a>, as queimadas no Pantanal e a seca nas regi\u00f5es Centro e Norte, afetando a vida nos biomas do Cerrado e da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a isso, governos, empresas e investidores t\u00eam engendrado uma estrat\u00e9gia de aprofundamento das privatiza\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os, espa\u00e7os, territ\u00f3rios, pol\u00edticas, tecnologias e bens comuns. Nesse contexto, com momentos de p\u00e2nico, cortes de energia, perdas e danos materiais e escassez h\u00eddrica, segue avan\u00e7ando o modelo neoliberal, suas desigualdades sociais, abismos econ\u00f4micos e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/29\/artigo-racismo-ambiental-no-brasil-a-urgente-necessidade-de-justica-e-igualdade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">racismo ambiental&nbsp;<\/a>e estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo tendo sido retomada a democracia no Brasil ap\u00f3s o golpe de 2016, seguido de quatro anos do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro e da pandemia da COVID, a maioria do Congresso Nacional, dos 27 governos estaduais e das mais de 5 mil gest\u00f5es municipais eleitas em outubro de 2024 pautam-se pelo retrocesso e pelo desrespeito aos direitos conquistados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio nos coloca rumo ao ultra conservadorismo neoliberal, que prega o Estado m\u00ednimo, que deve se fortalecer apenas no controle de corpos, territ\u00f3rios, espa\u00e7os e costumes.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, parte da sociedade civil brasileira, organiza\u00e7\u00f5es do movimento por justi\u00e7a ambiental, como a&nbsp;<em>Amigas da Terra Brasil<\/em>, em alian\u00e7a com movimentos populares de luta pela terra e por territ\u00f3rio, moradia, trabalho, direitos das mulheres e diversidades, povos ind\u00edgenas e quilombolas, povos das florestas, dos campos, das \u00e1guas e das cidades, presencia cada vez mais as desigualdades e assume os desafios de responder \u00e0s urg\u00eancias e viol\u00eancias dos desastres clim\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, assiste-se \u00e0s disputas pol\u00edticas e aos projetos de morte do grande capital transnacional, frente aos quais a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e o multilateralismo se provaram incapazes em minimamente deter os genoc\u00eddios \u2014 como ocorre na<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/05\/05\/palestina-israel-e-os-dois-estados-estado-colonial-e-estado-de-sitio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;Palestina pelo Estado de Israel&nbsp;<\/a>\u2014, de agir no sentido do cuidado da vida no planeta e salvaguardar a democracia frente ao avan\u00e7o do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o controle territorial \u00e0 governan\u00e7a global, a digitaliza\u00e7\u00e3o e o poder das&nbsp;<em>big techs<\/em>&nbsp;na vigil\u00e2ncia dos corpos, mentes, sonhos, biomas e urbes aprofundam uma dist\u00f3pica no\u00e7\u00e3o de democracia e liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os processos eleitorais e a capacidade de participa\u00e7\u00e3o e controle social das pol\u00edticas p\u00fablicas, inclusive de mitiga\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o, perdas e danos e da pr\u00f3pria gest\u00e3o, dos pr\u00e9 aos p\u00f3s-desastres clim\u00e1ticos, distanciam-se cada vez mais de um ideal de sociedades sustent\u00e1veis, organizadas, codependentes e ecodependentes, vivendo em harmonia com a natureza, onde a democracia, a participa\u00e7\u00e3o e os direitos humanos e dos povos sejam uma realidade, e a economia seja centrada no sustento da vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este estudo \u00e9 a nossa principal contribui\u00e7\u00e3o neste ano de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/05\/31\/povos-tradicionais-do-brasil-e-exterior-cobram-protagonismo-na-cop30-e-na-luta-contra-mudancas-climaticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COP30, encontro mundial organizado pela ONU<\/a>&nbsp;para tratar sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O governo brasileiro espera reunir mais de 30 mil pessoas no evento, que acontecer\u00e1 na capital do estado amaz\u00f4nico do Par\u00e1, em Bel\u00e9m, em novembro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Nele, agregamos saberes e