{"id":1035,"date":"2018-10-01T16:41:23","date_gmt":"2018-10-01T19:41:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=1035"},"modified":"2025-06-17T16:06:41","modified_gmt":"2025-06-17T19:06:41","slug":"financeirizacao-da-natureza-organizacoes-de-40-cidades-denunciam-violacoes-de-direitos-contra-povos-e-territorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=1035","title":{"rendered":"Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza: organiza\u00e7\u00f5es de 40 cidades denunciam viola\u00e7\u00f5es de direitos contra povos e territ\u00f3rios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Semin\u00e1rio Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza ocorreu nos dias 27, 28 e 29 de agosto, em Porto Alegre, para discutir as viola\u00e7\u00f5es de direitos contra Povos e Territ\u00f3rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio &#8220;Financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza: viola\u00e7\u00f5es contra povos e territ\u00f3rios&#8221;, em Porto Alegre, grupos e organiza\u00e7\u00f5es campesinas, povos e comunidades tradicionais e trabalhadoras\/es do campo e da cidade de 40 munic\u00edpios brasileiros e tamb\u00e9m do Uruguai divulgaram uma carta final denunciando o contexto de viol\u00eancia e viola\u00e7\u00f5es de direitos que vem se agravando com a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o e do crescimento urbano e industrial (<em>abaixo, carta na \u00edntegra<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os movimentos, o judici\u00e1rio tamb\u00e9m n\u00e3o vem cumprindo o seu papel diante das den\u00fancias que s\u00e3o feitas pelas comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o semin\u00e1rio, foram discutidos os efeitos da financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza contra os povos tradicionais. Sob o argumento da preserva\u00e7\u00e3o ambiental,\u00a0a expuls\u00e3o dessas comunidades acontece de forma sistem\u00e1tica, como se n\u00e3o fossem estes povos e comunidades que v\u00eam conservando a biodiversidade ainda existente no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza consiste na pr\u00e1tica de estabelecer pre\u00e7o aos bens comuns, como o ar, a \u00e1gua e a biodiversidade. Para saber como isso ocorre, assista o v\u00eddeo a seguir.<\/p>\n<p><iframe title=\"\u201cA financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza privativa os bens comuns\u201d\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zwDmgtyg8Fc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobretudo, as\u00a0armadilhas da chamada Economia Verde buscam dar lugar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de condom\u00ednios, aeroportos, hidrel\u00e9tricas e complexos agroindustriais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contexto de viol\u00eancia e ataques aos direitos dos povos e territ\u00f3rios pode ser conferido no v\u00eddeo abaixo.<\/p>\n<p><iframe title=\"Semin\u00e1rio Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza: viola\u00e7\u00f5es de direitos contra Povos e Territ\u00f3rios\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RRscJkM5u4A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carta na \u00edntegra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00f3s, campesinas e campesinos, povos e comunidades tradicionais, trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade, de 40 munic\u00edpios de 6 estados Brasileiros (RS, SC, PR, SP, RJ, AC) e do Uruguai, participantes do Semin\u00e1rio Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza: viola\u00e7\u00f5es de direitos contra Povos e Territ\u00f3rios, realizado durante os dias 27 a 29 de agosto de 2018, em Porto Alegre, RS, reafirmamos que somos maioria neste pa\u00eds e estamos &#8211; h\u00e1 s\u00e9culos &#8211; vivenciando viol\u00eancias, amea\u00e7as e viola\u00e7\u00f5es de direitos conquistados. Contexto que s\u00f3 vem se agravando. A expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, da silvicultura, da minera\u00e7\u00e3o, a expans\u00e3o urbana e industrial, as grandes obras como hidrel\u00e9tricas, estradas, ferrovias, v\u00eam fragilizando as comunidades locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o provocada que, juntamente com a persegui\u00e7\u00e3o e morte de lideran\u00e7as locais, busca desestruturar as rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Assim, novas formas de controlar nossas vidas e nossos territ\u00f3rios v\u00e3o avan\u00e7ando, inclusive com respaldo legal, a exemplo da Lei<br \/>\n13.465\/2017 (lei da grilagem), do Programa Produtor de \u00c1gua da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) vinculado a Lei 9.433\/1997 (Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos) e do recente ataque ao Decreto 6040\/2007 (Pol\u00edtica Nacional de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel dos Povos e Comunidades Tradicionais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observamos que o judici\u00e1rio n\u00e3o tem cumprido seu papel de garantir o cumprimento dos nossos direitos frente \u00e0s viola\u00e7\u00f5es que s\u00e3o denunciadas, \u00e9 c\u00famplice e tem tamb\u00e9m responsabilidade pelo cen\u00e1rio de viola\u00e7\u00f5es de direitos, exemplo disso \u00e9 a recente realiza\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse contra os Kaingang que estavam em processo de retomada de seu territ\u00f3rio tradicionalmente ocupado na Floresta Nacional (FLONA) de Canela, da qual foram retirados e levados para a beira da estrada sem abrigo, com idosos e crian\u00e7as colocados no frio, por ordem judicial. Se at\u00e9 o momento o argumento usado para tantas injusti\u00e7as era econ\u00f4mico, agora o argumento \u00e9 tamb\u00e9m ambiental. Na Economia Verde a expuls\u00e3o dos povos e comunidades quer se justificar pela prote\u00e7\u00e3o da natureza, como se n\u00e3o fossem estes povos e comunidades que v\u00eam conservando a biodiversidade ainda existente no pa\u00eds. S\u00e3o armadilhas que resultam na remo\u00e7\u00e3o das comunidades para dar lugar \u00e0 expans\u00e3o do capital, como a constru\u00e7\u00e3o de condom\u00ednios, aeroportos, hidrel\u00e9tricas e complexos agroindustriais. As falsas solu\u00e7\u00f5es da Economia Verde buscam mapear nossos territ\u00f3rios e nossas pr\u00e1ticas, interpretando os bens comuns como \u201cservi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u201d, como a capta\u00e7\u00e3o de carbono e a conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, para que o modelo neoliberal de desenvolvimento, violador de direitos e devastador da sociobiodiversidade, n\u00e3o mude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transforma\u00e7\u00e3o dos bens comuns (que s\u00e3o nossos territ\u00f3rios, a biodiversidade, a \u00e1gua, o solo e o subsolo, o ar puro e o conhecimento tradicional) em mercadorias, e a especula\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o sobre estes bens comuns tem afetado nossas identidades, modo de vida, nossas<br \/>\nrela\u00e7\u00f5es culturalmente baseadas na reciprocidade, nossa sobreviv\u00eancia, al\u00e9m de ser uma estrat\u00e9gia que visa a nossa domina\u00e7\u00e3o, a nossa expuls\u00e3o dos territ\u00f3rios e a transfer\u00eancia destes bens comuns ao mercado especulativo de grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversos instrumentos de opress\u00e3o t\u00eam provocado nossa invisibilidade e descaracteriza\u00e7\u00e3o enquanto povos e comunidades que mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o mercadol\u00f3gica e n\u00e3o especulativa com a Terra e com o conjunto dos seres. Estamos cientes que estes instrumentos, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Zoneamento Ecol\u00f3gico Econ\u00f4mico (ZEE) e outros, est\u00e3o a<br \/>\nservi\u00e7o da manuten\u00e7\u00e3o do poder e da concentra\u00e7\u00e3o da riqueza na m\u00e3o da elite econ\u00f4mica e pol\u00edtica que transita entre setores p\u00fablicos e privados.