perspectivas das pessoas envolvidas na autoria, a partir de suas trajet\u00f3rias na milit\u00e2ncia pela justi\u00e7a ambiental e da presen\u00e7a nos Territ\u00f3rios de Vida, do Pampa \u00e0 Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobretudo diante das realidades locais que nos demandam a\u00e7\u00e3o de resposta solid\u00e1ria cotidiana em tempos de caos clim\u00e1tico, este estudo tornou-se importante instrumento de reflex\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o coletiva de conhecimentos e estrat\u00e9gias de incid\u00eancia nas pol\u00edticas locais, regionais e nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 que a gente consiga disputar e enfrentar a crise clim\u00e1tica com justi\u00e7a ambiental e, principalmente na nossa incid\u00eancia como Amigas da Terra no processo de constru\u00e7\u00e3o de converg\u00eancia pol\u00edtica e mobiliza\u00e7\u00e3o popular da&nbsp;<a href=\"https:\/\/cupuladospovoscop30.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 Cop30<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro cap\u00edtulo, fazemos um breve resgate das&nbsp;<em>COPs na Am\u00e9rica Latina, no \u00e2mbito da UNFCCC: copta\u00e7\u00f5es, colonialismos e contradi\u00e7\u00f5es rumo \u00e0 COP30 na Amaz\u00f4nia brasileira<\/em>, resgatando mem\u00f3rias e experi\u00eancias da presen\u00e7a da Amigas da Terra nas COPs.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a disputas de narrativas e de resultados entre o que acontece dentro das negocia\u00e7\u00f5es oficiais, em sua maioria realizadas na Europa, nesses mais de 30 anos e a pot\u00eancia das converg\u00eancias dos movimentos populares internacionalistas no encontro dos povos, trazendo saberes dos seus territ\u00f3rios, vamos nos apropriando, protagonizando, ensinando e aprendendo sobre as causas estruturais, as falsas e as reais solu\u00e7\u00f5es pela justi\u00e7a clim\u00e1tica numa perspectiva popular e solid\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo cap\u00edtulo,&nbsp;<em>Dial\u00e9tica das NDCs brasileiras e as falsas 12 solu\u00e7\u00f5es setoriais para a justi\u00e7a clim\u00e1tica: uma an\u00e1lise da participa\u00e7\u00e3o social na constru\u00e7\u00e3o das metas de clima e as propostas populares em disputa<\/em>, apresenta os processos, as tend\u00eancias e os interesses na constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de clima no Brasil. Tratamos das movimenta\u00e7\u00f5es em torno desse debate at\u00e9 o per\u00edodo de discuss\u00e3o p\u00fablica na plataforma do Plano Clima Participativo, liderada pelo governo federal, que antecedeu a apresenta\u00e7\u00e3o da nova NDC Brasileira na COP 29, em Baku.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos as propostas elaboradas no \u00e2mbito do Grupo Carta de Bel\u00e9m, coletivo nacional de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos populares fundado na capital do Par\u00e1, em 2009, frente \u00e0s falsas solu\u00e7\u00f5es da financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza, de que n\u00e3o existem metas ou solu\u00e7\u00f5es reais para deter o caos clim\u00e1tico que n\u00e3o passem pela garantia do direito \u00e0 terra e ao territ\u00f3rio e a sabedoria resiliente dos povos h\u00e1 s\u00e9culos em resist\u00eancia deste lado do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro cap\u00edtulo,&nbsp;<em>Povos origin\u00e1rios e tradicionais no Brasil: territ\u00f3rios de vida na cultura do cuidado do clima e da biodiversidade<\/em>, buscamos costurar di\u00e1logos, ainda que institucionalmente estejamos distantes, entre as cosmovis\u00f5es dos povos origin\u00e1rios do Brasil e as linguagens e perspectivas tecnicistas e excludentes das COPs. Isso \u00e9 extremamente necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Falamos dos horizontes, que s\u00f3 ganham sentido a partir daquilo que est\u00e1 ao alcance das m\u00e3os e diante dos p\u00e9s na terra, na escuta e na presen\u00e7a nos territ\u00f3rios em retomada pelos povos Guarani, Kaingang e Xokleng no Rio Grande do Sul, nos biomas do Pampa e da Mata Atl\u00e2ntica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, o quarto cap\u00edtulo,&nbsp;<em>Uma vis\u00e3o das mulheres amaz\u00f4nidas sobre as viola\u00e7\u00f5es ao modo de ser e viver dos Povos da Terra no contexto das prepara\u00e7\u00f5es para a COP 30 no estado do Par\u00e1<\/em>, nos traz de volta ao que importa: a conflu\u00eancia das \u00e1guas que sobem, baixam, abrem e recriam caminhos, conectando as possibilidades reais de exist\u00eancia e reexist\u00eancia dos povos na megadiversidade que s\u00e3o as culturas e os biomas brasileiros, apesar e acima de todo discurso, viol\u00eancia e acaparamento pelo lucro empresarial de tudo que vem junto com a ilus\u00e3o das COPs.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres que aquilombam e reafirmam sua soberania sobre seus territ\u00f3rios e sonhos ensinam o que \u00e9 preciso negritar desde o cora\u00e7\u00e3o da floresta: n\u00e3o somos respons\u00e1veis pelo colapso que o planeta est\u00e1 vivendo. Sempre estivemos na outra ponta, protegendo, defendendo, salvaguardando a diversidade da vida, enquanto as grandes corpora\u00e7\u00f5es dos setores do petr\u00f3leo, agroneg\u00f3cio monocultural, carne, minera\u00e7\u00e3o e agrot\u00f3xicos, principais respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es de gases, causam o aquecimento global e atentam contra nossos espa\u00e7os-tempo de vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, nesse caminho turbulento rumo a Bel\u00e9m em 2025, tudo importa: come\u00e7ar pelo fim, que \u00e9 um novo come\u00e7o. Conhecer o ch\u00e3o criado pelos que estavam antes, pisado e machucado da Terra Preta na Amaz\u00f4nia, e os estragos e viola\u00e7\u00f5es trazidos pelas infraestruturas extrativas, exportadoras, especuladoras e colonizadoras, inclusive para a log\u00edstica do espet\u00e1culo da COP 30.<\/p>\n\n\n\n<p>Admirar-se com a pot\u00eancia pedag\u00f3gica das Retomadas dos Povos Ind\u00edgenas que sopram do nosso continente ao Sul para movimentar e desacomodar o Norte global.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisar as contradi\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es da participa\u00e7\u00e3o social nas pol\u00edticas de clima diante da captura corporativa que desmantela a democracia. E, retomando o tempo circular que reconstr\u00f3i a caminhada, os aprendizados e as mem\u00f3rias hist\u00f3ricas, reconhecer o lugar dos povos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe na reivindica\u00e7\u00e3o de seus processos emancipat\u00f3rios e da sua soberania para trilhar outros caminhos poss\u00edveis para o desenvolvimento da regi\u00e3o, de cuja megadiversidade codepende o clima e a vida nessa terra-casa comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperamos que essa contribui\u00e7\u00e3o dialogue com as realidades dos povos da nossa regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e Caribe, em permanente luta contra o colonialismo e o racismo, o imperialismo e o militarismo, o neoliberalismo e o patriarcado.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperamos, ainda, que alcance, al\u00e9m mares, as organiza\u00e7\u00f5es e os povos que lutam por justi\u00e7a ambiental ao redor do mundo, aproximando-as do contexto e da cultura dos povos do Brasil, da conjuntura pol\u00edtica em tempos de caos clim\u00e1tico e de capitalismo de desastres e de enfrentamento da extrema direita que assombra hoje todos os continentes e ilhas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Que possamos \u201csair das caixas\u201d, das limita\u00e7\u00f5es da m\u00e9trica do carbono e do distanciamento proposital da linguagem tecnicista dos espa\u00e7os internacionais de negocia\u00e7\u00f5es das COPs para construir a solidariedade internacionalista, real e radical entre os Povos da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Que possamos fortalecer cada vez mais o di\u00e1logo com aqueles que, h\u00e1 mais de 500 anos, resistem \u00e0s origens estruturais do modelo pol\u00edtico e econ\u00f4mico hegem\u00f4nico que nos trouxeram ao caos clim\u00e1tico, com abund\u00e2ncia de sabedoria, tecnologia e organiza\u00e7\u00e3o social para sonharmos juntos com um futuro melhor para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Editado por: Maria Teresa Cruz<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>Publicado originalmente no site do jornal Brasil de Fato em 22\/07\/2025 neste link: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/07\/22\/toda-vida-nos-importa-enfrentando-a-crise-climatica-com-justica-ambiental-no-brasil\/\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/07\/22\/toda-vida-nos-importa-enfrentando-a-crise-climatica-com-justica-ambiental-no-brasil\/<\/a><\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste m\u00eas de julho, com muita alegria e f\u00e9 na luta dos povos organizados, lan\u00e7amos o estudo&nbsp;Pol\u00edtica Nacional de Clima, participa\u00e7\u00e3o social e propostas dos povos do Brasil para a Justi\u00e7a clim\u00e1tica, resultado de uma parceria com a nossa correligion\u00e1ria Amigos da Terra na Alemanha (BUND) e apoio do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente da Alemanha (IKI). \ud83d\udcf2 Acesse o estudo na \u00edntegra em https:\/\/bit.ly\/estudoclima_site O objetivo \u00e9 fortalecer a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil nas&nbsp;pol\u00edticas para o clima&nbsp;e no monitoramento das metas nacionais determinadas para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa (NDCs), especialmente neste ano em que&nbsp;acontece a COP30, que ir\u00e1 tratar desses temas, no Brasil.&nbsp; Quando conclu\u00edmos o estudo em dezembro de 2024, o Brasil registrou o ano mais quente de sua hist\u00f3ria, o qual ser\u00e1 lembrado pelas consequ\u00eancias de um per\u00edodo sem precedentes de extremos clim\u00e1ticos: as&nbsp;enchentes no Rio Grande do Sul e seus refugiados clim\u00e1ticos, as queimadas no Pantanal e a seca nas regi\u00f5es Centro e Norte, afetando a vida nos biomas do Cerrado e da Amaz\u00f4nia. Frente a isso, governos, empresas e investidores t\u00eam engendrado uma estrat\u00e9gia de aprofundamento das privatiza\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os, espa\u00e7os, territ\u00f3rios, pol\u00edticas, tecnologias e bens comuns. Nesse contexto, com momentos de p\u00e2nico, cortes de energia, perdas e danos materiais e escassez h\u00eddrica, segue avan\u00e7ando o modelo neoliberal, suas desigualdades sociais, abismos econ\u00f4micos e o&nbsp;racismo ambiental&nbsp;e estrutural. Mesmo tendo sido retomada a democracia no Brasil ap\u00f3s o golpe de 2016, seguido de quatro anos do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro e da pandemia da COVID, a maioria do Congresso Nacional, dos 27 governos estaduais e das mais de 5 mil gest\u00f5es municipais eleitas em outubro de 2024 pautam-se pelo retrocesso e pelo desrespeito aos direitos conquistados. Esse cen\u00e1rio nos coloca rumo ao ultra conservadorismo neoliberal, que prega o Estado m\u00ednimo, que deve se fortalecer apenas no controle de corpos, territ\u00f3rios, espa\u00e7os e costumes. Enquanto isso, parte da sociedade civil brasileira, organiza\u00e7\u00f5es do movimento por justi\u00e7a ambiental, como a&nbsp;Amigas da Terra Brasil, em alian\u00e7a com movimentos populares de luta pela terra e por territ\u00f3rio, moradia, trabalho, direitos das mulheres e diversidades, povos ind\u00edgenas e quilombolas, povos das florestas, dos campos, das \u00e1guas e das cidades, presencia cada vez mais as desigualdades e assume os desafios de responder \u00e0s urg\u00eancias e viol\u00eancias dos desastres clim\u00e1ticos. Ao mesmo tempo, assiste-se \u00e0s disputas pol\u00edticas e aos projetos de morte do grande capital transnacional, frente aos quais a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e o multilateralismo se provaram incapazes em minimamente deter os genoc\u00eddios \u2014 como ocorre na&nbsp;Palestina pelo Estado de Israel&nbsp;\u2014, de agir no sentido do cuidado da vida no planeta e salvaguardar a democracia frente ao avan\u00e7o do fascismo. Desde o controle territorial \u00e0 governan\u00e7a global, a digitaliza\u00e7\u00e3o e o poder das&nbsp;big techs&nbsp;na vigil\u00e2ncia dos corpos, mentes, sonhos, biomas e urbes aprofundam uma dist\u00f3pica no\u00e7\u00e3o de democracia e liberdade. Os processos eleitorais e a capacidade de participa\u00e7\u00e3o e controle social das pol\u00edticas p\u00fablicas, inclusive de mitiga\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o, perdas e danos e da pr\u00f3pria gest\u00e3o, dos pr\u00e9 aos p\u00f3s-desastres clim\u00e1ticos, distanciam-se cada vez mais de um ideal de sociedades sustent\u00e1veis, organizadas, codependentes e ecodependentes, vivendo em harmonia com a natureza, onde a democracia, a participa\u00e7\u00e3o e os direitos humanos e dos povos sejam uma realidade, e a economia seja centrada no sustento da vida.