<br \/>\nTamb\u00e9m estamos cientes que os instrumentos da Economia Verde, como Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA) e Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Florestal (REDD) reduzem nossos saberes e nossa autonomia, criminalizando nossas pr\u00e1ticas tradicionais<br \/>\nrelacionadas \u00e0 biodiversidade. Pol\u00edticas nacionais relacionadas ao clima est\u00e3o sendo constru\u00eddas e implementadas sem a participa\u00e7\u00e3o de povos e comunidades violando seus direitos de Consulta e Consentimento Livre, Pr\u00e9vio e Esclarecido antes de qualquer pol\u00edtica ou programa que afete nossa sustentabilidade cultural, social e econ\u00f4mica. Essa \u00e9 uma norma supralegal que prev\u00ea respeito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e comunidades tradicionais. Este modelo degradador que impacta nossas vidas e territ\u00f3rios tamb\u00e9m tem repercuss\u00f5es na vida de pessoas e comunidades que est\u00e3o em outros contextos, inclusive urbanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta de \u00e1gua em quantidade e qualidade, pela mudan\u00e7a no regime h\u00eddrico &#8211; com maiores e mais intensos per\u00edodos de estiagem e\/ou de precipita\u00e7\u00f5es torrenciais e o aumento da frequ\u00eancia de chuva \u00e1cida \u2013 \u00e9 um exemplo de como o cotidiano de todas pessoas \u00e9 afetado pela mercantiliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza. Nossa autonomia e liberdade \u00e9 nossa maior riqueza! Estamos unidas e unidos, em organiza\u00e7\u00f5es locais, movimentos sociais, em redes e articula\u00e7\u00f5es, resistiremos como temos resistido h\u00e1 s\u00e9culos de tantas amea\u00e7as e viola\u00e7\u00f5es. Seguiremos observando, debatendo, resistindo e reagindo. Ampliaremos nossos espa\u00e7os de estudo para compreender tantas siglas e mecanismos que, sabemos, tem o intuito de nos amedrontar, oprimir, criminalizar e dominar. Seguiremos construindo nossos instrumentos de luta, resguardando nossos segredos da gan\u00e2ncia do capital. Usaremos de nossa sabedoria, habilidade e espiritualidade para estarmos fortes e cada vez mais unidas e unidos em defesa de nossos direitos pois, somos a maioria nesse pa\u00eds!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exigiremos mais e melhores pol\u00edticas p\u00fablicas, adequadas a cultura e contexto vivido por cada povo ou comunidade, com participa\u00e7\u00e3o efetiva de representa\u00e7\u00f5es destes povos e comunidades na sua elabora\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o. A NATUREZA N\u00c3O SE VENDE, SE AMA E SE DEFENDE!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Organiza\u00e7\u00f5es e grupos presentes no Semin\u00e1rio Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza:<br \/>\n1. Aldeia Mby\u00e1 Guarani Teko\u00e1 Jata&#8217;ity\/ Ka&#8217;aguy Mirim \u2013 Cantagalo<br \/>\n2. Aldeia Mby\u00e1 Guarani Teko\u00e1 Nhundy \u2013 Estiva<br \/>\n3. Aldeia Mby\u00e1 Guarani Teko\u00e1 Para R\u00f5ke<br \/>\n4. Aldeia Kaingang V\u00e3n Ka \u2013 Lami<br \/>\n5. Aldeia Kaingang Ym\u00e3 F\u00e0g Nhin \u2013 Lomba do Pinheiro<br \/>\n6. Amigos da Terra Brasil<br \/>\n7. Amigos da Terra Internacional<br \/>\n8. Amigos do Meio Ambiente &#8211; AMA<br \/>\n9. Assentamento Nova Estrela<br \/>\n10. Assentamento Novo Alegrete<br \/>\n11. Assentamento Santa Maria do Ibicu\u00ed<br \/>\n12. Associa\u00e7\u00e3o Filhos da Terra<br \/>\n13. Associa\u00e7\u00e3o Homens e Mulheres do Mar &#8211; AHOMAR<br \/>\n14. Associa\u00e7\u00e3o Nascente Maquin\u00e9 &#8211; ANAMA<br \/>\n15. C\u00e1ritas Brasileira &#8211; Regional RS<br \/>\n16. Centro de Apoio e promo\u00e7\u00e3o da Agroecologia &#8211; CAPA<br \/>\n17. Centro de Estudos B\u00edblicos &#8211; CEBI<br \/>\n18. Coletivo Ambiente Cr\u00edtico<br \/>\n19. Coletivo Catarse de Comunica\u00e7\u00e3o<br \/>\n20. Comit\u00ea dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa<br \/>\n21. Comunica\u00e7\u00e3o Kuery<br \/>\n22. Comunidade Kilombola Morada da Paz<br \/>\n23. Comunidade Quilombola Armada<br \/>\n24. Comunidade Quilombola Corredor dos Munhos<br \/>\n25. Comunidade Quilombola Unidos de Lajeado<br \/>\n26. Conselho de Miss\u00e3o entre Povos Ind\u00edgenas &#8211; COMIN<br \/>\n27. Conselho Estadual de Direitos Humanos &#8211; CEDH<br \/>\n28. Coordena\u00e7\u00e3o Nacional das Comunidades Quilombolas &#8211; CONAQ<br \/>\n29. Forum de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Justi\u00e7a Social &#8211; FMCJS<br \/>\n30. Frente Quilombola &#8211; RS<br \/>\n31. Funda\u00e7\u00e3o Luterana de Diaconia &#8211; FLD<br \/>\n32. Grupo Carta de Bel\u00e9m<br \/>\n33. Instituto Biofilia<br \/>\n34. Instituto de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombo -IACOREQ<br \/>\n35. Instituto Econsci\u00eancia<br \/>\n36. Marcha Mundial das Mulheres &#8211; MMM<br \/>\n37. Movimento de Mulheres Camponesas &#8211; MMC<br \/>\n38. Movimento dos Atingidos por Barragens &#8211; MAB<br \/>\n39. Movimento dos Trabalhadores Desempregados &#8211; MTD<br \/>\n40. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra &#8211; MST<br \/>\n41. Movimento dos Trabalhadores Sem Teto &#8211; MTST<br \/>\n42. Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o &#8211; MAM<br \/>\n43. Movimento Roessler<br \/>\n44. Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales &#8211; WRN<br \/>\n45. N\u00facleo de Ecojornalistas &#8211; NEJ<br \/>\n46. Povos da Floresta \/ Acre<br \/>\n47. Rede Ecovida de Agreocologia<br \/>\n48. Uni\u00e3o Pela Preserva\u00e7\u00e3o do Camaqu\u00e3 &#8211; UPP<br \/>\n49. Universidade Federal de S\u00e3o Paulo &#8211; UNIFESP<br \/>\n50. Universidade Federal do Rio Grande do Sul &#8211; UFRGS<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><a style=\"color: #3366ff;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Carta-Final-Semin\u00e1rio-Financeiriza\u00e7\u00e3o_vers\u00e3o_final.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a><\/strong><\/span> a carta em PDF, para download.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais v\u00eddeos sobre a Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza:<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Grupos de Trabalho - Semin\u00e1rio Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ks3Q6V4N-Fo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe title=\"Quilombolas e ind\u00edgenas de todo o pa\u00eds t\u00eam mesmas lutas contra financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m3CPyx_d2Yc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semin\u00e1rio Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza ocorreu nos dias 27, 28 e 29 de agosto, em Porto Alegre, para discutir as viola\u00e7\u00f5es de direitos contra Povos e Territ\u00f3rios Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio &#8220;Financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza: viola\u00e7\u00f5es contra povos e territ\u00f3rios&#8221;, em Porto Alegre, grupos e organiza\u00e7\u00f5es campesinas, povos e comunidades tradicionais e trabalhadoras\/es do campo e da cidade de 40 munic\u00edpios brasileiros e tamb\u00e9m do Uruguai divulgaram uma carta final denunciando o contexto de viol\u00eancia e viola\u00e7\u00f5es de direitos que vem se agravando com a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o e do crescimento urbano e industrial (abaixo, carta na \u00edntegra). De acordo com os movimentos, o judici\u00e1rio tamb\u00e9m n\u00e3o vem cumprindo o seu papel diante das den\u00fancias que s\u00e3o feitas pelas comunidades. Durante o semin\u00e1rio, foram