&nbsp; Este estudo \u00e9 a nossa principal contribui\u00e7\u00e3o neste ano de&nbsp;COP30, encontro mundial organizado pela ONU&nbsp;para tratar sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O governo brasileiro espera reunir mais de 30 mil pessoas no evento, que acontecer\u00e1 na capital do estado amaz\u00f4nico do Par\u00e1, em Bel\u00e9m, em novembro de 2025. Nele, agregamos saberes e perspectivas das pessoas envolvidas na autoria, a partir de suas trajet\u00f3rias na milit\u00e2ncia pela justi\u00e7a ambiental e da presen\u00e7a nos Territ\u00f3rios de Vida, do Pampa \u00e0 Amaz\u00f4nia. Sobretudo diante das realidades locais que nos demandam a\u00e7\u00e3o de resposta solid\u00e1ria cotidiana em tempos de caos clim\u00e1tico, este estudo tornou-se importante instrumento de reflex\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o coletiva de conhecimentos e estrat\u00e9gias de incid\u00eancia nas pol\u00edticas locais, regionais e nacional. A ideia \u00e9 que a gente consiga disputar e enfrentar a crise clim\u00e1tica com justi\u00e7a ambiental e, principalmente na nossa incid\u00eancia como Amigas da Terra no processo de constru\u00e7\u00e3o de converg\u00eancia pol\u00edtica e mobiliza\u00e7\u00e3o popular da&nbsp;C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 Cop30. No primeiro cap\u00edtulo, fazemos um breve resgate das&nbsp;COPs na Am\u00e9rica Latina, no \u00e2mbito da UNFCCC: copta\u00e7\u00f5es, colonialismos e contradi\u00e7\u00f5es rumo \u00e0 COP30 na Amaz\u00f4nia brasileira, resgatando mem\u00f3rias e experi\u00eancias da presen\u00e7a da Amigas da Terra nas COPs. Frente a disputas de narrativas e de resultados entre o que acontece dentro das negocia\u00e7\u00f5es oficiais, em sua maioria realizadas na Europa, nesses mais de 30 anos e a pot\u00eancia das converg\u00eancias dos movimentos populares internacionalistas no encontro dos povos, trazendo saberes dos seus territ\u00f3rios, vamos nos apropriando, protagonizando, ensinando e aprendendo sobre as causas estruturais, as falsas e as reais solu\u00e7\u00f5es pela justi\u00e7a clim\u00e1tica numa perspectiva popular e solid\u00e1ria.&nbsp; O segundo cap\u00edtulo,&nbsp;Dial\u00e9tica das NDCs brasileiras e as falsas 12 solu\u00e7\u00f5es setoriais para a justi\u00e7a clim\u00e1tica: uma an\u00e1lise da participa\u00e7\u00e3o social na constru\u00e7\u00e3o das metas de clima e as propostas populares em disputa, apresenta os processos, as tend\u00eancias e os interesses na constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de clima no Brasil. Tratamos das movimenta\u00e7\u00f5es em torno desse debate at\u00e9 o per\u00edodo de discuss\u00e3o p\u00fablica na plataforma do Plano Clima Participativo, liderada pelo governo federal, que antecedeu a apresenta\u00e7\u00e3o da nova NDC Brasileira na COP 29, em Baku. Defendemos as propostas elaboradas no \u00e2mbito do Grupo Carta de Bel\u00e9m, coletivo nacional de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos populares fundado na capital do Par\u00e1, em 2009, frente \u00e0s falsas solu\u00e7\u00f5es da financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza, de que n\u00e3o existem metas ou solu\u00e7\u00f5es reais para deter o caos clim\u00e1tico que n\u00e3o passem pela garantia do direito \u00e0 terra e ao territ\u00f3rio e a sabedoria resiliente dos povos h\u00e1 s\u00e9culos em resist\u00eancia deste lado do planeta. No terceiro cap\u00edtulo,&nbsp;Povos origin\u00e1rios e tradicionais no Brasil: territ\u00f3rios de vida na cultura do cuidado do clima e da biodiversidade, buscamos costurar di\u00e1logos, ainda que<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11060,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[603,1830,6,602,1835],"tags":[432,367,1145,1644,1960,1266],"class_list":["post-11059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-brasil-de-fato","category-destaques","category-justica-climatica-e-energetica","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-saeb","tag-bund","tag-clima","tag-cop30","tag-cupula-dos-povos","tag-emergencia-climatica-2","tag-enchente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11059"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11059\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11062,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11059\/revisions\/11062"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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