discutidos os efeitos da financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza contra os povos tradicionais. Sob o argumento da preserva\u00e7\u00e3o ambiental,\u00a0a expuls\u00e3o dessas comunidades acontece de forma sistem\u00e1tica, como se n\u00e3o fossem estes povos e comunidades que v\u00eam conservando a biodiversidade ainda existente no pa\u00eds. A financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza consiste na pr\u00e1tica de estabelecer pre\u00e7o aos bens comuns, como o ar, a \u00e1gua e a biodiversidade. Para saber como isso ocorre, assista o v\u00eddeo a seguir. Sobretudo, as\u00a0armadilhas da chamada Economia Verde buscam dar lugar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de condom\u00ednios, aeroportos, hidrel\u00e9tricas e complexos agroindustriais. O contexto de viol\u00eancia e ataques aos direitos dos povos e territ\u00f3rios pode ser conferido no v\u00eddeo abaixo. Carta na \u00edntegra &#8220;N\u00f3s, campesinas e campesinos, povos e comunidades tradicionais, trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade, de 40 munic\u00edpios de 6 estados Brasileiros (RS, SC, PR, SP, RJ, AC) e do Uruguai, participantes do Semin\u00e1rio Financeiriza\u00e7\u00e3o da Natureza: viola\u00e7\u00f5es de direitos contra Povos e Territ\u00f3rios, realizado durante os dias 27 a 29 de agosto de 2018, em Porto Alegre, RS, reafirmamos que somos maioria neste pa\u00eds e estamos &#8211; h\u00e1 s\u00e9culos &#8211; vivenciando viol\u00eancias, amea\u00e7as e viola\u00e7\u00f5es de direitos conquistados. Contexto que s\u00f3 vem se agravando. A expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, da silvicultura, da minera\u00e7\u00e3o, a expans\u00e3o urbana e industrial, as grandes obras como hidrel\u00e9tricas, estradas, ferrovias, v\u00eam fragilizando as comunidades locais. Sabemos que esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o provocada que, juntamente com a persegui\u00e7\u00e3o e morte de lideran\u00e7as locais, busca desestruturar as rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Assim, novas formas de controlar nossas vidas e nossos territ\u00f3rios v\u00e3o avan\u00e7ando, inclusive com respaldo legal, a exemplo da Lei 13.465\/2017 (lei da grilagem), do Programa Produtor de \u00c1gua da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) vinculado a Lei 9.433\/1997 (Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos) e do recente ataque ao Decreto 6040\/2007 (Pol\u00edtica Nacional de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel dos Povos e Comunidades Tradicionais). Observamos que o judici\u00e1rio n\u00e3o tem cumprido seu papel de garantir o cumprimento dos nossos direitos frente \u00e0s viola\u00e7\u00f5es que s\u00e3o denunciadas, \u00e9 c\u00famplice e tem tamb\u00e9m responsabilidade pelo cen\u00e1rio de viola\u00e7\u00f5es de direitos, exemplo disso \u00e9 a recente realiza\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse contra os Kaingang que estavam em processo de retomada de seu territ\u00f3rio tradicionalmente ocupado na Floresta Nacional (FLONA) de Canela, da qual foram retirados e levados para a beira da estrada sem abrigo, com idosos e crian\u00e7as colocados no frio, por ordem judicial. Se at\u00e9 o momento o argumento usado para tantas injusti\u00e7as era econ\u00f4mico, agora o argumento \u00e9 tamb\u00e9m ambiental. Na Economia Verde a expuls\u00e3o dos povos e comunidades quer se justificar pela prote\u00e7\u00e3o da natureza, como se n\u00e3o fossem estes povos e comunidades que v\u00eam conservando a biodiversidade ainda existente no pa\u00eds. S\u00e3o armadilhas que resultam na remo\u00e7\u00e3o das comunidades para dar lugar \u00e0 expans\u00e3o do capital, como a constru\u00e7\u00e3o de condom\u00ednios, aeroportos, hidrel\u00e9tricas e complexos agroindustriais. As falsas solu\u00e7\u00f5es da Economia Verde buscam mapear nossos territ\u00f3rios e nossas pr\u00e1ticas, interpretando os bens comuns como \u201cservi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u201d, como a capta\u00e7\u00e3o de carbono e a conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, para que o modelo neoliberal de desenvolvimento, violador de direitos e devastador da sociobiodiversidade, n\u00e3o mude. A transforma\u00e7\u00e3o dos bens comuns (que s\u00e3o nossos territ\u00f3rios, a biodiversidade, a \u00e1gua, o solo e o subsolo, o ar puro e o conhecimento tradicional) em mercadorias, e a especula\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o sobre estes bens comuns tem afetado nossas identidades, modo de vida, nossas rela\u00e7\u00f5es culturalmente baseadas na reciprocidade, nossa sobreviv\u00eancia, al\u00e9m de ser uma estrat\u00e9gia que visa a nossa domina\u00e7\u00e3o, a nossa expuls\u00e3o dos territ\u00f3rios e a transfer\u00eancia destes bens comuns ao mercado especulativo de grandes corpora\u00e7\u00f5es. Diversos instrumentos de opress\u00e3o t\u00eam provocado nossa invisibilidade e descaracteriza\u00e7\u00e3o enquanto povos e comunidades que mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o mercadol\u00f3gica e n\u00e3o especulativa com a Terra e com o conjunto dos seres. Estamos cientes que estes instrumentos, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Zoneamento Ecol\u00f3gico Econ\u00f4mico (ZEE) e outros, est\u00e3o a servi\u00e7o da manuten\u00e7\u00e3o do poder e da concentra\u00e7\u00e3o da riqueza na m\u00e3o da elite econ\u00f4mica e pol\u00edtica que transita entre setores p\u00fablicos e privados. Tamb\u00e9m estamos cientes que os instrumentos da Economia Verde, como Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA) e Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Florestal (REDD) reduzem nossos saberes e nossa autonomia, criminalizando nossas pr\u00e1ticas tradicionais relacionadas \u00e0 biodiversidade. Pol\u00edticas nacionais relacionadas ao clima est\u00e3o sendo constru\u00eddas e implementadas sem a participa\u00e7\u00e3o de povos e comunidades violando seus direitos de Consulta e Consentimento Livre, Pr\u00e9vio e Esclarecido antes de qualquer pol\u00edtica ou programa que afete nossa sustentabilidade cultural, social e econ\u00f4mica. Essa \u00e9 uma norma supralegal que prev\u00ea respeito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e comunidades tradicionais. Este modelo degradador que impacta nossas vidas e territ\u00f3rios tamb\u00e9m tem repercuss\u00f5es na vida de pessoas e comunidades que est\u00e3o em outros contextos, inclusive urbanos. A falta de \u00e1gua em quantidade e qualidade, pela mudan\u00e7a no regime h\u00eddrico &#8211; com maiores e mais intensos per\u00edodos de estiagem e\/ou de precipita\u00e7\u00f5es torrenciais e o aumento da frequ\u00eancia de chuva \u00e1cida \u2013 \u00e9 um exemplo de como o cotidiano de todas pessoas \u00e9 afetado pela mercantiliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza. Nossa autonomia e liberdade \u00e9 nossa maior riqueza! Estamos unidas e unidos, em organiza\u00e7\u00f5es locais, movimentos sociais, em redes e articula\u00e7\u00f5es, resistiremos como temos resistido h\u00e1 s\u00e9culos de tantas amea\u00e7as e viola\u00e7\u00f5es. Seguiremos<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1037,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600,602,5,1835],"tags":[],"class_list":["post-1035","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antirracismo","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1035"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1035\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9939,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1035\/revisions\/9939"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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